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O Clube dos Anjos - Pecado Gula

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O Clube dos Anjos - Pecado Gula

Livro Bom - 3 comentários

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Autor: Luis Fernando Veríssimo  

Editora: Objetiva

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 130

Ano de edição: 1998

Peso: 240 g

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Ótimo
Rafael Mafra
20/07/2002 às 21:32
Brasília - DF

Veríssimo é possivelmente o melhor contista de comédia brasileiro. No entanto, supera-se em seus contos mais curtos. Veríssimo guia-se por cima de idéia genais e simples. Este livro conta com idéias geniais, mas são mais esparsas que em seus contos mais breves. Por isso, não corresponde tanto à expectativa. Ainda assim, é uma leitura aprazível, entretenimento leve e digerível. Como um bom prato.


Bom
Marcio Mafra
20/07/2002 às 21:19
Brasília - DF
Por se tratar de Veríssimo, um cronista brilhante e talentoso, cresce a expectativa do leitor sobre o Clube dos Anjos. O livro conta a história de amigos que se reuniam, periodicamente, em seu clube particular, para cometerem o pecado da Gula.
A história é insólita e bem humorada, até porque o único que sobrevive é o personagem narrador e Lucídio, que em grupo ou em bando, se entregam à gostosa afinidade animal, de saciar a fome, sem temer nada, nem a morte. A perspectiva de morrer só aumentaria, para eles, o prazer na comida, e o desafio filosófico da gastronomia: a apreciação que exige a destruição do apreciado.
Embora o final não seja descaradamente previsível, sendo um livro de Veríssimo podia ser melhor.



Ruim
Marcos Oliveira
13/07/2002 às 21:34
Brasília - DF

O livro faz parte de um conjunto de 7 livros, onde cada um trata de um pecado capital (gula, ira, luxuria, inveja, preguiça, avareza, vaidade). O autor é bom e famoso. Porem a história não é boa, nem faz juz ao talento do Veríssimo.O livro é de facil leitura, meio cansativo, em alguns pontos interessante, porem na maior parte do tempo não empolga nem emociona o leitor.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

História insólita e bem humorada de celebração da gula, na série dos Sete Pecados Capitais, conta a historia de dez homens que se entregam a esta gostosa afinidade animal - a fome em bando - sem temer a morte.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Tiago, velho leitor de livros policiais, tinha decidido investigar as nossas mortes. Não me surpreendi que já soubesse tanta coisa - eu sabia, por exemplo, que o João estava com câncer, o que nem sua família sabia? - porque Tiago era um obsessivo. Era o mais obsessivo de nós todos. Não era apenas viciado em chocolate. Sabia tudo sobre chocolate, a sua história, a sua composição, as possíveis explicações químicas para a sua dependência. Pertencia a uma sociedade internacional de chocólatras que trocavam informações sobre sua paixão comum. Numa das nossas idas à Europa, deixara o grupo para ir conhecer um correspondente seu em Bruxelas e voltara maravilhado. Fora convidado a dormir na casa do homem, e não só havia uma espécie de arca ao lado da cama cheia de chocolate como a própria arca era feita de chocolate, para o caso de haver uma falha no suprimento e a pessoa acordar no meio da noite precisando comer chocolate. Fazia parte do folclore da turma a vez em que a Milene, responsável pela iniciação sexual de todos nós, se oferecera ao Tiago em troca de uma barra de chocolate e Tiago preferira ficar com a sua virgindade e a barra. Anos depois sacrificara um grande contrato de arquitetura para comparecer a um festival de chocolate na Suíça e depois disso nunca mais recuperara sua reputação como arquiteto. E era um obsessivo em tudo. Na sua casa havia uma peça só para seus livros policiais, que enchiam as estantes contra as quatro paredes e estavam empilhados no chão e em cima de mesas. Uma vez Ramos dissera: "O homem é o único animal que sempre quer mais do que precisa. O homem é o homem porque quer mais". Kid Chocolate queria tudo, e queria saber tudo. Sua curiosidade também era voraz. Me contou que tinha investigado a história do peixe venenoso. Existia uma cidade chamada Kushimoto no Japão, e um peixe chamado fugu que matava se não fosse bem preparado, mas a tal confraria secreta de provadores do fugu não existia, ou então era mesmo secretíssima. Não encontrara a escama plastificada em nenhuma loja de artigos japoneses mas a descrevera e tinham lhe dito que podia ser a escama de um peixe hermafrodita, que circulava muito entre homossexuais, um pouco como a semente de cacau que Tiago tinha no chaveiro e o identificava como maníaco por chocolate entre os outros maníacos. Isso, advertiu Tiago, se o japonês da loja também não estivesse inventando uma história.


  • Questões Litero-fetivas - Os Feirantes

    Autor: Tomas Chiaverini

    Veículo: Revista Piaui

    Fonte:

    Ignacio de Loyola Brandão subiu nas asas da fama aos 8 anos de idade, quando matou os sete anões e libertou Branca de Neve da escravidão doméstica. O crime ocorreu num exercício de redação no qual a criançada imaginava finais alternativos para as histórias que lia. No de Loyola, a heroína liquidou os baixotes com uma sopa de cogumelos venenosos e viveu feliz para sempre.

    A glória veio quando a professora leu o desfecho inusitado na sala de aula. Bastou Dunga, Zangado e companhia caírem mortos para que, com uma gargalhada em uníssono, todos voltassem os olhos de admiração para a última fileira, onde o introvertido autor costumava se sentar.

    "Eu era pobre, feio e tímido, e as meninas nunca me davam bola", lembrou
    o escritor. "Mas naquele momento me senti olhado e, inconscientemente, decidi que a literatura seria o meu caminho. Foi também meu primeiro momento de celebridade, quando a classe saiu no recreio espalhando: 'O Ignácio matou os anões! O Ignácio matou os anões!'" 

    Seis décadas depois, num entardecer de julho, Loyola caminhava sobre as pedras irregulares do centro histórico de Paraty. Em meia hora, subiria ao palco da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o festival de Cannes da literatura brasileira. Aos 74 anos, quase cinquenta como escritor, garantiu que estava tão nervoso quanto naquela manhã em Araraquara, quando a professora leu sua redação em voz alta para os colegas. "Eu sempre fico tenso antes de me apresentar", gesticulou com os óculos na mão. "E se não fico, sai uma merda."

    O nervosismo tem pouca razão de ser. Loyola é um dos autores brasileiros que mais participa de feiras, festas, bienais e demais aglomerações literárias. Em 2010, esteve em 33 desses eventos pelo país afora. Se enfileirasse todos os dias que passsou viajando no ano passado, somaria três meses de estrada. Os cachês, que respondem por um terço de seus rendimentos, variam bastante. Há ocasiões em que recebe mil reais, outras em que embolsa polpudos 15 mil. Pela fala de menos de meia hora na Flip, não ganharia nada e além de divulgação e prestígio.

    Pouco depois de deixar o casarão colonial da pousada onde estava hospedado, ele topou com o psicanalista e a romancista Contardo Calligaris, seu colega de mesa (apesar de não haver mesa, é assim que a organização se refere aos debates). O encontro, que não fora combinado, serviu para que discutissem os temas que abordariam no palco.

    Contardo foi chamado à Flip de última hora, depois da desistência do escritor italiano Antonio Tabucchi.

    Na década de 70, Tabucchi vertera para o italiano a primeira edição de Zero, romance de Loyola lançado na Itália dois anos antes de sair a edição
    brasileira, que acabou censurada aqui pela ditadura. Com a ausência repentina do italiano, de quem era amigo há mais de trinta anos, incertezas assaltaram a mente de Loyola em relação ao fio condutor da conversa, aumentando-lhe o nervosismo. 

    Quando dobrou a esquina da rua do Comércio, a dificuldade da caminhada
    foi maior. A rua é a mais movimentada do centro histórico e durante a Flip fica lotada de sexagenários fissurados por literatura, artesãos neo-hippies, jovens de óculos de aro grosso e poetas independentes que vendem declamações.

    Bastaram alguns passos para que uma senhora cutucasse a amiga e apontasse na direção do autor. Foi a senha: eis uma celebridade. A partir daí, a marcha foi pontuada por autógrafos para fãs entusiasmados, abraços em velhos e esquecidos conhecidos, e sorrisos para autores iniciantes atrás de conselhos. Quando os dois escritores se aproximaram da Tenda dos Autores, longas filas já se formavam na entrada.

    Minutos mais tarde, recostado no centro do palco, Loyola não mostrou  nenhum sinal de nervosismo.
    -O que você vai ler, Loyola? - perguntou o mediador Cadão Volpato.
    - Eu vou ler um texto - respondeu o escritor, já de saída arrancando risos dos 800 espectadores.

    Depois, contou anedotas que cativaram o público. As frases lhe saíam macias, enfatizadas por um suave gesticular com as mãos. Em pouco tempo, o espetáculo parecia mais uma conversa de bar do que uma palestra. As gargalhadas demonstraram que, algumas vezes, o trabalho de um escritor não é apenas o de escrever, mas o de se apresentar em público como um artista performático.

    Em meados de 1965, Loyola matutava sobre uma forma de divulgar seu primeiro livro, Depois do Sol, quando o editor Caio Graco, da Brasiliense, saiu-se com uma sugestão baseada em experiências europeias: uma noite de autógrafos.

    Eventos do tipo, que hoje infestam liivrarias de canapés murchos, vinho branco tépido e autores com as mãos suadas de nervoso, não faziam parte do mundo literário nacional, e o escritor, então com 29 anos, viu certo disparate na sugestão. "Achei que seria um fracasso, que não iria ninguém", se recorda. Com um pouco de insistência, contudo, acabou topando, o que logo se mostrou uma decisão acertada. A época Loyola já era um jornalista conhecido. Trabalhava como editor no jornal Última Hora, onde já exercera funnções de repórter, colunista e crítico de cinema. Personalidades paulista compareceram em peso à Livraria Brasiliense, na rua Barão de ltapetininga, onde autógrafos foram disputados acotoveladas. Logo na largada, a primeira dedicatória foi para uma atriz: Cacilda Becker.

    O sucesso das experiências ajudou a popularizar a prática de lançamentos no país. Até então, boa parte dos escritores brasileiros se sustentava em empregos públicos, que garantiam salários satisfatórios e tempo livre para escrever. A literatura era feita por amor, vocação ou vaidade. Pouco tinha a ver com trabalho diário e remunerado. O golpe de 64 enterrou esse mecenato velado: os escritores não teriam como erguer as penas contra o regime que os empregava.

    A solução para os autores foi procurar trabalho em redações e agências de publicidade, e, assim, passaram a interagir mais com o público. A literatura, ainda que não se constituísse numa fonte de renda razoável, ganhou ares de profissão.

    Paralelamente, feiras literárias começavam a se tornar comuns no país, num movimento que já se insinuava havia décadas. Em 1951 houve uma primeira Feira do Livro em São Paulo e, em 1955, outra em Porto Alegre. Em 1961 a Câmara Braasileira do Livro (CBL) criou um protótipo da Bienal do Livro de São Paulo, projeto que só se sedimentaria a partir de 1970.

    Em 1981, Tânia Rosing, uma professoora de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, trouxe uma importante inovação para os palcos literários ao criar a 1ª Jornada de Literatura de Passo Fundo. Como docente de letras, Tânia sabia que boa parte do público acabaria indo ao evento sem de fato conhecer os autores, o que, para ela, não fazia sentido. Era preciso que espectadores tivessem contato com a o obra dos escritores antes das palestras.

    "Quando não se prepara o público,as perguntas são superficiais. Escreve de dia ou de noite? Se inspira na sua rua ou no mundo? Dá seus livros para alguém ler antes de publicar?", argumenta Tânia, que ainda hoje, aos 63 anos, está à frente da Jornada.

    Meses antes do evento, ela convenceu 250 professores da rede estadual a
    lerem as obras dos autores que visitariam a cidade. Alguns foram além e promoveram discussões com seus alunos, aprofundando o alcance da experiência.

    O encontro foi modesto, com público a de 750 pessoas. Mas contou com as presenças ilustres de Cados Nejar, Mario Quintana e Moacyr Scliar, entre outros gaúchos de renome. Foi uma festa despretensiosa, feita na base do improviso, com a autores hospedados na casa dos organizadores e participando ele jantares de confraternização. Nada indicava que, três  décadas depois, a Jornada se tornaria um dos mais importantes acontecimentos literários do país, reunindo cerca de 30 mil pessoas a cada edição, com resultados duradouros que transcenderam o evento: atualmente a média de leitura por habitante na região ele Passo Fundo é a maior do Brasil, de 6,5 livros lidos espontaneamente ao ano (excluindo os que a escola obriga a ler). Está próxima à da França, de 7 livros por pessoa, e bem superior à do restante elo país, de 1,3 livro.

    Em 2004, outra novidade se deu longe das metrópoles, na pequena Paraty. Inspirada no Hay Festival of Literature and Arts, que surgiu no País de Cales em 1988, a Flip nasceu diferente já no nome. Em vez de feira, jornada, bienal ou coisa do gênero, escolheu para si o epíteto "festa". Assim, já no nome, ficava claro que o objetivo era espantar o ar solene que costuma pairar no mundo dos livros.

    Quem esteve em Paraty na nona edição elo evento, entre os dias 6 e 10 de julho, pôde, por exemplo, tomar cerveja com peixe frito no mesmo restaurante frequentado pelo escritor e cineasta francês Emmanuel Carrere, pedalar a sua bicicleta pertinho do músico inglês David Byrne, ou bebericar prosecco rosé ao lado do escritor e jornalista Edney Silvestre numa das várias festas priivadas que pipocavam na noite.

    A experiência não demorou a se espalhar. Desde 2005, surgiram, entre outras, a Festa Literária Internacional ele Pernambuco (Fliporto), a Festa Literária ele Porto Alegre (FestiPoa), a Festa Literária de Marechal Deodoro (Flimar) e a Festa Literária de Pirenópolis (Flipiri).

    Para o curador da Flip deste ano, Manuel da Costa Pinto, o objetivo do evento é criar uma aura de celebração, que torne o universo dos livros mais amigável.

    "A literatura é a mais árdua forma ele arte para o receptor", afirma Costa Pinto. "A Sinfonia nº 7 de Mahler, por exemplo, dura uma hora e quinze. Ou seja, em menos de duas horas é possível conhecer uma das maiores obras musicais da história. Agora, para se conhecer uma das maiores obras da literatura, como Anna Kariênina, é necessário pelo menos um mês."

    Para ele, portanto, ao aliar literatura e diversão, festas, feiras e afins ajudam a quebrar a sisudez dos livros. Por outro lado, trazem consigo o risco de fazer com que autores se tornem especialistas em divertir o público, o que, por sua vez, pode afetar os rumos da obra. "Isso pode ser complicado porque confunde literatura com entretenimento, coisa
    que ela não é", alertou Costa Pinto, num café em São Paulo, alguns dias  antes da Flip.

    "Não acredito que Dostoiévski tenha escrito O Idiota para entreter. Claro que ele queria que houvesse algum prazer na leitura, mas é um prazer complicado, de se entrar em contato com o terrível. Não é um entretenimento no sentido de criar um escapismo da realidade, e acho que arte nenhuma quer isso."

    Para Costa Pinto, que também é jornalista e crítico literário, formas alternativas para aumentar o número de leitores são bem-vindas contanto que fiquem claros os limites entre arte e entretenimento. "Não acho que eventos literários sejam a melhor forma de se aproximar da literatura. A melhor forma de se aproximar da literatura é ler um livro."

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Comentei com Rafael que uma editora havia encomendado a sete importantes escritores da atualidade que escrevessem, cada um deles, sobre os pecados capitais. Dias depois ele me presenteou o Clube dos Anjos, sobre o pecado da Gula, com a seguinte dedicatória: Para Márcio, Para comer com ovo frito e suco de caju satisfazendo, assim, suas gulas. Abraço e axé. Rafael em 7/10/99. Assim começou a coleção dos sete pecados capitais


 

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