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Uma Breve História do Século XX

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Uma Breve História do Século XX

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Autor: Geoffrey Blainey  

Editora: Fundamento

Assunto: História

Traduzido por: Versão Editora Fundamento

Páginas: 309

Ano de edição: 2009

Peso: 485 g

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Bom
Marcio Mafra
12/12/2010 às 18:07
Brasília - DF

Blainey disse numa entrevista que o seu livro é “como ver a paisagem pela janela de um trem em movimento”. Todavia o leitor não pode esperar nenhuma revelação histórica que não seja do domínio público, mas por certo, ficará empolgado com a maneira elegante e agradável com que o autor desenvolve seu livro ao longo do século. Embora Geoffrey Blainey, em sua narrativa, mais pareça um parlamentar brasileiro: nunca é contra nem a favor, muito antes pelo contrário. Blainey não é contundente, não faz juízos de valor sobre os maiores nomes da história, como o americano Rooselvet, o inlgês Churchil, o alemão Hitler, ou o russo Stalin; nem classifica os movimentos políticos ou militares de acordo com seus propósitos, objetivos nem ideologias. Já os movimentos econômicos e tecnológicos são explicitamente classificados como bons e uteis para toda a humanidade. Os movimentos sociais, assim como a arte, a literatura e os movimentos culturais não recebem maiores referências. Mesmo assim a leitura é leve e boa.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história abreviada do século XX, passando pelas duas guerras mundiais, a “debaclé” de muitas monarquias, o despencar da bolsa americana em 1929 e o “tsunami” que isso provocou, a ascensão e queda dos regimes comunistas, o declínio dos grandes impérios da Europa e outras fascinantes histórias dos 100 anos mais importantes da humanidade.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A Italia mesclava o sofisticado ao primitivo. Em Roma havia corais encantadores, hábeis cirurgiões, teólogos dedicados e a nobre arquitetura de muitas épocas; em Milão estavam competentes engenheiros e artesãos e a aclamada casa de ópera. Mas no campo a maior parte do povo era pobre. Ás vésperas da Primeira Guerra Mundial, a família italiana típica era rural e seu padrão de vida se assemelhava mais ao norte da àfrica do que ao das famílias alemãs. Em 1910, nas cidades, a lei ainda permtia que crianças de 9 anos trabalhassem em fábricas.
Quando surge Mussolini.
Por muito tempo, a Itália era uma terra dividida, com muitas regiões e muitos dialetos. Era difícil uni-la sob um mesmo espírito. No Sul, o analfabetismo era generalizado. Em cada dez pessoas na Calábria, apenas três sabiam ler e escrever, embora no extremo Norte os leitores fossem mais numerosos. Como uma democracia relativamente nova, a Itália tinha poucos eleitores até 1912, quando o voto, em um ato de fé, foi concedido aos homens alfabetizados maiores de 21 anos, aos homens analfabetos com mais de 30 anos e aos soldados reformados. O país era o único entre os mais populosos da Europa que não possuía campos ricos em carvão nem siderúrgicas movimentadas que pudessem competir com as do Vale do Ruhr e as da Inglaterra.
Neutra nos primeiros meses da Primeira Guerra Mundial, a Itália era cortejada por ambos os lados. Juntou-se inesperadamente à Grã-Bretanha, à França e a seus aliados. Por mais de três anos, lutou bravamente contra os austríacos e os húngaros nos Alpes, mas sem nenhum sucesso militar retumbante. Ansiosa por se tornar uma grande potência, a Itália esperava - na verdade, ouvira promessas - recompensas do lado vencedor, mas ficou tão decepcionada com as negociações de paz em Paris em 1919 que, em certa ocasião, seus representantes chegaram a se retirar da reunião. Muitos italianos ficaram desiludidos ao perceberem que seus grandes sacrifícios humanos na guerra haviam sido tão parcamente recompensados.
Havia um forte tambor nacionalista esperando para ser tocado por um político em ascensão, alguém capaz ressoar nos ouvidos dos soldados reformados. Até mesmo os civis estavam ansiosos para ouvir o som desse percussionista, pois tinham sofrido durante a guerra com um período de escassez de pão, em parte porque os navios com farinha e grãos, vindos dos portos do Mar Negro, já não podiam chegar ao país. Em agosto de 1917, uma desordem por conta do pão na cidade industrial de Turim causou a morte de 50 pessoas.
Depois da guerra, o problema econômico foi ressaltado por uma inquietação política. Em 1920, o país estava à beira de uma revolução. No porto adriático de Ancona, um batalhão do exército amotinou-se. Greves desordenavam as ferrovias, as linhas de bonde nas cidades e as estações de energia elétrica. Os problemas foram agravados pela severa, embora curta, depressão pós-guerra que se abateu sobre quase todos os países da Europa. O tempo era propício para a ascensão de Mussolini.
Os Camisas-negras de Roma.
Benito Mussolini convenceu os italianos de que podia fazer algo para resolver os problemas da nação. E por algum tempo de fato conseguiu. Seu pai era ferreiro e também um revolucionário, assim, deu ao filho o nome de outra figura radical, Benito Juarez, o libertador do México. Sua mãe, Rosa, era a professora do povoado, uma católica devota que não queria revolução alguma. O jovem Benito, puxando um pouco ao pai e um pouco à mãe, queria ser professor e revolucionário. No início do século 20, após ser recusado como professor em diversas cidades, foi viver na Suíça.
Talentoso com as palavras, tanto as escritas quanto as pronunciadas do alto das tribunas, Mussolini voltou à Itália para ser editor de jornais radicais em Forli, sua cidade natal, cuja publicação se chamava Luta de Classes, e também trabalhou em Trento, perto da fronteira com a Áustria. Suas opiniões lhe renderam algum tempo na prisão. Por fim, foi convidado a ser editor do Avanti, o jornal oficial dos socialistas. Quando a Primeira Guerra Mundial eclodiu, ele desafiou a posição dos socialistas - que queriam a neutralidade - e defendeu que a Itália tomasse parte na guerra contra os povos germanófonos, os quais ele via como inimigos naturais, uma vez que ocupavam parte do nordeste da Itália. Após a entrada do país na guerra, serviu como soldado nas geladas montanhas do norte, próximas à fronteira austríaca. Em 1917, foi ferido pela explosão de uma granada. Seu período como soldado se mostrou válido na política - muitos veteranos de guerra acreditavam que, quando Mussolini falava em público, dirigia-se a eles.
Brigão e ambicioso, o líder fundou o Partido Fascista em Milão, em março de 1919, quatro meses depois do fim da guerra. Pequeno participante no violento palco da política e ativo principalmente no norte da Itália, o partido pedia ordem em um cenário caótico, ao mesmo tempo em que tomava parte do caos. Denunciava o alto nível de desemprego; desejava auxiliar os trabalhadores, mas não através de sindicatos trabalhistas; e prometia refrear o individualismo capitalista. Em lugar de corporações, sindicatos, universidades e um parlamento fortes, defendia o poder do Estado como uma instituição que impõe, julga e inspira. O fascismo acreditava mais na nação do que no internacionalismo.
Além de confiar no poder das palavras, Mussolini também acreditava na força bruta. De fato, as "fasces", que deram o nome ao partido, eram uma espécie de machado que simbolizava a autoridade na era romana. Ele estava ansioso, como vários outros líderes de grupos políticos rivais, para criar sua própria força armada, desejando que esta crescesse cada vez mais.
Na Itália, a compra de armas de fogo em lojas era legalizada, e em um curto período de 1921 - um ano de desordem civil -, um decreto do governo permitiu que aproximadamente 900 mil italianos comprassem armas de fogo. Os fascistas de Mussolini, vestindo suas camisas negras, feriam adversários, tomavam o controle de repartições públicas e dispersavam reuniões de grupos políticos rivais. Em algumas cidades, os camisas-negras enfrentavam socialistas armados; em outras, a polícia. Inicialmente urbano, o partido conseguiu novos membros na zona rural graças às suas afinidades com os esforçados trabalhadores do campo.
Por volta de outubro de 1922, o partido fascista tinha militantes em número suficiente para planejar um grande comício popular e uma atemorizante demonstração de força. Às estações de trem de Roma, em poucos dias, chegaram perto de 30 mil fascistas, número que logo se elevaria a 50 mil. Quase todos se distinguiam por vestir camisas negras feitas de tecidos variados. As armas desse exército eram rifles, pistolas, bastões, porretes e açoites.
Diante das hordas de camisas-negras reunidas em Roma, o rei Vítor Manuel III e o primeiro-ministro concordaram em declarar estado de emergência. O exército teria, então,autoridade para impor ordem nas ruas. Na manhã seguinte, o monarca mudou de idéia e se recusou a assinar a promulgação que declararia o estado de emergência. Embora o rei não fosse partidário de Mussolini, acreditava ter chegado a hora de um líder forte formar uma coalizão e liderar temporariamente a nação, então dispersa e dividida. Mussolini foi sua escolha pessoal. Foi uma decisão espantosa, uma vez que, em todo o parlamento, o partido fascista era bastante excedido em número pelos liberais, católicos, conservadores e mesmo pela quantidade de socialistas e comunistas somados. Além disso, o escolhido era republicano e poderia eventualmente derrubar a monarquia.
Mussolini estava em Milão quando recebeu o telegrama convocando-o a ir a Roma. Foi então ao encontro do baixo, tímido e enérgico rei, que o convidou a formar seu gabinete. Da equipe de 14 membros, faziam parte outros três fascistas e dois heróis de guerra - os comandantes das forças armadas. A sua mensagem para o público estava implícita: as forças armadas, e não mais as esfarrapadas camisas negras, encontravam-se novamente no comando. Seis semanas mais tarde, o parlamento concedeu a Mussolini e a seu gabinete, por ampla maioria (sendo os socialistas e os comunistas os dissidentes), o direito de governar por decreto, e não por ato do parlamento, durante o período de um ano. Em seus primeiros doze meses, Mussolini proporcionou ordem suficiente para agradar a maioria dos italianos.
Nas eleições nacionais de 1924, os fascistas aproveitaram todos os recursos do Estado para aumentar sua votação, enquanto seus adversários, desesperadamente divididos, não recorreram nem mesmo ao bom senso. Os fascistas obtiveram 403 das 599 vagas. Conseqüentemente, prescindiam de eleições, conforme a explicação de Mussolini, que dizia que o país não mais necessitava delas. As jovens e aparentemente fortes raízes da democracia foram arrancadas da nação. Mas a própria democracia, pode-se dizer, ajudou a destruir a si mesma.
Luzes e Sombras na Italia.
A Itália se tornou assunto na Europa. Uma multidão de visitantes julgava o que Mussolini havia alcançado em seus primeiros anos. Embora muitos se impressionassem, os democratas freqüentemente se aterrorizavam com o que viam ou ouviam: a proibição de partidos rivais e a deportação de dissidentes políticos para ilhas que serviam de prisão, sem o benefício de um julgamento. Os democratas lamentavam a proibição de greves, a interferência nas universidades e a censura dos meios de comunicação. Jornais, livros e até anúncios eram censurados. Para os de pensamento político herético, a privacidade do lar ou o confessionário eram quase os únicos lugares onde podiam se expressar com segurança. O governo de partido único caminhava de mãos dadas com um conjunto de idéias oficiais.
Os barulhentos tambores de Mussolini fascinaram e depois repeliram Arturo Toscanini, um dos grandes maestros do mundo e regente da casa de ópera La Scala. Após a guerra, como tantos italianos patriotas, Toscanini era simpático a Mussolini, tanto que, em Milão, no ano de 1919, foi candidato ao parlamento pelo partido fascista. Desiludindo-se aos poucos, o maestro protestou usando sua batuta e se recusando a conduzir a apresentação do hino fascista em um dos eventos musicais mais esperados do século 20, a estréia de Turandot. A vingança era inevitável. Em Bolonha, em 14 de março de 1931, ao entrar em um teatro em que regeria, ele e sua esposa foram atacados por fascistas. Três meses mais tarde, Toscanini deixou o país.
Muitos turistas não notavam as ameaças e intimidações que permeavam a vida pública e intelectual dos italianos. Outros argumentavam que era preferível que os fascistas, e não os comunistas, colocassem a Itália em uma camisa-de-força. Além disso, durante os primeiros anos do regime de Mussolini, o país havia se recobrado. As mudanças não ocorriam apenas lá - um reflorescimento nacional aconteceu na Finlândia e em vários outros países europeus -, mas era impressionante como a Itália havia praticamente emergido do caos. O crescimento econômico era seguro. O desemprego mostrava-se menos ameaçador, as greves tornaram-se raras e os funcionários públicos eram menos suscetíveis ao suborno. No Sul, a Máfia estava sob controle.
A Itália lançava mão de políticas que muitos dos antigos fascistas jamais haviam previsto. No congresso do partido em Florença, em 1919, alguns membros queriam confiscar as propriedades de certas ordens religiosas. Uma década mais tarde, sua posição havia mudado. Mussolini assinou um tratado que faria do Vaticano, o lar do papa, uma nação independente.
Uma qualidade robusta, raramente observada na vida italiana desde a Renascença, impressionava muitos observadores que se encontravam no centro ou à direita do espectro político. A Itália teve grande sucesso em eventos internacionais, especialmente em 1933 e 1934. O boxeador Primo Carnera venceu o título mundial de pesos pesados; a seleção de futebol conquistou a Copa do Mundo; os hidroaviões italianos - principal transporte em viagens de longa distância daquela época - eram motivo de inveja por parte de muitos países; e o cruzador oceânico Rex quebrou o recorde de travessia do Atlântico. Mussolini se regozijava com esses feitos nacionais.
Ainda que hoje em dia sua figura seja diminuída em comparação com a de Hitler, foi imensamente influente na década de 1920. Mesmo os alemães cultos que viajavam até a Itália para apreciar a boa música ou as pinturas clássicas às vezes se surpreendiam em observar como muito daquele país alegremente caótico estava se refazendo. Se tanto podia ser alcançado na Itália com tamanhas desvantagens econômicas, o que poderia ser obtido na Alemanha com todas as vantagens disponíveis? De algum modo, o sucesso de Mussolini abriu o caminho para Hitler.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

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