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Um Doce Aroma de Morte

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Um Doce Aroma de Morte

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Guillermo Arriaga  

Editora: Gryphus

Assunto: Romance

Traduzido por: Joana Angélica d'Avila Melo

Páginas: 172

Ano de edição: 2007

Peso: 260 g

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Ótimo
Marcio Mafra
29/11/2007 às 19:07
Brasília - DF

Guillermo Arriaga devassa a alma, no seu Um Doce Aroma da Morte. Vacila a narrativa, quase sempre, entre a verdade e a mentira, entre o bem e o mal, entre o amor e o medo. A linguagem é ágil, a leitura prazerosa. Ele lava e enxágua a crueldade da dura realidade, na tanque da ternura. Desde o início do livro, quando Ramon encontra o corpo de sua vizinha Adela, nua e assassinada, a sua vaidade aflora e ele não consegue - e nem quer - desfazer o engano do Zé povão que diz que Adela era namorada dele. Na verdade ele já a amava "em segredo". O assassino teria que ser castigado e vingado por Ramon. Assim se lavava a honra em Loma Grande. O crime foi atribuído ao temido Cigano, um forasteiro mulherengo useiro e vezeiro em amar mulheres casadas.O livro é um romance no qual a paixão e a vaidade determinam as ações, onde a vingança se transforma em destino e a verdade mostra uma faceta ambígua e destruidora. Vale a leitura.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A historia de Adela, cujo corpo nu é encontrado no vilarejo de Loma Grande. Assassinada. Ramón, cobre-a com sua camisa. Imediatamente todos os circunstantes entenderam que Ramón era seu namorado e que deveria descobrir quem era o assassino e vingar a sua morte. Ramón não conhecia Adela, mas fica sem jeito para desmentir aquela versão.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Acordou e consultou seu relógio: sete e quinze. Na pousada, o jantar era servido rigorosamente às sete e meia. Vestiu-se às pressas. Margarita lhe adiantara o cardápio da noite: sopa de pitu, arroz à mexicana e língua ao molho de tomate, e ele não queria perdê-lo. Quando entrou no refeitório, quase todos os outros hóspedes já estavam sentados à mesa. O Cigano conhecia alguns: Carlos Gutiérrez, um engenheiro hidráulico encarregado de supervisionar os sistemas de irrigação da zona, Felipe Fierro, engenheiro civil, que dirigia as obras de recuperação da camada asfáltica da estrada entre El Abra e Los Aztecas, e Javier Belmont, um dentista que se aposentara para se dedicar ao negócio do algodão. Os outros comensais, um casal de anciãos e uma mulher rechonchuda e olheirenta, ele nunca havia visto. Terminado o jantar, à sobremesa ficaram apenas Margarita, a Simpatia, Felipe Fierro e o Cigano. Ansioso, este perguntou à Simpatia pelas novidades. A mulher apoiou os cotovelos na toalha e - às vezes corrigida pela filha, que lavava a louça na cozinha deu conta das notícias mais importantes: que em Nuevo Morelos tinham descoberto outra plantação de maconha, que os arrozais pertencentes ao sindicato dos petroleiros tinham sido vendidos a um deputado, que um assentado de Plan de Ayala ganhara dez milhões de pesos na promoção das tampinhas da Pepsi-Cola, que em González haviam assaltado uns turistas, que o governador respondera à carta recebida de um camponês do Assentamento Ninos Héroes e que as reses do Rancho de La Paloma estavam infestadas de bicheira. Ao ver que nada se mencionava quanto ao assunto do seu interesse, o Cigano perguntou: - E de Loma Grande, souberam alguma coisa? A Simpatia recapitulou uns segundos, fez uma espécie de bico e negou com a cabeça. - Que eu me lembre, não. Margarita saiu da cozinha enxugando um prato e se encostou à moldura da porta. - Em Loma Grande - disse, escandindo as palavras -, me parece que no domingo mataram uma moça. O Cigano sentiu que um buraco se abria em seus pulmões. Tentou controlar o nervosismo e, com voz pausada, inquiriu: - Como é que você sabe? - Dulcineo Sosa me contou hoje de manhã, quando eu fui comprar os pitus no mercado. - E lhe disseram o nome da morta? - perguntou o Cigano, com a esperança de que Margarita articulasse outro nome. - Sim, mas eu já esqueci. O Cigano engoliu em seco. - Gabriela? A moça ficou pensativa por alguns segundos e respondeu afirmativamente: - Isto mesmo, o nome que me disseram foi esse. Ao ver que o Cigano empalidecia, a Simpatia perguntou: - Era conhecida sua? O Cigano assentiu levemente. - De vista... era a mulher de um sujeito que me compra uns trecos - respondeu, enquanto uma gota de suor se desprendia de sua nuca e lhe escorria pelas costas...." ....."- Então, sua mãe é dessas que você chama de mulheres-corpo, porque, até onde eu sei, seu pai a comeu de passagem e depois jogou fora, com você no bucho... O Cigano empalideceu de fúria, enquanto os outros colegas riam dele. Quis bater naquele que o ofendera, mas este, em vez de enfrentá-lo, saiu correndo pelo pátio do colégio, gritando: "Venham ver o filho da mulher-corpo, venham ver. O Cigano, envergonhado, abandonou os estudos e não voltou mais. Também não retomou à baiúca e abominou para sempre o Vermelho. Alegrou-se quando, anos depois, soube que ele fora encontrado morto, com um pedaço de garrafa de tequila incrustado no estômago, cravado por uma puta de porto: uma mulher-corpo. Não voltou a se lembrar do Vermelho e suas teorias até essa tarde de terça-feira, quando, dirigindo pela estrada de Ciudad Mante, percebeu que, por mais que fizesse amor com Gabriela, não terminaria de fazê-lo nunca. Podia beijá-la dos pés à cabeça e não se saciar, lamber cada centímetro de sua pele e em cada um encontrar um sabor diferente. Aquela arenga do Vermelho não tinha sido uma mera fanfarronada de macho, mas a tosca reflexão de um homem que, evidentemente apaixonado, buscava a forma de distinguir de todas as outras a mulher amada.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Guilhermo Arriaga estava numa das mesas da Flip de 2007, em Parati. O mexicano, junto com o americano Dennis Lehane, autor de Sobre Meninos e Lobos, falaram sobre o tema literário "crime e castigo". Comprar o doce aroma da morte, foi um caminho natural.


 

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