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Vaudeville

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Vaudeville

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Ricardo Amaral  

Editora: Texto

Assunto: Memórias

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 508

Ano de edição: 2010

Peso: 735 g

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Bom
Marcio Mafra
27/04/2011 às 19:02
Brasília - DF

Vaudeville é uma viagem completa – de primeira classe - pelos bastidores do mundo social, empresarial, político e artístico das últimas seis décadas no Brasil e nas praças de N.York e Paris. Foi assim que o autor explicou o seu livro. Livro de memória de jornalista, colunista social, promotor de festas e eventos, dono de bares, restaurantes, casas de shows e boates tem muitas verdades, bastante fantasia e muito glamour. Empresário de sucesso Ricardo Amaral é cortejado pelo mundo dos negócios, da política e da sociedade. O livro é farto, bem escrito e bem estruturado. Mas como todo livro de memória, o autor só descreve as coisas boas, coisas que terminam bem. Da parte sórdida não se tem notícia. Tem algumas passagens bem divertidas, outras curiosas. A leitura é leve. O que sobra de inteligência, simpatia, sucesso, postura inamolgável e finura do autor, falta-lhe em talento para escrever livros.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Memórias da boa vida – fabulosas mulheres, bebidas de alto nível, excelentes restaurantes, música, artistas famosos, glamour para dar e receber, viagens de primeira classe, teatros, espetáculos inesquecíveis, hotéis nobres, eventos vips, alta sociedade, roupas e jóias da moda, politicagem atrevida, negócios brilhantes - de Ricardo Amaral, Rei da Noite que fez as noites do Rio, São Paulo, Paris e Nova York entre os anos de 1950 e 2010.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Personagem Insólito. Lenda da anarquia social.

A coluna focava o glamour, o modismo, os segredos de bastidores e, de certa forma, instigava personagens insólitos. Esta historinha que começa nos primórdios do Amaral colunista avança tempo adentro.

Oswaldo Lara Vidigal, de tradicional família paulista, era conhecido como Oswaldinho Vidigal. Seu nome virou uma lenda. Jamais ouvi falar de um anarquista social do seu quilate. Rico e pertencente a uma família tradicional, com muito prestígio.

Embora bem mais velho que eu, o que não queria dizer nada, porque minhas amizades e ligações eram com todas as idades, esse personagem aproximou-se mais de mim quando, numa viagem à Europa, namorou minha querida amiga Dorita Moraes Barros, bonita (impecável até hoje) e muito sensual. Ela foi uma das minhas debutantes, trabalhou comigo na TV Excelsior, casou-se mais tarde com o francês François Gaubin Daudet, em seguida com o cubano Carlos Verdeja e depois com o meu querido Zózimo Barrozo do Amaral.

As histórias do Oswaldinho alimentavam minha coluna. Eram inicialmente inconsequentes, irreverentes, deliciosas! Mais tarde foram ficando perigosas. Minha impressão é que eu alimentava seu ego, mas ao mesmo tempo criava um "inimigo", talvez pelo tom que imprimia às minhas narrativas, provavelmente um tanto sarcásticas.

Acho que essa "pinimba" começou no seu casamento com Vera Delamain, pessoa elegante e impecável, ex-mulher do Dirceu Fontoura e mãe da Veroca (também minha debutante), que serviu em bandejas de prata, ao lado de champanhe e uísque, lança-perfume Rhodo Metálica com elegantes lenços de linho. É claro que registrei devidamente isso. E não era para registrar?

Mais tarde, ele, que adorava gente jovem e bonita, compareceu a uma festa no Harmonia, intituulada Carnaval da Primavera, vestido de romano. Organizou um grupo com mais três ou quatro amigos e conseguiu ser o centro das atenções, chocando a todos. Embaixo da saia da ingênua fantasia simplesmente estavam sem nada! E faziam questão de exibir na base de um, dois, três e ... saia pra cima! Isso custou sua expulsão do mais tradicional clube da cidade.

O repique veio rápido, em três ações. Belo domingo de sol, e os frequentadores do clube foram surpreendidos com um helicóptero que arremessava centenas de uma espécie de hóstia, mais tarde identificada como Alka-Seltzer. A piscina borbulhante ficou impossível de ser usada.

Dias depois soltou, através do muro da casa vizinha de Dudu Amaral, 2 mil ratinhos cobaia. Exterminá-los demorou meses!

Ainda no Harmonia, aproveitando-se do fato de que em clubes o comando é sempre dividido e meio amador, já que são pessoas que, na realidade, emprestam uma pequena parte de seu tempo para a administração, Oswaldinho enviou bem cedo, tipo 6h30 da manhã, uma equipe de jardineiros que durante todo o dia, executou um belo trabalho nos jardins do clube. O gerente indagou quem os tinha enviado, e eles prontamente mostraram uma ordem de serviço que mencionava um dos diretores do clube. Tudo perfeito, resultado primoroso. A bomba veio semanas depois: havia uma denúncia de enorme plantação de maconha urbana no mais sofisticado clube da cidade.

Todo dia 24 de janeiro, o Samambaia, um sofisticado clube que a família Campelo implantou numa península da praia da Enseada, no Guarujá, promovia uma tradicional festa black-tie. Ele aprontou tantas que sua presença fora proibida. Reação: trancou os portões com enormes correntes e cadeados. Comprou um caminhão de galinhas, colocou uma coleira em cada uma delas com o nome da dona da festa e jogou-as para dentro. Para complementar, uma "equipe" de contratados organizadamente se incumbiu de colocar nas maçanetas dos carros esterco, bem fresquinho ...

"Para onde vai esse uísque e esse champagne? Onde está a nota fiscal?", Oswaldinho indagou aos garçons que subiam para o andar da diretoria do Jockey Club de São Paulo. Acompanhou os funcionários até lá e questionou os diretores num tom de troca de insultos que acabou provocando sua expulsão. Mas isso não ficou barato. Aprontou poucas e boas, culminando com o aluguel de dois enormes caminhões que fecharam o acesso da Ponte Cidade Jardim e da Rebouças, causando enorme transtorno para o acesso ao Grande Prêmio São Paulo.

Inusitado? Põe inusitado nisso. Mas ninguém publicava nada. E o tom que eu dava na coluna foi crescendo, e o troco era sempre desagradável. Eu ficava possesso, confesso. Na primeira vez, numa grande festa em casa de Cecília Matarazzo e Zuca Leme da Fonseca; depois, no bar Baiuca, ainda outra vez no Stardust. Ele simplesmente, num movimento rápido e brusco, me tirava os óculos e desaparecia. Eu, com meus cinco graus de astigmatismo, sofria.

Quando mais tarde, em 1969, já fora do jornalismo, abri com o José Hugo Celidônio o Flag em São Paulo, as coisas foram piorando entre nós.

Naquela época era uma praga na noite a assinatura de notas. Não existiam cartões de crédito, e nada mais elegante e prático para os personagens de prestígio do que assinar suas contas. Os mais conhecidos e "folgados" nem mesmo assinavam, confiavam no maitre, que de 15 em 15 dias enviava geralmente um garçom para receber. As notas assinadas do Oswaldinho começaram a acumular e incomodar. O garçom-cobrador ia sistematicamente a sua casa, mas sem sucessso. Insistente, um belo dia disse que, caso ele não pagasse, seu crédito seria cortado. O Flag, elegante, inovador, era o lugar de São Paulo. Ele resolveu pagar, mas com uma condição: "Quero saber quais os percentuais dos sócios do Flag. Caso você não saiba, indague e volte aqui!". O cobrador indagou e voltou informando que a sociedade era 20% do seu Mário (sogro do Zé Hugo), 40% do Zé Hugo e 40% minha. "Perfeito, vou pagar 60% de tudo o que devo. A parte do Ricardinho eu não pago, porque tenho uma pinimba com ele." Durma com essa!

Em 1974, quando comprei a participação do seu Mário Costa e do Zé Hugo, transformei o espaço em Hippopotamus. Aí o caldo foi engrossando. Um belo dia Oswaldinho surgiu com dois seguranças e simplesmente levaram o quadro de chaves de todos os carros ali estacionados. Já imaginou o PIB paulista saindo de madrugada e tendo de deixar seu carro e ir de táxi para casa? A partir daí, barrado!

A porta de serviço do Hippo era pela parte de trás, na Rua Amauri. Quando os garçons e os porteiros preparavam-se para abrir a porta da Avenida Nove de Julho, perceberam que havia algo impedindo. Oswaldinho tinha comprado uma caçamba de esterco e despejado à nossa porta. Imaginem a cena e o trabalho: todos os funcionários removendo aquela malcheirosa montanha! ...

Barrado no dia e na noite, começou a fazer interferências no cotidiano da cidade. Um caminhão cheio de areia, guarda-sóis e jovens prostitutas com trajes mínimos causavam frisson, risos e aplausos nos fins de semana na Rua Augusta, defronte aos bares Pandoro e Bolinha, sempre onde tivesse maior movimentação.

"Acabaram de soltar uma bomba na porta do Hippo. A porta foi pelos ares, derrubou o muro, mas graças a Deus não tinha ainda ninguém nas proximidades", disse ao telefone nosso gerente. O caso foi colocado nas mãos da polícia. Em plena ditadura brava. Parecia ser um atentado terrorista. O delegado Fleury, que era da pesada, entrou em ação. Dias depois tinha localizado o autor: Oswaldinho Vidigal! Passou uma boa temporada na prisão, creio eu no Dops. Morreu logo depois.

Confesso sinceramente que senti sua prisão, depois sua morte. Sem grande análise mais profunda, acredito ser natural o autor se apegar aos seus personagens.


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Fred Monteiro Filho me presenteou este livro em fevereiro de 2011 com o seguinte recado:”De um futuro e ex-bonvivant, para um atual bonvivant, a história do que soube, melhor que a maioria, como sê-lo e ainda ganhar dinheiro com isso. Feliz Natal atrasado. 2/3/2011 Fred”.


 

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