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Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Laurita Mourão

Editora: Nordica

Assunto: Memórias

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 295

Ano de edição: 1979

Peso: 345 g

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Bom
Marcio Mafra
12/04/2009 às 21:09
Brasília - DF

A autora é uma das filhas do General Mourão Filho. Ele morreu em 1972 e foi um personagem importante, porém desastrado na história do Brasil. Na revolução "comunista" de 1937, quando Mourão ainda era tenente, consta que ele teria sido o autor do "plano cohen". Tratava-se de um falso plano, urdido pelo alto comando militar, para a tomada do poder pelos comunistas. Com o plano os militares pretendiam intimidar e depor o ditador Getúlio Vargas.



O segundo ato impulsivo e não menos desastrado do General Mourão aconteceu em março de 1964, quando ele assistia, em Belo Horizonte, numa transmissão da TV Tupi, ao discurso do então presidente Jango Goulart. Era o dia 30 de março, segunda feira, após o Domingo de Páscoa. O discurso, proferido num comício para quase mil sargentos e subtenentes da Policia Militar, era uma demonstração de força do Presidente Goulart junto aos escalões menores das Forças Armadas. Ao término do discurso, Mourão mandou mobilizar suas tropas e marchar para o Rio de Janeiro. Assim foi deflagrado o golpe de estado em 31 de março de 1964, que resultou numa longa ditadura militar, que só acabou 21 anos depois, no dia 15 de março de 1985. Era o dia marcado para a posse de Tancredo Neves que fora eleito Presidente e José Sarney, Vice Presidente da Republica. Neste dia Tancredo fora internado, em emergência, no Hospital de Base de Brasília, vindo a falecer no dia 21 de abril do mesmo ano, data em que José Sarney, assumiu a Presidencia definitivamente.



Laurita, filha do General Mourão, também era impulsiva e decidida. Notadamente em assunto sexual: gostasse de alguém, ia até o cara e o trazia para sua cama.



Teve seis ou sete filhos no seu primeiro casamento, e criou outros tantos, órfãos de sua irmã. O fez com dignidade, mas com todo o atrevimento, audácia e coragem típicos de seu DNA.



A narrativa é bem feitinha, mas carece do talento de um escritor. A leitura torna-se chatinha, até porque se perde em incontáveis detalhes. Como não poderia deixar de sê-lo, o livro é narrado na primeira pessoa, o que torna a autora o personagem principal, com cara e jeito de heroína...numa imagem bastante forçada. Falta emoção ao texto, ainda que não tenha faltado à vida profissional e pessoal da autora.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A historia da autora Laurita Mourão de Irazabal, seu marido, seus filhos, seus amantes, suas dificuldades, sua vitorias e sua vida familiar e íntima, no mundo diplomático onde viveu, entre o Uruguai, França, Espanha, Estados Unidos e Brasil.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Eram cinco boras da madrugada daquele fevereiro frio, quando a mulher de Gilberto Marques me telefonou para comunicar-me que ele tinha expirado alguns minutos antes. Levantei-me imediatamente, acordei Nair, pedindo-lhe que me preparasse um café e um sanduíche para a viagem de quatro horas que eu ia ter que fazer.
Mal conseguia tomar o café. A emoção era muito forte. Gilberto tinha deixado este plano. Estaria ali, invisível, ao meu lado? Saberia que seu corpo, como foguete de vários andares, tinha largado mais uma parte para ficar mais leve e poder subir mais alto e melhor? Ou o cérebro, portador e diretor de todas as nossas sensações periféricas e profundas, ainda não tinha completado sua vibração e o mantinha por algum tempo mais atado a esta terra? Todas estas elucubrações metafísicas, assim como os meus mais caros momentos com ele começaram a desfilar pela minha memória, enquanto eu esfregava o meu corpo em baixo da ducha e me preparava para ir enterrá-lo.
Ainda não tinha qualquer idéia de como seriam as cerimônias: Gilberto morria no posto, como embaixador, e teria certamente direito a um tratamento especial. Depois que ele adoecera, sem esperança de cura, eu ia vê-lo no leito quase todos os fins de semana e ele ficava horas com a minha mão entre as suas, dizendo-me, numa velha e gastada gíria: "Estou um caco não é, Laurita?" Ele sempre foi magro, enxuto, mas agora só restavam os ossos cobertos por uma pele amarela, macilenta.
Coisa triste a velhice e mais triste ainda a doença. Eu acho que só morre quem se distrai. Quero dizer com isso que quando a quantidade de desgostos na balança da vida é maior que a motivação para os prazeres, o corpo se suicida, mesmo que não use nenhum dos meios materiais, como veneno, gás ou bala de revólver. O próprio subconsciente se dá conta de que o corpo não quer mais viver e inventa, programa, computa o seu fim. Aparecem, então, o câncer, o ataque cardíaco, o ataque cerebral ou até mesmo o "acidente". Para mim, os verdadeiros acidentes são raros, sendo que a maioria do que assim se chama não é outra coisa que L'incidént voulu.
No caso do Gilberto, seus dois últimos anos de vida tinham sido extremamente dolorosos, não somente com problemas pessoais, como também com a minha negativa formal de não dar-lhe mais o meu corpo, nem meus sucos vitais, desde que ele duvidou da minha gravidez, desde que ele negou que aquele fruto era também seu. Minha decepção e mágoa foram imensas e não pude nunca esquecer a tristeza na qual caí quando Gilberto, avisado por carta minha do que nos estava acontecendo, respondeu, com um bilhetinho à máquina e procurando ser impessoal e anônimo, somente esta frase: "Você está enganada em tudo, não creio que seja meu"...
Eram seis horas da manhã, o dia ainda era noite quando me sentei no volante do meu carro, apertei o cinto de segurança, me despedi de Nair, recomendando-lhe que telefonasse mais tarde à embaixada e falasse com meu chefe explicando o motivo da minha ausência no trabalho naquele dia; recomendei que cuidasse das crianças durante a minha falta. Fiz os quinhentos quilômetros quase de uma vez, só parando para colocar gasolina. À medida que o carro avançava, a minha coragem parecia diminuir para enfrentar o velório, o enterro, as conversas entre os que iriam olhar de perto os móveis, a cama, os banheiros, tudo que tinha inúmeras vezes servido como ambiente para os nossos encontros. Como é agradável todo princípio de romance e como é triste todo final!
Às dez horas daquela manhã cinzenta e triste, cheguei à residência da embaixada. Veio receber-me o Diogo, que recolheu a minha maleta, foi estacionar o carro e me disse, em espanhol: "El Senor está arriba, em su cama". Para ele, Gilberto ainda "estava". Subi as escadas daquela casa, vazia ainda àquela hora da manhã, onde só estavam acordadas as pessoas do serviço doméstico e alguns diplomatas que serviam com Gilberto. No quarto de dormir, tudo arrumado, as camas com colchas, as janelas meio fechadas, deitado jazia Gilberto, só osso, vestido com um terno escuro, as mãos cruzadas sobre o peito, na atitude de contrição que, segundo os hábitos, deve-se procurar que todo morto tenha, e no rosto um lenço de linho branco, com a inicial dele, cobrindo a máscara, a face, por detrás da qual todos nós levamos a hipocrisia das nossas vidas. A mulher dele me abraçou e choramos um momento juntas, sem barulho, nem escândalo, mansamente. E ela me confessou: "A última coisa que ele pediu foi que ninguém, ninguém visse o rosto dele". Pensei comigo: Gilberto morreu como viveu, escondendo sua verdadeira personalidade, sempre falando devagar e baixo, aparentando calma, um homem que era todo um vulcão na cama, cujo membro viril se encrespava brutalmente logo depois de qualquer ato de derramamento orgásmico, que fingia para a mulher chamando-a de "meu bem", quando minutos antes tinha me dito, pelo telefone "vem, porque já estou de pau duro só de pensar em você nua ao meu lado na cama". E, quando eu desembarcava, chamada por ele, insistida por ele, fosse de trem, do meu carro ou de um avião, ele me dizia logo: "Não podemos jantar fora aqui porque não quero chamar a atenção sobre a minha pessoa na rua, podem me reconhecer". Tudo era ass:m: uma cara para a carreira, uma cara para a mulher, e uma cara para a amante. E agora um lenço de linho branco para tapar, esconder tudo, para que ninguém visse... A morte instalada nas suas feições!
Fiquei espantada com aquele desejo póstumo, mas coincidia perfeitamente com ele e com a vida que ele levara. A mim não me ocorreria, jamais, pedir nada para depois dà minha morte. Só que dancem, comam, bebam, façam amor, contem anedotas, e não guardem de mim outra idéia do que realmente desejo aparentar: um ser humano que vive honradamente a sua realidade, sem querer ser mais do que é como ser humano, salvo um pouco mais perfeito todos os dias, se isso for possível. Não teria tampouco a idéia de recomendar que meu corpo fosse enterrado aqui ou ali, que esteja ou não coberto ou vestido desta ou daquela maneira, que o cabelo esteja penteado, as mãos entrelaçadas.
Até me faz lembrar daquela história do avô, que sempre muito faceiro, chamou o neto mais velho e recomendou que, depois de morto, não lhe tirassem a peruca nem deixassem que ela saísse do lugar certo. Quando o neto chamou o encarregado dos funerais e recomendou o desejo do avô e quis dar-lhe uma gorjeta pelo trabalho, ouviu a seguinte resposta: "Não me deve nada não senhor, imagine se vou lhe cobrar por quatro tachinhas que coloquei na cabeça de seu avô!"


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Por causa de uma entrevista com a autora na revista Piaui, logo no inicio de 2009 comprei este título e o Incesto em 2º Grau.


 

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