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Minha Razão de Viver

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Minha Razão de Viver

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Samuel Wainer  

Editora: Record

Assunto: Biografia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 282

Ano de edição: 1987

Peso: 355 g

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Excelente
Marcio Mafra
10/07/2002 às 16:44
Brasília - DF
Grandes jornalistas quase sempre se transformam em testemunhas da história a à luz de suas memórias fica mais simples compreender a política, as artes, o esporte, os costumes e a economia de um país.
Samuel Wainer privou da amizade de três Presidentes da República: Getúlio Vargas, Juscelino Kubistcheck e João Goulart. Por isso conheceu, influiu e exerceu do poder que habita os bastidores de todos os governos.
Teve a desdita de conhecer dois implacáveis e igualmente poderosos inimigos: Assis Chateaubriand e Carlos Lacerda.
A eles deve a sua ruína.
Minha razão de viver narra muitos episódios da vida de Samuel Wainer e de sua mulher Danusa Leão.
Leitura fácil, boa e simples. Livro excelente.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A ascensão e queda de império de Samuel Wainer, proprietário do mais poderoso e melhor jornal do país, o Última Hora, intimamente ligada à história do último governo de Getulio Vargas.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Um tiro no coração, informou Luís Costa em prantos. Desliguei o telefone e corri para a oficina do jornal. As emissoras de rádio transmitiam incessantemente a notícia, e um clima de absoluta comoção se espraiava pelo país. Na oficina, encontrei operários chorando, outros desmaiados. Lembrei-me, então, de que a página com a manchete publicada na véspera - SÓ MORTO SAIREI DO CA TETE - continuava composta em chumbo. Naquela época, tínhamos o hábito de guardar algumas páginas numa estante, para a eventualidade de republicar certos textos, anúncios principalmente. Nos dias seguintes íamos utilizando os tipos de chumbo ali armazenados e a página era desfeita aos poucos. Aquela histórica primeira página, contudo, permanecia intacta, e tive a idéia de republicá-la exatamente como saíra na véspera, mudando apenas alguns detalhes. Numa linha no alto da página, escrevi: "Ele cumpriu a promessa." Abaixo da frase em que Getúlio prevenia que não o tirariam vivo do palácio, descrevi o suicídio do presidente da República. Ainda na oficina, redigi a mão cerca de dez linhas conclamando o povo a manter a ordem, evitando ceder ao desespero e cometer atos que só serviriam à reação - eu desconfiava de que os militares antigetulistas estavam à espera de algum pretexto para esmagar o povo. Mas foi impossível impedir que a massa fiel a Vargas extravasasse seu ódio aos que haviam provocado a morte do líder. Naquele 24 de agosto, multidões exasperadas atacaram praticamente todos os grandes jornais, bloqueando sua saída às ruas. O único a circular foi a Última Hora, que vendeu quase 800.000 exemplares. A oficina não parou de trabalhar, foram vinte horas rodando edições sucessivas. O povo nem sequer esperava que os exemplares chegassem às bancas - arrancava-os dos caminhões distribuidores, ávido por notícias sobre a tragédia. A certa altura, percebi que chegara a minha vez de soltar-me. Subi até a redação, fui para um canto da minha sala e, então, chorei, chorei bastante. A redação não podia me ver, mas alguns amigos mais próximos espalhavam o que ocorria e pediram que todos me deixassem em paz. Nesse momento, comecei a ouvir um rugido, feito de milhares de vozes, que vinha das bandas da Candelária. Olhei pela janela e vi uma multidão de manifestantes descalços, subnutridos, feios. Gritavam Getúlio! E reconheci o mesmo urro medonho, assustador, com o qual me familiarizara durante a campanha eleitoral de 1950. A massa estacou diante do prédio da Última Hora e exigiu que eu lhe falasse. Nunca fui um orador, mas tive de vencer minha inibição e, de uma sacada do prédio, ainda chorando, pedi à multidão que mantivesse a tranqüilidade. Afirmei que o urro que ali ouvia me recordava a campanha que levara Getúlio de volta ao poder, e que aquele mesmo rugido deveria continuar ecoando, agora para sustentar as bandeiras nacionalistas e populares pelas quais Vargas sacrificara a própria vida. Naquele momento, compreendi que a Última Hora sobreviveria ao homem que havia inspirado sua criação. A massa continuou sua caminhada, quebrando os símbolos antigetulistas que encontrava pela frente, procurando Lacerda, que teve de esconder-se e mais tarde refugiar-se por algum tempo no exterior. Voltei à minha sala convencido de que teria por missão, a partir dali, defender a memória de Getúlio. Pouco depois, recebi a visita do coronel Ardovino Barbosa, um oficial do Exército ostensivamente ligado a Lacerda. Ele entrou em minha sala e informou que gostaria de conversar com o diretor do jornal. Identifiquei-me e estendi-lhe a mão. Ardovino recusou-me o cumprimento - isso no meu jornal, na minha própria casa. - Imagino que o senhor não queira falar comigo - disse-lhe. - Quero falar com alguém que represente o Exército brasileiro aqui dentro - retrucou Ardovino. Observei-lhe que um de meus diretores, Baby Bocaiúva, era tenente da reserva - na verdade, Baby apenas fizera o CPOR. O coronel pareceu gostar da solução. Minutos mais tarde, Baby entrou na sala, os dois bateram continência e começaram a dialogar. Ardovino comunicou-nos que o Estado-Maior do Exército estava preocupado com o estado de exaltação popular e chegara à conclusão de que a Última Hora tanto poderia excitar os ânimos quanto ajudar a contê-los. Assim, os militares pediam que publicássemos um editorial exortando à pacificação dos espíritos. Entrei na conversa e sugeri a Baby que mostrasse ao coronel a edição daquele dia, com o editorial cujos termos atendiam precisamente aos desejos do Exército. Ardovino apanhou um exemplar e levou-o ao Estado-Maior. Não cheguei a conhecer os desdobramentos desse episódio, mas é provável que tenha contribuído para a sobrevivência da Última Hora. Os militares lacerdistas estavam prontos para dar o bote e fechar meu jornal tão logo surgisse alguma chance. Naqueles trágicos idos de agosto, porém, eles compreenderam que precisavam da minha ajuda para evitar o pior. A Última Hora poderia ter precipitado o imponderável, caso utilizasse suas páginas para clamar por vinganças, estimular saques e depredações, açular a revanche. Em vez disso, agimos com muita prudência. Enquanto o corpo de Getúlio era velado no Catete, centenas de pessoas abraçavam-se e pediam para posar a meu lado para fotos, muitas delas exibindo nas mãos exemplares da Última Hora. Cumprimentei os parentes do presidente e procurei deixar o local, para não dar a impressão de que também procurava tirar proveito político do drama. No dia seguinte, Alzirinha fez questão de que eu fosse a São Borja para o enterro. Viajei no avião que levava o corpo de Vargas ao lado de alguns parentes e de Danton Coelho. À beira da sepultura, em discursos extremamente emocionados, Osvaldo Aranha e João Goulart pediram vingança. Mas o país já começava a recobrar a calma e a ordem seria mantida. Hoje não tenho qualquer dúvida de que, se não se tivesse suicidado, Getúlio seria de alguma forma eliminado; para seus inimigos, era indispensável destruí-lo fisicamente. Vivo, ainda que não conseguisse eleger seu sucessor, representaria uma força oposicionista demasiado poderosa, capaz de desestabilizar qualquer governo. Se o vitorioso nas eleições presidenciais seguintes fosse Carlos Lacerda, ele não conseguiria governar contra Getúlio. Ao contrário, se Juscelino Kubitschek tivesse sido eleito com o apoio de Vargas, a UDN estaria politicamente liquidada. A história do Brasil certamente teria tido rumos inteiramente diversos se Vargas vivesse para fazer seu sucessor. Nessa hipótese, seria igualmente diferente a história da Última Hora, que então reuniria todas as condições para transformar-se numa potência da imprensa brasileira, financeiramente sólida e politicamente indestrutível.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Eu aprendi a ler  jornal  - e gostar - pelas páginas da Última Hora (hoje Folha de São Paulo) logo que apareceram as memórias do Samuel Wainer, comprei o livro.


 

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