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O Presente do Fazedor de Machados

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O Presente do Fazedor de Machados

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: James Burke

Editora: Bertrand Brasil

Assunto: Antropologia

Traduzido por: Pedro Jorgensen Junior

Páginas: 348

Ano de edição: 1998

Peso: 515 g

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Excelente
Marcio Mafra
18/04/2006 às 19:14
Brasília - DF

Segundo Roberto Krohn, de repente, saindo assim... do nada,... aparece um livro, um ensaio ou um estudo, que muda nosso modo de pensar sobre nós mesmos. Este livro é um caso típico de aparecimento repentino. A editora o classificou como:" 1. Tecnologia - aspectos sociais e 2 Tecnologia - história; segundo os critérios e normas do sistema ISBN-International Standard Book Number. Para a bibliomafrateca esta classificação é inadequada, ou imprópria, embora muito raramente aconteça erro ou engano de editora na classificação. "O Presente do Fazedor de Machados", na bibliomafrateca é livro do gênero ou assunto "antropologia", vez que, estudo, ensaio, crítica ou reflexão acerca do ser humano, do que lhe é específico, é - sem dúvida nenhuma - matéria antropológica, ainda que o estudo não se revista do rigor acadêmico das coisas da antropologia. Comentar a leitura do Fazedor de Machados não carece de muito literatismo, nem literatice para dizer que o livro é mais que bom. É extraordinariamente bom na sua essência, ainda que tenham havido uns poucos escorregõezinhos no seu formato literário, mas nada que empanasse o seu brilho e a sua genialidade. Quiçá as poucas imperfeições sejam artimanhas da tradução. Tem passagens deliciosas pela simplicidade cartesiana, como no Capitulo 4 " A fé no poder" que fala sobre o poder dos governos organizados, que se iniciou mais ou menos no século 5, quando Roma surgiu como poder imperial. Logo no inicio desse capítulo......" em seu ápice, Roma governou tudo o que existia desde a Escócia até o Sudão e de Portugal até o Irã. E o maior império que o mundo jamais tinha visto existiu para um único propósito: proteger e sustentar a autoridade central.....usaram a ciência e tecnologia de seus talentosos súditos gregos para construir e manter uma imensa burocracia, cujo poder e influência não encontra paralelo, nem mesmo no moderno Serviço do Imposto de Renda."...... Em "Talhado para Impressão", quando se fala sobre Gutemberg e o início da imprensa, invejada e utilíssima invenção que se difundiu fantasticamente entre o ano de 1455 e 1500, passando de zero edições de livros impressos, para 20 milhões, em menos de cinqüenta anos. Foi nessa ocasião que começou o "império da bíblia", publicação patrocinada pela igreja cristã, que por volta do ano 1500, já tinha distribuído, nada menos, que duzentas edições desta praga que desde aquela época, domina a mente da maior parte da humanidade, que viveu e vive na banda ocidental do mundo. Quase ao final do livro existe uma passagem fantástica que diz......"para alimentar a diversidade individual e cultural (da humanidade) é preciso que celebremos nossas diferenças, ao invés de reprimí-las, para cultivar a riqueza do talento humano....." Destaque-se também o comentário de capa, feito por Robert Cialdini, professor regente de psicologia na Universidade Estadual do Arizona: " ...Este livro é um triunfo. Não creio que possa ser igualado em sua combinação de erudição e agudeza de pensamento prospectivo..." O Presente do Fazedor de Machados é excelente. É mesmo um livro triunfo, porque trata somente do "homem humano", a única espécie de vida que tem história.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história do "O Presente do Fazedor de Machados" conta a trajetória humana, desde a "invenção" do primeiro machado de pedra, na pré história, há cerca de quatro milhões de anos atrás, até o tempo dos supercomputadores do nosso mundinho de hoje, no século 21, ou mais ou menos, dois mil anos depois de Cristo, quando somos - aproximadamente - seis bilhões e quinhentos milhões de humanóides.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Ao longo da história, os misteriosos conhecimentos dos fazedores de machados reforçaram sempre a conformidade social, ao mesmo tempo que aumentavam a distância entre os produtores de mudanças e seus senhores institucionais e o público cujas vidas controlavam. A escala e a quantidade dos novos sistemas de controle gerados pelos tecnólogos e empresários do final do século XVIII alargaram esse fosso e impuseram a conformidade com uma rigidez nunca vista. O ritmo da inovação industrial foi tão forte que provocou mudanças súbitas e fundamentais na sociedade, que não estava política e administrativamente pronta para lidar com elas. Essas mudanças iriam, por sua vez, dar à luz novas maneiras de manipular o proletariado que, graças às fábricas, ali estava para ser manipulado. O novo presente era um instrumento de controle ideológico. No início do século XIX, as pessoas começaram a perceber a rapidez com que as coisas estavam mudando e a se questionar o que isto significava em suas vidas. Em 1828, uma revista publicada por trabalhadores de uma fábrica inglesa resumiu a crescente percepção das massas para a situação de falta de poder a que haviam sido reduzidas pelos presentes dos fazedores de machados. Elas pouco compreendiam da mágica científica e tecnológica que parecia transformar o mundo diariamente. "Nascemos ignorantes, crescemos ignorantes, vivemos ignorantes e morremos ignorantes. Somos homens tateando na negra escuridão." A Revolução Industrial sugou milhões de homens do campo para as novas cidades industriais num ritmo rápido demais para que as autoridades urbanas pudessem controlá-los efetivamente. O resultado do número crescente de trabalhadores fabris e dos novos "desempregados", das condições inenarráveis em que eles eram obrigados a trabalhar e viver e, acima de tudo, do inflexível regime de trabalho que não lhes proporcionava nenhuma liberdade, nenhuma educação e nenhum poder político, começou a aparecer no final do século XVIII na forma de revoltas e distúrbios civis. As medidas draconianas impostas pelas autoridades para reprimir e controlar a crise social, bem como o aparecimento simultâneo de uma contracultura autônoma representativa dos interesses dos trabalhadores formalizaram em termos predominantemente "classistas" a divisão social gerada pelos presentes industrializantes dos fazedores de machados. O processo começou na Inglaterra, primeiro país a sofrer o impacto total da industrialização. Em 1798, o Parlamento inglês respondeu aos distúrbios suspendendo o direito de habeas corpus e aconselhando todos os cristãos a apoiar a medida como justa e adequada aos princípios "daquela religião verdadeiramente sublime que exorta ao apoio e à submissão aos altos poderes". A Igreja Anglicana reagiu prontamente ao impacto revolucionário dos Direitos do homem de Tom Paine e seus ataques subversivos contra os privilégios: o homem não entra na sociedade para ficar pior do que estava nem para ter menos direitos do que tinha antes, mas para ter melhor assegurados aqueles direitos. Seus direitos naturais são a base de todos os seus direitos civis. (...) Quando examinamos a condição deplorável do homem sob os sistemas monárquicos e hereditários de governo, arrancado de seu lar por um poder ou expulso pelo outro, e empobrecido pelos impostos mais que pelos inimigos, torna-se evidente que esses sistemas são maus e que uma revolução geral dos princípios e da construção do governo é necessária. Um dos propagandistas que trabalhavam em favor do governo para neutralizar esse tipo de radicalismo era a poetisa e teatróloga Hannah More, que escreveu sobre a questão da disciplina social em folhetos que alcançaram um sucesso impressionante - dois milhões deles circularam em um ano. A solução de More para a crise crescente era ensinar a submissão total à autoridade e incentivar a resignação cristã em face da privação e da adversidade. O libelo chamado "Village Politics" foi escrito, segundo ela, "para combater as doutrinas perniciosas que, devido à Revolução Francesa, estavam se tornando seriamente alarmantes para todos os amigos da religião e do governo em todas as partes da Europa". More escreveu uma série de peças vulgares, amplamente lidas; chamadas "Histórias para as Camadas Médias da Sociedade e Contos para as Pessoas Comuns", escritas com o intuito de "melhorar os hábitos e elevar os princípios da massa do povo numa época em que os perigos e as tentações morais e políticas multiplicavam-se mais que em qualquer outro período da história". Desde início do século XIX, o movimento de classe média Cruzada Moral Evangélica também pregava a disciplina e o autocontrole para as ordens inferiores. O comentarista social inglês William Cobbett sugeriu que seu verdadeiro objetivo era "ensinar as pessoas a morrer de fome sem fazer barulho e evitar que os pobres cortem os pescoços dos ricos". Os principais escritos evangélicos entre 1795 e 1829 repetiam sempre o mesmo tema: "Expressar verdades morais (...) e delas deduzir regras de conduta pelas quais os habitantes deste país, cada um em sua posição particular, possam ser ajudados a adquirir conhecimentos e a cumprir suas diversas obrigações." Membros do movimento evangélico se infiltraram em instituições bancárias e governamentais e muitos deles serviram nas forças armadas, vendo-se como a linha de frente da luta pela estabilidade social. O evangelismo, com seu jargão de guerra, sua luta contra o mal e sua ênfase na ordem e na disciplina, ajudou a canalizar a perigosa insatisfação social em direções patrióticas mais aceitáveis. Mas para muitos dos cada vez mais numerosos radicais políticos da esquerda, as "reformas morais" evangélicas não eram nada mais do que propaganda a favor de um sistema industrial autoritário e repressivo, um instrumento de corte-e-controle das forças da lei, da ordem e da manufatura para a criação de uma classe operária sóbria, disciplinada e obediente. A resposta da esquerda à condição em que se encontravam os trabalhadores foi a organização. Em 1818, os radicais haviam penetrado as áreas manufatureiras das cidades e vilas das Midlands e do norte da Inglaterra com uma rede de clubes dedicados à discussão e agitação política e estreitamente ligados à nova imprensa operária, cuja publicação mais influente era o Black Dwarf. Seu principal mecanismo institucional, a assembléia de classe semanal, foi copiado dos metodistas. No início, o movimento não tinha um caráter propriamente operário, mas populista. Em 1819, seu objetivo era o bem de "todos os homens", e não só dos que trabalhavam nas fábricas. A liderança refletia uma aliança populista de artesãos, mestres e lojistas. Mas em 1824 entrou em cena um outro grupo de trabalhadores, a Sociedade Cooperativa de Londres, e as coisas começaram a mudar. Diante do poder avassalador do capitalismo vitoriano, a Sociedade lutava para manter os valores operários de mutualidade e camaradagem, e para proclamar nada menos que uma ordem social alternativa à dos capitalistas. A Sociedade objetivava antes de tudo acabar com a dependência dos trabalhadores em relação aos salários e armazéns da companhia, através da criação de lojas coletivamente sustentadas para a obtenção tanto de mercadorias a preços mais baixos quanto de lucros a serem usados em prol do movimento. E o objetivo não era só econômico. A declaração de intenções dizia: "Exigimos para o trabalhador os direitos de um agente moral e racional (...) [uma vez que ele é] o ser cujo esforço produz todas as riquezas do mundo; reivindicamos os direitos do homem e condenamos a filosofia que transforma o trabalhador em mera mercadoria a ser comprada e vendida, multiplicada e subtraída, segundo regras que só servem para decidir sobre a fabricação de chapéus." Em 1829, a Associação Britânica para a Promoção do Conhecimento Cooperativo ampliou o âmbito da Sociedade. Seu manifesto encontrou uma audiência receptiva nas áreas manufatureiras, onde uma cooperativa autóctone já se desenvolvera, com sua própria rede de publicações. Estima-se que no final de 1831 já existiam mais de 500 sociedades cooperativas. O movimento publicou diversos jornais, realizou conferências regionais, organizou muitas assembléias e criou sedes locais. Uma delas ficava em Birmingham, onde em 1928 a Sociedade Cooperativa pôs o governo diante do espectro do socialismo: ela declarou em seu estatuto que tinha por objetivo "a propriedade comum das terras e dos bens". O establishment contragolpeou pela base, com a mais antiga e eficaz das "reformas" destinadas a combater as tendências socialistas, a do sistema educacional, onde iria enfrentar uma oposição menos organizada. Os fazedores de machados haviam criado um problema. A industrialização e a comida barata haviam causado a superpopulação e o desemprego. Para as autoridades, a delinqüência cada vez maior entre os jovens desempregados mostrava uma clara necessidade de mais supervisão e disciplina. Por isso foram criadas novas escolas monitoriais, declaradamente destinadas à educação mas na prática apenas ao treinamento das crianças na disciplina fabril de seus pais. Essas escolas foram o fruto da imaginação de um ex-administrador do Colonial Office na Índia, Andrew Bell, e eram efetivamente dirigidas pelos próprios alunos para treiná-las no reforço da disciplina que iriam mais tarde vivenciar nas fábricas. As escolas eram divididas em classes, tendo cada uma um aluno monitor designado cujas responsabilidades eram: "[a] moral, o aperfeiçoamento, a boa ordem e a limpeza de toda a classe. É sua obrigação fazer relatórios de progresso diários, semanais e mensais e especificar o número de lições executadas e de meninos presentes e ausentes". O monitor devia também redigir listas de páginas lidas e palavras aprendidas pela classe. Desse modo, o processo de educação foi reduzido a uma espécie de linha de produção. O ensino da ortografia e da aritmética por meio de ditados reduzia a alfabetização e o aprendizado numérico a uma mera repetição, fornecendo à criança não mais do que o estritamente necessário para realizar o trabalho fabril. Na aula de aritmética, um "cifrador" lia as somas em voz alta e a classe as repetia, num processo reiterativo muito parecido com o trabalho fabril dos pais. Não era considerado socialmente seguro que os meninos da classe operária se envolvessem com teoria matemática, por isso somente as tabuadas eram ensinadas. "Dessa forma", escreveu Bell, "qualquer menino de 8 anos de idade que mal sabe ler e contar está apto a ensinar, com o uso do guia que contém as somas e as chaves, as primeiras quatro regras da aritmética (...) com tanta precisão quanto matemáticos que freqüentaram escolas durante anos." Tal como os adultos nas fábricas, as crianças trabalhavam em fileiras, abandonando seus lugares somente para se dirigir aos postos de leitura, onde a recitação e a cantilena eram os principais meios de aprendizado. Os textos que memorizavam continham mensagens de conformidade e obediência. Vinte pence são um [xelím]-e-oito-pence Lavar o rosto e se pentear Trinta pence são dois-e-seis-pence Todo dia da escola cuidar. O método de leitura "Lancaster", largamente aplicado, utilizava as mesmas técnicas para induzir a uniformidade: o texto de aula era um único livro de letras grandes cujas páginas eram coladas em um quadro e penduradas na parede. Vinte meninos se postavam em torno do quadro (em seus "postos de leitura") e depois que tivessem repetido a lição em voz alta podiam ir embora para praticar soletração, enquanto outro grupo vinha estudar no quadro. Desse modo, duzentos meninos podiam repetir a mesma lição em três horas. Era de particular importância para as autoridades que a escrita não fosse ensinada às crianças pequenas: era um presente que podia incitar pensamentos radicais. Sem a escrita, no entanto, eles não poderiam ser expressos adequadamente. Como disse Hannah More: "Eu não admito a escrita para os pobres. Meu objetivo não é formar fanáticos, mas treinar as classes baixas nos hábitos da indústria e da devoção." A mais bem-sucedida de todas as inovações educacionais, a escola dominical, foi introduzida com o intuito de neutralizar os comportamentos potenciamente perturbadores. As escolas dominicais foram criadas em 1785 por Robert Raikes (um filantropo cujo trabalho fora iniciado com presidiários da prisão local de Gloucester) para limpar as ruas de domingo dos jovens desocupados, numa época em que idéias perigosamente libertárias se espalhavam no rastro da Revolução Francesa. As escolas só funcionavam aos domingos para não interferir com o trabalho dos alunos nas fábricas, durante a semana. Em 1787 o sistema absorvia 250 mil crianças e em meados do século XIX mais de dois milhões, todas aprendendo a ler e sendo "instruídas nas obrigações para com a religião cristã, com especial atenção para o comportamento bom e industrioso em sua formação de trabalhadores e serviçais". Em 1846, o secretário do Comitê de Educação do Conselho Britânico definiu a finalidade das escolas como sendo a de "erguer uma nova raça de trabalhadores - satisfeita, respeitosa, trabalhadeira, leal e pacífica". Enquanto isso, uma alternativa de esquerda tentava se estabelecer, originalmente inspirada por Robert Owen, industrial de New Lanark, Escócia, que em 1816 reformou sua fábrica como uma comunidade, com lojas, escola e hospital. A experiência de New Lanark foi descrita em seu famoso texto "Uma nova visão da sociedade", no qual Owen enfatizou a importância das escolas infantis e dos jogos, e a necessidade de as crianças serem saudáveis e "ativas, alegres e felizes.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Comprei este livro, na Bienal do Livro, Rio de Janeiro, em maio de 2005, por uma simples menção de que "um dos bons livros que estavam disponíveis na Bienal". Tal menção eu tinha lido, em mais de um jornal, na semana que antecedia o evento.


 

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