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As Cores de Acari

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As Cores de Acari

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Marcos Alvito  

Editora: Fgv

Assunto: Antropologia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 308

Ano de edição: 2001

Peso: 510 g

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Bom
Marcio Mafra
14/03/2006 às 18:39
Brasília - DF

O livro é uma tese de doutoramento e como tal só deve ser agradável à banca examinadora e ao doutorando. Talvez à Faculdade que o doutorou. Mas, como leitura - de leitor comum - não especializado em antropologia, o livro é chato, monótono, muito expositivo, muito descritivo, didático, e por vezes, pedante. Surge de seu texto um personagem - o Tonicão - que era o dono da favela do Acari. Nada muito interessante, nem novo, nem esclarecedor, nem desinteressante, salvo melhor juízo antropológico.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Tese de doutoramento em antropologia, pela USP, do autor Marcos Alvito.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Reza a lenda que a cidade de Salvador, na Bahia, tem 365 igrejas, uma para cada dia do ano. O que temos chamado até agora de "Acari", um conjunto formado por quatro localidades ocupando uma área grosso modo equivalente a 50 campos de futebol, possui 38 templos para cerca de 40 mil habitantes. Destes 38 "templos", 31 (81,5%) são evangélicos e cinco são católicos (13,2%), havendo apenas dois "centros" (5,3%). Se compararmos esses dados com os levantados pelo Iser em seu Censo Institucional Evangélico (1992), teremos uma idéia do grau de concentração de igrejas evangélicas em Acari. Segundo os dados do referido levantamento, o bairro do município do Rio de Janeiro com maior concentração de igrejas evangélicas é Anchieta, com 5,9 templos para cada 10 mil habitantes. Em Acari esse número é quase 50% maior: 7,75 templos evangélicos para cada 10 mil habitantes ou, se preferirem, um templo para cada grupo de 1.290 pessoas. Esses números, por mais eloqüentes que sejam, ainda não dão a dimensão exata da hegemonia evangélica em Acari. Enquanto os templos católicos, por exemplo, realizam cultos no máximo duas vezes por semana, muitas igrejas evangélicas chegam a ter vários cultos por dia. Ademais, o grau de adesão e vinculação dos fiéis é bastante diverso entre católicos e evangélicos. Cumpre também salientar que, quando falamos de evangélicos, referimo-nos sobretudo às chamadas igrejas pentecostais (em oposição às históricas), que representam quase 70% do total de templos (incluindo católicos e afro-brasileiros) e mais de 80% dos templos evangélicos (25 contra apenas seis dos históricos). A Assembléia de Deus, sozinha, representa quase 40% de todos os templos existentes em Acari e 45% dos evangélicos. Mesmo assim, continuamos com uma idéia errônea, pois durante o trabalho de campo pude constatar o maior dinamismo e penetração dos pentecostais, em comparação com a quase "invisibilidade" dos católicos e dos evangélicos históricos (batistas, metodistas, presbiterianos). Os templos destes últimos estão quase todos concentrados numa área mais antiga e mais próspera da favela (Parque Acari), ao passo que os pentecostais espalham-se mais "para dentro da favela", como dizem os moradores, alcançando as vielas mais recônditas e as áreas mais pobres. Mas nem isso dá a exata medida da importância dos pentecostais em Acari, a qual só poderemos perceber mergulhando no cotidiano dos moradores, focalizando algumas histórias de vida, realizando a etnografia dos cultos diariamente promovidos nesses templos e inventariando o repertório de símbolos sagrados que aí entram em cena cotidianamente. Nas conversas e entrevistas ou nos testemunhos presenciados durante os cultos evangélicos, a conversão, o momento em que se "aceitou Jesus", é um dos núcleos dramáticos da narrativa dos "crentes". Principalmente no caso dos novos convertidos, tal processo jamais é visto como algo totalmente racional, embora seja encarado como uma "escolha pessoal". Mas é uma escolha motivada por acontecimentos e carregada de simbolismos. Por mais que os próprios convertidos aleguem também razões utilitárias para abraçar a religião evangélica, a conversão é vista como algo que surge repentinamente, a despeito de ser parte de "um plano divino" anteriormente traçado para aquele indivíduo e que se revela como um raio num céu azul, de forma ao mesmo tempo inesperada, marcante, inelutável e poderosa. Vejamos uma dessas narrativas da conversão: "Quando eu corto o cabelo, eu chego até a adormecer, e quando acordo já está pronto. (...) E tinha uma mulher que estava tocando uma música, uma música cristã, no violão... Eu senti aquela música bonita entrando no coração, aquela letra, o violão, entrando no coração. Aí eu pensei: que música ela vai cantar? Aí ela cantou assim (ele canta, afinado): 'Bate, bate, bate coração, bate e não pára de bater, bate, coração companheiro, que eu preciso tanto de você...' Aquilo entrou dentro do meu coração e me despertou; eu estava com sono, acordei de repente e falei: 'que música bonita!' (...) Depois ela cantou assim: 'Celebrai, a Cristo, celebrai, ressuscitou, ressuscitou, ele vive, reina para sempre, e vamos celebrar...' Aquilo me despertou de uma maneira curiosa (...) aí tocou de novo aquela música: 'Bate, bate, bate coração, bate e não pára de bater, coração amigo, você precisa se reanimar, se não chegou a hora de parar, desperta, que Deus quer falar contigo'. Aquilo foi um choque. Aí fiquei pensando: como é que pode, que coisa estranha, e vim pra casa pensando: que coisa estranha..." Em meio a uma atividade comezinha - cortar o cabelo -, tão "automatizada" que permite ao homem dormir despreocupadamente, ocorre algo "estranho", O despertar foi duplo: do ser físico e do ser espiritual. Veja-se, por exemplo, que uma das músicas dizia: "desperta, que Deus quer falar contigo". Embalado por uma bela voz feminina, o homem se sente despertar "de uma maneira curiosa". A música entra no seu coração, e é ao coração que Cristo quer falar, o coração é a "porta" que tem que ficar bem aberta para "o Senhor lhe socorrer". O homem não entende, "foi um choque" para ele. O significado daquilo é revelado por outro fato, desta vez mais explícito e carregado de sinais: "Aí eu saí daqui com a minha bicicleta, fui lá na Lagartixa, na casa da minha sogra. (...) eu não sei como aconteceu, eu não entrei pelo portão da casa da minha sogra, eu passei direto. (...) Quando eu olhei de frente pro portão, por onde eu ia entrar, era uma igreja. Aí eu falei: 'tou ficando maluco', e eu via o anjo me fazendo sinal, 'Vem, vem', e me falando: 'Lá é o seu lugar, Deus tem uma obra pra fazer na tua vida', e do outro lado o diabo falando: 'Tá maluco, rapaz, sai daí, tá ficando maluco, vai embora, vai pra casa da tua sogra, olha só como é que você tá: de bermuda, de camisetinha, vai entrar na igreja assim? Deixa de ser bobo, rapaz, vai pra casa da tua sogra, toma um banho lá, vai escutar uns pagodes lá'. (...) Eu queria pedalar e não conseguia porque era um diabo só, maligno, contra cinco anjos abençoados, fiquei parado quase um minuto, um minuto em cima da bicicleta sem botar os dois pés no chão. (...) Parecia que eu tava flutuando. E eu olhando aqui pra dentro da igreja e aquele anjo me chamando. Aí eu me aproximei pra ir na igreja: 'Não, não vou entrar porque tou de bermuda, logo mais eu volto'." Novamente, uma trajetória banal, rotineira, um destino bem conhecido - a casa da sogra - acaba por levá-lo ao inesperado: a porta de uma igreja. O simbolismo é óbvio: ele estava sendo levado até ali. E para que ficasse bem claro o significado do portão daquela igreja à sua frente, um anjo pega-lhe a mão e o chama, dizendo que "Deus tem uma obra pra fazer na rua vida". Mas o diabo, na figura de um "anjo maligno", apontava-lhe outro caminho, o das tentações mundanas: "vai escutar uns pagodes". Ele se vê cercado por "cinco anjos abençoados", imóvel, sem conseguir pedalar, sem conseguir tomar uma direção, como se estivesse "flutuando". O Bem finalmente vence o Mal, e ele consegue aproximar-se da igreja, onde só não entra por não estar com trajes apropriados. Entre o "mundo" e a "igreja", a escolha já estava feita, seu destino já estava decidido. Ao narrar o episódio à sua mulher, que já era evangélica, ele diz ter sentido "uma coisa estranha", tal como no barbeiro. Fala dos anjos e explica por que não entrou. A mulher retruca, dizendo: ''Aqui tem uma Bíblia, na Bíblia tá escrito: venha do jeito que está. Deus quer você do jeito que você é. A mudança quem faz é Deus


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Comprei este livro, ao passar pelo stand da Fundação Getulio Vargas, na bienal do livro do Rio de Janeiro, em maio de 2005. O comprei porque - na época - ainda andava atrás de matéria para começar a entender o assunto favela, que deixou de ser um lugar de pobre, tipo "saudosa maloca, maloca querida..." , dos anos 1950/1960, para significar, já nos anos 70, um lugar muito pobre, mas ao mesmo tempo muito violento, muito corrupto, muito criminoso, muito gueto, muito bandido, muita mafioso.


 

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