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Feliz 1958 o Ano Que Não Devia Terminar

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Feliz 1958 o Ano Que Não Devia Terminar

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Joaquim Ferreira dos Santos

Editora: Record

Assunto: Costumes Brasileiros

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 190

Ano de edição: 1998

Peso: 365 g

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Excelente
Marcio Mafra
05/07/2002 às 16:55
Brasília - DF
O autor, com leveza, descontração e estilo muito elegante, conduz o leitor por um gostoso passeio através dos anos dourados, passando pela conquista da copa do mundo de 58, o início da construção de Brasília, o concurso de Miss Brasil, a Juventude Transviada, as chanchadas e o cinema novo, o teatro de revista, a Maria Esther Bueno que ganhara o torneio de Winbledon, o bambolê e o Jorge Amado com sua Gabriela Cravo e Canela. Leitura boa e muito agradável. Quem em 1958 tinha entre 12 e 16 anos de idade, vai considerar este, como um dos melhores livros da história recente da classe média brasileira.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Retrato dos costumes sociais da classe-média brasileira nos anos 1955/1960. Música, política, esportes, moda, rádio, tv, jornais, revistas, carnaval, teatro, comportamento e juventude são as principais abordagens.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Carnaval. A vaca louca esteve aqui. Responda rápido, antes que o rubor lhe tome a face: Mané Garrincha, o fabuloso ponta direita da seleção campeã mundial na Suécia, nasceu de ou em Pau Grande? Desculpe o mau jeito, mas a questão, que quarenta anos depois talvez só faça graça nos humorísticos double sense do SBI, movimentou o final de 1958, e o pesquisador precisa registrar aqui todos os detalhes daquele ano glorioso. Mané Garrincha, de Wilson Batista e Jorge de Castro, era uma marchinha de carnaval, um perfil bem humorado do craque botafoguense nascido naquele humilde município de nome ambíguo. Cantada pela vedete Angelita Martinez, a música reportariava que "não é só café que nós temos pra vender, dribla, dribla Mané, para o mundo inteiro ver". Era um empolgante hino carioca para a épica façanha canarinha. A turbamulta, no entanto, queria mais é carnavalizar o picante da geografia e, na hora de cantar, mexia na preposição, subvertendo qualquer possibilidade de singeleza. O bom era encher a boca com o "até hoje meu peito se expande, Mané que brilhou lá na Suécia, Mané que nasceu" - lá vai - "de Pau Grande". Não era carnaval? Já não havia aquela marcha do coelhinho se eu fosse como tu? O lança-perfume não corria solto? Ruy Castro não escreveria décadas depois a biografia Estrela solitária, confirmando tudo cientificamente? Então??!! Levado pela mais carnavalesca molecagem, o povo mais uma vez intuía certo, as pernas tortas - você não leu o livro do Ruy?! - não eram a única anomalia física do craque: 25 centímetros! O chefe de polícia Amaury Kruel chegou a proibir a musiquinha por algumas semanas, porém - os tempos eram JK demais - depois de muito bafafá nos jornais acabou permitindo que, no carnaval de 1959, cada um cantasse as glórias de Mané do jeito que quisesse. Mas foi o próprio Garrincha, mané apenas por causa do Manuel da pia batismal, quem cantou melhor que todo mundo, e só não levou Angelita para casa porque era casado, pai de sete filhas. Durante meses o ponta direita usufruiu, em namoro celebrado semanalmente nos Mexericos da Candinha da Revista do Rádio, do veneno calipígio de Angelita, uma vedete tão cobiçada que, logo depois, cairia nos braços de Jango, o presidente gaúcho que também tinha - quanta coincidência! - problemas nas pernas, resultado de uma doença venérea mal curada na adolescência e que lhe arrebentara o joelho. É possível contar a história da primeira metade deste século no Rio de Janeiro, seus personagens, seus costumes, sua maneira de incrementar a língua pátria, através das marchinhas de carnaval. O que acontecia num ano servia de inspiração para o tríduo momesco do ano seguinte, pois as músicas eram lançadas já em novembro. Assim como os dribles de Mané em 58 só foram para as ruas e salões em 59, a morte da atriz suburbana Zaquia Jorge em 1957 repercutiu como o samba mais cantado do carnaval de 1958, Madureira chorou, de Carvalhinho e Júlio Monteiro. Esse calendário maluco do showbizz, com os fatos de um ano se estendendo até o outro, fez com que em 1958 se encontrassem as músicas de dois carnavais. Como deve ter dito Anilza Leoni em alguma revista de Walter Pinto, - Oba!, quanto mais marchinha melhor! Uma das mais deliciosas conversas furadas de 1958 foi o boato de que a carne bovina consumida entre o Rio e Minas Gerais estava contaminada - não por bactérias assassinas como a da vaca louca, muito menos por algum vírus pré-aidético, pois definitivamente os tempos eram mais delicados. A carne dos açougues da época estaria contaminada por enormes porções de uma vacina de hormônios femininos. No panic, gritavam os mais liberais, mas qual!... Generalizou-se entre os machos cariocas o medo horripilante, não de morrer como os que deglutiram hambúrgueres na Inglaterra dos anos 90, mas de que o até então pacato e viril cidadão, após ingerir um acém, um filé, subitamente adquirisse, ainda na mesa de refeição, alguma característica graciosa da identidade fêmea. Inspirado pelo jait-divers, o trio Paquito, Romeu Gentil e José Gomes compôs, com lançamento no final de 58 para a farra de 59, a marchinha Boi da cara preta, cantada por Jackson do Pandeiro e Almira: "Coitado do Valdemar Está dando o que falar Comeu carne de boi falou fino E deu pra se rebolar Mas que azar." Já era sofisticado entre os bem-pensantes dizer que a música de carnaval estava em decadência. Bons eram os anos 30, as lourinhas, os braguinhas, as moreninhas e nós, os carequinhas. Henrique Pongetti, logo quem, o cronista de menos recursos na academia de bambas da revista Manchete, sacou da pena para louvar os bons tempos que, como se sabe na patologia das almas, são sempre aqueles que já passaram ou que a gente não viveu. Pongetti, o óbvio em sua expressão mais ululante, exaltava a reaparição do grande Lamartine Babo no carnaval de 1958 com a belíssima, e pouquíssimo cantada, marcha-rancho Os rouxinóis. Mas, equivocado, fazia o contraponto do mal com a deliciosa Mamãe eu levei bomba, aquela do "a prova foi tão dura, mamãe, que eu naufraguei". A letra era na medida certa, e nada mais, para que algumas de suas palavras fossem deturpadas e tudo explodisse num novo Pau Grande. Mas tinha graça carioquíssima. O cronista Pongetti, no entanto, vibrava nas páginas da Manchete a saudade e a indignação por ter nascido tão tarde: "Ouvir Os rouxinóis é como fugir de um coro de bêbedos para entregar-se a um coro de pastorinhas. Por que o povo dos carnavais de Mário Reis e Carmen Miranda cantava coisas poéticas e decentes e o dos carnavais de Dircinha Batista e Virgínia Lane canta o Mamãe eu levei bomba e Baba de quiabo?" Lamartine chamaria tudo isso de "babobagem". A dupla Max Nunes e J. Maia, por exemplo, fez para o carnaval de 1959 uma inspirada paródia em cima da loquacidade vã dos políticos que inundaram o país nas eleições para governador, deputado e vereador em 58. Em Peço a palavra, tiraram um sarro com estilo dos colegas baianos de Antônio Carlos Magalhães, que, como se viu num flash diretamente da boate Drink, já estava em cena. O cantor era Mário Tupinambá, cômico de televisão - um novo grupo que chegava para ajudar as vedetes das revistas e os artistas da poderosa Rádio Nacional na animação da galera carnavalesca. Com a palavra Vossa Excelência: "Vou falar pouco pra falar do coco Se a turma agüenta eu falo da pimenta E se estrilar eu meto um vatapá Sou deputado baiano Eu quero é falar." As músicas daquele ano, e críticos importantes como Albino Pinheiro concordam, ainda conservavam a essência do espírito carnavalesco. - O humor era diferente daquele do início do século, mas as marchinhas conseguiam um brilho todo próprio para animar a festa - diz Albino. Eram pequenas reportagens, jóias que conseguiam amalgamar humor e síntese para mostrar, em meia dúzia de versos, cenas do cotidiano carioca. Por exemplo: ir ou não ir para Brasília, eis a questão que milhares de funcionários públicos, também conhecidos como "barnabés", viviam desde a posse de Juscelino em 56. Muito perdigoto chato voou nas câmaras políticas, mas não tinham o sotaque do povão. Acabou, claro, em samba e marchinha. Havia um grupo de cariocas otimistas, doidos para seguir rumo ao planalto central - afinal iam ganhar diárias-dobradinhas. Eles foram defendidos pela trinca Sebastião Gomes, Átila Bezerra e Valdir Ribeiro, que compuseram a marcha Vamos pra Brasília, interpretada pelo supermalandro fanhoso Jorge Veiga: "A idéia não é má Nasceu de JK Então vamos pra lá Que vai ser um chuá." A turma do contra veio de samba, Não vou pra Brasília, de Billy Blanco, cantado pelo grupo vocal Os Cariocas. As rádios oficiais acharam aquilo uma provocação subversiva à idéia de recrutamento geral para a mudança - a letra dizia até que Brasília era coisa de índio -, e simplesmente não tocaram a música. A censura também proibiu durante alguns meses e, escândalo!, uma noite Billy Blanco foi ao programa "O Céu É o Limite", informou que estava sendo vítima da tal arbitrariedade e cantou o sambinha inteiro. Mas, enfim, JK não precisava daquele boicote todo. A interpretação de Os Cariocas não tinha a vibração que a festa exigia e o samba acabou sendo pouco cantado. Entrou para a história, no entanto, como um grito de milhares de barnabés, uma exaltação aos prazeres da Belacap (o Rio), contra a promessa da dobradinha muito cabral no bolso (a nota de cruzeiro mais alta na época) e muita aporrinhação na Novacap. Melhor do que dúzias de discursos de deputados baianos: "Não vou, não vou pra Brasília Nem eu nem minha família Mesmo que seja Pra ficar cheio da grana A vida não se compara Mesmo difícil e tão cara Quero ser pobre Sem deixar Copacabana." Os sambas e marchinhas de 58 fizeram a sua parte e contaram, com alegria irresistível, os acontecimentos de um ano cheio de transformações. Em 1957, por exemplo, a crescente febre imobiliária derrubava a Galeria Cruzeiro, um dos grandes corredores do carnaval, para a construção do edifício Avenida Central. Imediatamente o fato virou samba, o Derrubaram a Galeria, de Carvalhinho e Paulo Gracindo, cantado por Carlos Nobre. A asiática tinha acabado de varrer a cidade, até com mortes, e já Miguel Gustavo e Altamiro Carrilho estavam compondo O preço da gripe, cantada pelo palhaço Carequinha. Mas o grande sucesso daquele ano, junto com o samba Madureira chorou, foi a marchinha Fanzoca de rádio, também de Miguel Gustavo e também interpretada por Carequinha, que tinha um circo na TV Tupi. O politicamente correto ainda não tinha virado uma obsessão. Assim como a Última Hora dava títulos na primeira página dizendo "Um neguinho assaltou a mercearia", Miguel Gustavo e Carequinha foram fundo no preconceito para falar do fenômeno das "macacas de auditório". Eram moças, pelo vulgo já dá para se avaliar a pigmentação, que tinham como prazer único freqüentar o auditório da Rádio Nacional e gritar, gritar muito, na recepção aos seus ídolos. Se fosse lançada em 1998, Fanzoca de rádio seria imediatamente alvo de uma ação do Sindicato das Empregadas Domésticas: "Ela é fã da Emilinha Não sai do César de Alencar Grita o nome do Cauby E depois de desmaiar Pega a Revista do Rádio E começa a se abanar É uma faixa aqui Outra faixa ali O dia inteirinho ela não faz nada Enquanto isso na minha casa Ninguém arranja uma empregada." As marchinhas ainda animariam o carnaval por mais uns dez anos, até as escolas de samba começarem a tomar conta de tudo com os seus sambas de enredo falando de coisas, não do ano passado, mas do século passado. Nenhuma crítica nem saudade nesta observação. Mas é uma pena saber que no carnaval de 1998 não vai haver nenhuma marchinha falando dos paraíbas do Edmundo nem das louras loucuras da Vera Fischer.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Tati, uma querida sobrinha, utilizando-se de sua fina e indissimulável ironia, me presenteou o Feliz 1958, por ocasião de meu aniversário de 98, com a seguinte dedicatória: Com muito carinho para meu tio que já é vovô, um feliz ano novo...quer dizer, um feliz aniversário!!!Um beijo enorme nessa sua barriguinha fofa. Tati. Fpolis/98" Este livro faz parte da minha pretensiosa lista pessoal de "best sellers"


 

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