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Diogo Antônio Feijó

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Diogo Antônio Feijó

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Autor: Jorge Caldeira  

Editora: Editora 34

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 357

Ano de edição: 1999

Peso: 555 g

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Bom
Marcio Mafra
17/12/2011 às 21:59
Brasília - DF

Para entender o Brasil como nação – por óbvio - há que se conhecer sua história. Com a leitura de “Diogo Antônio Feijó” se entenderá bem a raiz de um país que era uma simples colônia, assim como era todo o “novo mundo”, invadido por espanhóis e portugueses.

A colônia de Portugal foi estabelecida pela invasão comandada por Cabral, por volta do ano 1.500. Durante 300 anos os donos da colônia extraíram dela tudo que era possível: inteligência, gente, madeira, açúcar, mandioca, milho e muito ouro. O reino português não investiu um real em educação, cultura, estrutura urbana, saúde, nem em nada.

Em torno de 1800, Napoleão pretendia invadir Portugal, fato que levou a realeza portuguesa a fugir de Lisboa e instalar-se aqui na pobre e velha colônia. Nessa época cresceu a importância da colônia que passou a ser denominada: Reino Unido de Brasil, Portugal e Algarves.

Anos mais tarde, em 1821, assim que morreu Napoleão, a família real dos fujões portugueses retornou a Lisboa. Aqui deixaram o príncipe, que depois fez a independência – sem nenhum grito às margens do Ipiranga - e virou Imperador, com o nome de Pedro I.

Anos depois, em 1830, ele resolve retornar também a Portugal onde tentou ser rei novamente, sob o nome de Pedro IV.

No Brasil sua Majestade deixou seu filho como herdeiro do trono e o fez Imperador, com apenas 5 anos de idade, adotando o nome de Pedro II.

Para cuidar da nação, em 7 de abril de 1835, foi eleito o regente do Império: Diogo Feijó.  O livro é muito rico em informações, curiosidades, fatos históricos, porém, não é gostoso de ler. Ao contrário. Não se pode entender porque Jorge Caldeira - um craque da história e da escrita - tenha se limitado, na maior parte do livro, a transcrever as cartas, pronunciamentos, discursos, libelos do regente Feijó. Pena.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história – quase biográfica - de Diogo Feijó, político, padre e regente do Império, quando em 1837 sua Alteza Imperial, o Imperador Dom Pedro II, tinha apenas 10 anos de idade.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Um padre secular (isto é, formado por sua conta e aprovado em exames civis) tinha lugar certo na estrutura administrativa, mas um lugar secundário na estrutura hierárquica da carreira. Não precisava fazer os votos de pobreza ou obediência, como os padres formados nas ordens religiosas. Mas, sem a proteção material e a formação espiritual garantidas pelas ordens, precisava ganhar a vida por sua conta. Para isso, mantinha os direitos civis de qualquer súdito do reino: podia ser proprietário, fazendeiro, comerciante, receber e deixar heranças, votar e ser votado nas câmaras municipais, ser vereador - e sem precisar de autorização de ninguém. Padre que era bem mais cidadão comum que os atuais. E foi como cidadão que sua vida mudou. Recebeu uma herança da avó, suficiente para fazer como os que progrediam em Campinas na época: comprar terras e uma dúzia de escravos, montar um pequeno engenho de cana. Cuidar de um negócio próprio era o caminho de milhares de padres como ele: havia padres mineradores, pequenos e grandes agricultores, comerciantes - proprietários de um ou centenas de escravos. O progresso na vida terrena era tranqüilamente admitido - e talvez até publicamente preferido ao progresso espiritual, a se julgar pelos itens censitários. Na segunda década do século, os recenseadores, que em geral marcavam o título mais alto, deixaram de lado seu título clerical para registrarem Feijó sucessivamente com os qualificativos de "lavrador", "agricultor" e finalmente "senhor de engenho", já em 1817.

Mas se os padres brasileiros se pareciam com os leigos brasileiros em muitas coisas, numa estavam obrigados - também pelo governo - a seguir o Vaticano: não podiam casar. Uma proibição que era geralmente ignorada em todo lugar, especialmente pelos que não eram membros de ordens religiosas, obrigados a seguir o voto de castidade desde cedo e treinados para isso. Ricos ou pobres, muitos seculares tinham mulher e filhos. Estavam em todas as paróquias e estratos sociais. José Bonifácio, de família rica, tinha um irmão padre - e comerciante - que deixou dois filhos. Entre os deputados, o líder liberal José Martiniano de Alencar era padre e tinha mais de uma dezena de filhos, entre eles o escritor José de Alencar. Os exemplos existiam aos milhares. A situação de todos era precária. A qualquer momento, o fato podia ser usado contra eles. Somente uma certa tolerância cínica os protegia. Quando esta falhava, havia rupturas que espalhavam manchas - às vezes até sobre inocentes. Mesmo na pequena Campinas, acontecia o inevitável: um padre, colega de Feijó, ligou-se a uma mulher casada e esta abandonou o marido. Sem conseguir a mulher de volta, o marido acabou processando não só o suposto amante, mas também o padre Feijó, por não se aproveitar de uma confissão para convencer a mulher a voltar para casa. Foi o suficiente para, mesmo inocentado depois, ver arruinado o nome duramente construído na cidade: a acusação de ser alcoviteiro (incentivador de sexo pecaminoso) era suficiente para isso. Antes do processo, Feijó tinha chegado a ser reconhecido como "senhor de engenho", com as conseqüências do prestígio local: era muitas vezes o orador principal das grandes cerimônias públicas da vila, como as missas para comemorar aclamações de soberanos ou nascimento de princesas. A partir do processo, acusado e acossado, a carreira foi destruída.

Mas Feijó encontrou uma das raríssimas oportunidades existentes no Brasil para um padre secular resolver problemas desse tipo com elevação espiritual. Ligou-se a uma espécie de espelho de santidade em que se mirar: frei Jesuíno do Monte Carmelo. Era, como ele, um tipo marcado pela sina brasileira: sobrinho-bisneto de gente importante - Alexandre de Gusmão, secretário do rei d. João V (que reinou entre 1705 e 1750). Mas também mulato, o que lhe vedava o acesso a quase tudo, inclusive às ordens religiosas. Pintor sacro de renome, quis entrar para a Ordem dos Carmelitas, para a qual decorava a igreja de Itu. Mas foi impedido pela origem - como o eram brasileiros de sua cor. São raríssimos os brasileiros de nascença admitidos nas ordens religiosas - e quase nulo o número de mulatos, mamelucos ou filhos de pais desconhecidos que se tornaram jesuítas, beneditinos ou carmelitas. Pertencer a uma ordem era um privilégio: elas tinham rendas próprias, garantidas pela exploração de grandes propriedades com muitos escravos; possuíam bons seminários, ofereciam condições de estudo teológico. Mas as vagas estavam reservadas para metropolitanos, estrangeiros e brasileiros bem-nascidos. A fé contava muito pouco. Para os padres seculares como Feijó, os "colegas" de ordem em geral reservavam um tratamento que não diferia muito daquele que autoridades portuguesas dispensavam aos coloniais brasileiros: imputar-lhes mal-disfarçados preconceitos contra sua situação "inferior", sendo as faltas contra a castidade uma das mais comuns. Argumentos eficientes, todos eles em geral aceitos por uma alta administração que considerava a colônia "naturalmente" inferior à metrópole. Sobre os seculares, os padres de ordens levavam vantagens não desprezíveis: elas tinham ligações diretas com o Vaticano, dinheiro e poder próprios. Transformavam tais vantagens na exclusividade dos cargos mais elevados da carreira: conazias, bispados etc.

Mesmo sendo notoriamente piedoso, bondoso, e tendo dedicado parte de sua vida a embelezar o templo carmelita de Itu, frei Jesuíno do Monte Carmelo era mulato e brasileiro - defeitos que, aos olhos da ordem, eram muito mais importantes que os dotes de sua fé. Sem poder se tornar um carmelita, frei Jesuíno montou, por conta própria, um arremedo de ordem religiosa. Juntou padres seculares numa casa, onde estudavam e discutiam teologia, faziam caridade, preces ou jejuns. Ficaram conhecidos como os Padres do Patrocínio, porque construíram a igreja de Nossa Senhora do Patrocínio. Os bons exemplos que difundiam logo lhes granjearam simpatias de muitos fiéis: o número de seguidores aumentava a cada dia. E com a influência, o ódio dos padres da alta hierarquia (em geral, saídos das ordens), monopolizadores até então dos estudos mais aprofundados de doutrina (só as ordens podiam manter seminários para formar padres; recusavam os locais e depois os acusavam de ignorância em matéria teológica). O sucesso dos patrocinistas colocava um problema para os donos dos cargos altos: eram concorrentes em rendas e influência espiritual. Não demorou, e passaram a surgir da hierarquia acusações de heresia, subversão da ordem etc.
Com tudo isso se pode entender que o padre Diogo Antônio Feijó não fosse exatamente um apreciador das ordens religiosas ou da alta hierarquia da Igreja. E também que, sendo um cidadão brasileiro e, mais que isso, um deputado brasileiro, desejasse ardentemente que o poder público renovado, isto é, onde a lei dominava, fizesse sua entrada também na questão religiosa. O caminho para isso no Parlamento era a discussão do direito do padroado, de definir onde estariam as fronteiras entre o governo brasileiro e o Vaticano. Feijó, compreensivelmente, queria ver a linha de limite o mais longe possível de Roma e seus representantes visíveis: defendia uma reinterpretação mais lata dos diretos do padroado, com o aumento dos poderes do governo e diminuição da influência romana. Queria atitudes firmes, como a sanção legal de bulas romanas (só valeriam as normas do papa aprovadas pelo governo) ou a proibição de livre entrada de padres estrangeiros, com uma ampliação dos poderes do governo brasileiro. Mas o que realmente colocava o deputado acima do padre era o desejo de que as leis brasileiras não servissem para ratificar uma situação em que os próprios brasileiros eram tratados com preconceito - uma lei que fosse oposta ao comportamento estabelecido, feita exatamente para tachar o comportamento dos brasileiros de desviante, justificando a superioridade, seja metropolitana, seja dos supostamente bem-nascidos.

A discussão sobre o fim do celibato envolve esse contexto. Com a autorização dos casamentos, ele buscava moralidade e fé pura, não o contrário:

"Quem terá mais zelo da religião, e caridade para com seus irmãos? Quem deseja ver os seus ministros irrepreensíveis, derrogando-se uma lei, que é a ocasião da imoralidade nos mesmos, que os desacredita, e os torna sem consideração; e que finalmente os conduz à perdição; ou quem estupidamente satisfeito com a formalidade do celibato, insensível à desgraça de seus irmãos, ao escândalo que recai sobre a religião", apenas vocifera?

Metaforicamente, era essa a posição da maioria dos brasileiros na época. Independência, para eles, era o fim da sina de inferioridade dos aqui nascidos; o fim das marcas como a bastardia, o preconceito de cor, os privilégios metropolitanos. Lutavam contra isso ainda convivendo com a legislação colonial que os discriminava, e não havia sido derrogada, com os preconceitos absolutistas, e sobretudo com a escravidão. Mudar essa realidade era uma forma de redimir como bons cidadãos homens como Diogo Antônio Feijó, marcado desde o nascimento pela separação completa entre a situação legal e afetiva, obrigado a escrever contra seus próprios pais para poder se tornar padre. Mesmo à custa de uma luta sem tréguas e com poucas esperanças, como a que se desencadeou sobre ele depois de seu voto pela abolição do celibato, usando o argumento de que este se baseava numa questão de disciplina, sendo portanto da esfera governamental, e não de fé, ou da esfera romana.

Assim se pode entender não as críticas, que eram previsíveis, mas como Feijó não foi destruído por elas - e eventualmente chegou a obter apoio variado para sua posição. De deputados (poucos, entre os quinze padres que tinham cargo no Parlamento); da imprensa liberal, que desejava a ampliação do padroado; de seus eleitores. Ser um padre contrário ao celibato não foi sequer um fato impeditivo para que a maioria dos brasileiros confiassem em que ele deveria substituir o rei, que dirigia a religião no país. Em suma, a maioria dos brasileiros, tanto quanto Feijó, colocavam a fé acima do casamento dos padres, as condições locais acima dos preconceitos europeus - e viam nesta inversão a afirmação de sua transformação de colonos em cidadãos. Essa posição, é bom que se diga, era inclusive a dos adversários de Feijó. Mesmo nos momentos mais virulentos da polêmica que desencadeou, Feijó quase sempre teve reconhecida a profundidade de sua fé, mesmo pelos que discordavam dele. O mais poderoso de seus adversários, d. Romualdo Seixas, deputado, arcebispo de Salvador (o mais elevado cargo eclesiástico brasileiro) e Marquês de Santa Cruz, o definia como homem "de virtudes morais muito elevadas".


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em fevereiro de 2008 comprei dois livros indispensáveis para melhor entender a história do Brasil nação: José Bonifácio de Andrada e Silva e Diogo Antônio Feijó. Ambos assinados pelo ótimo escritor Jorge Caldeira.


 

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