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Quarto de Despejo - Diário de Uma Favelada

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Quarto de Despejo - Diário de Uma Favelada

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Carolina Maria de Jesus  

Editora: Ática

Assunto: Jornalismo

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 173

Ano de edição: 1994

Peso: 180 g

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Excelente
Marcio Mafra
02/11/2004 às 22:12
Brasília - DF


Quarto de Despejo na época de seu lançamento foi um livro muito comentado pela crítica, inclusive por uma genial jogada de marketing, que noticiava o esgotamento da edição com apenas uma semana do lançamento. Logo em seguida foi traduzido para muitos idiomas, virou trabalho de escola, citação em palestra, referência de intelectual, assunto de jornalista e livro de cabeceira de artista, político e intelectual de esquerda, porque era uma obra que denunciava uma face crueldade da vida brasileira, quando do início da modernização do Rio e de São Paulo e da criação de suas favelas. Era uma face cruel e, sobretudo, perversa, pouco conhecida e muito dissimulada, pela ascendente classe média (e rica também), que começava a perder o domínio sócio-econômico e cultural dos pobres, negros e outros favelados. Ou por outro lado, seria a amarga constatação, por parte da sociedade, que o encanto do samba - canção "...saudosa maloca, maloca querida..." era falso.

Carolina Maria de Jesus, negra, pobre, semi analfabeta, mesmo diante todas as mazelas, perdas e discriminações que sofreu ao longo de sua vida, revela notável sensibilidade de espírito, uma capacidade mágica e ao mesmo tempo trágica de sobrevivência à fome, ao desespero, à miséria e a discriminação racial, social e econômica.

Passados quarenta anos de sua primeira edição, o livro é atual, ampliado apenas pela miséria do tráfico de drogas e de armas. Leitura excelente.



 



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história da vida da vida de Carolina Maria de Jesus, favelada, contada em forma de diário, no texto do repórter Audálio Dantas, durante o tempo em que ela residia  na Favela do Canindé, em São Paulo. Ela anotava em cadernos o seu dia-a-dia, entre os anos 1950 e 1960.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

1 DE JULHO ... Eu percebo que se este Diário for publicado vai maguar muita gente. Tem pessoa que quando me vê passar saem da janela ou fecham as portas. Estes gestos não me ofendem. Eu até gosto porque não preciso parar para conversar. ( ... ) Quando passei perto da fabrica vi vários tomates. Ia pegar quando vi o gerente. Não aproximei porque ele não gosta que pega. Quando descarregam os caminhões os tomates caem no solo e quando os caminhões saem esmaga-os. Mas a humanidade é assim. Prefere vê estragar do que deixar seus semelhantes aproveitar. Quando ele afastou-se eu fui pegar uns tomates. Depois fui catar mais papéis. Encontrei o Sansão. O carteiro. Ele ainda não cortou os cabelos. Ele estava com os olhos vermelhos. Pensei: sera que ele chorou? Ou esta com vontade de fumar ou está com fome! Coisas tão comum aqui no Brasil. Fitei o seu uniforme descorado. 0 senhor Kubstchek que aprecia pompas devia dar outros uniformes para os carteiros. Ele olha-me com o meu saco de papel. Percebi que ele confia em mim. As pessoas sem apoio igual ao carteiro quando encontra alguém que condói-se deles, reanimam o espírito. Eu não gosto do Kubstchek. O homem que tem um nome esquisito que o povo sabe falar mas não sabe escrever. ... O baiano esposo de dona Zefa é meu vizinho e veio queixar-se que o José Carlos lhe aborrece. O que eu sei é que com tantos baianos na favela os favelados veteranos estão mudando-se. Eles querem ser superior pela força. Para ficar livre deles os favelados fazem urn sacrifício e compram um terreno e zarpam-se. Eu disse-Ihe: - Teus filhos também aborrece-me. Abre as minhas gavetas e o que eles encontram carregam. - Eu não sabia disso. E nem ia saber porque eu não faço reclamações de crianças. Porque eu gosto das crianças. ... Aqui reside uma nortista que é costureira. Eu gostava muito dela. Lhe favorecia no que eu podia. Um dia o meu filho José Carlos estava brincando perto da casa dela e ela jogou-Ihe água. No outro dia veio um caminhão jogar abacaxi podre aqui na favela e eu perguntei a ela porque havia jogado água no meu filho. - Eu joguei fria. Mas se ele me aborrecer outra vez eu quero jogar é água quente com soda para ele não enchergar mais e não aborrecer mais ninguém. A minha simpatia pela dona Chiquinha arrefeceu. ( ... ) No outro dia a dona Chiquinha veio perguntar se eu queria brigar com ela que ela ia buscar a peixeira. Não lhe dei confiança....”
3 DE JULHO - Eu estava escrevendo quando ouvi o meu visinho Antonio Nascimento repreendendo 0 meu filho José Carlos. Ele anda dizendo que vai bater no menino. Se fosse uma reprensão justa, mas a dele e impricancia. Onde é que já se viu um homem de 48 anos desafiar uma criança de 9 anos para brigar? Mas o Antonio Nascimento nasceu com as ideias ao avesso . ... A filha da Dirce morreu. Era duas gemeas. Atualmente ela tem tido partos duplos. O ano passado morreu o casal de gemeos. O menino num dia, e a menina no outro. E agora fenece outra. Quando morre alguém aqui na favela os malandros saem pelas ruas pidindo esmolas para sepultar os que falece. Embolsam o dinheiro e gastam na bebida. Os favelados estão comentando o retorno dos jogadores. ...”


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em outubro de 2004, iniciamos uma busca no HD de nossa memória, dos melhores livros que já lemos e que - por motivos diversos - não se encontram em nossas prateleiras. Sabe-se que o principal e mais importante motivo do desaparecimento de livro é - simplesmente porque é bom. Ninguém pede emprestado livro ruim. Livro bom some logo, tanto por empréstimo como por esquecimento. Assim iniciamos visitas "virtuais" aos sebos onde os "desaparecidos" podem ser comprados por módicos reais. Num desses passeios foi recuperado o incomparável Quarto de Despejo, da favelada Carolina Maria de Jesus.


 

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