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Da Matriz ao Beco e Depois

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Da Matriz ao Beco e Depois

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Flávio Carneiro

Editora: Rocco

Assunto: Contos

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 121

Ano de edição: 1994

Peso: 160 g

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Ótimo
Marcio Mafra
10/01/2007 às 16:40
Brasília - DF

Habitualmente os livros de contos ou crônicas são "marromenos". Da Matriz ao Beco foge do lugar comum. Os contos são ficções puras, e não descrições sobre o dia-a-dia de um determinado lugar, onde o contista se fixa para e baseia o seu texto. O Flávio - se vê logo no primeiro conto - é um craque. É autor preparado. Embora o fato de "mesclar" ou "entrelaçar" um personagem, ou um lugar ao conto seguinte, seja uma sacada muito boa, também sujeita o autor ao risco de deixar o livro um pouco "repetitivo", senão chatinho. Repetitivo porque se num romance a história - ou enredo - evolui, anda e não se repete. No contexto Da Matriz ao Beco e Depois, por vezes, a repetição no conto seguinte fica com jeito de "forçada". A impressão neste livro do Flávio Carneiro é que sobra técnica e falta talento.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Dez contos, cujas histórias - e personagens - se entrelaçam.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Trecho final do conto "Nelson Filho" e o início do conto seguinte:"O Porteiro".

.... " Ninguém atende. Nelson tenta mais uma vez, em vão. Segura a maçaneta, abre, percebendo que a porta não estava trancada. A sala vazia, os outros cômodos também, o apartamento a essa hora da tarde, quase noite, é só penumbra. A única luz vem do quarto.
Entra. A luminária acesa, a escrivaninha, quadros, uma cama de viúvo, o armário, pia, estante com livros. Mais nada, nenhum sinal de vida.
Senta-se na cama, o mundo rodando. Na cabeça desfilam simultaneamente a tela, o velho, frases, repórteres, um livro de páginas em branco com seu nome na capa voa ao redor dos móveis, bate nas paredes. Vê corredores infinitos, labirintos, uma sucessão de vazios, o velho: evaporou?
Vai até o banheiro, lava o rosto na pia. Volta à sala já refeito da tontura, caminha com passos firmes por entre os móveis antigos, o corpo novamente sob controle, os olhos ainda vermelhos, vidrados, buscando a luz que vem do quarto. Atravessa a porta devagar, receoso, chega à escrivaninha. Ao lado da máquina uma pilha, torre sinuosa. Nelson apanha os papéis. Se pelo menos não tremesse tanto, se as mãos obedecessem segurando com firmeza. Parar de fumar, de beber, se transformar num homem saudável, um mínimo de normalidade, quando acabar tudo isso. Segura os papéis, lê enfim na primeira página o que o outro escrevia:
Não era difícil, bastava um pouco de cuidado, habilidade e paciência, qualidades que modéstia à parte não me faltam depois de dez anos como funcionário do correio, quando costumava roubar da caixa alguma correspondência antes que o pessoal do malote viesse levar tudo. Em casa, no aconchego e na segurança da pequena sala transformada em ateliê, abria molhando de leve com um pincel a parte colada do envelope, lia, colava novamente e no dia seguinte lá estava a carta outra vez na sua caixa, intacta como deve ser.
Claro
Quis ler o segundo parágrafo, mas só teve tempo de ler a primeira palavra porque seus olhos se voltaram de repente, como que por intuição, para a janela do seu próprio quarto, do outro lado da rua. À mesa, impassível, manipulando o computador com intimidade, estava o velho...."

Início do conto seguinte: O Porteiro.
..."Não era difícil, bastava um pouco de cuidado, habilidade e paciência, qualidades que modéstia à parte não me faltam depois de dez anos como funcionário do correio, quando costumava roubar da caixa alguma correspondência antes que o pessoal do malote viesse levar tudo. Em casa, no aconchego e na segurança da pequena sala transformada em ateliê, abria molhando de leve com um pincel a parte colada do envelope, lia, colava novamente e no dia seguinte lá estava a carta outra vez na sua caixa, intacta como deve ser.
Claro que não me prendia apenas àqueles remetentes ou destinatários famosos que vez ou outra passavam por minhas mãos, pelo contrário, me atraíam sobretudo os desconhecidos e entre estes tinha uma predileção especial por carta de mãe saudosa, cuja letra no envelope aprendi a identificar com o passar dos anos. Era sempre a mesma lamentação, a saudade do filho, os conselhos pra saúde e boas companhias e no final uma confortante mensagem religiosa. Acontece que algumas mães às vezes se esqueciam desse último detalhe, fundamental, e nesses casos eu me sentia na obrigação de imitara letra, falsificando um fica com deus ou deus te abençoe. Quando recolocava a carta na caixa, sentia a tranqüilidade do dever cumprido. Eu era bom.
Bem mais difícil era ler os telegramas. Requeria muito mais rapidez porque não dava pra levar pra casa....."


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Não me recordo como ou porque este livro chegou aqui.


 

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