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No Hospital das Letras

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No Hospital das Letras

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Afranio Coutinho  

Editora: Tempo Brasileiro

Assunto: Ensaio

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 188

Ano de edição: 1963

Peso: 275 g

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Ótimo
Marcio Mafra
22/09/2002 às 22:05
Brasília - DF

Afrânio Coutinho, que era da Academia Brasileira de letras, mais ou menos entre os anos 1950/1960, se dedica a escrever ensaios - e abrir grandes polêmicas - sobre a "saúde" da literatura brasileira, daí o título: no hospital das letras. Muitíssimo interessante é o "posfacio" à pagina 188, onde o autor desanca Álvaro Lins - outro acadêmico - de ser o responsável pelo controle da "máfia literária" brasileira. Os melhores capítulos são: Partidos literários, Os truques baixos, Amadorismo e profissionalismo, Os Donos da Literatura e Os frustrados. Vale a leitura.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Libelo em forma de ensaio, escrito na década de 50, contra as igrejinhas literárias que então dominavam o país.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Literatura - Coisa Séria. O livro de Brito Broca sôbre a vida literária de 1900 oferece oportunidade para outras deduções. Não escapará ao leitor avisado uma observação interessante a respeito da diferença que se vai fazendo sentir na maneira como encaramos a literatura. A época por ele estudada via a literatura como uma brincadeira e os homens de letras estragavam-se na boêmia, na bebida, a literatura servindo-lhes de passaporte para tôda a sorte de desafio às normas da vida burguesa. Literatura era, uma máscara, um travesti de que se revestiam para escandalizar. Se alguns membros das rodas boêmias ia viajar, como relata Brito Broca, os demais o levavam a bordo, entremeando as despedidas de frases de espírito, em que se misturavam episódios ou fatos da literatura. Mandavam lembranças aos personagens de Eça de Queirós, cujas figuras e atmosfera eram vividas pelos nossos literatos, numa artificiosa interpenetração de ficção e realidade. É evidente a falsidade e o ridículo de tal situação, reveladora de uma pôse e uma atitude, que só tiveram como consequência desmoralizar a literatura e estragar muita vocação legítima . Apesar de muita gente ainda hoje pretender continuar concebendo a literatura e a produção intelectual daquela forma, num anacronismo berrante, mudou completamente, ao ver da maioria, a atitude em face da criação literária. A arte não é uma pilhéria, e a piada não se confunde com a produção artística. A literatura não é verbiagem, nem a frase vazia e de efeito sinal de genialidade infusa. A ignorância não é fundamental da produção, nem o valor se mede por critérios irracionais. Nenhuma grande literatura, nenhuma obra-prima literária foram o produto da improvisação feita sistema, do telurismo infenso a disciplinas ou regras, do amadorismo irresponsável, da imaturidade adolescente confundida com genialidade, da pura espontaneidade nativa. Os homens maduros, conscientes, responsáveis, senhores de sua técnica e das regras de seu ofício, é que constroem as grandes literaturas, é claro que excetuados os casos de autêntica genialidade. A literatura é coisa séria, diria Mr. de La Palisse. Mas são necessárias centenas dêsses La Palisse para incutir em nossa mentalidade uma verdade que parece comezinha mas que nos escapa ao comum de nossos homens que a exercem. Nossa ignorância tricentenária, por culpa de uma colonização explorativa que não nos permitiu qualquer instrumento de cultivo do espírito, é responsável por essas vivências. Por haver-nos faltado universidade até hoje, a nossa vida intelectual não passou, com ligeira reação recente, do gôsto da figuração, da pilhéria, da atitude. Escapa-nos o valor da cultura como instrumento do bem comum, da arte como supremo deleite do espírito. Para nós o exercício literário era uma espécie de gazua com que abríamos as portas do êxito social, do sucesso político ou administrativo. Era o pasto dos carreiristas, arrivistas, vigaristas, mistificadores, que a usavam para galgar às posições e obter vantagens. Às vêzes, quando se lhes descobria a vigarice e a impostura, e surgia o vilão debaixo da máscara, já era tarde, pois já tinha na mão tudo o que era possível à ambição desenfreada. A literatura era apenas o pretexto, a fachada, de que se utilizavam para mercadejar a alma ao diabo, utilizando-se dos jornais, empregos, editôras para tirar partido pessoal, ou fazer política pessoal ou de grupo literário, ar ralhar ou esmagar rivais ou adversários, num processo inglório que lhes define a mesquinhez de alma. As mais novas gerações não se deixam enganar com essa tôrpe máscara da literatura e a repelem vivamente. Observa-se que as agita um sôpro de inconformismo e sobretudo de gravidade. São graves e sérios os jovens que se sentem atraídos para o exercício das letras. Não vélem a literatura como uma palhaçada ridícula. Encaram-na como um sacerdócio, a que se inclinam por vocação séria, não apenas para funcionar como politiqueiros e saltimbancos de mesas de café e bar. A literatura saiu do âmbito da capacoçada e do cafajestismo, da embromação e do embuste, da farsa e da palhaçada. A criação das faculdades de Filosofia e Letras é em grande parte responsável por essa evidente transformação de nossos hábitos e mentalidade literária. É o espírito universitário, embora tenro, já dando os seus frutos, pela introdução de um senso de gravidade da vida literária e cultural; de responsabilidade em face da produção do espírito; de disciplina mental e ética; de consciência estética e profissional; de amadurecimento técnico. A isso deverá o país muita coisa nova, que corrigirá a nossa tradição - herança da colonização lusa - de irresponsabilidade, aventureirismo, improvisação, amadorismo, diletantismo.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Não sei os motivos, mas me recordo perfeitamente que eu proprio comprei este livro


 

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