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De Pernas Pro Ar

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Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Eduardo Galeano  

Editora: L&pm

Assunto: Sociologia

Traduzido por: Sergio Faraco

Páginas: 370

Ano de edição: 1999

Peso: 455 g

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Excelente
Marcio Mafra
20/08/2002 às 22:45
Brasília - DF


Uma pérola: ...Na ultima noite de 1970, três banqueiros de Deus se reuniram num hotel de Nassau, nas ilhas Bahamas. Acariciados pela brisa do trópico , envoltos numa paisagem de cartão postal, Roberto Calvi, Michele Sindoma e Paul Marcinkus, celebraram o nascimento do novo ano fazendo um brinde à aniquilação do Marxismo. Doze anos depois, eles aniquilaram o Banco Ambrosiano. .. A colossal fraude deixou um buraco de mais de um bilhão de dólares.....Depois disso nunca mais se soube de qualquer intervenção do Divino Espírito Santo nos negócios do Vaticano. O Galeano é um jornalista uruguaio, festejado no mundo todo. Ganhou muitos dos prêmios de final de ano que os próprios jornalistas distribuem entre si. Embora guarde alguma identidade com "as veias escancaradas da América" este livro é muito bom. Estilo fino, irônico, inteligente. Excelente.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Centro e trinta anos após visitar o País das Maravilhas, Alice entrou num espelho para descobrir o mundo ao avesso. Se renascesse em nossos dias, não precisaria atravessar nenhum espelho: bastaria que chegasse à janela. No fim do milênio, o mundo ao avesso está a vista de todos ; o mundo tal qual é, com a esquerda na direita, o umbigo nas costas e a cabeça nos pés. ( Da contra capa )

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Lições da sociedade de consumo. O suplício de Tântalo atormenta os pobres. Condenados à sede e à fome, também estão condenados a contemplar os manjares que a publicidade oferece. Quando aproximam a boca ou levam a mão, as maravilhas se afastam. E se, aventurando-se ao assalto, conseguem dar de mão em alguma, vão parar na cadeia ou no cemitério. Manjares de plástico, sonhos de plástico. É de plástico o paraíso que a televisão promete a todos e a poucos dá. A seu serviço estamos. Nesta civilização onde as coisas importam cada vez mais e as pessoas cada vez menos, os fins foram seqüestrados pelos meios: as coisas te compram, o automóvel te governa, o computador te programa, a TV te vê. Globalização, bobalização. Até algum tempo atrás, o homem que não devia nada a ninguém era um virtuoso exemplo de honestidade e vida laboriosa. Hoje, é um extraterrestre. Quem não deve, não é. Devo, logo existo. Quem não é digno de crédito, não merece nome ou rosto: o cartão de crédito prova o direito à existência. Dívidas: isto é o que tem quem nada tem; e uma patinha presa nessa ratoeira há de ter qualquer pessoa ou país que pertença a este mundo. O sistema produtivo, transformado em sistema financeiro, multiplica os devedores para multiplicar os consumidores. Dom Carlos Marx, que há mais de um século já antevia tal processo, advertiu que a tendência à queda da taxa de lucro e a tendência à superprodução obrigavam o sistema a crescer sem limites e a dilatar até a loucura o poder dos parasitas da "moderna bancocracia", que definiu como "uma quadrilha que nada sabe da produção e não tem nada a ver com ela". A explosão do consumo no mundo atual faz mais barulho do que todas as guerras e mais alvoroço do que qualquer carnaval. Como diz um velho provérbio turco, quem bebe na conta se emborracha em dobro. A folia aturde e embaça o olhar: esta grande borracheira universal parece não ter limites no tempo e no espaço. Mas a cultura de consumo é tão sonora porque, como o tambor, é vazia: na hora da verdade, quando a algazarra cessa e se acaba a festa, o borracho desperta, sozinho com sua sombra e com os pratos quebrados que tem de pagar. A expansão da demanda esbarra nas fronteiras impostas pelo mesmo sistema que a gera. O sistema necessita de mercados cada vez mais abertos e mais amplos, como os pulmões necessitam de ar, e ao mesmo tempo necessita que os preços das matérias-primas e da força humana de trabalho andem ao rés do chão, como de fato andam. O sistema fala em nome de todos, a todos dirige suas imperiosas ordens de consumo, entre todos difunde a febre compradora. Não é o bastante: para quase todos, a aventura começa e termina na tela do televisor. A maioria, que se endivida para ter coisas, termina não tendo outra coisa senão dívidas para pagar dívidas que geram novas dívidas, e acaba consumindo fantasias que só pode materializar delinqüindo.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Nos anos 60, quando reportéres perguntavam as candidatas à Miss Brasil, qual livro estavam lendo, elas respondiam com a maior segurança: O pequeno Príncipe, de Antoine de Saint Exupery. Nos anos 70, todo intelectual de esquerda, jornalista, cantor de MPB, universitário, professor de cursinho, leitor de veja, colunista ou intelectual de plantão, sempre que perguntado sobre o que estavam lendo, respondiam: As Veias Abertas da América Latina, de Galeano. Foi por isso que comprei o "de Pernas Pro Ar" , logo que saiu. Nunca ouvi ninguém falar nada dele. Acho que não pegou.


 

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