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Era no Tempo do Rei

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Era no Tempo do Rei

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Autor: Ruy Castro  

Editora: Alfaguara

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 243

Ano de edição: 2007

Peso: 435 g

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Bom
Marcio Mafra
24/04/2008 às 18:23
Brasília - DF

Era no tempo do rei, não é uma biografia histórica de Dom Pedro I. É mais um romance do jornalista Ruy Castro, portanto, quase nada do que se lê neste livro aconteceu. A história de desenrola no Rio de 1810, pouco depois da chegada da Família Real. Os personagens são nobres que existiram de verdade e diversos plebeus que nasceram da imaginação do autor. D. Pedro, o príncipe herdeiro do trono de Don João VI, e Leonardo, um moleque de rua, ambos com 12 anos reviram as ruas do Rio de Janeiro e curtem as maiores aventuras próprias da adolescência. O Ruy talvez tenha imaginado muito mais que a sua fertilidade criativa podia permitir, pois ascende muitas luzes sobre o Major Vidigal, o Chefe de Polícia, uma prostituta decadente, de nome Bárbara dos Prazeres, o padre Perereca e um lobista inglês, também decadente, Jeremy Blood. Algum erotismo e muita sátira permeiam o romance inteiro, numa tentativa romântica de tornar a história do país como algo encantador, nobre e divertido.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de dois garotos, o príncipe D. Pedro e o plebeu Leonardo, um menino de rua, ambos com 12 anos. Eles perambulam pelo Rio de Janeiro, pouco tempo depois da chegada da família real, envolvendo-se nas mais empolgantes aventuras de moleques da época. As atividades deles - e as suas histórias - giram na órbita do Chefe de Polícia, o major Vidigal, a prostituta Bárbara dos Prazeres, a princesa Carlota Joaquina, o padre Perereca e o malandro inglês Jeremy Blood

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Ao passar pelas portas abertas das casas, de ferrolhos devorados pela maresia, Pedro podia ver, lá dentro, gente de cócoras ou em tamboretes comendo com as mãos, levando à boca dedos de feijão com farinha e depois os lambendo. Ao seu redor, agitava-se um comércio rastaqüera, que não se julgaria possível tão próximo do palácio, mas funcionava todos os dias do ano: amoladores de facas, vendedores de vassouras, açougues com galinhas vivas penduradas à porta..." ..."Pedro nunca se queixou, mas, mesmo sem saber, ressentiu-se do abandono por sua mãe. Não fossem os cuidados de dona Genoveva, a fidalga que fora sua babá em Queluz e o acompanharia pela vida afora, sempre o chamando de "meu menino", não se sabe o que seria dele. Era ela quem lhe atava o rabicho do cabelo, obrigava-o a arear os dentes ao acordar, ajudava-o a descalçar as botas e fazia-lhe cafuné quando ele caía de um cavalo e tinha de guardar repouso, sentado sobre um travesseiro de plumas para lhe amainar a dor. Seu outro tutor, frei Arrábida, era encarregado de ensinar-lhe tudo que sabia - gramática, retórica, latim, francês, inglês, geografia, história, matemática -, tarefa que, como já se disse, encontrava maciça resistência em Pedro. Quanto a outras disciplinas mais pessoais, envolvendo certas partes da anatomia, o santo frei Arrábida possuía pouca ou nenhuma autoridade para discutir - seu pênis era usado unicamente para a micção e a única vagina que ele vira em dias de sua vida fora a da senhora sua mãe e, mesmo assim, muito de passagem, ao nascer. Por sorte, Pedro tinha por espontânea companhia um homem ágil, moderno e cosmopolita: D. Marcos de Noronha, conde dos Arcos de Val-de-Vez, nobre da cepa toureira de Portugal, ex-governador do Pará e último vice-rei do Brasil. Arcos tinha pouco mais de 30 anos na chegada da Corte. Com o fim do vice-reinado, entregou o Rio a D. João e ficou à espera de nova função. Como esta não vinha, dedicou-se por conta própria a D. Pedro, a quem se encarregou de escolar sobre as coisas da vida..." ..."O estafeta voltou ao conde de Linhares com a informação de que Sir Sidney Smith o receberia em sua residência às seis da tarde daquela segunda-feira. Faltava pouco para a hora do ângelus, mas Linhares ainda teve tempo de, a caminho de São Bento, estacionar sua sege junto ao arco do Telles e bater à porta de Calvoso. Este, escabreado, e com razão, à perspectiva de qualquer visita, ouviu as palmas e deu um salto do sofá Império, a que faltava um braço, onde descansava da surra que tomara na véspera. Foi receber o visitante na escada e, ao ouvir o fidalgo se apresentar como o conde de Linhares, a mando do príncipe D. João, tranqüilizou-se. Mesmo assim, tinha a impressão de que, por qualquer motivo, também este homem iria vibrar-lhe cantantes bofetadas. E já esperou pelo pior assim que ele pronunciou suas primeiras palavras: "João Calvoso", começou Linhares, "não vos farei a injustiça de chamar de crápula. Essa qualificação é tímida para o vosso merecimento. Sois um pária abjeto, um canalha, que a Corte deveria extirpar de suas entranhas assim como um organismo sadio precisa expelir um verme que nele se hospeda. Sei muito bem que parte de vossas denúncias à Sua Alteza Real, hoje pela manhã, é verdadeira. Mas sei também que a maneira pela qual atraiu o príncipe D. Pedro a este antro, sob o pretexto de induzi-lo a praticar conúbio com uma velha insana, e finalmente tentar roubá-lo de suas posses, seria suficiente para vos levar à forca várias vezes...." ..."Tão encerrado estaria este ciclo para Leonardo que, dali a alguns anos, D. Pedro teria de descobrir outro comparsa para suas trampolinagens. E o príncipe o encontraria na figura de Francisco Gomes da Silva, sete anos mais velho e homem de considerável tarimba: filho bastardo de um visconde com uma criada, ex-faxineiro da Quinta da Boa Vista, ex-barbeiro da rua do Piolho, ex amante da notória Maricota Corneta na rua das Violas, ex-taberneiro do beco do Telles e tão devasso, libertino e licencioso que só poderia ser conhecido como... Chalaça. Mas tudo isso ainda estava no futuro. Naquele momento, Pedro e Leonardo eram apenas dois meninos numa noite de alegria, passeando pela rua Direita e chutando as pedrinhas da calçada, tão iguais no seu brio e destemor e, ao mesmo tempo, tão diferentes no que a vida lhes reservou. Talvez por isso a idéia tenha ocorrido a um deles: "Escuta, Leonardo", disse Pedro. "Que tal se trocássemos nossos trajes para o resto da noite? Seria uma pândega que fosses eu por algumas horas, e eu, tu. O que pensas?" Leonardo nem precisou pensar - aquele era o tipo de trote com que, sem saber, ele sempre sonhara. Trocaram-se num beco das proximidades, voltaram à rua e se perderam na loucura geral. Cantaram com os foliões, dançaram com os mascarados, roubaram beijos às raparigas e, pelas horas seguintes, um foi o outro, pelo menos em roupas e em pensamento. Ninguém tomou Leonardo por príncipe. Mas Pedro estava a caráter, como estaria pela vida afora, em seu papel de azougue, xucro e irresistível, grosso e fino, puro e depravado, que nem o Brasil.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Arlete Mendes, me presenteou no Natal de 2007 com alguns livros, entre eles o Era no Tempo do Rei.


 

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