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Corpo Estranho

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Corpo Estranho

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Adriana Lunardi

Editora: Rocco

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 271

Ano de edição: 2006

Peso: 305 g

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Bom
Marcio Mafra
13/06/2009 às 18:50
Brasília - DF

Adriana Lunardi trouxe para o seu estranho livro as angústias de Manu e da Mariana, que lutam - ou não - para que suas vidas não se desvaneçam simplesmente, embora saibam que tudo se extingue. A Diabete de Manu a faz encarar a morte com mais freqüência ou naturalidade imposta. A Mariana, desenhando e pintando cada bromélia, acha que pode fingir que se perpetuará nas flores. A autora insere na sua história mais alguns outros personagens como o Ramiro, o Paulo e o José - irmão de Mariana que morreu num acidente automobilístico - para enviesar mais ainda a efemeridade da vida da fotógrafa e da botânica. A leitura flui, mas não emociona.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A historia e angustias - diante da morte - de duas mulheres estranhas, Manu e Mariana. Manu, mais jovem que Mariana é fotógrafa. Mariana é uma botânica que faz pintura de bromélias...Ambas tentam fazer que os dias, ao passarem, não sejam simples passagens.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Se a memória fosse apenas o registro mecânico das coisas vistas, Manu decerto lembraria da testa. Ainda lisa e do olhar ansioso de Paulo ao lado de sua cama no hospital, segurando-lhe a mão, que, mal desperta, ela apertava de volta, e era como segurar um retângulo macio, grande como uma bóia que o capitão atira ao mar para salvar o banhista. Não tinham sido ocasionais as vezes que ele estivera assim, junto à cama de ferro, velando um sono que poderia ser longo, presente até ela abrir os olhos, reclamar a presença da avó, chorar de susto por acordar num CTI. Manu era pequena demais para lembrar-se de ter estado nos braços da avó um pouco antes, da porta se abrindo, de Paulo no corredor, depois os três na garagem, a trajetória nervosa pelas ruas, a agonia nos sinais de trânsito e finalmente as luzes que faziam brilhar a palavra emergência, onde uma maca levava-a para mais uma ressuscitação. Era jovem demais para saber que, de tanto em tanto, Paulo se afastava do quarto para ir ao corredor e dar notícias ao outro, o que ficara em casa, aquele que se foi antes que houvesse tempo para Manu lembrar-se dele ou fixar suas feições, essas que Paulo tinha medo de esquecer para sempre e cujas fotografias tinham o infame defeito de desacreditar. Não era estranho, portanto, que ao menor sinal de apatia Paulo perguntasse se ela ia bem de saúde, e mais especificamente, se o controle da glicose estava sendo mantido e quais os resultados dos exames semestrais de lei. Você está bem? Manu desculpou-se por aqueles instantes de fuga, mentiu que dormira pouco, omitindo de propósito o episódio da manhã, já que tudo se resolvera sem outros desdobramentos. Ótimo, porque tenho uma proposta para este fim de semana. Ele chega finalmente ao que interessa, pensa Manu, achando que ele bem podia ter economizado palavras, pois o que ela gostaria de ouvir hoje eram apenas verbos no imperativo. Faça, vá, tome, ande, fique, deite, role, finja de morta. Precisava de alguém que lhe predissesse o destino, revelasse-o através de um espelho, da borra do café, das conchas de praia, tornando a vida uma missão a ser cumprida, uma jornada reta e conseqüente, em que toda peripécia estivesse prevista pelo movimento dos astros, por um software implantado secretamente em nosso peito quando ainda éramos fetos. Você leva a tinta para Mariana e aproveita para descansar na minha casa da serra, que tal? Tinta. Casa. Serra. As palavras eram peneiradas da atenção difusa que Manu dedicava aos sons. Tentava capturar ao menos a essência daquela comunicação, ouvindo as frases no intervalo que se seguia à sua emissão. Paulo nunca a havia convidado para a casa da serra. Tampouco costumava levar amigos e coordenar visitas, repetindo um hábito corriqueiro entre seus pares urbanos. Adiava eternamente a festa de inauguração, migrando a data para o ano posterior e, daquele, para o ano seguinte. O resultado era uma descrença maciça, e ninguém mais mencionava a casa, poupando o amigo de mais uma negativa quanto ao final da obra. Vindo assim de repente, o convite confundia até mesmo Manu. Para ela, Paulo seria sempre um parente herdado da avó, um prolongamento emocional dessa última, sem direito a uma identidade exclusiva. Toda falha e toda virtude que ele possuía eram assimiladas em causa própria, vistas à superfície de uma opinião ainda verde, pouco refletida, prejudicada pela sombra de ter crescido muito perto dele. Com ele às vezes se dava o mesmo. A presença excessivamente próxima tem como efeito despersonalizar Manu, recoser sua imagem, criar uma figura se não falsa ao menos distorcida. Ninguém foge a esse desvio. Para conhecer algo ou alguém, precisamos classificá-lo, e fazemos isso de forma apressada, porque a operação padrão exigiria mais paciência e vontade do que admitimos ter. Sem formular ou fixar-se no tema, era em torno desse súbito estranhamento que a tempestade por trás dos nebulosos pensamentos de Paulo se formava. Por um desses fenômenos ainda inexplicados, parecia ter diante de si uma desconhecida que, por sua vez, lembrava alguém muito familiar. Aquela figura feminina em prostração sentada à sua frente era um esboço feito na mesa de bar por um estudante que desenha mal. Uma versão iconoclasta da garota que costumava vir ali todos os dias, pedindo conselhos e trabalho; uma modelo fotografada por Lewis Carrol, a exibir o quanto havia de dor e de sabedoria em um rosto distraído, em um corpo abandonado à brancura do sofa.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Uma das mesas da Flip de 2008, em julho, na cidade de Paraty, RJ, Adriana Lunardi, mais Emilio Fraia, Michel Laub e Vanessa Barbara, falavam sobre "O Primeiro Tempo". Era tempo de novos autores. Gostei das intervenções de Adriana e comprei o Corpo Estranho e Vésperas.


 

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