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Modo de Apanhar Pássaros à Mão

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Modo de Apanhar Pássaros à Mão

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Maria Valéria Rezende  

Editora: Objetiva

Assunto: Contos

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 135

Ano de edição: 2006

Peso: 300 g

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Bom
Marcio Mafra
12/01/2007 às 20:53
Brasília - DF

Os 16 contos de Maria Valéria Rezende, marqueteiramente intitulados: Modo de Apanhar Pássaros à Mão são pontos de vista sobre os sentimentos mais comuns de pessoas também comuns, como alegria, tristeza, ódio, decepção, paixão, aversão, simpatia, antipatia despeito e mágoa. É um painel com os destinos, caminhos e rastros de pessoas-personagens. Por se tratar de uma escritora de lançamentos recentes na praça é inevitável a comparação entre este livro e o outro da mesma autora: O Vôo da Guará Vermelha. Água e óleo. O modo de apanhar pássaros é um livro apenas mediano. Faltou o talento que sobrou no vôo da guará.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

16 contos, quase todos sobre o comportamento de pessoas comuns.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O homem invisível.
Distrai-me um longo tempo olhando a menina de não mais que treze anos, blusinha e minissaia das mais econômicas em matéria de pano, pegada num beijo sem limites e sem fim com urn garoto pouco mais velho, bem no meio do saguão do shopping, ostensivamente, a vista de quem se dispusesse a olhar. Será que amanhã ela ainda se lembrará deste beijo? Tive uma certa pena da garota e fui longe, aos meus próprios treze anos, muito longe no tempo e no espaço. Com certeza, aquele tipo de emoção que me nasceu há sessenta anos e ainda posso recuperar agora mesmo dentre as dobras da memória,
com aquela intensidade, talvez ela nunca tenha tido. Porque, para sentir aquilo, era preciso a invisibilidade, o segredo, o mistério, as longas manobras preparatórias para um momento fugaz e simplíssimo de alta voltagem emocional.
Era o meu primeiro namorado, namorado mesmo, declarado, ele, tremendo, com a voz sumida, quase inaudível, amplificada apenas pelo meu desejo, ja tinha pedido para namorar e eu, mais por gesto que pela fala, ja tinha dito que sim, mas ainda não tínhamos passado pela prova de fogo do toque. Ali, no portão da casa de meu avô, à vista de todos, era impossível. Ele ainda não tinha podido pegar na minha mão e nem eu queria, assim, escancaradamente. Não queria que mangassem de nós, que fossem mexericar com minha avó, que profanassem o mistério do que estava me acontecendo. Não. Assim não. Teria que ser uma experiência invisível para os outros, e só havia um lugar e uma situação em que seria possível que nos déssemos as mãos sem que ninguém mais visse. O cinema, claro. Teria que ser no cinema, mas sem olhos bisbilhoteiros ao lado, sem irmãs, primas, vizinhas vigiando, loucas para pegar um flagrante. Coisa impensável conseguir ir ao cinema sem elas. Semanas de agonia, de inventos mirabolantes para chegar ao momento tão desejado, a imaginação fervendo, o coração sofrendo, as férias quase acabando e eu sem achar saída.
Todas as tardes lá íamos nós, em bando, para o cinema Pathé, ver o seriado do Homem Invisível, que eu não via mesmo, cega pela aflição de saber que ele ali estava, sua mão a poucos centímetros da minha, desejando o mesmo que eu, e uma prima sempre ao meu lado, que tampouco via O Homem Invísivel porque não desgrudava os olhos de meu colo, tentando ver por ali, entre as duas poltronas, o excitante acontecimento do encontro das mãos. Impossivel, nem tentar. E se ele não passasse na prova? e se a mão dele fosse fria e suada? ou muito áspera, desagradável? e se apertasse demais a minha mão, ou se, pelo contrário, fosse mole, frouxa? O que eu diria depois as fofoqueiras todas quando a notícia se espalhasse? Eu resistia, mas não desistia. Nem ele.
Sofremos, esperamos, ansiamos até que, a dois dias do fim das férias, meu irmão, meu insuportável irmãozinho de sete anos me ofereceu a solução. Recusava-se a tomar o xarope para a asma, responsabilidade minha fazê-lo tomar os remédios direitinho e atendê-lo quando acordava com uma crise no meio da noite. Tinha de fazê-lo obedecer e então ocorreu-me a idéia luminosa da chantagem: "Se você tomar o xarope agora, amanhã eu te levo pra ver O Homem Invisível no cinema."
Ele tomou e, no dia seguinte, cobrou. Custei um pouco a convenncer vovó de que sim, ele podia ir comigo ao cinema.
Fomos. E parecia um sonho: eu ali, no escuro, invisível, meu namorado à esquerda, e meu irmãozinho do outro lado, um anteparo impedindo os olhos alheios de ver o que se passava do lado de cá, um biombo vivo que se mexia o tempo todo, saltando na cadeira, gritando excitado, olhos pregados no Homem Invisível, inteiramente desinteressado de quaisquer mãos, salvo as dele mesmo, agarradas ao saco de pipoca. Ah, a alegria das mãos se encontrando! A mão dele era quente e seca porém macia, maior que a minha, acolhedora, acariciante, pressionando a minha mão na medida certa. Ah, a felicidade das cartas que se seguiram aquele verão!


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Comprei o livro em Parati, RJ, em agosto, porque a autora era uma das mais festejadas da FLIP 2006.


 

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