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Os Capitães e os Reis

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Os Capitães e os Reis

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Autor: Taylor Caldwell  

Editora: Record

Assunto: Romance

Traduzido por: A B Pinheiro de Lemos

Páginas: 791

Ano de edição: 1974

Peso: 730 g

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Ótimo
Marcio Mafra
23/08/2002 às 13:04
Brasília - DF

Um bom romance onde Taylor Caldwell conta a história - verdadeira saga - da família Armagh, desde a chegada do menino pobre Joseph à Nova York, até a sua morte, 70 anos depois, numa mansão espetacular. É a história do preço que este menino pagou para chegar ao topo. Claro que tem também muito amor, doce e sofrido de uma linda mulher e seus filhos na conquista dessa fortuna colossal e do poder político daí decorrente.Livro para ler devagarinho, eis que o vigor emocional da narrativa só tem compromisso como o lazer do leitor.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A saga da família irlandês-americana de Joseph Francis Xavier Armagh.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Joseph recordou-se do dia em que Regina, quando estava com 18 anos, dissera-lhe que o amava, mas teria de deixá-lo. Ele tentara esquecer aquele dia terrível e não mais haviam tocado no assunto. Mas o medo continuava a viver dentro dele, como uma serpente enroscada, pronta a dar o bote. Assim sendo, Joseph não ficava aborrecido quando Bernadette falava em promover o casamento de Regina. Até mesmo o casamento, acarretando uma inevitável separação entre irmão e irmã, era preferível a... aquilo. Qualquer coisa era preferível a... aquilo. Por isso, Joseph tornou-se um aliado de Bernadette, pondo-se também a procurar um marido para Regina. Mas Regina não queria saber de casamento. Bernadette, que era cética com relação à religião, como também a tudo o mais, com exceção de Joseph, chegou a fazer novenas pelo casamento da cunhada. Se Regina casasse, dizia em suas preces, haveria de aprender a amá-la. É claro que a Virgem Santíssima não devia gostar que ela odiasse Regina, embora "a culpa não seja minha". E assim Bernadette adulava os santos, a Virgem Santíssima e o próprio Deus, para persuadi-los a tirar Regina de sua casa. - O que você tem contra o casamento? - perguntou ela um dia a Regina. - Ora, absolutamente nada, minha cara Bernadette - respondeu Regina, surpresa e ligeiramente divertida. - Acho que é um estado santificado, como ensina a Igreja. - Por que então você não adere a esse estado? Todo mundo acha que é muito estranho você ainda não estar casada, na sua idade. Por que não pode se apaixonar por alguém? Mas estou apaixonada, pensou Regina, ficando com os olhos cheios de lágrimas. Meu coração está morrendo de tanto amor. Meu espírito está repleto de amor. Não penso em mais nada que não seja o meu amor. E sua voz era baixa e inquisitiva quando disse: - Você ama Joseph, não é mesmo,Bernadette? Ama-o profunda e sinceramente; para todo o sempre? - Como pode perguntar tal coisa? Como se atreve a fazer tal pergunta? - gritou Bêrnadette, os olhos redondos faiscando de emoção e raiva. - Eu o amo mais do que a qualquer outra coisa no mundo. E, para mim, nada mais no mundo tem importância, se comparado a Joseph. - Eu sei, Bernadette - falou Regina, gentilmente, sabendo que o momento chegara e que agora podia ir em paz. Jamais se esqueça disso, minha querida. Ame muito o meu irmão. Ele precisa de amor mais do que qualquer outra coisa no mundo. E tem tido muito pouco amor. Ajude-o. Console-o. Era uma reação estranha e surpreendente para Bernadette, que de repente ficou muito quieta, com os olhos fixos em Regina, antes de finalmente dizer: - O que está querendo insinuar? Ajude-o, console-o... Pensa que eu faço alguma outra coisa? Ele é a minha vida. Para mim, não existe mais nada. Mas por que acha que ele está precisando de ajuda e conforto? Afinal, ele tem a mim, não é mesmo? - Tem toda razão, minha cara. Regina inclinou-se e deu um beijo na testa da cunhada. Bernadette ficou ainda mais desconcertada. Levou a mão aos cabelos, meio aturdida, sem saber o que fazer. Seu corpo estava agora matronal, mas ainda era atraente. Usava vestidos cuidadosamente preparados para dar a impressão de que era mais alta, estava sempre com braceletes, brincos e travessas faiscantes de pedras preciosas, exibia uma vivacidade extraordinária. Achava que Regina não sabia se arrumar, usando apenas vestidos simples e não ajeitando devidamente os cabelos maravilhosos, pretos e lustrosos. Regina, em sua opinião, não tinha mais vida do que um boneco de cera. Ainda por cima tinha um nariz aquilino, muito fino, ao contrário do nariz graciosamente arrebitado como o dela, Bernadette. Por que todo mundo acha que ela é linda?, pensava exasperada. Ela tem presença, é verdade. E também uma pele maravilhosa. Mas não possui a menor vivacidade. Dois dias depois que Joseph voltou a Green Hills, vindo de Titusville, Regina foi conversar com o irmão nos aposentos dele, que tinham sido outrora. do Governador Hennessey. Joseph mandara tirar os móveis barrocos, muito enfeitados, e as cortinas bordadas, substituindo por mesas e cadeiras simples e funcionais, sofás, tapetes e cortinas muito bonitos, mas sem nada de rebuscados. Os únicos adornos eram diversos quadros valiosos, nas paredes de cores neutras. Bernadette raramente entrava nos aposentos do marido, pois deixavam-na deprimida. Tinha a sensação de que não passavam do refúgio de um homem pobre, com todos aqueles livros, a grande escrivaninha de mogno e a cama estreita. Ela instalara-se nos antigos aposentos da mãe, embelezando-os com seu gosto rebuscado, que se inclinava para o dourado, veludo, seda e cores fortes. A cama de dossel parecia uma fonte de renda veneziana. Os tapetes de tons neutros, que antes ali existiam, tinham sido substituídos por tapetes chineses, de cores vivas. Em todos os cantos havia pequenas estantes, repletas de bibelôs e outras quinquilharias, que também cobriam diversas mesinhas. Sempre fui uma estranha nesta casa, pensou Regina, ao subir a escada, a caminho dos aposentos do irmão. Jamais tive um lar de verdade, a não ser o orfanato. Ela estava decidida a resolver tudo naquela noite, de uma vez por todas. Mas sentia a garganta e o peito doerem terrivelmente,ente, tinha a impressão de que os pulmões estavam obstruídos, não conseguia respirar. Um suor frio brotara em seu rosto e pelo resto do corpo. Podia sentir a umidade nas axilas, em torno do pescoço, nas costas, nas palmas das mãos. O coração batia descompassadamente e ela arquejava ao subir a escada de mármore, sentindo os olhos arderem da claridade excessiva. E rezava silenciosamente: "Ô Deus, ajude-me, ajude-me!" Mas não houve resposta e ela sentiu um súbito calafrio, as pernas fracas, sob o vestido castanho de linho, com a gola alta e as mangas compridas. Os cabelos maravilhosos caíam-lhe pelas costas, ondulados, agitando-se a cada movimento. "Ajude-me a fazer Joe compreender, minha Virgem Santíssima", rezava Regina. "Ajude-o a entender que tenho de ir ao encontro do meu amor, para o único casamento que desejo e sempre desejei, desde que era menina." Regina sentiu que a cabeça começava a girar, os olhos ficavam turvos. Parou no alto da escada, para recuperar o fôlego. Pensou no irmão e na dor que iria causar-lhe. O pensamento fê-la estremecer. Levou as mãos ao rosto, sacudindo a cabeça de um lado para o outro, lentamente. Estava tremendo tanto que teve de encostar-se na parede, para não cair. De que estava com medo? Do sofrimento do irmão. Só ela sabia quão imensa podia ser a dor de Joseph, que sofria em silêncio. Regina pensou em Sean. Ele deixara Joseph e agora ela iria deixá-lo também, para nunca mais tornar a vê-lo, exceto como uma sombra, um vulto informe. Ouviria a voz dele, mas não veria o passar dos anos deixá-lo com a cabeça toda grisalha, o rosto enrugado. Talvez nunca mais pudesse ouvir a voz de Joseph, talvez nunca mais visse sequer a sombra dele.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

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