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Terra e Cinzas

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Terra e Cinzas

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Atiq Rahimi  

Editora: Estação Liberdade

Assunto: Romance

Traduzido por: Flávia Nascimento

Páginas: 78

Ano de edição: 2002

Peso: 125 g

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Bom
Marcio Mafra
26/11/2011 às 00:43
Brasília - DF

Livro fininho, história densa e breve, assim é “Terra e Cinzas”. O autor é muito bom para recriar o ambiente seco, lúgubre, triste, quente e poeirento do deserto afegão. Só mesmo quem nasceu lá e – nos anos 80 - fugiu a pé até o Paquistão, numa fuga miserável, que durou oito dias, durante o inverno. Ariq recria todo o ambiente e consegue colocar os personagens de seu livro em meio à miséria que os assola pela morte de todos os seus familiares. O pai de Murad quer poupar a seu neto Yassin, filho de Murad, do desespero que certamente advirá ao tomar conhecimento que todo o restante de sua família morreu durante o bombardeio russo. A narrativa segue num ritmo denso, forte, cru, porém, humano e dócil como só acontece numa relação entre um avô e seu netinho. Resta a sabedoria e a piedade dos sobreviventes de uma guerra nefasta, como são todas as lutas de cunho político e econômico.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de um afegão, que teve sua casa e seus familiares bombardeados durante a invasão Russa de 1979/1980. Sobreviveram ele e o neto, Yassin, filho de Murad. Eles fazem uma viagem miserável para encontrar Murad, que escapara da morte porque estava trabalhando numa mina, distante do vilarejo onde moravam.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Você leva a mão à testa, fecha os olhos e prossegue:
- Meu filho, o único que me resta, certamente ficará louco ... É melhor eu não dizer nada.

- Ele é um homem! Você precisa contar. Ele tem que aceitar. Mais cedo ou mais tarde ficará sabendo. É melhor que seja por você. Você deve ficar perto dele, compartilhar com ele esta dor. Não o deixe sozinho! É preciso fazê-lo compreender que a vida é assim, que ele não está sozinho no mundo, que ele tem você e o filho dele. Vocês devem se apoiar mutuamente... Essas desgraças acontecem a todos, a guerra não tem coração...

Mirza Kadir aproxima a cabeça da porta e diz, abaixando a voz:

- ... a lei da guerra é a lei do sacrifício. Em tempos de sacrifício, ou o sangue jorra de tua garganta, ou então ele mancha tuas mãos.

Invadido por um sentimento de impotência, você pergunta maquinalmente:

- Por quê?

Mirza Kadir joga o cigarro para longe. Ele prossegue em voz baixa:

- Meu irmão, a guerra e o sacrifício obedecem à mesma lógica. Não tem explicação. O que importa não é a causa, nem o resultado, mas o ato propriamente dito.

Ele se cala e procura em teus olhos o efeito dessas palavras. Você balança a cabeça. Como se as tivesse entendido. Em teu íntimo, você se pergunta que lógica seria esta. Tudo isso é muito bonito, mas não é um remédio para teu pesar nem para o do teu filho. Murad não é do tipo que filosofa ou que fica refletindo sobre a lógica e as leis da guerra. Para ele, o sangue clama por sangue. Ele há de se vingar, nem que para isso tenha que pagar com a própria vida. Essa é -a única saída! E além disso, ele não se importa em sujar suas mãos de sangue.


  • Antagonismo de Atiq Rahimi e Bernardo Cabral na Flip 2009

    Autor: Miguel Conde

    Veículo: Blog O Globo

    Fonte: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2009/07/03/flip-2009-antagonismo-de-atiq-rahimi-bernardo-c

    Enviado por Miguel Conde, de Paraty -
    3.7.2009 

    14h48m
    Flip 2009: o antagonismo de Atiq Rahimi e Bernardo Carvalho

    "A Beatriz Resende observou que eu sou como o Brizola: quando me fazem uma pergunta, eu respondo pontificando sobre outra coisa".

    Fiel à definição dada pela crítica que mediava seu debate nesta sexta-feira com o afegão Atiq Rahimi, o brasileiro Bernardo Carvalho (o afegão e Carvalho na foto de André Teixeira) girou em torno das próprias obsessões durante a conversa. Numa festa onde o ambiente conspira para uma celebração meio pasteurizada da "força da literatura", essa intransigência trouxe uma dose bem vinda de conflito. Apresentados ambos como cultores de uma literatura do "avesso do realismo", Rahimi e Carvalho expuseram noções quase antagônicas sobre seu ofício, e ambos de modo tão convincente que o espectador ficava sempre tentado a concordar com quem tinha acabado de falar. O que não é problema nenhum para a plateia da Flip, sabidamente pródiga nos aplausos.

    O centro da discussão entre os dois foi a oposição entre uma ideia da literatura como espaço de aproximação entre os homens, defendida por Rahimi, a uma noção do literário como espaço de experiência do diferente, do estranho, defendida por Carvalho. O mote foi dado pela mediadora, que, notando a importância das viagens na obra de ambos (Rahimi nasceu no Afeganistão mas escreve em francês), perguntou se ainda fazia sentido hoje pensar em literaturas nacionais. Segue um resumo da discussão:

    RAHIMI: Eu me pergunto o que significa uma literatura nacional. No Afeganistão não conseguimos ainda nem criar uma nação, que dizer então de uma literatura nacional. Fui muito influenciado pela literatura europeia, persa e árabe. O primeiro romance que li foi "Les Misérables", de Victor Hugo. Fiquei fascinado com a poesia daquela escrita, o ritmo das palavras. O escritor está condenado a quebrar fronteiras.

    CARVALHO: Eu discordo. Não acho que exista essa universalidade da literatura. Existem modelos de literatura, e uma guerra entre eles. Não há uma passagem tranquila e imediata de um para o outro. Ao contrário, há uma tentativa de imposição de um sobre o outro. Quando você vê, por exemplo, a imprensa inglesa dizendo que a literatura francesa acabou. Talvez tenha acabado, não sei, mas isso é dito por que a literatura francesa hoje não se enquadra no modelo dominante da literatura inglesa, que é o realista.

    RAHIMI: Quando falo em quebrar fronteiras, não penso num universalismo que fala de tudo. Não. Mas, assim como aos 14 anos li "Les Misérables", há pouco tempo li seu livro, "O sol se põe em São Paulo". E gostei do seu livro, mesmo sem te conhecer, ou sem saber como é a vida em São Paulo. O que é essa coisa que me transporta para um outro lugar? Não falo de uma universalidade, mas de algo humano que todos temos em comum. Todos temos dificuldades em lidar com a morte, com a guerra, com os conflitos familiares. O escritor, falando daquilo que é verdadeiro para uma única pessoa, pode dizer algo que será verdadeiro também para outra.

    CARVALHO: Mas tem certas literaturas que as pessoas não querem ler. Há produções culturais que são resistentes, que não são fáceis. Não basta eu ser um camponês na Mongólia e falar da minha vida passeando pelo campo e tirando leite das cabrinhas. Nesse discurso da beleza as pessoas talvez encontrem algo com que elas se identificam. Mas a literatura que me interessa é a da resistência, não a desse humanismo. Quando escrevi meu romance, "Mongólia", e ele foi traduzido para o francês, eu mandei o livro para os mongóis que tinham me ajudado lá, e que sabiam ler francês. Eles cortaram relações comigo, porque esperavam que eu escrevesse uma exaltação da vida nômade na Mongólia, e o livro era uma narração desesperada de uma pessoa diante do diferente, daquilo que ela não entende.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Atiq Rahimi era convidado da primeira mesa da Flip de 2009. Brilhou como uma verdadeira celebridade. Não havia como não comprar o “Terra e Cinzas”.


 

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