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O Golpe de Abril

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O Golpe de Abril

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Edmundo Moniz

Editora: Civilização Brasileira

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 117

Ano de edição: 1965

Peso: 305 g

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Excelente
Marcio Mafra
21/09/2002 às 19:48
Brasília - DF

Edmundo Moniz era um jornalista de peso. Só um Jornal do tamanho, do peso e da respeitabilidade do Correio da Manhã - de elite, defensor das liberdades democráticas, ícone da burguesia quatricentenária do Rio e São Paulo - teria a coragem de não concordar com os militares golpistas de 64. Depois mudou. Venceu a força. O Jornal faliu.O governo dos militares sufocou o jornal.

O Golpe de Abril trás muitos artigos escritos pelo autor e publicados no Correio da Manhã. O melhor deles é o artigo que dá titulo ao livro.

Leitura imperdível para conhecer a história, com a paixão, as verdades e as mentiras do calor da hora, por isso este livro é uma rara preciosidade..


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Artigos do autor, publicados no Correio da Manhã, logo após o golpe de abril de 1964. O Correio da Manhã era um jornal conservador, de elite, defensor do regime e das instituições burguesas. Logo no início do golpe, os militares ainda não estavam organizados e não tinham força política para calar um jornal daquele quilate.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O Golpe de Abril. O 11 de novembro de 1955 foi o pronunciamento militar apoiado pelo Congresso e pelo povo para empossar, na data legal, o candidato à Presidência da República que vencera as eleições. Juscelino Kubitschek assumiu o govêrno a 31 de janeiro de 1956. Fracassara a tentativa de sufocar a vontade das urnas. Não seria, então, interrompida a vida constitucional do país. Começou a grande fase do desenvolvimento econômico e industrial. O progresso intensificou-se em tôdas as áreas. A burguesia nacional adquiriu a consciência de suas próprias possibilidades. Manifestava-se, nas diversas camadas populares, o propósito de combater o domínio imperialista. A luta pela emancipação econômica e social aprofundava-se na cidade e no campo. Tomou a revolução brasileira a configuração histórica que a impulsiona para frente. O Brasil modificou a sua fisionomia de país subdesenvolvido com o risco de estagnar-se ou de desenvolver-se a passos lentos. E iniciou a sua marcha acelerada para penetrar na esfera dos países desenvolvidos. A realidade histórica mostra com a lógica dos números que existe um Brasil de antes de 1955. e um Brasil que operou a revolução industrial. O potencial instalado de energia elétrica, que, em 1955, era de 3 milhões de kw, chegou, em 1961, a 5 milhões e duzentos mil kw, sem computar a produção de Três Marias e de Fumas, ainda em construção. O país foi retalhado de rodovias. De 73 mil km de estradas federais e estaduais não pavimentadas, passou a ter 98 mil km, e de 3 mil km de estradas pavimentadas a 14 mil km. Criou-se a indústria automobilística, que encontrou o Brasil com uma frota rodoviária de 600 mil veículos e, hoje, possui uma frota de 1 milhão e 700 mil. O número de tratores elevou-se de 11 mil a 80 mil. Criou-se, também, a indústria naval, com a instalação de vários estaleiros. Aumentou-se, de 1955 a 1961, em 71% a produção em toneladas de ferro gusa em 88% a de aço em lingotes, e em 62% a de laminados. A Cosipa a mais moderna siderúrgica do mundo, tem possibilidades de produzir 800 mil toneladas, Usiminas, 500 mil, a Ferro e Aço de Vitória, 150 mil. Grande foi o aumento de consumo em litros da gasolina comum, do óleo diesel e do óleo combustível. O consumo de óleo subiu 28 mil toneladas a 230 mil, o que dá para avaliar a intensidade da construção de estradas e melhoramentos urbanos . Nas grandes siderúrgicas (Cosipa, Usiminas, CSN) a contribuição nacional de materiais e obras civis já representa mais de 60% dos gastos totais. Reequiparam-se os portos. Os guindastes mais modernos podem ser em mais de 80% construídos no Brasil, do mesmo modo que as pontes rolantes, as correias transportadoras de longo alcance. No presente momento, a Petrobrás adquire, no mercado interno, mais de 70% dos equipamentos e materiais de que precisa não só para as refinarias e unidades da petroquímica, como também para os trabalhos de prospecção e de perfuração. No setor dos fornecimentos para as usinas de energia elétrica, a indústria brasileira, que tinha um papel de pouca relevância, capacitou-se para fornecer equipamentos pesados (geradores, turbinas, transformadores) integralmente produzidos aqui. As grandes firmas da engenharia brasileira dispensam, hoje em dia, qualquer contribuição da engenharia civil estrangeira. Para as obras da Celusa, os equipamentos e materiais, procedentes da indústria nacional, são mais de 70%. Com o impulso que se deu de 1956 a 1961, a estimativa atual é que para o equipamento e ampliação da indústria brasileira, pode-se contar com o fornecimento interno de mais de 70%, sobretudo depois que as sucessivas crises cambiais revelaram a plena potencialidade produtiva da indústria e dos bens de capital. É certo que o desenvolvimento industrial não modificou as condições de vida de três-quartas partes da população do país. As massas do campo foram pouco beneficiadas com o desenvolvimento. O operário industrial não mudou de modo sensível o seu padrão de vida, em confronto com a ascensão de outros grupos sociais. A industrialização, entretanto, contribuiu para levar a classe trabalhadora a participar mais ativamente na vida política do país. O operariado não só cresceu em número, como também tentou fortalecer os seus órgãos de classe. A atuação crescente dos sindicatos, a formação da CGT são uma conseqüência inevitável da industrialização, como foi na Inglaterra, na França, na Alemanha e nos Estados Unidos. A industrialização, as estradas rodoviárias, a instalação da Sudene com seu vasto plano de desenvolvimento da economia do nordeste, a construção de Brasília, criaram as condições indispensáveis para iniciar-se a reforma agrária. Quando Juscelino Kubitschek passou o govêrno em 31 de janeiro de 1961 a Jânio Quadros, deixava um país em plena ascensão econômica. Jânio Quadros, ex-governador de São Paulo, deputado pelo PTB do Paraná, apoiado pela UDN e pelo PDC, nas eleições presidenciais derrotara Teixeira Lott, candidato do PSD e do PTB, e Ademar de Barros, candidato do PSP, anunciando a revolução pelo voto. Seu ministério, porém, revelou o caráter anti-revolucionário de seu govêrno, sobretudo quando entregou a Clemente Mariani a pasta da Fazenda. Juscelino Kubitschek se havia recusado a aceitar as diretrizes do Fundo Monetário Internacional, seguindo uma política diferente da de Frondizi, na Argentina, o que provocou a demissão de Lucas Lopes, ministro da Fazenda, que passara a defender uma posição monetarista na base da reforma cambial. Era necessário, de fato, não nesta época, mas em 1961, elevar o dólar no câmbio de custo, então a 100 cruzeiros. A política cambial exigia uma revisão de acôrdo com o próprio desenvolvimento industrial nos pontos que passara a servir de obstáculo. A 204, entretanto, com a brusca suspensão do câmbio de custo, em busca de uma fictícia realidade cambial, constituía um profundo golpe na economia brasileira. O Brasil submetia-se, como a Argentina já se submetera, ao Fundo Monetário Internacional. A Jânio Quadros faltou um plano de govêrno e, em poucos meses, tumultuou o país perdendo a confiança da burguesia sem inspirar a confiança da classe média e do operariado, em vista das oscilações e das contradições de sua política interna e de sua política externa. Submetera-se ao FMI no tocante à reforma cambial e, por outro lado, defendia uma posição independente na política exterior, ampliando os entendimentos comerciais com as nações socialistas. Seu govêrno, com a palhaçada do slack, dos bilhetes aos ministros de Estado e diretores de serviços públicos, que só contribuíam para desprestigiar o próprio Executivo, com as comissões de inquérito semelhantes aos IPMs, para perseguir os adversários políticos, com as medidas mais extravagantes sôbre o horário dos funcionários públicos, as brigas de galo, as corridas de cavalo, os maiôs das misses, terminou por criar uma atmosfera de desmoralização e de tensão, que só prejudicava a vida administrativa do país. O custo de vida aumentava. A inflação tomara um ritmo incontrolável. Emitiu-se em sete meses quase o que Juscelino emitira em cinco anos com todas as obras que realizara. A classe média, a classe operária, estavam desesperadas com a política de congelamento de salários. A burguesia chegara à conclusão de que o país estava sendo dirigido por um homem mentalmente perturbado. Jânio Quadros sonhou, possivelmente, com um govêrno discricionário, quando viu que não contava com o Congresso. É difícil dizer se a renúncia foi um ato de desespêro de um presidente que se achava sem saída em conseqüência de seus próprios atos anteriores, ou se foi uma manobra política que não produziu os resultados em vista. A renúncia inesperada de Jânio Quadros a 25 de agôsto de 1961, após um discurso violento de Carlos Lacerda, na televisão do Rio de Janeiro, pareceu um ato de covardia ou de loucura. De qualquer forma, confirmada a renúncia pelo Congresso, que não hesitou em aceitá-la, o povo não pediu a volta de Jânio Quadros ao govêrno, e sim a posse de João Goulart. A tentativa de impedir que João Goulart assumisse a Presidência uniu a nação em tôrno dêle, na defesa da legalidade constitucional. Mas o Congresso fraquejou e fêz uma concessão aos militares que se opunham à posse do vice-presidente: estabeleceu o regime parlamentarista com a emenda constitucional de 2 de setembro. No dia 7, João Goulart assumia o govêrno. O parlamentarismo mostrou-se impotente e inadequado para resolver a crise pela qual o país atravessava depois do govêrno de Jânio Quadros. O gabinete presidido por Tancredo Neves, de união nacional, bem como os gabinetes de Brochado da Rocha e de Hermes Lima, como êles próprios compreenderam, só mostraram a necessidade de restaurar o regime presidencialista. No plebiscito de 8 de janeiro de 1963, o povo manifestou-se maciçamente contra o regime parlamentarista e o Congresso restabeleceu o presidencialismo a 23 do mesmo mês. João Goulart tomou como principal objetivo de seu govêrno a realização das reformas de base. Mas o fêz de uma forma tumultuosa. Assustou a burguesia nacional, os grandes e os pequenos proprietários territoriais, a classe média, as classes armadas, sem dar o suporte necessário às fôrças populares que, na realidade, o apoiavam ou temiam um levante da direita. Em várias áreas, acreditava-se que João Goulart preparava um golpe para cancelar as eleições de 1965 e estabelecer a ditadura. Contribuía, para isto, a atitude agressiva de Leonel Brizola, que pregava, em praça pública, por inabilidade ou inconseqüência, o fechamento do Congresso Nacional. A falta de orientação, a perplexidade do govêrno diante dos acontecimentos, com os principais comandos do exército nas mãos de seus adversários, estabeleceram as condições reais para a deflagração e a vitória do golpe de abril. Inicialmente, o afastamento de João Goulart não deveria perturbar a vida constitucional do país. Seria substituído, como foi, pelo seu sucessor legítimo, Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara. Mas entre 1 e 9 de abril, as "fôrças ocultas" atuaram. O golpe que fôra desfechado, conforme o documento dos generais que o dirigiram, para defender a Constituição, o Poder Legislativo, a Federação e a democracia, transformou-se no seu oposto. Os novos ministros militares, Costa e Silva, Corrêa de Mello e Rademaker Grunewald, nomeados pelo presidente Ranieri Mazzilli, editaram o Ato Institucional que atentava contra a Constituição, o Congresso, a Federação e a democracia. Um dos objetivos dêste Ato era impor ao Congresso e à nação um Presidente militar. E, como expressão mais alta da mediocridade do golpe, alçou-se no horizonte a estrêla política de Castelo Branco. Vieram as cassações de mandatos e de direitos políticos, que mutilaram o Congresso. Já nessa época, sentia-se a influência dos grupos econômicos ligados ao imperialismo norte-americano, como em 1955, quando se tentou impedir a posse de Juscelino Kubitschek. Thomas C. Mann declarou, oficialmente, nos Estados Unidos, que tinha dado auxílio financeiro aos governos estaduais do Brasil que conspiravam contra João Goulart para preservar o que êle chama de democracia. Jânio Quadros foi atingido pelo Ato Institucional, que cassou os seus direitos políticos quando se preparava para disputar, nas eleições, a Prefeitura de São Paulo. Não se deve esquecer que a sua campanha política pela Presidência da República custara milhões de cruzeiros. Os grupos econômicos que a financiaram ficaram profundamente decepcionados com a renúncia de 25 de agôsto e, depois do golpe, impuseram a punição. O golpe de abril, que vinha limpar o govêrno da corrupção e da subversão, passou a considerar subversivos e corruptos os nacionalistas civis e militares de todos os partidos e de tôdas as correntes. Juscelino Kubitschek teve o mandato de senador e direitos políticos cassados pelo crime de acelerar a revolução industrial do Brasil, incentivando a luta pela emancipação econômica. Ficou patente, com o Ato Institucional, que o objetivo do golpe de abril não era extinguir a corrupção e a subversão. Os corruptos que apoiaram o golpe continuam no poder. O combate à subversão não atingiu apenas as organizações operárias, os sindicatos e as ligas camponesas. Voltou-se, sobretudo contra os que lutavam pela independência econômica do país. E que vemos agora? Um Brasil na iminência de voltar a ser uma simples colônia, de paralisar o seu desenvolvimento, de entrar num período de estagnação ou de retrocesso. Já não pensa numa política exterior independente e se dispõe a entregar, submissamente, tudo que o imperialismo americano exigir. Não é em vão que Roberto Campos encontra-se no Ministério do Planejamento. Tudo indica que o Brasil, pelas suas reservas de urânio, pelo seu progresso científico, industrial e tecnológico, poderia, mais cedo do que se pensa, fabricar a bomba atômica. Neste caso, tornar-se-ia, de modo irreversível, uma potência na América e no mundo, o que não convém aos Estados Unidos. Estarão a burguesia nacional, as Fôrças Armadas, o povo trabalhador dispostos a deixar que se transforme o Brasil numa nação ocupada, sacrificando todos os esforços dêstes últimos anos em benefício do desenvolvimento? A resposta está no descontentamento e na revolta que se alargam do norte ao sul do país, na impopularidade crescente do govêrno atual e do golpe de abril. Rio, 14 de novembro de 1961.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Milton Leal, nos idos de 1960 me emprestou o livro que, até esta data não lhe foi devolvido.


 

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