carregando

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

 

Leda

Para usar as funcionalidades você precisa estar logado(a). Clique aqui para logar
Erro ao processar sua requisição, tente novamente em alguns minutos.
Leda

Livro Bom - 1 comentário

  • Leram
    1
  • Vão ler
    0
  • Abandonaram
    0
  • Recomendam
    1

Autor: Roberto Pompeu de Toledo  

Editora: Objetiva

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 182

Ano de edição: 2006

Peso: 265 g

Avalie e comente
  • lido
  • lendo
  • re-lendo
  • recomendar

 

Bom
Marcio Mafra
27/03/2010 às 11:30
Brasília - DF

Leda é o livro de estréia do jornalista Roberto Pompeu de Toledo na ficção. Como jornalista experimentado e muito afamado, Toledo escreve muito bem. Ele construiu uma história sobre ten­sões naturais da realidade e da fantasia, nas relações profissionais de um escritor e seu biógrafo. O escritor é Ber­nardo Dopolobo e o biógrafo Adolfo Lemoleme, profes­sor de literatura e grande conhecedor de toda a obra de Dopolopo. A tarefa de investigar a vida de Dopolopo leva o biógrafo a refazer as viagens do biografado. A medida que a história avança o biógrafo vai vivendo as sensações e as dúvidas, as inseguranças, os amores, as paixões e até as artimanhas pessoais do biografado, como se fora uma incorporação do espírito de Bernardo Dopolopo. Personagens acessórios vão adentrando pela história, como o instrutor e lider espiritual de Lemoleme que dizia: "Toda biogra­fia é uma fraude". O final da história é surpreendente, como só um jornalista consegue surpreender o seu leitor. Mas acaba por ser ficção demais. Parece a ficção da ficção. É uma leitura divertida e leve, mas que não faz o leitor varar a madrugada, nem amanhecer com o livro na mão. Leda é assim: livro bonitinho, mas a história é ordinária


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Bernardo Dopolobo, autor festejado pelos leitores e pela crítica, tem livros traduzidos em várias idiomas. Insistentemente assediado pelo professor de literatura - Adolfo Lemoleme - acaba por acertar com o professor a publicação de sua biografia. O caprichoso e competente Adolfo Lemoleme se dedica inteiramente a pesquisar a vida, os amores, as paixões e os segredos do biografado e empreende viagens e visitas aos lugares por onde passou Dopolopo.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Fora esses momentos em que Bernardo Dopolobo fazia Lemoleme falar de si próprio, a conversa entre os dois murchava. Algo se quebrara. Sorte para Lemoleme que, no que dizia respeito a seu trabalho, isso não lhe causava maior prejuízo. Ele já estava suficientemente abastecido para a conclusão da biografia. A elaboração do segundo volume consistia basicamente num trabalho de reflexão sobre o material já coletado e de redação, com apenas alguns poucos novos dados a levantar, relativos a estes últimos tempos da vida do autor de Sexo É para Desocupados - por exemplo, a aquisição, e a crescente importância, em sua rotina, do refúgio que era esta Casa dos Ouatro Ventos.

O certo, digamos, distanciamento de Bernardo Dopoolobo, Lemoleme atribuiu-o, num primeiro momento, à morte da mãe do romancista, poucas semanas depois da publicação da biografia. Ninguém soube de imediato do ocorrido. Ao enterro não compareceu nem mesmo Veridiana Bellini. Bernardo Dopolobo, tal qual fizera em vida, guardou a mãe, na morte, só para si. Abriu uma única exceção, e esta foi para o palhaço Beleléu, aquele que contratara para entreter a velha senhora, nos anos de sua dolorosa alienação.

Beleléu compareceu ao velório, na própria pequena casa da falecida, a caráter. Os pés tinha sapatões com bicos gordos e arrebitados, no corpo camisa de mangas estufadas e calças de cintura larga, mantidas no lugar por grossos suspensórios, e na cabeça chapéu de guizos. Foi sua maneira de homenageá-la. Ela assim o conhecera e o amara. O rosto, pintado de branco, era enfeitado por uma bolota vermelha na ponta do nariz e estrelas, também vermelhas, ao redor dos olhos. O calor era tão forte, porém, que a certa altura começou a derreter-lhe a maquiagem. Suas feições foram assumindo um aspecto lastimável. Assim como os cadáveres, durante o velório, vão mudando de cara, na medida em que se impõem os rigores da morte, combinados com o desmanche dos cuidados com que é costume melhorar-lhes o aspecto, assim também a cara do palhaço mudava. Naquele velório, eram dois a se desfazer, a morta e seu mais assíduo commpanheiro dos últimos tempos. Os tons vermelho e branco da maquiagem de Beleléu viravam uma pasta que ainda mais rapidamente se liquefaziam ao se misturar às lágrimas que intermitentemente jorravam-lhe dos olhos.

O palhaço chorava aos arrancos e com ruído, com a mesma desinibição das piruetas e tombos de seu repertório profissional. E, como a cada arranco correspondia um brusco solavanco da cabeça, soavam ao mesmo tempo os guizos que lhe pendiam do chapéu. Bernardo Dopolobo sentia-se incomodado e saía da sala. Mas logo voltava, e de novo deparava com o espetáculo cruel do duplo desfazimento, o do palhaço revelando um rosto mais velho do que seria de esperar, e o da morta. O escritor não queria, mas, atraído como por um ímã, não conseguia deixar de fixar o olhar naquele rosto que emergia por trás da máscara de tinta - um rosto corroído de pobreza, de derrota e de velhice. "Dona Belinha, tão boazinha", dizia o Beleléu, entre soluços. O lenço que tinha na mão não era suficiente para conter a mistura de tinta, suor e lágrimas que lhe escorria do rosto, e o líquido gotejava no tapete, formando manchas branco-avermelhadas. Às vezes ele se aproximava do cadáver e de longe, com os lábios estalando na ponta dos dedos, lhe mandava um beijo. Bernardo Dopolobo tinha diante de si um quadro aflitivo.


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Roberto Pompeu de Toledo, por ser estrela de muito brilho na imprensa, ao lançar um livro - a mídia fala dele, do livro, das publicações anteriores, das futuras publicações e publica entrevistas e mais entrevistas, que acabam por alavancar as vendas e o nome do autor, por isso comprei Leda.


 

Receber nossos informativos

Siga-nos:

Baixe nosso aplicativo

Livronautas
Copyright © 2011-2021
Todos os direitos reservados.