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O Poço do Visconde

Livro Mediano

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Título: O Poço do Visconde Autor: Monteiro Lobato Editora: Brasiliense Assunto: Crianças Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil Páginas: 253 Ano de edição: 1951 Peso: 595 g
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  • Mediano Marcio Mafra
    20/05/2006 às 12:21 Brasília - DF

    O Poço do Visconde é uma história, quase do tipo aula, que Dona Benta ministrava para sua turma, sobre geologia - ou seja - sobre o petróleo. Petróleo, talvez tenha sido a maior, mais significativa e sobretudo - mais política - de todas as bandeiras de Lobato. Assim, não poderia faltar em sua "literatura Infantil" o assunto do petróleo. Verdade que o estilo adotado pelo autor, não teve grande sucesso entre meninos de escola. Certamente porque os aluninhos de hoje, como os de ontem, não são os melhores exemplos de dedicação aos estudos. Aula expositiva ninguém agüenta, ainda mais em formato de livro. Além disso, perfuração de petróleo para adulto já um tema árido, imagine-se para criança. Leitura marrenta.

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  • O Poço do Visconde é uma aula de geologia para crianças, baseado no conto adulto O Petróleo é Nosso.

  • Começa o poço. Bem de madrugada, no dia seguinte, o foguista. acendeu fogo na caldeira para que os trabalhos da perfuração do Caraminguá nº. 1 pudessem começar ás 8 horas, como havia determinado mister Kalamazoo. Era um grande acontecimento, que Pedrinho resolveu festejar com uma carteira de traques mandada vir da venda do Elias Turco. Infelizmente os traques, como tudo naquela venda eram falsificados, e só um ou outro rebentou, muito chochamente. Dona Benta e a negra, foram convidadas para assistirem á inauguração. - Nossa Senhora! exclamou tia Nastácia ao ver a torre de perto. Quanto ferro! Neste andar seu Pedrinho muda o "semblante" do sitio, sinhá. A coisa já está ficando que a gente não conhece mais nada. Virando uma cidadinha estrangeira, com essas casas de operários e o "bangalão" do mister. E as caras? Tudo esquisito. Aquele ali, vermelho como um presunto. Aquele lá, de cabelo igualzinho cabelo de milho novo. Credo !. . . Dona Benta deu parabéns a mister Kalamazoo pela perfeição com que organizara o trabalho. E vendo o rinoceronte sempre de olho ferrado no americano: - Que tanta atenção é aquela, Pedrinho? Quindim não perde um só dos movimentos do mister. . . O menino cochichou ao ouvido de dona Benta: "Ele é o nosso espião; está de guarda ao americano por causa da sabotagem. . ." D. Benta sorriu. Ás oito horas um sino tocou, anunciando o começo do serviço. Os operários dirigiram-se para a sonda. Começou a batagem. A maquina fazia um movimento de vai-e-vem, puxando e largando o cabo de aço, que subia até á roldana de cima, dava volta e descia, tendo na ponta a haste do trepano. A cada um desses movimentos o cabo erguia o trepano a um palmo de altura e o largava; no largar o trepano caia com a força do peso sobre a rocha do chão; desse modo ia desagregando, esfarelando essa rocha. Um verdadeiro movimento de mão de pilão que sobe e desce sem parar, fazendo pum-pan, pum-pan, pum-pan .. O barulho de pum era a subida do trepano; o barulho de pan era a descida, com o choque na rocha. Só se ouvia esse barulho e só se via o pedaço de haste que ficava para fora do poço, a subir e a descer na extremidade do cabo. Quando Narizinho explicou a tia Nastácia o que era aquilo, a negra fez cara triste. -Tenho dó das minhocas, disse ela. Esses malvados estão massetando as coitadinhas... - Boba! Lá na profundidade em que o trepano está não existem minhocas - só rochas. - Credo! murmurou a negra, que não sabia o que era rocha. Pedrinho contou a dona Benta todo o trabalho da sonda. Mostrou a bomba de injeção, isto é, a bomba que está constantemente injetando água no poço, por dentro do oco das hastes. - Lá no fundo, disse ele, essa água injetada forma lama com o material escavado pelo trepano, e pela pressão da água injetada a lama vai subindo até derramar-se para fora, na boca do poço. É o meio de extrair o material escavado. Do contrario a rocha moída ficava no fundo, atrapalhando o trepano, que bateria só nele, sem progredir. - Ha outro sistema de tirar o material, ajuntou Narizinho. Por meio da caçambagem. Depois de perfurar um certo tempo, tira-se fora o trepano e desce-se uma caçamba para recolher o material escavado. Mas o nosso processo de injeção de água é mais aperfeiçoado. Dona Benta achou graça da sabedoria técnica da menina. As batidas eram incessantes, pum-pam, pum-pam, pum-pam, numa toada tão monótona que até dava sono. A distração dos meninos ficou sendo marcar um ponto de referencia na torre afim de acompanhar a lenta descida da haste. Numa hora de pum-pam a haste descia aí um meio metro mais ou menos, conforme a resistência da rocha perfurada. Depois de três ou quatro horas de trabalho mister Kalamazoo fez um sinal. O manobrista da maquina puxou uma alavanca. Tudo parou. - Que ha quis saber Pedrinho. - Ha que eles vão emendar mais uma haste,respondeu o visconde. - Ahn! É assim! murmurou dona Benta. Estou compreendendo a razão daquela pilha de hastes ali fora. - Pois é, vovó, disse Pedrinho. Temos naquela pilha as hastes necessárias para descer até 1.500 metros de profundidade. Vão sendo sucessivamente ,atarrachadas para formar um "sistema rígido", como diz o visconde. Dona Benta riu-se. Mister Kalamazoo dividira o pessoal em três turmas, cada uma com oito horas de trabalho, de modo que o serviço fosse continuo pelas 24 horas do dia. Mas era trabalho monótono. Um pum pam de dia e de noite, só interrompido pelas paradas para colocar nova haste, ou mudar o trepano. Quando chegou a hora de mudar o trepano, os meninos prestaram toda a atenção. Os homens suspenderam o trepano até acima da boca do poço e o desatarracharam. Estava com o corte completamente rombudo. Foi substituído por um do mesmo calibre, bem afiado. Enquanto isso, o primeiro usado era posto numa carreta sobre trilhos e levado á oficina do ferreiro. Os meninos acompanharam a carreta, com Emilia ajudando a empurrar. Lá na oficina a carreta parou diante da forja. O ferreiro prendeu o trepano com as correntes dum moitão, ergueu-o e depositou-o dentro da forja, cobrindo-o de pedaços de coke. Fez fogo, que assoprou com um fole enorme. O coke ficou em brasa e o ferro do trepano foi avermelhando até chegar no ponto. O ferreiro manobrou de novo o moitão para tira-lo da forja e coloca-lo sobre a bigorna, onde foi malhando até restabelecer o corte perdido. - Interessante como o ferro se torna maleável quando aquecido, observou dona Benta, que também viera assistir á operação. Terminado o conserto, o moitão trabalhou de novo, erguendo o trepano de cima da bigorna e descendo-o num tanque com água. - Para que isso indagou Narizinho. - Para dar tempera, respondeu o ferreiro. Quando se aquece o aço, ele perde a tempera, fica ferro mole; para que novamente ganhe a sua dureza de aço, tem que ser resfriado bruscamente na água. Enquanto o ferreiro cuidava daquele trepano, lá na sonda os operários concluíam a colocação do novo, e o serviço recomeçou, pum-pam, pum-pam, na monótona toada de sempre. Dentro dum puxado coberto de zinco havia pelo chão grande numero de trepanos de todos os calibres, desde os de dois palmos de diâmetro, uns monstros, até os pequenos de três polegadas. - Por que essa diferença perguntou Pedrinho. O visconde explicou que o poço, iniciado com um diâmetro grande, iria diminuindo á medida que se aprofundasse.

  • Marcio Mafra
    18/01/2013 às 19:17 Brasília - DF

    "Obras Completas" de Monteiro Lobato, é uma coleção composta de 30 livros, encadernação primorosa, capa dura, na cor verde. Os livros foram adquiridos em 1952 ou 1953, por meu pai, Ari Mafra, quando minha família residia às margens da baia norte, praia de fora, Rua Bocaiúva, 201, Florianópolis, ilha de Santa Catarina. Naquela ocasião meu pai era o Secretário Geral da Caixa Econômica Federal do Estado de Santa Catarina, uma espécie de Superintendente, na hierarquia da época. Frequentemente ele escrevia artigos para o jornal "O Estado". Também era professor titular do Instituto de Educação Dias Velho, onde lecionava Português, no curso Clássico, que corresponde aos três últimos anos, do atual curso médio. Na casa amarela (depois, em 1955 foi pintada de cor-de-rosa) da Rua Bocaiúva, os livros verdes do Monteiro Lobato, ficavam expostos, numa imponente estante, de pau marfim, num dos quartos da frente da casa, também chamado de escritório, onde ficava instalado o aparelho telefônico, número 2996. Ali, sentado a uma mesa, também de pau marfim, meu pai corrigia as provas de seus alunos. Eventualmente o escritório também servia de quarto de para hospedar, por poucos dias, algum parente. Meu pai e meu irmão Mario, já se encontravam em Brasília desde 1959. Eu, Miguel, Ari, Marilena e Vera, juntamente com minha mãe Eli, só viemos para Brasília, no dia 9 de maio de 1960, uma ensolarada segunda feira. Pela manhã embarcamos num Douglas DC-3 da Real Aerovias, com destino a São Paulo e escala em Curitiba. Em Congonhas, no início da tarde, fizemos conexão com outro vôo da Real, um possante Douglas Convair 240, em vôo sem escala, que chegou a Brasília, quase as 18 horas. Toda a "mudança" estava acomodada em 11 malas e 2 sacos de viagem. Um dos poucos pertences que não eram roupas nem objetos de uso pessoal foram os 30 livros da coleção do "Monteiro Lobato". Embora não fosse um mistério, nunca se soube por que motivos os livros vieram com a família. Talvez porque não houvesse para quem deixá-los. Inicialmente moramos numa pequena casa, construída pela FCP Fundação da Casa Popular, na Avenida W-3 Sul, quadra 24, atualmente HIGS 709. Em 1961 fomos morar no Bloco 11, da Super Quadra Sul 413. Nos dois endereços, os livros verdes estavam lá - majestosamente enfileirados - numa prateleira do fundo de corredor, como um marco importante para assinalar a "cultura métrica" da família. Em 1965, Marilena, ao se casar com Jaime Colares, levou consigo os livros do Monteiro Lobato. Eles foram morar na Avenida W 3 Sul, Quadra 40, hoje HIGS 712, numa casa de "fundos". Para decorar a modesta sala, Marilena se utilizou da "cultura métrica" colocando numa estante, entre enfeites decorativos e um aparelho de TV os livros do Monteiro Lobato. O mais importante é que ela guardou e cuidou com muito desvelo e carinho dos livros durante os últimos 41 anos. Em março de 2006, Marilena cedeu a coleção inteira, após saber do meu interesse e da existência da bibliomafrateca. Então a bibliomafrateca passou a ser a depositária das obras completas de Monteiro Lobato. Urupês foi o único livro extraviado. Para substituí-lo adquiri, num sebo, um exemplar, edição de 1959.