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O Encontro

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O Encontro

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Anne Enright  

Editora: Alfaguara

Assunto: Romance

Traduzido por: José Rubens Siqueira

Páginas: 243

Ano de edição: 2008

Peso: 435 g

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Bom
Marcio Mafra
01/09/2010 às 16:27
Brasília - DF

Anne Enright, no O Encontro, fez um texto que incomoda, desconforta e causa aflição ao leitor descuidado. Ela conta sobre a angústia e o sofrimento que marca toda a família Hegarty, que foi obrigada a se reunir para as cerimônias fúnebres de Liam, o irmão mais próximo de Verônica. Ela, que tem duas filhas, é o personagem narrador do drama que envolve sua avó, Ada, sua mãe, alguns de seus tios, e seus outros, pouco equilibrados irmãos. Nesse clima é que acontece o encontro. O romance, embora um retrato de esperança e dor é ao mesmo tempo irado e vibrante. Mas não é uma leitura fácil. Está mais para prêmio de literatura que para contar uma boa história.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história da família irlandesa Hegarty que é obrigada a se reunir, depois de muito tempo afastada, para o funeral de Liam, um de seus membros. Este é um encontro ?

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Então aqui estão todos, indo à corrida, finalmente. É segunda feira depois da Páscoa e todos os carros de Dublin estão indo à Feira em comboio, há coletivos alinhados pela rua O'Connell e trens partindo a cada vinte minutos da estação de Broadstone.
Os dias sem graça da Quaresma terminaram, a missão da Legião triunfou, os bordéis foram desbaratados pela polícia, aspergidos com água benta, comprados por Frank Duff e fechados. Uma grande procissão religiosa foi realizada e uma cruz levantada na rua Purdon por ele próprio, que subiu numa mesa de cozinha e bateu o prego com um martelo surpreendentemente grande. Vinte garotas foram decantadas no albergue Saneta Maria e desintoxicadas sob todos os aspectos. Todos tinham rezado dia e noite, noite e dia até se encherem, a cidade inteira estava por aqui com aquilo, tinham aceitado as cinzas, beijado a cruz e sentiam-se verdadeiramente, profundamente, espiritualmente limpos: o dia de Páscoa amanhece, damos graças ao Jota, e depois que todos comeram, riram e olharam as flores, vão para a cama e fazem amor (faz um tempão, quarenta dias) e dormem bastante, e aí, na manhã seguinte, saem todos para a corrida.
É a segunda-feira de Páscoa, uma época ainda branda. É o dia em que Cristo diz "Noli me tangere" para a mulher no horto. Não me toque. É cedo demais. Cedo demais para ser tocado.
Ah, Nolly May.
Se bem que talvez Ada faça alguma tentativa. Talvez ela esqueça, por um momento, que é Charlie que ela vai amar para todo o sempre e aproveite ao máximo com Nugent. Foi ele que a convidou, afinal; que ficou depois da missa, que mencionou a possibilidade do passeio. Claro que ela iria de qualquer jeito, portanto não é tanto um encontro amoroso que ele está sugerindo, mas uma carona.
- Você falou que gostaria de ir de carro - diz ele, os olhos baixos no caminho entre ambos.
Ela fixa os olhos no mesmo ponto e levanta as sobrancelhas para dizer:
- Posso levar uma amiga?
Então Nugent é o amante nisso tudo, Charlie é o transporte, Ada é o espectro lilith a garota adorável a mulher decaída a triste prostituta e pobre órfã a aposta certa, dependendo do ângulo de que se olha, e junto com ela está Ellen, que é companhia para Charlie e só uma empregada.
Nugent e Ada sentam-se no banco de trás do Morris e a luz do dia combina surpreendentemente bem com ela. Há sangue fresco em suas faces e o cabelo é grosso ao vento, e ele se sente idiotamente à vontade ao lado dela, sente-se como se pudesse apenas falar: o entendimento dela é tão direto. Um homem devia poder falar com uma mulher assim e sentir-se uma pessoa melhor, podia esquecer inteiramente os pensamentos noturnos e os embates de consciência, a ferida exposta de sua alma que se abre, em algum sonho ou divagação, em seu peito.
Foi-se embora, esse estranho fragmento, arrebatado pelo trajeto festivo no carro de capota aberta, um desfile junto com todos os outros carros de Dublin, agora que a Quaresma termiinou e é dia de corrida. A mão de Nugent é firme e a garota a seu lado é tão franca e poética como um animal, e ele então está seguro. Com Ada, está seguro.
E assim eles seguem: vão pela rua Navan, passam pelos prédios da Guinness onde Charlie levanta seu chapéu imagináário para dar um viva à cerveja adorável.
- Hu hu - diz ele. - Hu hu.
E estão se divertindo muito, cantando uma canção (qual é mesmo?), "The Harp that Once", "Silent O Moyle", grandes canções para espaços abertos. Charlie soltando a voz em seu bom barítono inglês, olhando para tudo, menos para a rua, de forma que o que Ada vê são suas escápulas, cobertas de gordura e apoiaadas no alto do banco à sua frente, o cachecol voando na direção dela que está sentada atrás, as pontas do bigode encerado, revelanndo por cima do ombro, de vez em quando, alegres pensamentos de virilidade e limpeza que, considerados por mais tempo, produzem uma sensação estimulante na parte interna das coxas.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Ane Enright era convidad da Flip 2009. Comprar seu livro era um caminho.


 

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