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O Governo Castelo Branco

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O Governo Castelo Branco

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Autor: Luis Viana Filho  

Editora: José Olympio

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 571

Ano de edição: 1975

Peso: 865 g

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Ótimo
Marcio Mafra
25/09/2002 às 15:19
Brasília - DF

O "espírito público" sem dúvida, preside a narrativa de Luis Viana na elaboração deste livro grande, que conta o tempo de um governo dito revolucionário, na verdade, seqüência de um golpe de estado no Brasil, em 1964.

É um testemunho da história que não se pode desprezar, escrito por um homem integro, porém, empedernido direitista.

Depois de ler "O Governo Castelo Branco" e ainda o "Os militares no Poder", fica mais cristalizada a idéia de que o golpe militar de 1964, foi a "vendeta" dos tenentes perdedores da revolução de 1930 e 1946 do Getulio Vargas.

Como toda vingança é um prato que se come frio,será mais fácil entender porque os militares levaram quase 20 anos, para praticá-la.

As intervenções e golpes militares foram comuns na história republicana brasileira. Antes de abril de 1964, porém, nenhuma dessas interferências resultou num governo presidido por militares. Em 15 de março de 1964, eles assumiram o poder por meio de um golpe e transformaram o governo, numa ditadura contínua, presidida por oito militares de alta patente: Castello Branco, Costa e Silva, Aurélio Lyra, Augusto Rademaker, Márcio Mello, Emílio Medici, Ernesto Geisel e João Figueiredo.

Foram 21 anos de contingenciamento da cidadania, arbitrariedades, prisões sem procedimentos judiciais, repressão aos movimentos de oposição, que durou até o dia 15 de março de 1985. No que se refere à economia, os ditadores fizeram um projeto desenvolvimentista que produziu resultados bastante contraditórios, tendo em vista que o país ingressou numa fase de industrialização e crescimento econômico acelerados, sem beneficiar, a maioria da população, em particular a classe economicamente mais pobre.

Há que ler o escrito do Luiz Viana. É um bom livro, apresar do tema. O autor tem talento, estilo e inteligência.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Testemunho do governo do ditador militar Castelo Branco, escrito pelo seu Chefe da Casa Civil e depois Ministro da Justiça.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Na política, é a Presidência da República o ponto culminante. Entretanto, exercendo-a, há os que o fazem parecer mais alto. Talvez pela soma de poderes que enfeixa o Presidente, cuja imagem é a de um "deus todo-poderoso", capaz do mal e do bem na medida em que o deseje, ela é extraordinariamente sensível, e reflete permanentemente concepções, atitudes e temperamento do seu ocupante. Para ela mantém o país os olhos voltados continuamente. Ainda mal concluído o primeiro ano de Governo, Castelo Branco parecia sentir-se à vontade no cargo, que já perdera para ele os vezos de mistério, senão talvez os de apreensão e de temor. A continuidade do mandato o fizera desembaraçado, seguro no exercício do cargo. Vencera as dificuldades do começo, quando tudo é mais ou menos desconhecido, e tomara as rédeas do poder. Dir-se-ia tratar-se de veterano da política e da administração, tão depressa aprendera o novo ofício, ajustando-se à Presidência até formar com esta uma só imagem. Osvaldo Trigueiros, vendo-o pouco depois de haver assumido o Governo, conservou esta lembrança: "Desde o meu primeiro contato com o Presidente, tive a impressão de que ele exercia um ofício para o qual se preparara durante toda a vida." Ele era o que escritores norte-americanos chamam "um presidente natural", talo desembaraço no exercício da função. Os imperativos do cargo libertavam-lhe as virtudes latentes, até então adormecidas. Agora, elas emergiam, e a Nação mostrava.se confiante sob a liderança do timoneiro vigilante, austero, firme e infatigável. Para grande parte do país fora o imprevisto. O ministro Gallotti, por exemplo, ouvindo-o discursar no Supremo Tribunal Federal, dois dias após haver assumido o Governo, não escondeu sua surpresa, diante dos conceitos que revelavam o estadista. Aos poucos, dentro daquele mundo de controvérsias, retalhado pelas paixões, imolado aos sacrifícios indispensáveis à recuperação e desenvolvimento, despontava um traço de esperança. Prudente de Morais Neto (Pedro Dantas), jornalista conhecido pela severidade das críticas, fez por esse tempo, no Diário de Noticias, apreciações bem significativas do inesperado êxito do Presidente: "O marechal Castelo Branco tem revelado neste breve período de governo soi-disant revolucionário extraordinárias qualidades de homem de Estado, que o indicam, sem a menor dúvida, como dos mais aptos no exercício da Presidência da República. Para muitos foi uma surpresa e uma revelação. Os que pensavam que a Revolução nos daria um chefe militar, um pouco perdido por entre os problemas da administração e da política - problemas irredutíveis a termos de disciplina militar e criações bélicas - viram-se, pelo contrário, ante um esclarecido e completo chefe de governo, bem formado, bem orientado, além de perfeito conhecedor dos mecanismos do regime. Em suma, um presidente como poucos, realmente excepcional." Castelo subira muito no apreço do país. A ascensão, entretanto, custou alto preço. Inicialmente, o Presidente e seus auxiliares necessitaram adaptar-se à contingência de viverem num avião, entre, o Rio e Brasília. Fora essa uma constante do Governo, pois, na época, não havia outro meio de administrar o país. Recebera-se apenas uma advertência da Aeronáutica, para que o Presidente, entre os meses de outubro a março, evitasse voar à tarde, por causa das turbulências da atmosfera. E extenso relatório deu conta dos inconvenientes, para a saúde, de mais de um pouso diário. Nem sempre esses avisos foram observados. Tornara-se o avião até oportunidade de repouso. O Presidente, por exemplo, lias duas horas e pouco consumidas entre a antiga e a nova capital, raramente deixava de recolher-se ao aposento a ele reservado, vestir o pijama, e dormir cerca de uma hora. O resto do tempo, usava-o em conversa descontraída, dispersa, com aqueles a quem convidava, especialmente ministros e parlamentares, com os quais trocava impressões sobre assuntos do dia-a-dia. Parecia deixar as preocupações em terra, tornando as viagens geralmente agradáveis. Creio que o único problema que surpreendeu o Presidente em pleno vôo, de Brasília para o Rio, foi o da viagem do ex-presidente Perón à Argentina, com escala no Rio de Janeiro, e, possivelmente, Assunção. Pela madrugada, Juraci Magalhães, atendendo solicitação do embaixador da Argentina em Washington, telefonara ao ministro Vasco Leitão da Cunha, então na Assembléia Geral das Nações Unidas, transmitindo-lhe pedido do governo argentino para interceptar-se a viagem de Perón. Imediatamente, Vasco comunicara-se em Madri com o embaixador Câmara Canto, que, por acaso, assistira ao embarque. Confirmado o fato, pediu ao embaixador Antônio Castelo Branco, que respondia pela pasta do Exterior, levar ao Presidente a solicitação. Saíramos cedo de Brasília, e, a meio trajeto, através de um rádio, se expusera a questão ao Presidente, que teve de decidi-Ia sem demora, pois o avião da Ibéria já pousava no aeroporto do Galeão. Interpretava-se a volta de Perón não apenas como restrita à opinião argentina, mas também como fonte de agitação na América do Sul, onde o comunismo, o brizolismo e o peronismo se davam as mãos, buscando conquistar alguma base. Ali mesmo o Presidente deu instruções no sentido do retorno do ex-presidente à Espanha, mas a decisão provocou agitações em Buenos Aires, onde peronistas queimaram o retrato de Castelo. Mais tarde, um jornalista norteamericano perguntou-lhe como reagira a esse protesto. Castelo, com bom humor, limitou-se a retrucar-lhe "Tomara que tenha sido um [retrato] muito horrível que anda por aí." Aliás, não demoramos em receber a honrosa visita do agradecido chanceler Zavala Ortiz. Durante o Governo, o Presidente continuou a viajar ininterruptamente, visitando mais de noventa cidades, em 976 horas de avião. Um ano de experiência mostrou ser definitiva a rotina das viagens entre a antiga e a nova capital, embora se houvesse instalado em Brasília, no Palácio da Alvorada. A.li, ele colocara seus objetos pessoais, seus livros, seus discos e retratos, entre os quais ressaltava o de D. Argentina, que parecia ainda presente, tantas as vezes em que a recordava, discreto e afetuoso. Na realidade, essa ausência era a nuvem dos dias de viuvez. E ele costumava dizer que "carregava uma tristeza." No Alvorada, o Presidente ocupou o apartamento da ala direita, no andar superior, e, excetuado o expediente no Planalto, aí concentraria atividades e vagares. Estes eram breves, aliás, quase sempre reservados à leitura ou à audição de discos, clássicos geralmente. Quanto aos livros, eram os mais diversos, e revelavam a sua generalizada curiosidade intelectual. Não raro, surpreendia os auxiliares trazendo em mãos uma obra inesperada, como ocorreu ao indagar de Golberi quem eram Dias Gomes e Paulo Francis, respectivamente, autor e apresentador da peça O Berço dos Heróis, cujo tema lhe parecera fraco e demasiadamente já explorado no teatro. Ao iniciar-se o Governo, Salvador Diniz, genro do Presidente, veio, enquanto procurava residência em Brasília, instalar-se com a família no Alvorada. Essa situação permitiu a Antonieta Diniz, a filha do Presidente, conhecida simplesmente como Nieta, tocar de alegria e bom gosto àquelas salas amplas, belas e frias. Seria, aliás, passageira essa estada na residência presidencial. Austero, de hábitos modestos, reservado, Castelo parece haver preferido submeter-se ao isolamento. Daí observar Osvaldo Trigueiros: "Homem de probidade insuspeitável, conduziu-se com circunspecção pessoal não ultrapassada por qualquer dos seus antecessores, nos velhos tempos. De seu Governo pode-se dizer, literalmente, que não teve copa e cozinha. Que me conste não empregou parente ou aderente... A filha casada, que fazia as vezes de primeira dama, morava numa casa de madeira, construída pela Novacap, num acampamento de construção." Para Castelo a severidade começava com ele próprio. Também o trabalho era árduo e interminável. Em certo momento, apesar do vigor do Presidente, alguns familiares recearam fosse excessivo. O prof. Pacheco e Silva, médico, pessoa da estima de Castelo, escreveu-lhe, sugerindo-lhe limitar as viagens, reduzir o trabalho, e não assumir maiores compromissos. "Nós, os seus amigos - dizia a carta - particularmente eu, como médico, estamos muito preocupados com o trabalho exaustivo a que o eminente amigo está se entregando." Certamente, nada estava menos nas cogitações do Presidente do que diminuir o ritmo de trabalho. Era este o fardo inerente ao presidencialismo, no qual a personalidade de cada Presidente revela indelevelmente a altitude com que é exercido o poder, se não o peso com que pode ser esmagado irremissivelmente. O presidente Truman considerou a Casa Branca "a melhor prisão do país." Uma comissão designada pelo segundo Roosevelt, para estudar o assessoramento do Chefe do Executivo, concluiu, possivelmente sem originalidade: "The President needs help." Realmente, toda a ajuda será pouca para o cargo a que chamaram "uma máquina de decisões", e definiram como uma súmula de poder e encargos. Lourival Fontes, com a experiência de Chefe da Casa Civil do Presidente Vargas, legou-nos estas impressões: "É muito difícil explicar e definir os poderes dimensionais da Presidência da República como instituição. É a maior soma de poderes sobre os ombros dum simples mortal. É um quase ditador mais do que um aprendiz de ditador... É o homem das linhas de fogo, do gosto das batalhas, do risco das emergências. É o homem forte sobrecarregado de vontade que precede, que marcha à frente dos acontecimentos, que resolve as situações de disputa, que leva nos ombros as responsabilidades das decisões, que conduz os conflitos na mais exposta das posições, que responde pela integridade, pelos direitos, pelos interesses da nação... Não há a matriz ou o retrato do poder presidencial. É o mais plástico, mais indefinido e mais incerto dos poderes governamentais... O Presidente é o pico solitário ou o porto seguro, seja ele ordinário ou excepcional. É ele que estende ou restringe o exercício ou a prática do poder.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Não se pode prescindir de tal testemunho para conhecer o tempo da tumultuada vida política e institucional do Brasil, conspurcada pelo golpe militar, de 1 de abril de 1964, transformado numa longa ditadura, que só terminou 21 anos depois, no dia 15 de março de 1985.


 

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