carregando

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

 

Ensaio Sobre a Cegueira

Para usar as funcionalidades você precisa estar logado(a). Clique aqui para logar
Erro ao processar sua requisição, tente novamente em alguns minutos.
Ensaio Sobre a Cegueira

Livro Ótimo - 2 comentários

  • Leram
    13
  • Vão ler
    8
  • Abandonaram
    0
  • Recomendam
    7

Autor: José Saramago  

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 310

Ano de edição: 1992

Peso: 380 g

Avalie e comente
  • lido
  • lendo
  • re-lendo
  • recomendar

 

Excelente
Elias Marinho
07/04/2011 às 17:42
Santa Maria - DF

Achei o livro sensacional, foi uma otima "entrada" para conhecer o famoso mestre Saramago.Como não poderia deixar de ser, só passei a conhecer o autor após a sua morte, infelizmente. O livro é excelente, nunca me esquecerei da frase de uma das personagens que diz "é preciso ter olhos, quando os outros os perderam". A obra nos leva a uma reflexão de nossas necessidade mais primárias e a desvalorização da condição humana, mesmo nas horas em que mais precisamos dela. Não gostei do recurso utilizado na obra, que já tinha visto em outros autores, da ausência do nome dos personagens, trocando por nomes associativos. Entretanto, esse detalhe não compromete a beleza e o impacto que o livro deixa em nós, ao refletirmos do quão imundos podemos nos tonar se retirarem de nós a nossa melhor qualidade que é enxergar e não somente ver.


Bom
Marcio Mafra
02/07/2006 às 14:41
Brasília - DF


O Saramago é genial em tudo que escreve. Mesmo sendo um gênio reconhecido por portugueses e brasileiros, também escreve xérox de seus próprios livros, assim como muitos outros grandes autores e escritores. Não sei qual dos dois livros foi escrito primeiro: Intermitências da morte ou Ensaio Sobre a Cegueira, mas que ambos são meleca, xérox, clone - lá isso são. Claro que as características da história são diferentes. Ensaio sobre a cegueira se passa num manicômio, para onde foram levados todos os primeiros acometidos da cegueira. Ao longo da narração o autor utiliza o seu reconhecido talento para mesclar bom humor, amargura, sutileza e inteligência nas tratativas da vida e da condição humana. Mas a história segue o mesmo prumo e rumo da Intermitência da Morte, coisa que empana o brilho da genialidade de Saramago.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Estou cego... começa o romance que descreve a treva branca...

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Diz-se a um cego. Estás livre, abre-se-lhe a porta que o separava do mundo, Vai, estás livre, tomamos a dizer-lhe, e ele não vai, ficou ali parado no meio da rua, ele e os outros, estão assustados, não sabem para onde ir, é que não há comparação entre viver num labirinto racional, como é, por definição, um manicómio, e aventurar-se, sem mão de guia nem trela de cão, no labirinto dementado da cidade, onde a memória para nada servirá, pois apenas será capaz de mostrar a imagem dos lugares e não os caminhos para lá chegar. Postados diante do edifício que já arde de uma ponta àoutra, os cegos sentem na cara as ondas vivas do calor do incêndio, recebem-nas como algo que de certo modo os resguarda, tal como as paredes tinham sido antes, ao mesmo tempo, prisão e segurança. Mantêm-se juntos, apertados uns contra os outros, como um rebanho, nenhum deles quer ser a ovelha perdida porque de antemão sabem que nenhum pastor os irá procurar. O fogo vai decrescendo aos poucos, a lua já ilumina outra vez, os cegos começam a desassossegar-se, não podem continuar ali, Eternamente, disse um deles. Alguém perguntou se era dia ou era noite, a razão da incongruente curiosidade soube-se logo, Quem sabe se não nos virão trazer a comida, pode ter havido uma confusão, um atraso, outras vezes aconteceu, Mas os soldados não estão cá, Isso não quer dizer nada, podem ter-se ido embora por deixarem de ser precisos, Não percebo, Por exemplo, porque deixou de haver contágio, Ou porque se descobriu o remédio para a nossa doença, Era bom, era, Que fazemos, Eu fico aqui até ser dia, E como saberás tu que é dia, Pelo sol, pelo calor do sol, Se o céu não estiver encoberto, Tantas horas hão-de passar que alguma vez há-de ser dia. Exaustos, muitos dos cegos tinham-se sentado no chão, outros, ainda mais debilitados, deixaram-se simplesmente cair, uns quantos haviam desmaiado, é provável que o fresco da noite os faça voltar a si, mas podemos ter por certo que na hora de levantar-se o acampamento não se levantarão alguns destes míseros, aguentaram até aqui, são como aquele corredor de maratona que se foi abaixo três metros antes da meta, no fim das contas o que está claro é que todas as vidas se acabam antes de tempo. Sentaram-se também, ou deitaram-se, os cegos que ainda esperam que os soldados, ou outros por eles, a cruz vermelha é uma hipótese, lhe tragam a comida e os outros confortos necessários à vida, o desengano, para estes, chegará um pouco mais tarde, é a única diferença. E se alguém aqui acreditou que foi descoberta a cura da nossa cegueira, nem por isso parece mais contente. Por outras razões pensou a mulher do médico, e disse-o aos seus, que seria melhor esperar que a noite acabasse, O mais urgente, agora, é encontrar comida, e às escuras não iria ser fácil, Tens alguma ideia de onde estamos, perguntou o marido, Mais ou menos, Longe de casa, Bastante. Os outros quiseram saber também a que distância estariam as suas casas, disseram as moradas, e a mulher do médico foi aproximadamente explicando, o rapazinho estrábico é que não conseguiu lembrar-se, não admira, há já tempo que deixou de pedir a mãe. Se forem de casa em casa, da que está mais perto à que está mais distante, a primeira será a da rapariga dos óculos escuros, a segunda a do velho da venda preta, depois a da mulher do médico, e fmalmente a do primeiro cego. Irão sem dúvida seguir este itinerário porque a rapariga dos óculos escuros já pediu que a levem, quando for possível, a sua casa, Não sei como estarão os meus pais, disse, esta sincera preocupação mostra como são afinal infundados os preconceitos dos que negam a possibilidade da existência de sentimentos fortes, incluindo o sentimento filial, nos casos, infelizmente abundantes, de comportamentos irregulares, mormente no plano da moralidade pública. A noite refrescou, ao incêndio já não lhe resta grande coisa para queimar, o calor que ainda se desprende do braseiro não chega para aquecer os cegos transidos que se encontram mais longe da entrada, como é o caso da mulher do médico e do seu grupo. Estão sentados juntinhos, as três mulheres e o rapaz no meio, os três homens em redor, quem os visse diria que já nasceram assim, é verdade que parecem um corpo só, com uma só respiração e uma única fome. Um após outro, foram adormecendo, um sono leve de que tiveram de acordar algumas vezes porque havia cegos que, saindo do seu próprio torpor, se levantavam e vinham tropeçar sonambulamente neste acidente humano, um deles houve que se deixou ficar, tanto fazia dormir ali como noutro sítio. Quando o dia nasceu, só umas ténues colunas de fumo subiam dos escombros, mas nem essas duraram muito, porque daí a pouco começou a chover, uma chuvinha miúda, uma simples poalha, é certo, mas desta vez persistente, ao princípio nem conseguia chegar ao chão esbraseado, transformava-se logo em vapor, porém, com a continuação, já se sabe, água mole em brasa viva tanto dá até que apaga, a rima que a ponha outro. Alguns destes cegos não o são apenas dos olhos, também o são do entendimento, nem de outro modo se explicaria o raciocínio tortuoso que os levou a concluir que a desejada comida, estando a chover, não viria. Não houve maneira de convencê-los de que a premissa estava errada e que, portanto, errada tinha de estar também a conclusão, não serviu de nada dizer-lhes que ainda não eram horas do pequeno-almoço, desesperados atiraram-se para o chão a chorar, Não vem, está a chover, não vem, repetiam, tivesse ainda aquela lastimável ruína umas condições de habitabilidade mínimas, que voltaria a ser o manicómio que foi antes. O cego que de noite se deixara ficar depois de ter tropeçado não pôde levantar-se. Enroscado sobre si mesmo, como se tivesse querido proteger o derradeiro calor do ventre, não se moveu apesar da chuva que começara a cair mais grossa.


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em setembro de 2005 eu havia comprado o Ensaio, por se tratar de um lançamento do Saramago. Logo no mês seguinte, outubro, colegas de trabalho da Fundação CDL, Fernanda e Eliza, me presentearam o mesmo livro, por ocasião do meu aniversário de 2005. Fiquei com os dois volumes, pois presente não se recusa, nem se troca.


 

Receber nossos informativos

Siga-nos:

Baixe nosso aplicativo

Livronautas
Copyright © 2011-2021
Todos os direitos reservados.