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O Velho Gringo

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O Velho Gringo

Livro Bom - 1 opinião

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Autor: Carlos Fuentes

Editora: Dom Quixote

Assunto: Romance

Traduzido por: Antonio José Massano

Páginas: 213

Ano de edição: 1987

Peso: 315 g

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Bom
Marcio Mafra
12/12/2009 às 21:59
Brasília - DF

Carlos Fuentes, premiado autor de Terra Nostra, se inspirou no fundo da alma mexicana durante a sua cruel guerra civil. Fuentes busca Pancho Villa e seus seguidores para surgir com a história de 1913, quando Ambroise Bierce, jornalista norte-americano da empresa Heast, que aos 70 anos de idade resolve abandonar carreira, vida estável e se embrenha pelo México, sem medo de ser feliz, mas com um latente desespero de vida, num exemplo de ceticismo absoluto, expondo-se à morte. As datas, lugares, personagens tem uma cara de verdade transparente, como se fora um romance histórico. O jornalista desaparece e fica a sua lenda. Leitura facil.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

História de Ambrose Bierce, jornalista, que participa da Revolução Mexicana, com Pancho Villa, já tem mais de 70 anos e está cansado da vida, por isso decide escolher onde quer morrer

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O general Arroyo disse que o exército federal, cujos oficiais tinham estudado na Academia Militar Francesa, esperava obriga-los a um contacto formal, onde eles conheciam todas as regras e os guerrilheiros nenhuma. - São como a senhorita - disse o jovem mexicano, moreno, duro, quase envernizado: - Ela quer seguir as regras, eu quero faze-las. Teria o velho ouvido o que a senhorita Winslow disse na noite anterior? Teria ouvido 0 que a gente do acampamento e da fazenda dizia? Porque não havia de governar-se a gente a si mesma, ali mesmo na sua terra: seria um sonho demasiado grande? Apertou os maxilares e disse que talvez a senhorita e ele quisessem o mesmo, mas ela não queria admitir a necessidade da violência. Pelo contrário, Arroyo sabia - disse ao velho gringo - que uma nova violência era necessária para acabar com a antiga violência; o coronel Frutos Garcia, que era um homem letrado, dizia que, sem a nova violência, a violência de antes perpetuar-se-ia para sempre, não é verdade, general gringo? O velho olhou durante muito tempo para a vereda acidentada por onde iam a cavalo. Depois disse que entendia o que o general tentava dizer e agradecia-lhe que tivesse palavras para o dizer. Eram palavras de homem, disse-lhe, e agradecia-as porque o ligavam de novo aos homens, quando ele tinha feito profissão de negar a solidariedade ou qualquer outro valor, para que negá-lo, disse o velho gringo, esperando que o seu chapéu lhe ocultasse o sorriso.


  • Entrevista com Carlos Fuentes, O Dandi Pessimista

    Autor: Marilia Martins

    Veículo: Blog O Globo

    Fonte: http://oglobo.globo.com/blogs/ny/posts/2009/07/17/entrevista-com-carlos-fuentes-dandi-pessimista-206

    Blog Jornal O Globo, 17 julho de 2009.

    Marilia Martins, correspondente de O Globo em Nova York.

    Enviado por Marília Martins - 17.7.2009 | 19h48m

    http://oglobo.globo.com/blogs/ny/posts/2009/07/17/entrevista-com-carlos-fuentes-dandi-pessimista-206042.asp

    Entrevista com Carlos Fuentes, o dandi pessimista

    O mexicano Carlos Fuentes continua um dandi aos 80 anos. Vestindo um terno impecável para passear numa tarde abafada de julho em Nova York, ele franze a testa, encara o sol a pino e mantém a pose de diplomata. Famoso pela ficção e pelo currículo de conquistador de estrelas de cinema (diz a lenda que ele teria tido romances com Jeanne Moreau e Jean Seberg, além de ter sido casado com a atriz Rita Macedo), ele circula pela Madison Avenue com a desenvoltura de viajante que conhece os trejeitos locais, em companhia da mulher, a jornalista Silvia Lemus. E escolhe um bar de hotel para falar do romance que está lançando no Brasil, “A vontade e a fortuna”, bebericando Bloody Mary. Trata-se da disputa entre dois irmãos, inspirados em Caim e Abel, pelo amor do pai, líder de um país imaginário, onde o crime anda à solta. O que mais lembra o México no romance, porém, não é o enredo, e sim um detalhe de humor macabro: a narrativa é feita pela cabeça cortada do protagonista, Josue Nadal, que rememora sua vida, enquanto vagueia ao sabor das ondas do Oceano Pacífico. Nesta entrevista, Fuentes discorre sobre literatura e política, fala do México de hoje, de suas memórias de infância no Rio e das mudanças que o impressionam na América Latina.

    GLOBO: Vamos começar pelo romance: de onde veio a inspiração para recontar a história de Caim e Abel?

    CARLOS FUENTES: Eu sou daqueles, como Oscar Wilde, que acredita que literatura se faz com 10% de inspiração e 90% de transpiração. Sei que muitos escritores que ficam em bares esperando que a muse chegue e ela não chega nunca. Eu escrevo todos os dias, muito disciplinadamente. E a disciplina tem algo de surpresa: planejo o que escrever no dia seguinte e quando me levanto faço tudo diferente… Dormi, sonhei, conversei com alguém… e tudo mudou.

    GLOBO: Mas de onde vêm os 10% de inspiração? Do México de hoje…?

    FUENTES: Não escrevo sobre o Mexico, escrevo sobre seres humanos… Mas você tem razão quando diz que o Mexico de hoje é um país muito dividido: há mexicanos vivendo no século XVI, outros no século XXII, e no meio há uma infinidade de gentes em tempos diferentes... É um país em que o nacionalismo extremado serve para ocultar a profunda divisão de classes sociais. É um país mestiço, socialmente dividido, com uma história riquíssima e uma herança política nefasta…

    GLBO: Por "herança nefasta", o senhor se refere ao PRI, o Partido Revolucionario Institucional?

    FUENTES: Sim. O Mexico passou anos e anos sob a ditadura do PRI e quando afinal reconquistamos a democracia, descobrimos que a corrupção não era patrimônio do PRI e que estava espalhada por todos os partidos… E o que é pior: o PRI venceu as eleições! Por que? Porque os mexicanos ainda acreditam que mais vale o mal conhecido do que o mal por conhecer…!

    GLOBO: A literatura tem influência política? Um romance pode conscientizar seus leitores?

    FUENTES: A literatura tem influência relativa. Philip Roth dizia que uma ditadura aprisiona seus opositores em campos de concentração e uma democracia os prende a uma tela de TV. A imaginação pode ser um convite à passividade e à alienação. Vem daí a responsabilidade do escritor, de fazer uso da imaginação e da linguagem de forma a não alienar, de forma a discorrer sobre sua visao política. A literatura tem exigências enormes de tempo, de concentração… Se um romance pode conscientizar seus leitores? Depende do escritor. Não acho que Balzac tenha conscientizado seus leitores sobre a necessidade de uma revolução burguesa na França, mas acho que Soljenitsin alertou seus leitores sobre os horrores do estalinismo. Em tempos de ditadura, a literature ganha outra leitura, que tem a ver com o momento politico, e isto pode ser ruim. A literatura latinoamericana sofre de uma praga, a “literatura platanera”, a literatura de fundo populista…

    GLOBO: Como o senhor vê sua própria evolução como escritor? Sua obra caminhou na direção de uma prosa mais corrosiva politicamente?

    FUENTES: Mudei muito como escritor porque comecei a escrever muito jovem…. Eu me lembro como ficava assustado diante da página branca. Hoje, estou mais sereno, escrevo de forma bem mais disciplinada. E me dei conta de que como escritor tenho duas preocupações: escrever uma “comédia humana”, ainda que de forma diferente da de Balzac e sobre a influencia dele, e ao mesmo tempo escrever “relatos fantásticos”, capazes de fazer rir, de fazer um comentário social à margem das convenções…

    GLOBO: Dizem que seu próximo romance é sobre narcotráfico… É verdade?

    FUENTES: Sim. Acabo de escrever uma história que envolve narcotraficantes e soldados do Exército, que se chama “Adão no Éden”, e sai em novembro no Mexico. Vou lançar também um livro de contos, que não são nada realistas…

    Sua literatura sempre oscilou entre histórias realistas e histórias fantásticas… Por que o senhor não se deixou encantar pelo realismo fantástico, pela mistura dos dois gêneros?

    FUENTES: Porque acho que o realismo fantástico teve dois mestres: Garcia Marquez e Alejo Carpentier. Depois deles, não há mais como escrever no gênero que eles levaram ao extremo e esgotaram. As novas gerações de escritores não mais se deixam seduzir pelo realismo fantástico e isto é bom. Hoje, temos na America Latina uma literatura muito mais diversificada do que a que havia quando comecei. Isto sem contar a quantidade impressionante de escritores bons. Acho que o mundo mudou e a melhor literatura se escreve hoje for a dos antigos centros, é a produção literária das antigas colônias, é a literartura de lingua inglesa escrita por Nadine Gordimer e J.M Coetzee, por exemplo…

    GLOBO: Seu romance sobre narcotráfico trata de um problema muito sério no Mexico de hoje… Qual a solução?

    FUENTES: Descriminalizar a droga! Al Capone acabou quando caiu a lei seca. Não havia mais necessidade de traficar bebida alcoolica… O mesmo vai acontecer com a maconha e a cocaina: precisamos descriminalizar o usuário e acabar com os traficantes fazendo com que o comercio de drogas seja legal e devidamente fiscalizado legalmente. Isto resolveria o problema social. O assunto já está sendo discutido pelos presidentes da Colombia, do Mexico… Mas vai ser preciso convencer Obama a abraçar esta causa nos EUA, caso contrario o problema continua, uma vez que o tráfico de armas e o consumo de drogas estão do lado americano da fronteira…

    GlOBO:E seu romance imagina um mundo em que a droga é legalizada?

    FUENTES: Não. Meu romance “Adão no Eden” fala da radicalização da violência, do que acontece quando um batalhão de extremistas é chamado para tentar “resolver de vez” o problema da droga, usando uma violência brutal…. Esta foi para mim uma possibilidade literária… Na realidade, acredito que há outras soluções a serem tentadas…

    GLOBO:O senhor é otimista sobre o futuro mexicano?

    FUENTES: Sou pessimista no sentido de Oscar Wilde, que dizia que o pessimismo é um otimismo bem informado… Bem, tenho que confessar que sou mais otimista com os EUA de hoje, depois da eleição de Barack Obama… Eu sou do tempo em que muitos bares e restaurantes do interior dos EUA punham na porta uma placa que dizia “Aqui não entram cachorros e mexicanos”… Não faz tanto tempo assim. Eu vi placas assim quando viajei com meu pai pelos EUA, no período em que ele era diplomata em Washington… Nunca imaginei que Obama fosse vencer a eleição…!

    GLOBO: E quanto à literatura mexicana hoje?

    FUENTES: Há muitos bons escritores mexicanos nas novas gerações! Há um grupo excelente, que se chama “El crack”, que reúne nomes como Jorge Volpi, Ignacio Padilla, Eloy Urroz, uma escritora excepcional que se chama Cristina Rivera Garza… Mas há também uma novíssima geração, posterior ao grupo do Crack, com escritores de 30 anos, como Alvaro Enrique, um autor excelente… Mexico tem hoje uma nova geração de autores que é muito variada em estilo e linguagem, e produz uma literatura excepcional, com muitos temas e tendências…

    GLOBO: E quanto à presença da literatura brasileira no Mexico? É hoje mais forte do que no passado?

    FUENTES: Não, infelizmente. O Brasil tem um escritor do porte de Machado de Assis, que foi, no século XIX, um nome da estatura de um Cervantes e de um Sterne em séculos anteriores… Mas hoje existe a barreira da lingua, que impede que os leitores de literatura hispânica tenham familiaridade com autores brasileiros: Existe hoje um intercâmbio intenso entre escritores dos países de lingua espanhola e não existe o mesmo com os brasileiros, que ficam isolados no continente latinoamericano… Por que os brasileiros não são incentivados a aprender espanhol no curso primario, junto com o português? Isto permitiria que o país se integrasse melhor no continente.

    GLOBO: O senhor iria participar da Flip, o que acabou não acontecendo… O senhor pretende visitar o Brasil em breve?

    FUENTES: Sim, pretendo ir ao Rio em Fevereiro. Adoro o Rio de Janeiro. Minha familia morou no Rio quando eu tinha 2 anos de idade e tenho lembranças muito lindas da praia de Coapacabana… Lembro de um tempo em que meu pai voava de hidroavião e descia nas águas da Baía de Guanabara, perto do aeroporto… São Paulo não me interessa, mas o Rio é para mim uma das minhas imagens de felicidade… Quando penso no Brasil, penso no Rio, na gente do Rio, na cultura carioca… Não sei o que os cariocas vão pensar de meu romance, Gostaria que eles se identificassem e que rissem junto com os personagens… Acho que Mexico e Brasil têm muita coisa em comum e o humor é uma delas.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Carlos Fuentes era convidado da Flip 2009. Comprei seu livro para já chegar e o autor não ser um completo desconhecido. Ele não compareceu, mesmo depois de ter confirmado presença.


 

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