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Rebuliço no Pomar das Goiabeiras

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Rebuliço no Pomar das Goiabeiras

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Kiran Desai

Editora: Record

Assunto: Romance

Traduzido por: Ana Luiza Borges

Páginas: 220

Ano de edição: 2000

Peso: 320 g

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Bom
Marcio Mafra
20/01/2008 às 20:44
Brasília - DF

O livro Rebuliço, segundo a autora disse numa entrevista, foi inspirado numa notícia que ela leu num jornal da Índia, sobre um homem que viveu no topo de uma árvore durante vários anos, até morrer. O romance narra a história de Sampath Chawla, um garoto que se deu mal na escola e não arranjava trabalho - que aliás nunca procurou com afinco. Então, mais por falta de opção que por malandragem, ele resolve levar uma vida de contemplação. Sem mais aquela, subiu numa goiabeira e acabou se transformando num guru, a quem todo mundo acorria para buscar a felicidade, assim como se busca em qualquer igreja evangélica, pentecostal ou católica carismática. Também é comum encontrar tais gurus em panfletos distribuídos nas ruas, para consultas – em locais pouco mais adequados que uma goiabeira - através das cartas, tarô, runas e outras adivinhações. Leitura boa, quase divertida.




Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Sampath Chawla, um grande malandro que não estudou nem aproveitou nada na sua escola e resolve levar uma vida de contemplação. Ele sobe numa goiabeira e se transforma num guru famoso. A notícia sobre o guru se espalha que nem rastilho de pólvora e todos correm para conhecer o pomar das goiabeiras e tomar as suas bênçãos e iluminação espiritual....

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Certa tarde, cerca de um mês após a sua primeira aparição no pomar, os macacos acharam cinco garrafas de rum ao remexerem a sacola de um homem que havia feito uma pausa, a caminho de um casamento, para ver Sampath. Beberam todas e, nessa tarde, quando ressurgiram na árvore de Sampath, onde haviam se habituado a fazer a sesta com Sampath às três horas, não conseguiram cair no estado de estupor que dominava o pomar como um sortilégio específico dessa hora do dia. Sampath espreguiçou-se sonolento em sua cama-de-vento. Ergueu as mãos de modo que sua sombra encobrisse o tronco iluminado a sua frente e observou o movimento de seus dedos, criando uma flor-de-lótus com as pétalas se enrolando e desenrolando, um peixe nadando, um camelo cambaleando. Ficou perplexo diante da sofisticação das formas que criava. Deixou que os dedos se retorcessem como uma aranha fugindo precipitadamente pelo palco improvisado da árvore impressa pelo sol. Essas pernas ariscas de inseto provocaram um arrepio que percorreu sua coluna e ele sacudiu as mãos como se livrando de uma aranha dentro dele. Lembrou, se de como às vezes se assustava em sua casa em Shahkot, pondo a língua para fora e para dentro rapidamente em frente ao espelho - uma língua de cobra, não a sua língua. Pensou em seres humanos com o nariz feito bico de pássaros, pessoas com pescoços de cisne, olhos de vaca, o terror sentido pelo coração do pássaro ou o amor do golfinho pelo mar. Pessoas com lágrimas como a água do mar, com a pele cor de cortiça, com cintura de caule e porte de flor, com orelhas feito folhas penugentas e bocas macias como pétalas. Fechou os olhos e procurou dormir. A família Chawla e vários visitantes inclusive o espião e a srta. Jyotsna se deitaram espalhados pelo pomar. Mas os macacos recusaram-se a sossegar. - Fiquem quietos - disse Sampath sonolento. - Estão me deixando nervoso com essa agitação toda. Mas fazendo caretas e guinchando, pularam pela árvore, cobrindo o solo embaixo de galhos e folhas. - Parem com isso - disse o espião, que foi atingido por um galho fininho. Ele estava tentando organizar seus pensamentos, já tão embaralhados nesses últimos tempos. - Sim, fiquem quietos - gritaram vários outros devotos. Havia algo realmente errado com aqueles macacos. - Eles estão agindo de maneira muito, estranha - disse o sr. Chawla. - Talvez seja a lua cheia - replicou Ammaji. Mas quando o sr. Chawla descobriu as garrafas de rum vazias perto do anexo. Ficou evidente que não se tratava em absoluto da lua. - Oh, são apenas macacos - Sampath sentiu-se compelido a defende-los. - O que podem saber? Quando o resto da casa está dormindo, a criança tira baforadas do narguilé de seu pai. - É verdade - disse alguém, enquanto outros, constrangidos pela descoberta de álcool no complexo, simplesmente davam risinhos afetados. - Não é culpa dos macacos. Os homens são sem pré os degenerados. É muito triste, mas num lugar como este, com tantos visitantes, fatalmente os maus se misturarão aos bons. Não é assim, Babaji? - Primeiro o chikoo está cru - disse Sampath -, depois, se não pegá-lo e comê-lo rapidamente logo apodrecerá e se transformará em álcool. O que ele estava dizendo? Que o tempo da perfeição passa, que só se deve comer chikoo na hora certa, que tudo faz parte da natureza, que o bom se toma mau ou que o mau não é realmente mau porque tudo faz parte da natureza do chikoo? Oh, às vezes, ele era difícil de entender. Porém uma coisa foi ficando mais clara durante o dia: os macacos tinham desenvolvido um gosto insaciável pela bebida alcoólica. Bum! Como gostavam daquilo! De uma maneira imediata e explosiva, isso tornou inevitável pelas forças do destino. Quem sabia se a comunidade científica havia ou não determinado as propriedades da criação da dependência do álcool no macaco langur? A verdade era fácil de perceber. Gostavam disso de uma maneira alucinada, apaixonada; começaram a procurá-lo com uma imprudência nova, que fez as pessoas se perguntarem se não teriam ficado um pouco loucos. Amendoins e bananas passaram a não ter o menor significado para eles. Alguns dias depois de seu primeiro encontro com o álcool, descobriram uma caixa de cervejas em uma caminhonete de entrega. Uma semana depois, uma garrafa de uísque em um riquixá. Depois mais cerveja. Depois mais rum. As caras escuras cheias de determinação, olhos selvagens. úmidos, corriam dando saltos largos ao encontro de todo ônibus que chegava, de todo riquixá que aparecia, em busca de bebida alcoólica inspirados, sem dúvida, pela recordação de uma certa aceleração do sangue, de uma misteriosa elevação de ânimo. Foram se tornando cada vez mais atrevidos, remexendo nos sacos de dormir, agarrando com força sacolas de compras e enxotando seus donos que fugiam, gritando apavorados. Era como se todos os antigos hábitos do bazar estivessem voltando à tona; como se entediados demais, estivessem fazendo o possível para resgatar a excitação da vida que levavam anteriormente, de ladroagem e ataques no meio da gritaria das pessoas. Quando eram frustrados em sua tentativa desavergonhada de pilhagem, mostravam os dentes, de modo que os viajantes recuavam com medo de ser mordidos. Quando os peregrinos balançavam os punhos para eles, eles retribuíam o gesto e escarneciam ruidosamente. Assim que eram enxotados de um lugar, apareciam fazendo coisas piores em outro. Era como uma guerra. Imitavam os peregrinos e se alinhavam com eles do lado da árvore de Sampath, dando tapinhas uns nos outros com alegria enquanto aguardavam a sua bênção. Logo ficou claro que a demonstração de afeição entre Sampath e os macacos não se expandiria a ponto de incluir alguém mais em seu círculo mágico; que seus encantos símios, que lhe eram tão caros, não seriam adquiridos por ninguém mais. Amantes de cinema com amendoins podiam assistir a seus filmes sem serem molestados, mas, evidentemente, o problema com os macacos simplesmente mudara de foco. A preocupação impregnava a felicidade dos devotos. Quase da noite para o dia, ao que parecia, tinham um novo problema para resolver. - Antes eram um aborrecimento, da maneira como as crianças são malcriadas - disse a srta. Jyotsna com tristeza para os outros, enquanto observava os macacos remexerem o saco de correspondência, espalhando as cartas com um frenesi de decepção ao descobrirem que não havia nenhuma garrafa com ela. - Sim - concordou um senhor. - De fato, eram afetuosos em seus maus modos. - E embora ele tenha exagerado um pouco, todos se solidarizaram, pois, de uma maneira geral, havia uma certa razão no que ele disse.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Kiran Desai era convidada da Flip. Natural que comprasse seus livros.


 

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