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Um Rio Chamado Atlântico

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Um Rio Chamado Atlântico

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Autor: Alberto da Costa e Silva  

Editora: Nova Fronteira

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 287

Ano de edição: 2003

Peso: 420 g

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Excelente
Marcio Mafra
27/01/2007 às 10:32
Brasília - DF


Um Rio Chamado Atlântico é um belíssimo livro de história da África que os brasileiros jamais conheceram. Traz um grande e bom panorama das relações continentais Brasil e África, de 1822 até a Primeira Guerra Mundial. Depois trata as nossas influências em toda a áfrica negra e também das influências culturais, econômicas, religiosas e políticas dos africanos sobre o Brasil. Alberto da Costa liquida com os mitos da questão da escravatura no Brasil, dando a dimensão exata do tráfego dos negros, tanto nos aspectos políticos, econômicos como culturais. Na excelente narrativa do autor o Brasil e África eram um mundo só, de modos que o que se passava de um lado influía muito na vida do outro. Leitura muito boa e gostosa. Existem passagens surpreendentes sob o ponto de vista histórico, que nos eram completamente desconhecidas.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A historia do Brasil e da África ocidental, como se fossem as duas margens do grande rio chamado Oceano Atlântico. São relatos sobre a influência brasileira no modo de vida e na cultura Africana, com muitas curiosidades e fatos históricos que jamais conhecemos.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Entre os principais responsáveis pelo rápido crescimento do capitalismo britânico, contavam-se os lucros do tráfico negreiro, os incentivos que esse comércio criou para a indústria do Reino Unido e para a expansão de sua marinha, bem como o açúcar das Caraíbas e os carregamentos de ouro e de metais preciosos que, por intermédio de Portugal e da Espanha, afluíram das Américas para o Estado e para os bancos ingleses.
Consolidadas as novas estruturas econômicas da Grã-Bretanha, os seus interesses num mercado europeu e mundial livre-cambista passaram a chocar-se violentamente com o tratamento monopolístico que recebia o açúcar antilhano. As novas formas de capitalismo condenavam o sistema colonial de até então e começavam a substituí-lo por novos tipos de domínio. A independência dos Estados Unidos e o aumento da presença britânica no subcontinente indiano reduziram ainda mais a importância relativa das possessões antilhanas, no novo ordenamento político e econômico do Reino Unido.
As mesmas forças que haviam encorajado o tráfico negreiro começaram a condená-lo. Outras eram agora as conveniências e as prioridades, não apenas da indústria e da marinha britânicas, mas do próprio comércio do açúcar, cujo controle a Grã-Bretanha aspirava a manter.
Crescia a pressão contra o tráfico negreiro para as Américas, à medida que os interesses ingleses se ampliavam na Índia - onde, graças ao sistema de governo indireto e sob o pretexto de não-interferência nos assuntos internos dos estados nativos, se consentia e estimulava o trabalho escravo nas plantações de cana. Desejavam os ingleses diminuir as possibilidades de competição do açúcar americano com o açúcar da Índia e, além disso, dar satisfação ostensiva aos interesses das Antilhas britânicas, atingidos pela quebra do antigo monopólio colonial. Embora concentrada em expandir a produção açucareira na índia, não tinha a Grã-Bretanha condições de abandonar os seus colonos nas Caraíbas, arregimentados em forte, rica e coesa facção do Parlamento londrino. Para satisfazê-los, força era aumentar a coação sobre o Brasil e Cuba.
Se negava escravos às suas colônias nas Caraíbas, não podia o Reino Unido permitir que eles continuassem a chegar aos portos brasileiros. O estancamento do fluxo de mão-de-obra africana era essencial para impedir o crescimento da produção açucareira no Brasil, a preços mais baixos do que Índia ou nas Antilhas britânicas.
Vários fatores ideológicos somavam-se para dar ímpeto e entusiasmo a campanha contra o tráfico. Em primeiro lugar, o sentimento humanitário, que se opunha à iniqüidade do regime escravocrata. Em segundo lugar, aliança européia numa necessária evolução histórica, semelhante para todos os povos, e no conseqüente dever de procurarem os mais adiantados conduzir os mais atrasados pelos caminhos do progresso. Em terceiro lugar, o renascido zelo pela catequese cristã. Em quarto, o prestígio da teoria da liberdade de comércio. Esse denso tecido ideológico fez com que a campanha contra o tráfico e pela abolição assumisse dimensões quase religiosas e viesse a justificar o renascer de uma vontade colonial na Europa.
Pouco a pouco, mas sem recuos duradouros, o combate humanitarista ao tráfico de escravos, o sentimento da missão civilizadora européia e as teorias do livre comércio foram fazendo prevalecer na Grã-Bretanha, como no resto da Europa, as teses da efetiva ocupação colonial da África sobre o pensamento daqueles que defendiam uma presença restrita a entrepostos comerciais. A luta contra os traficantes de escravos tornou-se o grande instrumento da derrubada sistemática das estruturas políticas africanas.
Destroem-se, numa velocidade crescente, à medida que caminha o século, quase todos os mecanismos de poder africano. Sob pretexto de erradicar o tráfico de escravos e de favorecer a liberdade das trocas, elimina-se o comey, arrasam-se a rede de comunicações e os entrepostos dos intermediários nativos do comércio de óleos vegetais, de resinas, de borracha, de marfim e de madeiras, privam-se os chefes africanos dos recursos que lhes permitiam adquirir armas e mobilizar tropas para manter a independência.....
Para alguns brasileiros, desde cedo, as intenções britânicas na África não passaram despercebidas. Já em 2 de julho de 1827, quando se discutia, na Câmara dos Deputados, a Convenção firmada em 23 de novembro do ano anterior, entre o Brasil e a Grã-Bretanha, para o término final do comércio de escravos, Cunha Matos, ao atacar um ajuste que nos era praticamente imposto pela esquadra inglesa, declarava: "A Inglaterra aspira ao domínio universal da Ásia, assim como, pelas colonizações de guerra que vai empreendendo na África, se deve supor que aspira ao senhorio absoluto desta grande região.


  • África, e tudo mais

    Autor: Tachel Bertol

    Veículo: Valor Economico, Caderno Eu & Fim de Semana 16, 17 e 18 de setembroi de 2011

    Fonte:

    África, e tudo mais
    Por Rachel Bertol | Para o Valor, do Rio
    Histórias surpreendentes despontam durante a conversa com Alberto da Costa e Silva: são memórias da avó cafuza, da tia que mandou matar o marido no Ceará, dos jantares mensais com o amigo José Saramago, dos bate-papos sobre África com Jorge Amado e de momentos inusitados ao lado de Guimarães Rosa. A vida extraordinária do poeta, ensaísta, historiador e diplomata, que comemorou 80 anos recentemente, seria tema para uma vasta coleção de livros. São tantos amigos, entre eles tantos escritores, que Costa e Silva poderia escrever muitas histórias saborosas sobre cada um deles, como reconhece.

    Parte dessas histórias encontra-se em "A Invenção do Desenho - Ficções da Memória", que a Nova Fronteira acaba de reeditar, com nova introdução do historiador José Murilo de Carvalho. O livro retrata 15 anos da vida de Costa e Silva, desde os tempos da mocidade até o período em que se tornou diplomata em Lisboa. A editora está reeditando toda sua obra e iniciou a série, este ano, com o monumental "A Enxada e a Lança - A África Antes dos Portugueses", de quase mil páginas, o primeiro livro publicado no Brasil com tamanho fôlego sobre a história antiga do continente. Lançado em 1992, chegou à 5ª edição, acrescida de introdução do jornalista Laurentino Gomes. No momento, Costa e Silva prepara o terceiro volume de suas memórias. O primeiro, "Espelho do Príncipe" - que considera seu melhor livro -, sobre a infância em Fortaleza, também será reeditado.
    "Quase todos os estudiosos do negro no Brasil não enxergavam nele toda sua vestimenta cultural africana, inclusive Freyre"
    Nesta entrevista, concedida em seu apartamento do bairro de Laranjeiras, no Rio, repleto de esculturas africanas e belos quadros, o imortal da Academia Brasileira de Letras conta um pouco de suas histórias, especialmente as de sua epopeia africana. Costa e Silva foi embaixador na Nigéria e na República do Benim. Sua obra é pioneira ao despertar no país um interesse renovado pela região. A relação dos brasileiros com a África é marcada por um distanciamento, que Costa e Silva aponta na obra de autores que falam de negros e escravos, como Gilberto Freyre e Castro Alves.

    Valor: "A Enxada e a Lança" é um clássico no estudo de África. O senhor modificou algo na nova edição?
    Alberto da Costa e Silva: Fiz apenas correções. Quando a Nova Fronteira o publicou, perguntava-se quem iria ler um livro sobre história antiga da África. Mas o livro teve muito boa aceitação. E também sua continuação, "A Manilha e o Libambo - A África e a Escravidão, de 1500 a 1700". Neles, trato de toda a África subsaariana, que alguns autores chamam de África negra. Isso porque sempre tive a impressão de que o Magrebe, a Líbia e Egito, estando no continente, pertencem ao Mediterrâneo. Sua história é a do Mediterrâneo.

    Valor: Como o fato de ser brasileiro influenciou o estudo?
    Costa e Silva: Dou enfoque especial às áreas que tiveram importância na história do Brasil, que não começa com Pedro Álvares Cabral, mas com as grandes migrações ameríndias, com dom Afonso Henriques em Portugal, com a invenção do ferro em Nok, na África, e com a expansão dos bantos. O Brasil é resultado de três histórias. Sempre me impressionou que uma dessas fontes fosse tão mal estudada. Quando eu tinha 15 anos, li "Casa-Grande & Senzala", e foi uma revelação. Freyre punha o negro não mais como um problema do Brasil, mas como sua essência. Mas o livro me chamou a atenção também pelas coisas que não diz. Quase todos os estudiosos do negro no Brasil não enxergavam nele toda sua vestimenta cultural africana, inclusive Freyre. Não se tinha estudado a cultura tradicional do negro na África, para explicar, por exemplo, por que alguns deles nunca vieram para cá. Meu interesse pelo assunto começou quando eu era rapazola. Mas o material disponível a respeito era mínimo.

    Valor: Como superou a escassez de fontes?
    Costa e Silva: Achei muito material em sebos e bibliotecas. Fui formando minha história particular da África, sem pensar em escrever a respeito. Era uma espécie de vício secreto, de paixão não confessada. Fui pela primeira vez à África nos últimos dias de setembro de 1960, como diplomata, para participar das comemorações da independência da Nigéria. Foi um deslumbramento. Tive a impressão de estar num quadro do Renascimento italiano. Nosso terno escuro e a gravata pareciam uma roupa humilhante diante das túnicas, das togas, das roupas rendadas, dos veludos, das roupas daqueles que nos aguardavam no aeroporto. E havia, além dos trajes, a riqueza das pessoas nas ruas, do comportamento. Era curioso, porque, de certa forma, era o Brasil do Debret, e algo mais, com o perfume do Brasil. Representando o Itamaraty, conheci países como Etiópia, Sudão, Senegal, Togo, Gana, Costa do Marfim, Camarões, Gabão, Angola, Quênia...

    Valor: Assim começou o livro?
    Costa e Silva: Em meados dos anos 1970, em Madri, na casa de amigos, eu estava batendo boca com o Carlos Lacerda sobre Angola, e ele me disse que eu tinha obrigação de escrever sobre África. Segundo ele, eu era o único brasileiro com ideias precisas sobre o continente. Pouco depois iniciei o livro. Quando fui nomeado embaixador em Lagos, na Nigéria, o livro avançou muito. Era um país fascinante, com culturas sólidas, onde o diálogo com o Brasil tinha importância histórica. Havia um bairro brasileiro na cidade, uma associação de descendentes de brasileiros, uma mesquita brasileira etc. Minha mulher, Verinha, oferecia o vatapá brasileiro acompanhado do prato que lhe deu origem.

    Valor: O senhor esteve na África na mesma época mais ou menos que pesquisadores como Pierre Verger e Jean Rouch. E a imagem, literalmente, que fazemos da África no século XX deve-se muito ao trabalho deles. Havia a sensação, como essas imagens deixam transparecer, de lidar com algo ainda intocado? Essa África ainda existe?
    Costa e Silva: Sim e não. Em Angola, não vemos mais nas ruas as pessoas falando francês do século XIII, mas a catedral se mantém no mesmo lugar. E, apesar de tudo, ainda que disso as pessoas não tenham consciência, elas preservam na estrutura mental a lembrança do que foram seus ancestrais. E havia, de fato, a ideia de algo intocado, embora não fosse puro. A realidade africana ainda se apresentava com as roupagens diferentes das nossas. Era um campo onde se descobriam novas coisas todos os dias. Pela primeira vez, naquela geração e na que lhe foi imediatamente anterior, sabíamos que a África tinha uma história.
    "Eu tinha uma avó que era cafuza. Ela fumava cachimbo embebido em melaço. Era uma personagem de Jorge Amado"

    Valor: Como conseguiu se desvencilhar um pouco da história da África para se dedicar à redação das suas próprias memórias?
    Costa e Silva: Quando fui removido para a Colômbia, não comia as madeleines do Proust, mas encontrei na rua um rapaz vendendo siriguela, uma frutinha que eu comia muito quando menino. Vi que ninguém mais sabia dessas coisas e resolvi escrever "Espelho do Príncipe", meu melhor livro, com as memórias da minha infância. Lá explico o que é taperebá, cabiçulinha, como era a vida no sertão do Ceará e em Fortaleza, onde vivi dos meus 3 aos 14 anos. Mas nunca deixei de escrever sobre África, porque me pediam conferências e artigos, material que eu reuni no livro "Um Rio Chamado Atlântico".

    Valor: O senhor também já escreveu sobre dois autores baianos: Castro Alves ("Castro Alves - Um Poeta Sempre Jovem", Companhia das Letras) e Jorge Amado (ao organizar a antologia "Jorge Amado Essencial", Penguin Companhia). Como foi realizar essa viagem de volta, da África para a Bahia?
    Costa e Silva: São dois autores cheios de África. E o caso do Castro Alves é muito curioso, porque ele nada sabia de África. A impressão é que nossos grandes abolicionistas, excetuado José Bonifácio, nunca conversaram com os escravos para saber como era a África. Na obra de Castro Alves, sua África é literária, herdeira do orientalismo francês, com desertos, tendas, areais sem árvores, o inverso da África de onde vieram aqueles trazidos para o Brasil. Esta era verde, igual à natureza do Brasil. Castro Alves foi talvez o mais generoso dos poetas brasileiros, sensualmente visual, um autor que marcou o abolicionismo e a nossa imagem do poeta romântico. Mas, para os abolicionistas, era como se os africanos tivessem sido concebidos no navio que os trouxe para o Brasil, sem raízes mais profundas.

    Valor: Na sua opinião, o grande encontro da história da literatura brasileira foi o de Castro Alves com Machado de Assis, uma tarde no Rio...
    Costa e Silva: É curioso, porque a mãe de Castro Alves era provavelmente mulata. Assim como Machado, Castro Alves tinha sangue negro, certamente. Nos livros de Machado, há uma série de escravos. Ele tinha percepção muito clara da presença avassaladora do escravo na vida brasileira. Seu encontro com Castro Alves reuniu o exuberante com o contido, o falastrão com o caladão, o orador com o meditador, o clássico com o barroco: foi o encontro dos dois grandes extremos da literatura brasileira. Podemos imaginar o deslumbramento de Machado ouvindo aquele rapaz bonito, com sua belíssima voz, pois Castro Alves parecia um ator de teatro. E a adoração de Castro Alves diante daquele homem de serenidade aparente, que devia em alguns momentos romper a carapaça da timidez.

    Valor: E o Jorge Amado, era seu amigo, não?
    Costa e Silva: Sim, e conversávamos muito sobre a África. Nenhum romance seu passa-se lá, mas ele estava embebido do continente. Agora, o que acho mais importante nos romances de Jorge é que suas personagens podiam estar aqui, tão reais elas são. Você certamente tem um parente que podia ser personagem de Jorge Amado. Tenho vários. Tive um tio que nunca foi trabalhar no escritório, ele recebia clientes no café em frente: é uma personagem de Jorge. Tenho uma tia que mandou matar o marido. É outra personagem de Jorge.

    Valor: E matou mesmo?
    Costa e Silva: Matou, claro. Quando você promete, você cumpre. Foi no Ceará. Eu tinha uma avó que era cafuza. Ela fumava cachimbo embebido em melaço, o famoso fumo de rolo que os historiadores brasileiros dizem ser de terceira categoria, embora fosse o preferido na África e o da minha avó. Ela fumava depois do almoço e do jantar. Era uma personagem de Jorge. Estamos cercados delas. Isso faz a grandeza do Jorge, que criou personagens dickensianos, especiais, que se parecem conosco. É por isso que o lemos com interesse e emoção. Mesmo nas suas histórias mais dramáticas e violentas, há um lado alegre, uma esperança de felicidade. O mais completo vilão de repente tem um gesto de nobreza. E suas histórias fluem naturalmente.

    Valor: No novo livro de memórias, deve contar muitas histórias curiosas desses amigos...
    Costa e Silva: Tive o privilégio de ter conhecido, sido amigo e convivido com pessoas como Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Jorge de Lima, José Saramago, Gilberto Freyre, João Cabral de Melo Neto, José Saramago, entre muitos outros, nem gosto de citar nomes. De todos, só guardo boas lembranças e poderia contar muitas histórias curiosas sobre eles, mas no livro só botarei uma de cada, para não pesar.

    Valor: Conte-nos uma de Rosa...
    Costa e Silva: Vou lhe contar uma história picaresca dele. Estávamos em Manaus, para um encontro do Itamaraty, num grupo de umas oito pessoas, e o Rosa manifestou o desejo de conhecer um prostíbulo. Então nos levaram a um barracão enorme, belíssimo, todo coberto de palha, com uma orquestra e um tablado para dançar. Nós nos sentamos e o Rosa, que era de tomar a iniciativa, chamou uma senhora, disse que iríamos tomar cerveja e que queríamos conversar com umas moças. Vieram umas quatro ou cinco, e ele puxou uma cadernetinha para anotar. Foi extraordinário: uma delas contou toda a sua vida, porque o Rosa tinha capacidade de pôr os outros à vontade. A mesa ficou parada vendo o Rosa entrevistar a putinha. Tenho de usar esse nome porque era exatamente isso. Depois, tudo virava conto.

    Valor: E o Saramago?
    Costa e Silva: Jantávamos todo mês, além das vezes em que nos encontrávamos. Era um homem sofrido e cáustico, com muita imaginação. Saramago era amigo dos amigos, detestado por muita gente e não gostava de ser detestado. Essas pessoas duronas muitas vezes escondem uma doçura especial. Saramago tinha medo de ser doce.

    Valor: Também será reeditada sua poesia completa: como encontrava tempo para a criação poética?
    Costa e Silva: Sou muito exigente em poesia e nunca quis escrever poemas que fossem o reflexo imediato de determinada sensação. Isso exigia de mim uma concentração da qual muitas vezes ou fugi ou não fui capaz de manter. De maneira que minha poesia reunida possui cerca de cem poemas. Por isso, ocupei meu tempo estudando a história da África. Por isso, ocupei meu tempo estudando a história da África. Claro, o tempo da minha inteligência, para que eu me mantivesse ativo no plano da cultura, sem ficar à espera de que o poema descesse do céu.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Alberto da Costa também era um dos convidados vips da Flip de agosto de 2006, em Parati. Não havia como voltar, sem ao menos, um livro dele.


 

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