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Chocolate

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Chocolate

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Joanne Harris  

Editora: Record

Assunto: Romance

Traduzido por: Gilson Batista Soares

Páginas: 300

Ano de edição: 1999

Peso: 350 g

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Ótimo
Marcio Mafra
04/06/2006 às 16:10
Brasília - DF


Chocolate é um romance para ser lido no inverno. A história da personagem Viane Rochet e sua filhinha Anouk, transforma a vida da pequena cidade Lansquenet. O Padre Reynaud se sente ameaçado e passa, do carnaval até a páscoa, fazendo uma campanha moralista contra Viane. O conflito se resolve após muita coisa sórdida vir a tona, sobre a vida de alguns personagens que vivem em Lansquenet, inclusive do Padre Raynaud, que também tem muitos mistérios em sua vida eclesiástica. O final não é surpreendente, mas é gostoso e de certa forma patético. Durante a narrativa sobra chocolate pra todo lado, bem como sobram aromas, receitas e uma atmosfera mágica na história. De certa forma, o romance lembra um pouco o "Nem Só de Caviar Vive o Homem", do J. M. Simmel (existe este livro na bibliomafreteca), que conta a história de um espião inglês, que enganava o serviço secreto, enquanto falava de receitas e promovia jantares e coquetéis deliciosos. O personagem do Nem Só de Caviar, vai passando as "receitas" durante o seu trabalho. Claro que o livro do J.M. Simmel é edição bem anterior ao da Joane Harris. Talvez seja apenas um clone de idéias. Mesmo assim, vale a leitura.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Vianne Rochet e sua filha Anouk, chegam à Lansquenet, na terça feira de carnaval e começam a instalar a chocolateria, quase em frente da Igreja.....

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Hoje houve um funeral- de uma anciã de Les Mimosas, rio abaixo - e o movimento foi fraco. A falecida era uma mulher de 94 anos, disse Clothilde na florista, uma parente da finada esposa de Narcisse. Vi Narcisse, sua única concessão para o funeral sendo uma gravata preta com seu velho paletó de tweed, e Reynaud, de pé rigidamente à entrada em seu traje preto e branco, a cruz de prata numa das mãos e a outra estendida com benevolência para recepcionar as carpideiras. Essas são poucas. Talvez uma dúzia de velhas, nenhuma das quais reconheci; uma em cadeira de rodas empurrada por uma enfermeira loura, outra, roliça e com feições de pássaro, como Armande, outra mais, com a magreza quase translúcida dos muito velhos, todas de preto, meias, boinas e lenços de cabeça, algumas de luvas, outras com suas mãos pálidas e retorcidas grudadas aos peitos achatados, como virgens de Grünewald. Eu via principalmente suas cabeças enquanto seguiam para St. Jérôme, num grupo compacto cacarejante; entre as cabeças abaixadas, a ocasional olhada do rosto sombrio, olhos negros brilhantes adejando suspeitosamente da segurança do encrave para mim, enquanto a enfermeira, competente e resolutamente bem disposta, empurrava por trás. Elas pareciam não sentir pesar. Aquela na cadeira de rodas segurava um pequeno missal preto numa das mãos e cantava em voz alta e lamurienta enquanto entravam na igreja. O resto permaneceu em silêncio a maior parte do tempo, acenando as cabeças para Reynaud à medida que penetravam na escuridão, algumas passando-lhe uma nota tarjada de preto para ler durante o serviço. O único carro fúnebre da aldeia chegou atrasado. Dentro, um caixão drapejado de preto com uma única coroa de flores. Um sino solitário soou monótono. Enquanto eu esperava na loja vazia, ouvi o órgão tocar umas poucas notas apáticas e fugidias, como seixos caindo num poço. Joséphine, que estava na cozinha retirando uma fornada de suspiros de creme de chocolate, se aproximou silenciosamente e estremeceu. - É horrível- disse ela. Lembrei-me do crematório da cidade, da música do órgão de tubos - Toccata de Bach -, do caixão barato lustroso, do cheiro de verniz e flores. O ministro pronunciou errado o nome de mamãe - Jean Roacher. Tudo acabou em dez minutos. A morte devia ser uma celebração, dizia-me ela. Como um aniversário. Quero subir como um foguete quando chegar minha hora, e cair numa nuvem de estrelas, e ouvir todo mundo correr: Ahhhl Espalhei suas cinzas no porto na noite de Quatro de Julho. Houve queima de fogos de artifício no cais, com o ar impregnado de cheiro de cordite queimado, cachorro-quente e cebolas fritando e a débil exalação de lixo da água. Era em tudo a América com que ela sempre sonhara, um parque de diversões gigante, néon cintilando, música tocando, multidões cantando e se acotovelando, todo o ouropel vistoso e sentimental que ela adorava. Esperei pela parte mais brilhante da exibição, quando o céu era uma erupção trêmula de luz e cor, e deixei que as cinzas derivassem suavemente ao sabor do vento, ganhando um tom azul-branco-vermelho enquanto caíam. Eu deveria dizer alguma coisa, mas parecia que nada mais restava a dizer. - Horrível- repetiu Joséphine. - Detesto funerais. Jamais vou a enterros. Não falei nada, mas observei a praça silenciosa e ouvi o órgão. Pelo menos não era a Tocatta. Os empregados da funerária carregaram o caixão para a igreja. Parecia muito leve, e os passos deles eram enérgicos e sem a menor reverência nos paralelepípedos. - Eu preferia que a gente não estivesse tão perto da igreja disse Joséphine, inquieta. - Não posso pensar, com todas essas idas e vindas aqui em frente. - Na China, as pessoas usam branco nos enterros - disse-lhe eu. - Trocam presentes em brilhantes pacotes vermelhos, para dar sorte. Soltam fogos. Conversam, riem, dançam e gritam. E. no final todo mundo pula sobre as cinzas da pira funerária, um por um, para abençoar a fumaça enquanto ela se eleva. Olhou-me com curiosidade. - Você viveu lá também? Sacudi a cabeça. - Não. Mas conhecemos muitos chineses em Nova York. Para eles a morte era uma celebração da vida da pessoa falecida. Joséphine pareceu em dúvida. - Não vejo como alguém pode celebrar a morte - disse ela por fim. - Não pode ver - repliquei. - É a vida que se celebra. Tudo dela. Até seu fim. Peguei o bule de chocolate sobre a chapa quente e servi duas xicaras. Após um instante, fui à cozinha buscar dois suspiros, que ainda estavam quentes e melosos dentro do invólucro de chocolate e os servi com creme chantilly espesso e avelãs picadas. - Não parece certo fazer isto neste momento - disse Joséphine,mas notei que ela comeu assim mesmo


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em março de 2006, comprei este livro de um sebo, por via da internet, apenas por me lembrar de uma crítica favorável ao livro, que li, em algum lugar, faz alguns anos.


 

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