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Ensaio Sobre a Cegueira - 2º Exemplar

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Ensaio Sobre a Cegueira - 2º Exemplar

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Autor: José Saramago  

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 310

Ano de edição: 2005

Peso: 380 g

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Bom
Marcio Mafra
14/07/2006 às 14:47
Brasília - DF

O Saramago é genial em tudo que escreve. Mesmo sendo um gênio reconhecido por portugueses e brasileiros, também escreve xérox de seus próprios livros, assim como muitos outros grandes autores e escritores. Não sei qual dos dois livros foi escrito primeiro: Intermitências da morte ou Ensaio Sobre a Cegueira, mas que ambos são meleca, xérox, clone - lá isso são. Claro que as características da história são diferentes. Ensaio sobre a cegueira se passa num manicômio, para onde foram levados todos os primeiros acometidos da cegueira. Ao longo da narração o autor utiliza o seu reconhecido talento para mesclar bom humor, amargura, sutileza e inteligência nas tratativas da vida e da condição humana. Mas a história segue o mesmo prumo e rumo da Intermitência da Morte, coisa que empana o brilho da genialidade de Saramago.




Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Estou cego... começa o romance que descreve a treva branca...

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Diz-se a um cego. Estás livre, abre-se-lhe a porta que o separava do mundo, Vai, estás livre, tomamos a dizer-lhe, e ele não vai, ficou ali parado no meio da rua, ele e os outros, estão assustados, não sabem para onde ir, é que não há comparação entre viver num labirinto racional, como é, por definição, um manicómio, e aventurar-se, sem mão de guia nem trela de cão, no labirinto dementado da cidade, onde a memória para nada servirá, pois apenas será capaz de mostrar a imagem dos lugares e não os caminhos para lá chegar. Postados diante do edifício que já arde de uma ponta àoutra, os cegos sentem na cara as ondas vivas do calor do incêndio, recebem-nas como algo que de certo modo os resguarda, tal como as paredes tinham sido antes, ao mesmo tempo, prisão e segurança. Mantêm-se juntos, apertados uns contra os outros, como um rebanho, nenhum deles quer ser a ovelha perdida porque de antemão sabem que nenhum pastor os irá procurar. O fogo vai decrescendo aos poucos, a lua já ilumina outra vez, os cegos começam a desassossegar-se, não podem continuar ali, Eternamente, disse um deles. Alguém perguntou se era dia ou era noite, a razão da incongruente curiosidade soube-se logo, Quem sabe se não nos virão trazer a comida, pode ter havido uma confusão, um atraso, outras vezes aconteceu, Mas os soldados não estão cá, Isso não quer dizer nada, podem ter-se ido embora por deixarem de ser precisos, Não percebo, Por exemplo, porque deixou de haver contágio, Ou porque se descobriu o remédio para a nossa doença, Era bom, era, Que fazemos, Eu fico aqui até ser dia, E como saberás tu que é dia, Pelo sol, pelo calor do sol, Se o céu não estiver encoberto, Tantas horas hão-de passar que alguma vez há-de ser dia. Exaustos, muitos dos cegos tinham-se sentado no chão, outros, ainda mais debilitados, deixaram-se simplesmente cair, uns quantos haviam desmaiado, é provável que o fresco da noite os faça voltar a si, mas podemos ter por certo que na hora de levantar-se o acampamento não se levantarão alguns destes míseros, aguentaram até aqui, são como aquele corredor de maratona que se foi abaixo três metros antes da meta, no fim das contas o que está claro é que todas as vidas se acabam antes de tempo. Sentaram-se também, ou deitaram-se, os cegos que ainda esperam que os soldados, ou outros por eles, a cruz vermelha é uma hipótese, lhe tragam a comida e os outros confortos necessários à vida, o desengano, para estes, chegará um pouco mais tarde, é a única diferença. E se alguém aqui acreditou que foi descoberta a cura da nossa cegueira, nem por isso parece mais contente. Por outras razões pensou a mulher do médico, e disse-o aos seus, que seria melhor esperar que a noite acabasse, O mais urgente, agora, é encontrar comida, e às escuras não iria ser fácil, Tens alguma ideia de onde estamos, perguntou o marido, Mais ou menos, Longe de casa, Bastante. Os outros quiseram saber também a que distância estariam as suas casas, disseram as moradas, e a mulher do médico foi aproximadamente explicando, o rapazinho estrábico é que não conseguiu lembrar-se, não admira, há já tempo que deixou de pedir a mãe. Se forem de casa em casa, da que está mais perto à que está mais distante, a primeira será a da rapariga dos óculos escuros, a segunda a do velho da venda preta, depois a da mulher do médico, e fmalmente a do primeiro cego. Irão sem dúvida seguir este itinerário porque a rapariga dos óculos escuros já pediu que a levem, quando for possível, a sua casa, Não sei como estarão os meus pais, disse, esta sincera preocupação mostra como são afinal infundados os preconceitos dos que negam a possibilidade da existência de sentimentos fortes, incluindo o sentimento filial, nos casos, infelizmente abundantes, de comportamentos irregulares, mormente no plano da moralidade pública. A noite refrescou, ao incêndio já não lhe resta grande coisa para queimar, o calor que ainda se desprende do braseiro não chega para aquecer os cegos transidos que se encontram mais longe da entrada, como é o caso da mulher do médico e do seu grupo. Estão sentados juntinhos, as três mulheres e o rapaz no meio, os três homens em redor, quem os visse diria que já nasceram assim, é verdade que parecem um corpo só, com uma só respiração e uma única fome. Um após outro, foram adormecendo, um sono leve de que tiveram de acordar algumas vezes porque havia cegos que, saindo do seu próprio torpor, se levantavam e vinham tropeçar sonambulamente neste acidente humano, um deles houve que se deixou ficar, tanto fazia dormir ali como noutro sítio. Quando o dia nasceu, só umas ténues colunas de fumo subiam dos escombros, mas nem essas duraram muito, porque daí a pouco começou a chover, uma chuvinha miúda, uma simples poalha, é certo, mas desta vez persistente, ao princípio nem conseguia chegar ao chão esbraseado, transformava-se logo em vapor, porém, com a continuação, já se sabe, água mole em brasa viva tanto dá até que apaga, a rima que a ponha outro. Alguns destes cegos não o são apenas dos olhos, também o são do entendimento, nem de outro modo se explicaria o raciocínio tortuoso que os levou a concluir que a desejada comida, estando a chover, não viria. Não houve maneira de convencê-los de que a premissa estava errada e que, portanto, errada tinha de estar também a conclusão, não serviu de nada dizer-lhes que ainda não eram horas do pequeno-almoço, desesperados atiraram-se para o chão a chorar, Não vem, está a chover, não vem, repetiam, tivesse ainda aquela lastimável ruína umas condições de habitabilidade mínimas, que voltaria a ser o manicómio que foi antes. O cego que de noite se deixara ficar depois de ter tropeçado não pôde levantar-se. Enroscado sobre si mesmo, como se tivesse querido proteger o derradeiro calor do ventre, não se moveu apesar da chuva que começara a cair mais grossa.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em setembro de 2005 eu havia comprado o Ensaio, por se tratar de um lançamento do Saramago. Logo no mês seguinte, outubro, colegas de trabalho da Fundação CDL, Fernanda e Eliza, me presentearam o mesmo livro, por ocasião do meu aniversário de 2005. Fiquei com os dois volumes, pois presente não se recusa, nem se troca.


 

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