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Pai dos Pobres ?

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Pai dos Pobres ?

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Autor: Robert M Levine

Editora: Companhia das Letras

Assunto: História

Traduzido por: Anna Olga de Barros Barreto

Páginas: 278

Ano de edição: 2001

Peso: 355 g

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Excelente
Marcio Mafra
26/03/2006 às 19:04
Brasília - DF

Pai dos pobres ? O Brasil e A Era Vargas é mais que um livro é um tratado de política e de história do Brasil. Qualquer um que precise, goste ou queira compreender a política brasileira dos anos 2000, terá que ler o Pai dos Pobres. Getúlio era um ditador implacável dos anos 20, 30, 40 e 50, mestre em ocultar suas verdadeiras intenções. O que se diz do "político mineiro", certamente eles aprenderam com o gaúcho Vargas. Ele era um homem baixinho, carrancudo, vingativo, difícil de ser decifrado, até pelos amigos. Para mascarar a simplicidade cultivava a brandura. Nunca respondia de imediato, dizia que preferia pensar bem, antes de falar. Os áulicos, os amigos e os inimigos, face ao "autismo político" aprenderam a não confiar nele. Ao longo de sua carreira, Vargas permaneceu uma figura misteriosa, enigmática e inescrutável.É dele a postura de "inimigo" hoje, "parceiro" de amanhã. Mesmo após a leitura do livro ficamos sem saber, até que ponto, o indigitado ditador sofreu a influência fascista das décadas de 20 e 30. O corporativismo brasileiro foi clonado do fascismo europeu e recebeu forte influência do New Deal, que foi quase um fascismo americano do norte. O Ditador brasileiro, nascido burgues-fazendeiro era um pragmático que confiava mais na sua ideologia que nas doutrinas sociais da época. Mesmo assim, ele trocava de direção política, assim como quem troca de camisa, numa imitação caricata de seu contemporâneo Delano Roosevelt. Na verdade ambos eram reformistas e paradoxalmente conservadores. Provavelmente qualquer pessoa - governante ou não - autoritária, burguesa e extraordinariamente vaidosa, proprietária de uma personalidade "complexa", "introvertida" e "enigmática" acabaria por suicidar, quando se sentisse humilhada e emparedada. Nas semanas que antecederam o suicídio, Getulio se viu às voltas com uma oposição implacável nas denúncias de corrupção. A inflação também já despontava como um sério mal econômico e seu parentes e outros palacianos se viram envolvidos na tentativa de assassinar Carlos Lacerda, o corvo udenista. Um mar de lama corria sob os porões do Palácio do Catete. Caso não tivesse suicidado, o ditador Getulio Vargas teria sido derrubado e, provavelmente, levado a julgamento, como aconteceu com Collor e sua entourage, em tempos mais recentes. O gesto suicida foi a única alternativa para o Ditador Vargas garantir um lugar de destaque na história brasileira do século passado. "Saio da vida para entrar na história" disse o ditador em sua carta testamento. A frase é de uma vaidade cavalar! Esta, aliás, é outra peça do anedotário nacional. Sabe-se que Vargas não a escreveu. Mas isso não importa. O importante é que enquanto os Estados Unidos, no mesmo período, preservaram sua estrutura democrática o Brasil não tinha o que preservar. Não tinha tradição de partidos políticos, o que fez Getulio Vargas governar por meio de paternalismo e negociações espúrias, assim como ainda praticam nossos governantes, em pleno 2006. Golpes e tentativas de golpes continuaram a existir depois de seu suicídio. Nisso o Brasil fez escola e tradição. Tanto é que em 64 tivemos a mais implacável das ditaduras militares, imposta por um vergonhoso golpe e nojento assalto ao governo constituído de então. A mais nojenta das ditaduras militares do Brasil foi derrogada cerca de 20 anos depois de iniciada. Pai dos pobres? A interrogação tem lugar. Robert Levine fez um livro mais que bom. Precisava um americano vir aqui, bancar um brazilianista e reescrever sem paixão, mais com muita simplicidade e transparência a história política recente do Brasil. Não se pode entender a política atual (2006) do Brasil, sem buscar as suas origens. O livro é excelente.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história do Brasil durante a era do ditador Getulio Dornelles Vargas.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O suicídio de Vargas em 1954 produziu efusões de dor equivalentes em intensidade e abrangência ao choque sincero sentido pela maioria dos americanos com a morte de Franklin D. Roosevelt em 1945. Ainda que Vargas não tenha propiciado muita coisa, e embora a estrutura hierárquica arcaica da oligarquia brasileira tenha permanecido intacta, ele foi o primeiro político a levar dignidade ao povo brasileiro. O contraste entre o espírito político da República Velha, que desprezava a gente do povo, e a retórica incentivadora dos programas de rádio, dos discursos e das aparições públicas de Vargas, que chegava até aos rincões mais remotos do vasto país, era assombroso. Para as massas, Vargas de fato tornara-se o pai dos pobres. E, para os nacionalistas, a veemência da admoestação contra o imperialismo e os interesses estrangeiros que regeu sua carta-testamento confirmou-o como profeta e vidente. De certo modo, o alerta de Vargas equiparava-se à atitude de seu contemporâneo Dwight D. Eisenhower, quando este preveniu os americanos acerca do "complexo civil e militar", mas enquanto Eisenhower foi ignorado, a campanha de Vargas contra a dominação estrangeira galvanizou um certo setor da opinião pública, embora tenha sucumbido ao desenvolvimentismo de Kubitschek e do regime militar das décadas de 60 e 70. Vargas deixou sua marca no Brasil durante toda sua carreira política, mas foi sobretudo o Estado Novo que teve uma influência duradoura. O legado desse período não foi de leis e decretos, mas de indivíduos. Muitos atores da era Vargas permaneceram no palco anos depois de sua morte. Francisco Campos, o autor da Constituição de 1937, desempenhou importante papel no golpe militar de 1964, e Filinto Müller, o detestado chefe de polícia, ocupou, durante os anos mais repressivos da ditadura, uma cadeira no Senado como presidente da Arena, o partido da linhadura. Amaral Peixoto, genro de Vargas, tornou-se governador do Rio de Janeiro, e Ademar de Barros, demitido por Vargas do posto de interventor em São Paulo em 1941, emergiu como aliado de Getúlio durante a década de 50, famoso pelo rótulo cínico que o acompanhava: "Ele rouba, mas faz". Vargas, assim como os presidentes populistas que lhe sucederam, despertou precárias expectativas públicas. Ele assistiu à expansão do eleitorado em níveis de participação inusitados, e a Constituição de 1946 - para alguns, dando mostras de idealismo (mas, para outros, de manipulação cínica) - tornou o voto obrigatório, uma medida arriscada num país possuidor de um dos piores sistemas públicos de ensino do hemisfério. Os longos períodos de autoritarismo sob o governo Vargas e, de novo, sob a ditadura militar pós-1964 não prepararam bem as novas gerações de eleitores para lidar com campanhas eleitorais abertas. Na década de 80, quando todos os brasileiros acima de dezoito anos foram chamados a votar, a política eleitoral tornou-se um concurso alimentado por agências de publicidade, frases de efeito e chamadas de quinze segundos na televisão. As expectativas dos anos populistas transportaram-se para a atmosfera carnavalizada das campanhas da década de 50. A proliferação de partidos políticos baseados em personalidades e de alianças eleitorais intercambiáveis, fundamentadas em acordos, culminou na eleição de Fernando Collor em 1990, político que sofreria um impeachment e seria forçado a renunciar ao governo por corrupção clamorosa. Na melhor das hipóteses, é mera especulação procurar distinguir entre mudanças atribuíveis especificamente a Vargas e seu governo e aquelas automáticas, provocadas pela evolução e modernização da estrutura de governo. Todos os governos ocidentais experimentaram crescente burocratização durante o século xx, concedendo a administradores estatais em todos os níveis o poder de partilhar e selecionar as políticas dos Estados. Nas democracias, uma das maneiras de estimar novas políticas é avaliá-las em função do sucesso ou fracasso de políticas anteriores. No caso brasileiro, no entanto, as transições agudas e abruptas de um tipo de regime a outro depois de 1930 e a substituição completa do elenco de administradores e nomeações políticas impossibilitaram que isso ocorresse. Tampouco estavam os tecnocratas do Estado Novo particularmente interessados nos sucessos de governos anteriores, uma vez que seu endosso do corporativismo lhes deu um guia já pronto a partir do qual administrar o mesmo se aplica a Dutra em 1945, Vargas em 1950 e, em menor grau, a Kubitschek em 1956; cada um mergulhou em novas iniciativas, embora ao mesmo tempo preservando tacitamente as velhas hierarquias e a estrutura de poder, o que resultou em mudanças reais muito pequenas. a sistema de previdência social de Vargas durou décadas - apenas em meados dos anos 90 os fundos de pensão privados começaram a suplementar de fato o sistema universal gerido pelo Estado -, muito embora esse sistema estatal fosse quase sempre considerado inadequado. Em meados dos anos 50, quatro em cada dez brasileiros ainda viviam abaixo da linha da pobreza, um total que equivalia a toda a população do Brasil em 1930. Considerando-se os grandes gastos no setor público para melhoria das condições de saneamento, saúde e abastecimento de água na década de 70, e à crescente diversificação da economia urbana depois de 1950, é claro que esse percentual deve ter sido muito mais elevado à época de Vargas. A pobreza sempre permeou a zona rural, e antes de 1955 a população brasileira era muito mais rural do que hoje. De 60% a 65% dos nordestinos viviam abaixo da linha da pobreza em 1994; o número deve ter sido duas vezes maior em décadas anteriores. Dentre as áreas mais afetadas pela deficiência de políticas públicas, os pesquisadores identificaram moradia e educação, apontando a rápida deterioração da infra-estrutura habitacional. Isto resume também o legado social de Vargas: suas reformas quase nunca chegaram aos que mais necessitavam delas. As leis getulistas nunca pretenderam abolir o profundo fosso entre ricos e pobres. Apenas aquelas baseadas em conceitos de justiça redistributiva poderiam ter provocado mudanças reais, mas esse era um conceito estranho a Vargas e às classes altas. Suas reformas elevaram a qualidade de vida de milhões, mas também aumentaram a distância que separava milhões de brasileiros do patamar em que viviam os mais afluentes. Elas modernizaram o Brasil, mas não fizeram muito para expandir o mercado interno, combater o subemprego, facilitar a aquisição de terras, fornecer ensino técnico ou eliminar a condição de pária em que viviam homens e mulheres condenados pela falta de oportunidades a uma pobreza opressiva. O período entre 1930 e o início dos anos 70 produziu aumentos reais de salário para os trabalhadores da indústria (os salários industriais aumentaram 60% entre 1939 e 1975), mas testemunhou um declínio nos salários reais e nas condições de vida dos trabalhadores não qualificados, a imensa maioria.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Comprei este livro porque fui atraído pelo ponto de interrogação constante de seu titulo, quando me encontrava na Bienal do Livro, em maio de 2005, no Rio de Janeiro. Eis que - pessoalmente - tenho uma postura crítica ao clichê "pais dos pobres", atribuído a Getúlio, cujo clichê era muito ouvido, entre os anos 50 e 60.


 

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