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Noite Sobre Alcântara

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Noite Sobre Alcântara

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Autor: Josué Montello

Editora: José Olympio

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 308

Ano de edição: 1978

Peso: 350 g

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Excelente
Marcio Mafra
07/05/2005 às 16:15
Brasília - DF

Noite Sobre Alcântara também é um livraço como Os Tambores de São Luis, só que com outro tema, outra forma, outra cara. Poder-se-ia dizer que é "uma história de época." Ainda que "história de época" não queira dizer absolutamente nada. Mas, a expressão pretende remeter a história e o leitor para o tempo do "Brasil barroco". "Brasil barroco" é o interregno de tempo que vai da invasão da família real portuguesa, até os dias da semana paulista de arte moderna. Este período de 106 anos (1816, chegada da família real - 1922, semana de arte moderna) é considerado como o tempo do "Brasil barroco". Pois bem, este romance se passa entre os anos 1850 e 1900. É uma excelente história que narra a vida, os amores, a ascensão e queda do Major Natalino, herói da guerra do Paraguai, filho do Visconde de São Marcos. Ótimo livro, ótima leitura - embora as vezes cansativa pelo excesso das descrições dos cenários, casas, lugares e roupas. Ótima trama, tão detalhada que as vezes mais parece uma biografia. É uma história quase triste. Se durante a leitura deste livro, o leitor estiver em São Luis do Maranhão, não deixe de visitar a casa da Rua dos Remédios, 331. Com certeza, Noite Sobre Alcântara é obra prima do Mestre Josué Montello.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história do Major Natalino, filho do Visconde de São Marcos, hroi da Guerra do Paraguai....

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Ao dar por si, ali na Rua de Baixo, Natalino tinha-se misturado ao cortejo, rodeado de flâmulas. Mas foi só em casa do Mordomo Régio que pôde admirar de perto a Carmelita, com a coroa doirada nos cabelos negros, o porte natural de rainha, as mãos enluvadas, mais esguia no salto alto das finas bota$ de camurça. O Torquato Araújo, radiante, quase se esqueceu da pomba de barro na bandeja de prata, e veio ao encontro do Natalino: - O senhor por aqui, Major! E foi o Torquato que o aproximou da Carmelita, a um canto da sala, junto ao vão de uma janela sobre. a calçada. Embora tivesse de acudir depois ao pai, às duas irmãs, a um cunhado, a um tio, ao próprio Torquato, e a um primo soldado, que precisava - dar baixa, Natalino fizera tudo isso com alegria, recorrendo a velhos amigos e companheiros, para terminar por se deitar com a Imperatriz, na porta-e-janela da Rua do Egito. Agora que ia embora de Alcântara, mais uma vez quisera revê-la, talvez para tentar levar outra lembrança de si próprio nas saudades dela. Dormiria com ela, cedo se levantaria para tomar o barco. Desse modo, tanto fazia que o Florindo achasse ou não achasse a chave do sobrado. Como sempre fazia, bateu duas pancadas leves na rótula cerrada. Não ouvindo resposta, voltou a bater. Silêncio. Com a aldraba da porta, repetiu a pancada. Novamente silêncio. Na casa fronteira, a janela entreabriu com ar bisbilhoteiro, e uma velha ruiva lhe disse, numa voz contente: - A Carmelita se mudou para Viana. Desde sábado que foi embora. Ela não disse nada a Seu Major? - Disse, disse - mentiu ele. - Eu é que me tinha esquecido. E foi seguindo pela calçada, a acender um cigarro na rua escura. Adiante firmou o olhar na luz mortiça do lampião da esquina. Chegou ao topo da ladeira no mesmo passo vadio, a apreciar pela última vez o silêncio grave que o cercava, sob a paz do céu estrelado. De repente, já longe, teve a sensação nítida de que ia andando pela alameda de um cemitério. As casas fechadas eram sepulcros, e ali jaziam condes, barões, viscondes, senadores do Império, deputados, comendadores, sinhás-donas, sinhás-moças, soldados, mucamas, juízes, vereadores, sacerdotes. Somente ele, assim desperto dentro da noite, estaria vivo na cidade de mortos. E uma impressão instantânea de frio gelou-lhe as mãos e os pés, com a idéia de que, também ele, ia permanecer em Alcântara para sempre, encerrado no mausoléu de seu sobrado. Na Rua Direita, já perto da Rua do Seredo, parou um momento, e alongou o olhar para trás, como atraído pelo silêncio circundante. Também ali as casas estavam fechadas, sem que se visse uma só luz no retângulo das vidraças. Entretanto, com insistência, voltara-se a contar, nos últimos tempos, que alguns daqueles palacetes desabitados se iluminavam de repente, tarde da noite, escancarando as janelas sobre a rua, enquanto nos seus salões bailavam os fidalgos de outrora, nos trajes fora de moda, ao som de pianos e violinos. O simples retinir de ferraduras, a horas mortas, era o bastante para que, dentro das casas, se repetisse o sinal-dacruz, com a certeza de que, lá fora, a trote ou a galope, ia passando uma aparição a cavalo. Nessas ocasiões, ninguém queria chegar à sacada para olhar. E muita gente se ajoelhava, de coração acelerado, ao pé dos oratórios, rezando pelas almas, até que o tinido se apagava nos ruídos da noite. Dias antes, na varanda do sobrado, ao recolher os pratos da ceia, o Florindo lhe havia perguntado se nunca tinha visto nada, de noite, nas suas andanças pela cidade. - Pois eu já vi, Seu Major. Com estes olhos que a terra há de comer. Juro por Deus. Uma vez, já faz tempo, vi o finado Visconde passeando com o Barão de São Matias, defronte da Casa da Câmara, numa noite de sexta-feira. Iam conversando, não se escutava o que eles conversavam. Cheguei perto, esfreguei os olhos, e não vi mais nada. Ainda hoje, quando me lembro do que vi, fico todo arrepiado. E o Natalino, depois de olhar o preto: - Os dois deviam ter te dado uma carreira, para que deixasse de beber. Só assim eles nunca mais te apareciam. - E não apareceram não, Seu Major. Por trás da igreja do Carmo, já na Rua do Seredo, Natalino decidiu entrar pela Rua Grande, para rever o largo em frente ao adro. Ali, tornou a parar uns momentos, emocionado. Olhando a fachada compacta, reviu de relance a Maria da Glória na saleta do coro, parada junto ao órgão. Que fora feito dela? Seria agora oma velha senhora, de cabelos escorridos, cheia de rugas, na sua casa de sopapo e palha, sertão acima. Padre Salviano, por seu lado, depois de transferido para São Luís, já estava misturado ao pó da terra, no Cemitério do Gavião. A lua, quase cheia, por tmtre farrapos de nuvens encardidas, parecia suspensa no meio do largo, a derramar sua luz embaciada por cima das ruínas do Palácio do Imperador. Dali, alongando a vista na direção da Rua Direita, entre casarões fechados, Natalino viu as ruínas do outro palácio, banhadas pela mesma claridade fosca, e reconheceu que muitas daquelas pedras correspondiam a sacrifícios do Visconde. Em redor, o mesmo silêncio. Por baixo das árvores, no chão sujo, recortes de sombras que a brisa da noite fazia mover de leve, ao roçar as ramagens escuras. Um gato espantado, de olhos muito vivos, surgiu na calçada da igreja, e assustou-se ainda mais com o Natalino, que castanholara os dedos, chamando-o aos pulos, atravessou a praça, desaparecendo na Rua Grande, para os lados do Largo da Matriz.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Durante viagem de férias à S.Luis do Maranhão, por volta de 86, levei o livro Os Tambores de São Luis.Foi pura coincidência lê-lo na cidade que serviu de pano de fundo para a história do livro. Naquela ocasião, pude ver, conhecer e sentir diversos dos ambientes descritos na história do romance, incluindo os nomes de algumas ruas e logradouros do atual centro histórico da cidade. Esta coincidência, além de um acontecimento inédito, foi uma experiência muito curiosa porque se somaram à indiscutível qualidade do romance, os cenários da "vida" dos personagens do livro. Anos depois, comentava a coincidência da leitura e da viagem de férias com o Rafael, quando constatamos que o livro havia desaparecido de nossa casa. Depois, no ano de 1999, no dia do aniversário do Rafa, passávamos por uma livraria e lá encontramos esta coletânea. Compramos a coletânea por não encontrar "Os tambores.." Assim, numa tacada só, mataram-se oito coelhos com uma só cajadada. Daí a dedicatória: "Para o Rafael no seu aniversário de 99. Marcio." Em setembro de 2008, quando fazia uma revisão geral nos registros da bibliomafrateca para colocá-la na internet, constatei a falta do volume que possuia os oito romances enfeixados num só livro. A solução foi voltar a comprar cada um dos livros, por isso Noite Sobre Alcântara está aqui. Viva o sebo.


 

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