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O Tigre Branco

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O Tigre Branco

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Autor: Aravind Adiga  

Editora: Nova Fronteira

Assunto: Romance

Traduzido por: Maria Helena Rouanet

Páginas: 263

Ano de edição: 2008

Peso: 375 g

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Ótimo
Marcio Mafra
08/05/2010 às 19:03
Brasília - DF

Habitualmente autor que ganha “Man Booker Prize” é porque é bom. Não foi diferente com Aravind Adiga e o seu “O Tigre Branco”. Ele narra a história de Balran Halwai, um indiano nascido na Índia Escura, que se contrapõe à Índia da Luz. Sensacional é saber que este é o livro de estréia do autor. Pelo trotar da carruagem se sabe quem vem dentro. Então pode-se dizer, sem medo de errar, que Aravind é escritor. Embora o desenrolar da história possa parecer “simplório”, o leitor percebe que a carta dirigida ao Primeiro-Ministro da China, Wen Jiabao é recheada de humor, sarcasmo, sutileza, ironia, verdade, agressão, amor, fidelidade e falsidade. É também uma pintura realista das injustiças sociais descaradamente praticadas pela elite política da Índia, como de resto, acontece em outros países situados abaixo da linha do equador. Vale a leitura


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Balran Halwai, indiano extremamente pobre, ingênuo, debochado e divertido, que consegue subir na vida.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Ora, preciso lhe falar um pouco sobre a revista Assassinato Semanal, já que o nosso primeiro-ministro decerto não lhe dirá nada a esse respeito. Ela é vendida em todas as bancas de jornal da cidade, junto com aqueles romances baratos, e é uma leitura muito popular entre os empregados domésticos da capital, sejam cozinheiros, babás ou jardineiros. Com os motoristas não é diferente. Toda semana, quando essa revista chega às bancas, trazendo na capa a figura de uma mulher tremendo de medo diante do seu futuro assassino, algum motorista logo se encarrega de comprá-la e, depois, vai emprestando a todos os outros.

Mas não se assuste com essas informações, sr. primeiro-ministro; não precisa ficar com essas gotinhas de suor na sua testa amarela. O simples fato de os motoristas e os cozinheiros de Déli lerem a Assassinato Semanal não significa que todos estejam prestes a cortar o pescoço de seus patrões. É claro que adorariam fazer isso. É claro que um bilhão de empregados alimentam, secretamente, a fantasia de estrangular o patrão - e é por isso que o goverrno da Índia publica essa revista e a vende pelas ruas pelo preço módico de quatro rupias e meia, para que até os pobres possam comprá-la. Veja bem: nessa revista, o assassino é tão perturbado mentalmente e tão pervertido sexualmente que nenhum leitor ia querer ser como ele, e, ainda por cima, no final, ele é sempre capturado por algum policial honesto e trabalhador (ha!), ou então fica louco e se enforca com um lençol, depois de escrever uma carta sentimental para a mãe ou a primeira professora. Há ainda a possibilidade de o sujeito ser perseguido, espancado, violentado e amarrado pelo irmão da mulher que ele matou. Portanto, se encontrar o seu motorista entretido na leitura da Assassinato Semanal, relaxe. O senhor não corre perigo algum. Muito pelo contrário.

Quando o seu motorista começar a ler sobre Gandhi e Buda, aí, sim, Mr.
Jiabao, é hora de se mijar nas calças.

Depois de me mostrar a revista, Boca de Vitiligo voltou a fechá-la e a jogou no círculo formado pelos outros motoristas sentados. Os sujeitos se atiraram em cima da revista, parecendo até um bando de cachorros quando vê um osso. Ele bocejou e voltou a se dirigir a mim.
- O que é que o seu patrão faz na vida, Rato do Campo?
- Sei lá.
- Está sendo leal ou idiota, Rato do Campo? De onde ele é?
- De Dhanbad.
- Ah, então é carvão. Vai ver que está aqui para subornar algum ministro.
O carvão é um negocinho bem sujo - disse ele, bocejando novamente. -Já trabalhei para um sujeito que vendia carvão. Nada bom, nada bom ... Mas o meu patrão atual trabalha com aço, e faz os caras do carvão parecerem uns santos. Onde é que ele mora?
Eu lhe disse o nome de nosso prédio.
- O meu também mora lá! Somos vizinhos!
E veio se chegando. Sem me afastar, o que teria sido uma grosseria, dei um jeito de ficar o mais longe possível daquela boca.
- Rato do Campo, será que o seu patrão ... - Olhou à sua volta e baixou a voz, falando quase num sussurro: - ... está precisando de alguma coisa?
- Precisando como?
- Seu patrão gosta de vinho estrangeiro? Um amigo meu é motorista de
uma embaixada. E tem uns contatos por lá. Conhece o golpe do vinho estrangeiro de uma embaixada estrangeira?
Fiz que não com a cabeça.
- É o seguinte: vinho estrangeiro custa muito caro em Déli, Rato do Campo, porque é taxado. Mas as embaixadas conseguem tudo isso de graça. Supostamente, bebem o seu próprio vinho, mas, na verdade, eles o vendem no mercado negro. Posso conseguir outras coisinhas também. Será que ele não está querendo bolas de golfe? Conheço gente no connsulado americano que pode me vender. Será que ele não está querendo mulheres? Também posso conseguir. Se o negócio dele for rapazes, não tem problema.
- O meu patrão não é disso. Ele é um homem bom. Os lábios doentes se entreabriram num sorriso.
-Todos são - disse ele. E começou a assobiar uma música de um daqueeles filmes híndi. Um motorista tinha começado a ler em voz alta a história da tal revista, e todos os outros se calaram. Fiquei um tempinho olhando para o shopping.
- Quero lhe fazer uma pergunta - disse, então, voltando-me para o suujeito com aquela boca cor-de-rosa horrível.
-Tudo bem. Pode perguntar. Sabe que eu faria qualquer coisa por você, Rato do Campo.
- Esse prédio que chamam de shopping, e que tem esses cartazes de mulheres pendurados, tem lojas, não é?
- Isso mesmo.
- E aquele ali - prossegui, apontando para um reluzente edifício envi-
draçado que ficava do lado esquerdo - também é um shopping? Não estou vendo nenhum cartaz de mulher pendurado na fachada.
- Não, Rato do Campo, aquele não é um shopping. É um prédio de escritórios. Daqui, eles fazem ligações para os Estados Unidos.
- Que tipo de ligações?
- Sei lá. A filha do meu patrão trabalha num desses prédios. Eu a deixo
na porta às oito horas e ela volta às duas da manhã. Sei que ganha um diinheirão naquele prédio, porque gasta tudo diariamente no shopping - disse ele, aproximando-se tanto que os seus lábios rosados ficaram apenas a poucos centímetros dos meus. - Cá entre nós, acho isso bem estranho, essas garotas entrando nesses edifícios tarde da noite e saindo pela manhã com tanto dinheiro no bolso ...
E piscou para mim.
- O que mais, Rato do Campo? Você é um sujeitinho curioso. Apontei para uma das garotas que vinha saindo do shopping. - O que é que tem, Rato do Campo? Gosta dela?
Fiquei todo vermelho.
- As mulheres da cidade - disse eu -, como essa aí, não têm pêlos nos sovacos e nas pernas como as das nossas aldeias?
Meia hora mais tarde, Mukesh Sir, Mr. Ashok e Pinky Madam saíram do shopping com sacolas nas mãos; corri para pegá-las e pus tudo no carro. Depois, fechei a mala, sentei no banco do motorista do Honda City e os levei de volta à sua nova casa, no décimo terceiro andar de um gigantesco edifício residencial. O nome do prédio era Buckingham Towers Bloco B. Ficava ao lado de outro edifício imenso, construído pela mesma firma, e que se chamava Buckingham Towers Bloco A. Perto deles, havia o Windsor Manor Bloco A. E os prédios como esses, todos novinhos em folha, e com nomes elegantíssimos em inglês, se estendiam até onde a vista podia alcançar. O Buckingham Towers Bloco B era um dos melhores; tinha um lindo hall bem grande e um elevador que toodos nós pegamos para ir até o décimo terceiro andar.
Pessoalmente, não gostava muito do tal apartamento. Ele inteiro era do tamanho da cozinha lá em Dhanbad. Havia uns lindos sofás brancos e macios, e, na parede acima deles, uma foto imensa e emoldurada de Fofinho e Floquinho. O Cegonha não deixou que os dois viessem conosco para a cidade.
Eu não podia nem ver aquelas criaturas, mesmo que fosse só numa foto, e, sempre que estava ali na sala, mantinha os olhos pregados no tapete, gesto que tinha a vantagem adicional de me dar um ar de criado pucca, dos mais finos. - Pode deixar as sacolas em qualquer lugar, Balram.
- Não. Ponha tudo perto da mesa. Exatamente aqui - disse o Mangusto.
Depois de deixar as sacolas no chão, fui para a cozinha ver se havia algo para lavar. Na verdade, tinha um empregado só para cuidar do apartamento, mas ele era um sujeito relaxado e, como já disse, os meus patrões não tinham exatamente um "motorista", mas sim um empregado que, às vezes, dirigia o carro. Ninguém precisava me dizer que eu tinha de cuidar do apartamento. Se houvesse algo para limpar, fazia isso e, então, voltava para a sala e ficava esperando ali, perto da porta, com as mãos cruzadas, até que Mukesh Sir me dissesse: "Já pode ir. Esteja pronto às oito. Nada de farras só porque está na cidade grande, entendeu bem?"
Eu pegava então o elevador, saía do prédio e descia as escadas que levavam às dependências dos empregados, no porão.
Não sei como os prédios são projetados aí no seu país, mas na Índia, todo edifício residencial, toda casa, todo hotel tem essas dependências de empregados que, às vezes, ficam nos fundos e, outras vezes (como era o caso do Buckingham Towers Bloco B), no subsolo. Era uma fileira de quartos interligados entre si, onde motoristas, cozinheiros, faxineiros, copeiros e porteiros podiam descansar, dormir e esperar. Quando os patrões precisavam de nós, tocavam uma campaiinha e corríamos até o painel onde aparecia uma luz vermelha ao lado do número do apartamento que estava chamando. E, assim, ficávamos sabendo que empregado tinha de ir lá para cima.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Nos locais de trabalho, todos os finais de ano, são inevitáveis as listas de “amigo oculto”. No final de 2010 resolvi publicar os “livros que gostaria de ler”. O Tigre Branco era um dos listados. Roberta Saraiva o escolheu e me presenteou, na festa de confraternização de Natal do Sindivarejista, em 17 de dezembro.


 

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