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Aventuras Provisórias

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Aventuras Provisórias

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Cristovão Tezza

Editora: Record

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 142

Ano de edição: 2007

Peso: 225 g

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Excelente
Marcio Mafra
30/07/2009 às 17:04
Brasília - DF

O título que o autor adotou para o livro, Aventuras Provisórias, se encaixa bem no conteúdo do romance. O Cristóvão Tezza é um exímio e talentoso narrador e nesta história ele vai aos poucos revelando o direito e o avesso dos dois personagens principais, o João e o Pablo. Os demais, são personagens coadjuvantes, mas com uma carga dramática notável, como a mãe do João e os dois amigos do Pablo, o Pã e o Dunga. Muito bom é o desempenho das três mulheres do João, que passam todo o tempo povoando a alma, os sentimentos, e as culpas dele. O final não é explícito nem surpreendente, mas é muito bom. Tezza é nada menos que um excelente escritor.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de João e Pablo. João bem-sucedido e o Pablo, um sujeito excêntrico e puro, que esteve preso muitos anos e sofreu torturas durante o tempo da ditadura militar de 1964. João ajuda Pablo a refazer a vida perto de uma praia em Florianópolis....

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Mas não é disso que me sinto culpado. Eu me sinto culpado por não ser nada; por não ter descoberto em mim nenhuma aura de sabedoria existencial, por ser incapaz de ver sem corroer, por viver entorpecido numa mecânica medíocre; minha culpa é não conseguir mergulhar, realmente, na vida - como Pablo mergulhou, por exemplo, esse miserável e insignificante Pablo, que saído das trevas resolve, por exemplo, fundar uma comunidade, esse idiota tenso capaz de criar grandeza, uma porra de grandeza que eu nem sei o que é - mas a gente olha para ele e pára, porque há algum Deus ali dentro...." ..."Perfeito. Se eu tivesse esse mapa futuro impresso na cabeça talvez vivesse com a Dóris até hoje. Penso e peso o rompimento, o momento final, e continuo sem compreender por que nos separamos - ou por que eu detonei a separação. Mas ainda não é isso: é por que aconteceu daquele modo, tão estupidamente, sem dignidade. Não merecíamos um fim de festa tão tosco. A falta de filhos, minha mãe, o cheiro de incenso, tudo isso são miudezas, têm que fazer parte da vida, porque não estamos numa redoma asséptica. Vivemos na poeira, no resfriado, na chuva, na foice, no suor, no medo, no arrepio. Vivemos nos esbarrando bêbados e burros, tagarelando sem propósito. Mesmo assim, deveríamos contar com uma breve margem de segurança, que não nos quebrasse tanto. Mas é isto: não há outra vida sobre esta vida, apesar das teses do Doutor Lineu. Não podemos passar o tempo a limpo, feito caderno escolar. Cada segundo tem uma essência irremediável, uma definitiva frieza, uma mecânica sem nervos. Abro a porta e a porta está aberta, para sempre. Posso fechá-la, dar as costas, fingir que não vi - mas o diabo é que eu abri a porta e o fato eternizou-se. A quem é dado o controle do imponderável? Quando não temos recursos, que recurso temos? E tratava-se - o que me dói mais, o que me deixou incompleto - e tratava-se de uma dúvida assombrosamente ridícula: Dóris estava beijando aquele indivíduo? Ou apenas acendendo o baseado, cara a cara? Ou cochichavam alguma coisa sem importância, depois de um riso idiota sobre um quadro torto na parede? Uma dúvida, é claro, do meu tamanho. Eu tive (tenho) vergonha de perguntar. Porque Dóris me olhou sem culpa, sem tremor, sem disfarce, numa branca limpeza: - Este é o Perez - ela me disse, e tossiu convulsiva. No mesmo instante, Perez - o nome é um súbito bater de pratos na orquestra - rolou de rir no colchão, olhos em lágrimas, até dizer com esforço: - Tudo bem, cara? Fosse o leitor um neurótico, como eu, também não acharia graça. Estavam vestidos, estavam de acordo, é verdade. Era apenas (quero crer) um ritual naturalista de conjuminâncias cósmicas. Nada de posse, egoísmo, forca no colarinho. Porque o homem e a mulher, o leitor deve saber, são yang e ying, céu e terra, de acordo com o Creador Brahma, os Relativos do Devir, e Lao- Tsé, representado pelo Tei Gir, o Círculo Perfeito. Tudo isso eu já sabia das preleções de Dóris. Repito-as aqui não por ironia, mas na esperança inocente de que a magia mesma destes sons me ilumine; as palavras devem servir para alguma coisa concreta. A Tese Cósmica atravessa as Antíteses Telúricas e chega à Síntese Cosmificada - provavelmente os dois agachados no meu colchão em meio ao fumo. Que fazer? Ora, eu devia Agir Não Agindo, um dos paradoxos creadores das Leis Cósmicas. Ou então, seguindo os preceitos do Bhagavad Gita - que Dóris me jogou na cara antes de ir embora, para sempre - eu deveria substituir o vikarman pelo naiskarman, que é o reto-agir. Mas, desgraçadamente (e até hoje me pergunto o que aconteceu), mergulhei na falasanga, o falso-agir, ignorando meu próprio Atman. Eu não me lembro de quase nada do que disse. Mas estava tão repleto de ódio e de tontura e de ânsia de vômito que o Demônio fez uma farra comigo. De uma coisa tenho certeza, e ainda hoje sinto o eco devolvendo o urro: chamei Dóris de puta, uma ofensa que Mara nunca ouviu. Fui baixo, mas eficiente. Perez interrompeu a viagem divina e saiu de quatro, e Dóris desceu à terra: - Para mim, chega!


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Cristóvão Tezza era um dos convidados da Flip 2009. Eu já conhecia o autor quando do livro O Filho Eterno e, pouco antes da Flip comprei diversos livros dele. O eu profundo e outros eus, era o nome da mesa de Mário Bellatin e Cristóvão Tezza que se apresentou na sexta-feira, dia 3. Professor de uma escola de escritores no México, Mario Bellatin admite tudo – menos que o candidato a ficcionista inspire-se na própria vida para criar sua história. Um dos mais premiados autores brasileiros dos últimos anos, Cristovão Tezza fez exatamente isso em seu Filho eterno, e ninguém ousará dizer que não foi bem-sucedido. Qual, enfim, o papel da experiência pessoal na literatura? Eis o mote para a discussão entre os dois autores.


 

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