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Negrinha

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Negrinha

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Monteiro Lobato  

Editora: Brasiliense

Assunto: Contos

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 298

Ano de edição: 1951

Peso: 550 g

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Bom
Marcio Mafra
06/05/2006 às 19:56
Brasília - DF

Lá pelos anos 1957 ou 1958, os adolescentes de 13 ou 14 anos que liam Monteiro Lobato, além de fazerem uma grande pose de intelectual, se recusavam a ler os livros de "literatura infantil" porque isso era coisa de criança, senão de mariquinhas. Negrinha, como os demais livros de Lobato, também é composto por contos. Os editores dizem que "A facada imortal" é um conto cinco estrelas. Nem tanto. Assim como o "Colocador de Pronomes" ou o "Jardineiro Timóteo" também não chamam a atenção do leitor, mesmo que sejam citados como destaques. Em resumo, Negrinha não é a melhor leitura do Monteiro Lobato.




Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Aparecem neste volume talvez os melhores contos do Monteiro Lobato. A critica e o publico deram a "Negrinha" um lugar de grande relevo em sua obra; é de todos os seus contos o que mais emociona. "O Jardineiro Timoteo" tambem disputa um primeiro lugar, e em "O Colocador de Pronomes" João Ribeiro via uma das coisas mais engenhosas ainda escritas em nossa língua. Esses contos e outros são da atormentada fase de Lobato antes de sua saida do Brasil; mas o volume se completa com mais meia duzia de contos primorosos, os ultimos que escreveu depois do regresso - e entre eles "A Facada Imortal" parece ser a obra prima. Para muitos meticulosos conhecedores da obra de Lobato é esse conto o mais perfeito e curioso de quantos sairam de sua imaginação. Tema dos mais simples: uma "facada" que Indalicio deu em seu companheiro de roda Raul - mas o que Labato soube bordar em torno disso, a finura daquele jogo de psicologia, a elegancia daquela filosofia de "mordedor", fica em posição impar em nossas letras. Em quasi todos os contos de Monteiro Lobato havia uma razão de ser, ou houve uma razão para escreve-los. Muitas vezes disse ele aos amigos: "O meu melhor livro seria o em que eu contasse como e porque escrevi meus contos, um por um; a historia deles é melhor que eles". A "Facada Imortal" foi escrita por uma razão sentimental: para dar uma pequena alegria a Raul de Freitas, o Raul do conto. E na longa doença de Raul de Freitas talvez tenha sido o conto de Lobato a melhor injeção de morfina que lhe proporcionaram.. (Transcrito da Nota dos Editores)

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A facada imortal. Todos os tratados de xadrez descrevem a celebre partida jogada por: Philidor no seculo XVIII, a mais romantica que os ànais enxadristicos mencionam. Tão sabia foi, tão imprevista e audaciosa, que recebeu o nome de Partida Imortal. Embora depois dela- se jogassem pelo mundo milhões de partidas de xadrez, nenhuma ofuscou a obra prima do famoso Philidor AndréDanican. Tambem a "facada" do Indalicio Ararigboia, um saudoso amigo morto, se vem perpetuando nos anais da alta malandragem como a La Gioconda do genero ou como está admitido nas rodas tecnicas - a Facada Imortal Indalicio foi positivamente o Philidor dos faquistas. Lembro-me bem: era um rapaz lindo, de olhos azues e voz suavissima; as palavras vinham-lhe como pessegos embrulhados em paina, e sabiamente camaralenta das; porque, dizia ele, o homem que fala depressa é um perdulario que deita fóra o melhor ouro da sua herança. Ninguem dá tento ao que esse homem diz, porque quod abundat nocet. Se não valorizamos nós mesmos as nossas palavras, como pretendermos que os outros as prezem? Meu mestre nesse ponto foi o general Pinheiro Machado, num discurso que lhe ouvi certa vez. Que astuciosa e bem calculada lentidão! Entre uma palavra e outra o Pinheiro punha um intervalo de segundos, como se sua boca estivesse perdigotando perolas. E a assistencia o ouvia com religiosa unção absorvendo como perolas o que como perolas era emitido. Substantivos, adjetivos, verbos, adverbios e conjunções caiam sobre os ouvintes como seixos lançados á lagoa; e antes que cada um chegasse bem lá no fundo, o general não soltava outro. Cacetissimo, mas de alta eficiencia. - Foi ele então o teu mestre na arte de falar valorizadamente. . . - Não. Nasci sono-lento. O Pinheiro apenas me abriu os olhos quanto ao valor monetario do dom que a natureza me dera. Depois de ouvir esse seu discurso é que passei a dedicar-me á nobre arte de fazer com os homens o que fazia Moisés nas rochas do deserto. - Faze-los "sangrar". . . - Exatamente. Vi que se somasse minha natural lentidão do falar com alguma psicologia vienense (Freud, Adler), o dinh~iro dos homens me atenderia como as galinhas atendem ao quit, quit das donas de casa. Para cada bolso ha uma chave Yale. Minha tecnica se resume hoje em só abordar a vitima depois de descobrir a chave certa. - E como o consegue? - Tenho minha algebra. Considero os homens equações do terceiro grau - equações psícologicas, está claro. Estudo-os, deduzo, concluo - e esfaqueio com precisão praticamente absoluta. O mordedor comum é um ser indecoroso, digno do desprezo que lhe dá a sociedade. Pedincha, implora; apenas desenvolve, sem a menor preocupação estetica, o surrado cantochão do mendigo: "Uma esmolinha pelo amor de Deus!" Comigo, não! Assumi essa atitude (porque ô pedir é uma atitude na vida), primeiro, por esporte; depois, com o fito de rehabilitar uma das mais velhas profissões humanas. - Realmente, a intenção é nobilissima... Indalicio racionalizara a "mordedura" ao ponto da sublimação. Citava filosofos gregos. Mobilizava musicos de fama. - Liszt, Mozart, Debussy, dizia ele, nobilitaram essa coisa comum chamada "som" á força de harmoniza-lo de certo modo. O escultor nobilitará até um paralelepípedo de rua, se lhe der forma estetica. Por que não nobilitaria, eu o deprimentissimo ato de pedir? Quando lanço a facada, sempre depois de sérios estudos, a vitima não me dá o seu dinheiro, apenas paga a finissima demonstração tecnica com que o tonteio. Paga-me a facada do mesmo modo que o amador de pintura paga o arranjo de tintas que o pintor faz sobre uma estopa, um quadrado de papelão, uma relissima tabua. O faquista comum, notem, nada dá em troca do miseravel dinheirinho que tira. Eu dou emoções gratissimas á sensibilidade das criaturas finas. Minha vitima tem que ser fina. O simples fato da minha escolha já é um honroso diploma, porque nunca me deshonrei em esfaquear criaturas vulgares, de alma grosseira. Só procuro gente na altura de compreender as sutilezas das paisagens de Corot ou dos versos de Verlaine. Como se requintava a formosura do Indalicio nos momentos em que discorria assim! Envolvia-o a aura dos predestinados, dos apostolos que se sacrificam para aumentar de alguma coisa a beleza do mundo. De sua barba loura, à Cristo. escapavam os suaves reflexos do cendré. As frases fluiam-llhe da boca de fino desenho como o oleo ou o mel escorre duma anfora grega suavemente inclinada. Suas palavras traziam patins aos pés. Tudo no Indalicio eram mancais de esferas. Talvez o ajudasse a circunstancia de ser surdinho. Isso de não ouvir bem põe veludos em certas pessoas, dá-lhes um macio de violoncelo. Como não se distraem com a vulgaridade dos sons que todos nós normalmente ouvimos, atentam mais em si proprios, "ouvem-se mais", concentram-se.


  • Descrição dos personagens

    Autor: Rede Globo de TV

    Veículo: Rede Globo de Tv 2006

    Fonte:

     A reunião de livros escritos por Monteiro Lobato contando as peripécias de Narizinho, Pedrinho, Dona Benta, tia Anastácia, Emília e o Visconde de Sabugosa, formam sua mais importante e conhecida obra: O Sítio do Pica pau Amarelo. Dona Benta é a vovó de Narizinho e Pedrinho. Ela lê muito e é excelente contadora de histórias. Domina vários idiomas, tem uma grande cultura e sabe de tudo que acontece no mundo. Dona Benta mora no Sítio do Pica pau Amarelo.

    • Pedrinho é um menino de dez anos que mora com a mãe na cidade. Sua mãe chama-se Antonica e é filha da Dona Benta. Ele vai para o Sítio todas as férias. Pedrinho gosta de aventuras, como caçar onça e Saci.
    • O Saci é uma figura popular do nosso folclore. Ele é um negrinho de uma perna só, que usa uma carapuça vermelha e pita um cachimbo. Ele se torna amigo de Pedrinho quando o menino o captura dentro de um redemoinho mas depois lhe devolve a liberdade. Aí então, o Saci mostra a floresta e todos seus habitantes para Pedrinho.
    • A Cuca também é um personagem do folclore brasileiro. Ela é uma bruxa com cara e corpo de jacaré. Malvada, ela vive em sua caverna escura, criando poções mágicas e planejando invadir o Sítio. Quando fica brava, de muito longe ouve-se o seu urro de raiva.
    • Narizinho, a neta de Dona Benta e prima de Pedrinho, tem oito anos e mora no Sítio. Seu nome é Lúcia e, por causa de seu nariz arrebitado, é chamada de Narizinho. É uma menina gentil, carinhosa e inteligente. Foi criada na roça e sabe subir em árvores e pescar. Sua paixão é a boneca de pano Emília.
    • A Emília, no começo, era apenas uma boneca de pano, feita de uma saia velha de Tia Nastácia. Mas, depois de tomar as pílulas falantes do Doutor Caramujo, não parou mais de falar. Cheia de idéias e mandona, lidera a maioria das aventuras das crianças.
    • Tia Nastácia é sábia em matéria de cultura popular, é uma grande contadora de "causos" e acredita numa série de superstições. Ótima cozinheira, seus quitutes são famosos na redondeza. Tia Nastácia também cuida da limpeza da casa e dos animais. Ela vive querendo matar o Rabicó, animal de estimação de Narizinho, pra colocá-lo na panela. Só que Narizinho não deixa..
    • Rabicó é um leitão, guloso e covarde. Ganhou esse nome por causa do rabo curtinho. Está sempre fuçando o lixo atrás de comida, mas morre de medo da Tia Nastácia. Virou Marquês de Rabicó e casou-se com a Emília, por vontade de Narizinho.
    • Tio Barnabé é um "preto velho" que sabe de todos os mistérios do mato. Foi ele quem ensinou Pedrinho a pegar o Saci. Tio Barnabé cuida da Vaca Mocha e das galinhas.
    • Visconde de Sabugosa é um boneco de sabugo de milho feito por Pedrinho. Ele o deixou na biblioteca o que transformou o Visconde em um sábio, que está sempre pesquisando e estudando sobre vários assuntos. O Visconde tem um laboratório, no porão da casa de Dona Benta. Uma de suas invenções é o pó de Pirlimpimpim que leva as crianças do Sítio em muitas viagens.
    • Quindim é um rinoceronte africano, domesticado, que fugiu de um circo. Muito doce e falante, tornou-se o guardião do Sítio, pelo seu tamanho e sua força. Ele sabe muito sobre gramática e outras ciências, guiando as crianças no País da Gramática.
    • O Burro Falante foi salvo pelas crianças das garras de um tigre no País das Fábulas. É educado e fala muito bem. Ele fica no quintal com Quindim, lendo e conversando. Como sempre dá bons conselhos, a Emília deu-lhe o nome de Conselheiro.
Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

"Obras Completas" de Monteiro Lobato, é uma coleção composta de 30 livros, encadernação primorosa, capa dura, na cor verde. Os livros foram adquiridos em 1952 ou 1953, por meu pai, Ari Mafra, quando minha família residia às margens da baia norte, praia de fora, Rua Bocaiúva, 201, Florianópolis, ilha de Santa Catarina. Naquela ocasião meu pai era o Secretário Geral da Caixa Econômica Federal do Estado de Santa Catarina, uma espécie de Superintendente, na hierarquia da época. Frequentemente ele escrevia artigos para o jornal "O Estado". Também era professor titular do Instituto de Educação Dias Velho, onde lecionava Português, no curso Clássico, que corresponde aos três últimos anos, do atual curso médio. Na casa amarela (depois, em 1955 foi pintada de cor-de-rosa) da Rua Bocaiúva, os livros verdes do Monteiro Lobato, ficavam expostos, numa imponente estante, de pau marfim, num dos quartos da frente da casa, também chamado de escritório, onde ficava instalado o aparelho telefônico, número 2996. Ali, sentado a uma mesa, também de pau marfim, meu pai corrigia as provas de seus alunos. Eventualmente o escritório também servia de quarto de para hospedar, por poucos dias, algum parente. Meu pai e meu irmão Mario, já se encontravam em Brasília desde 1959. Eu, Miguel, Ari, Marilena e Vera, juntamente com minha mãe Eli, só viemos para Brasília, no dia 9 de maio de 1960, uma ensolarada segunda feira. Pela manhã embarcamos num Douglas DC-3 da Real Aerovias, com destino a São Paulo e escala em Curitiba. Em Congonhas, no início da tarde, fizemos conexão com outro vôo da Real, um possante Douglas Convair 240, em vôo sem escala, que chegou a Brasília, quase as 18 horas. Toda a "mudança" estava acomodada em 11 malas e 2 sacos de viagem. Um dos poucos pertences que não eram roupas nem objetos de uso pessoal foram os 30 livros da coleção do "Monteiro Lobato". Embora não fosse um mistério, nunca se soube por que motivos os livros vieram com a família. Talvez porque não houvesse para quem deixá-los. Inicialmente moramos numa pequena casa, construída pela FCP Fundação da Casa Popular, na Avenida W-3 Sul, quadra 24, atualmente HIGS 709. Em 1961 fomos morar no Bloco 11, da Super Quadra Sul 413. Nos dois endereços, os livros verdes estavam lá - majestosamente enfileirados - numa prateleira do fundo de corredor, como um marco importante para assinalar a "cultura métrica" da família. Em 1965, Marilena, ao se casar com Jaime Colares, levou consigo os livros do Monteiro Lobato. Eles foram morar na Avenida W 3 Sul, Quadra 40, hoje HIGS 712, numa casa de "fundos". Para decorar a modesta sala, Marilena se utilizou da "cultura métrica" colocando numa estante, entre enfeites decorativos e um aparelho de TV os livros do Monteiro Lobato. O mais importante é que ela guardou e cuidou com muito desvelo e carinho dos livros durante os últimos 41 anos. Em março de 2006, Marilena cedeu a coleção inteira, após saber do meu interesse e da existência da bibliomafrateca. Então a bibliomafrateca passou a ser a depositária das obras completas de Monteiro Lobato. Urupês foi o único livro extraviado. Para substituí-lo adquiri, num sebo, um exemplar, edição de 1959.


 

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