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O Dono do Mar

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O Dono do Mar

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Autor: José Sarney  

Editora: Siciliano

Assunto: Realismo Fantástico

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 284

Ano de edição: 1996

Peso: 340 g

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Excelente
Marcio Mafra
04/07/2002 às 20:57
Brasília - DF


O Dono do Mar não é uma nova versão do Velho e o Mar, de Heminguay, nem se trata de outra história do folclore nordestino. Arre! Ninguém agüenta mais leitura sobre o folclore do "Bumba meu boi", nem sobre o ritmo do "forró" ou das "festas juninas" de Campina Grande. Também se esclarece que o Dono do Mar não guarda qualquer semelhança com os Marimbondos de Fogo. Este foi escrito (ou lançado) enquanto o autor era o Presidente da República. Naquela ocasião, os áulicos fizeram dos Marimbondos um grande sucesso de público puxa-saco e a oposição fez do livro uma extensão das críticas políticas e literárias. Era mais prudente não ler os Marimbondos porque seria impossível ficar imune tanto às críticas como aos elogios. No caso de "O Dono do Mar" trata-se de uma história no melhor estilo do realismo-fantástico e que só um escritor maior seria capaz de escrevê-lo. É a história do Capitão Cristório, Maria Dinha e outros pescadores, gente pobre, rude e simples que vive um dia-a-dia poético com seus amores e velas. É livro de ler numa sentada. É excelente.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

História da vida de pescadores do Maranhão, que se desenrola na Ilha do Curupu, sendo o Capitão Cristório o seu personagem central.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A ilha do Curupu descansava sobre o mar. Suas bordas de areia contrastavam com o verde dos cajus e tucunzeiros. - Seu Júlio, estou com um morto e outro morrendo. Mogados que ajuntei: Naufragaram na tempestade da noite. A chuva passou por aqui? - Passou quebrando tudo. Foi água pra navio. De onde eles são? - Do Timbuba. Não tenho maré nem vento pra levar. E o defunto já está começando a cheirar mal. Velho Júlio, vou eu com Valbinho. Você me arruma um outro caboclo pra remar. Tenho dois e você me traz mais um. Será que na casa-grande tem um café amargo? - Se não tem, se faz. - Vamos somente pegar água, receber um outro remo e seguir viagem. Nesse instante, viram um camaleão grande, de dois metros, que vinha saindo do mato e já estava na praia. Parava, levantava a cabeça, soltava as barbatanas do pescoço e olhava para um lado e para o outro. Andava e parava. Vinha na direção da canoa. Cristório olhou o bicho e pegou um pedaço de pau. - Vem na direção da gente. Esse bicho é perigoso. Dá surra com a cauda que é toda carne quente. - Não faça isso, pare! - disse Júlio. - Os camaleões desta ilha são encantados. Na ilha não se mexe. E ficaram parados. O camaleão grande, verde de folha, deixando a papada escorregar na terra, veio devagar, levantando a cabeça sempre, assoprando as bochechas, e olhando de um lado e outro. Avançava uma pata, levantava a outra lentamente. Tomava fôlego. E foi chegando. Os homens parados. Valbinho era todo pavor. Júlio, experiente, pedia: - Ninguém se mexa, deixa o bicho cumprir sua obrigação. Ele vem pra canoa, que está na beira d'água, na praia. O bicho sacudiu largamente o rabo e, determinado, foi andando até subir nas bordas da canoa e escorregar para o fundo. Andou pelo corpo morto de Zeferino, filho da velha Matildes. Era uma dança em ziguezague e parava. Levantava o pescoço, respirava fundo, e olhava para cima, parado no peito de Zeferino. O velho, o outro náufrago, ao lado, gemia e respirava cansado. O camaleão, depois de visitar a biana, voltou para a praia e rapidamente entrou no mato. Na areia, não ficaram vestígios de suas pegadas. - Esses bichos trazem obrigações, ninguém sabe o que é. Uma vez, um caboclo jogou um pau num deles e, quando bateu, ele também caiu no baque e só ficou curado um mês depois, quando o camaleão sarou - disse Júlio. E continuou: - Tem muitos deles aqui. De outra vez um pescador do Iguaíba matou um, e morreu. É assim. Quem não sabe dessas coisas, já era. Foram para a Casa-Grande. Tomaram café, beberam água, pegaram os remos e voltaram à canoa para a viagem até o Timbuba, pequena vila que terminava em frente onde desembocava o igarapé do Mojó. O Timbuba era também o nome do rio que levava até lá. Teriam que atravessar a pequena enseada até a ponta do Panaquatira e navegar umas três horas. Ao chegar perto da canoa, veio o primeiro grito de Cristório a olhar para o morto. Ele estava em pé e se transformara: era Querente. - Querente? Meu Deus! Você não estava morto e enterrado? Eu deixei seu cadáver no cemitério, e chorei lágrimas que nunca chorei por amigo. Lamentei da vida e pedi a Deus pra me levar. - Você está maluco? Como eu morri no Mojó se eu sou de Lisboa? - Mas você tá morto. Onde está o cadáver do Zeferino, que deixei aqui? - Zeferino? Eu não sei o que aconteceu com ele. Nós estávamos numa zangaria do Iguaíba e naufragamos. Eu fui salvo por essa canoa. - Mas eu sou o mestre da canoa e não peguei o teu corpo. Era o de outro. E salvei esse velho que está quase morto. E os dois, mais Júlio e Valbinho, viraram o velho de cabeça para baixo para ver se saía água. "Estou maluco ou as coisas estão malucas", pensava Cristório, inconformado com a ressurreição de Querenre. O velho fungou e vomitou. Respirou melhor. Júlio pôs-lhe uma folha de mastruz na boca e pimenta-do-reino no nariz. O velho tossiu e fungou de novo. - Está salvo - disse Júlio. - Velho, oi velho, quem morreu e eu apanhei no mar? - Foi Zeferino, que está do meu lado. - Como do teu lado? - Está aí. - Aí não tem ninguém? O velho olhou, fechou os olhos e disse: - Sumiu. - Sumiu nada, seu Barbito, era eu - disse Querenre. - Não era Zeferino. Zeferino eu não sei onde está, morto ou vivo, junto com os outros companheiros. - Querente, como você conseguiu viver?


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Quando Presidente da República, o autor publicou o livro Marimbondos de Fogo, que naturalmente foi muito festejado, além de traduzido para muitos idiomas. Mesmo assim, as críticas e os comentários desairosos eram tão numerosos, que fora da órbita do poder, Sarney era considerado um escritor menor.Anos depois, já no governo FHC, li num jornal qualquer, que um produtor de cinema comprara os direitos autorais do O Dono do Mar para transformá-lo em filme. Ora, ninguém transforma em filme, um argumento (ou livro) ruim.E Sarney já não era Presidente, em razão do que comprei o livro. Este livro faz parte da minha pretensiosa lista pessoal de "best sellers".


 

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