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A Verdade

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A Verdade

Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: Paulo Rangel  

Editora: Simbolo

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 169

Ano de edição:

Peso: 235 g

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Ruim
Marcio Mafra
20/10/2002 às 13:17
Brasília - DF

Comentário transcrito da coluna "Porta de Livraria", do jornal O Globo, e editado na última capa do " A Verdade". "....o livro de Paulo Rangel vem modificar panoramas e mostrar que as letras deste país são capazes de continuadas renovações:..." O comentário é uma verdade simples. O texto do Rangel, não. "....Gurgel, limpo de raiva, esterça o guidão para a esquerda e vai, seco, duro, isento de emoções, ao seu destino. Desenrola-se à sua frente um lindo descampado, colorido de vermelho coagulado. Enfia a viatura contra o casal, vê quatro mãos se levantando e ainda ouve o morno estampido do choque. Os paralamas do carro imprensam os joelhos de Rosana e de Marco contra o tronco da exótica criptoméria, decepando-os....." É o caso do leitor perguntar qual o "panorama" que o autor pretendia modificar. Isso mais parece um sintoma de "intelectualice mórbida", doença incurável que assola escritores. A verdade - as vezes - dói. Como aqui!


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Gurgel

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O ginasta dá uma cambalhota e cai nas urdiduras da aranha. As teias entrelaça das se abrem, os pensamentos rodopiam com o salto da morte, estonteados, embrutecidos, porém recolocam-se em posição vertical: seguram o corrimão e principiam a descer os degraus, reentrando no ventre obscuro. As pelotas elásticas batem em todos os frontões, buscando uma válvula de luz: desfiadas, repicam no solo, os tecidos tornam a se agrupar e recomeçam a se embater contra as rochas de granito. Querem a compreensão total, inutilmente. Há lampejos, clarividências súbitas: no entanto a enxurrada de hipóteses - todas traumatizantes - vai engrossando. Seria necessário engolir um comprimido anti-hipertensivo para enxergar com mais clareza. As cartas do baralho são arremessadas pelos rolos das rotativas com impressionante velocidade para todos os lados, parecendo um enxame de abelhas afugentadas por um ventilador de setenta polegadas de diâmetro, e se espalham pelo interior das paredes cranianas em um redemoinho incessante de revoltas e incertezas. Dois barbantes, com consistência de arame, são estendidos no vazio: um, entre as duas orelhas; o outro, entre a testa e a nuca. As tiras são molhadas com uma gosma gelatinosa semelhante ao mel: os insetos, atraídos por essa armadilha, morrem consecutivamente: no início as barbatanas e antenas nadam e se sacodem no vácuo para se desvencilhar do laço. mas sucumbem depois de algum esforço e ficam suspensas, balançando-se ao vento com suas asas nervuradas, até seus movimentos se exaurirem e ficarem gingando como minúsculas bandeirolas sem vontade própria. Os fios entram em uma roldana, cujas dentes reiniciam a triturá-los: os carretéis rodopiam, comendo os barbantes pegajosos. A moenda de cana destila um líquido negro: engrossada a sopa, ela se transfunde em corizas e sucos lacrimais, atravessa as mucosas e se evola na atmosfera. Todavia fica o diminuto pigmento canceroso dentro do globo da morte - e ele vai se decompondo, se espraiando em pútridas desconfianças. Como encontrar a nervura exata do diamante, o qual, com uma bem aplicada machadada, ou mesmo com o choque da ponta de uma chave de fenda fará com que o carbônio puro se divida em partes, desmoralizando-se finalmente? Em segurar a cureta e dar o bote fatal reside o segredo. Feita essa operação com um bisturi bem afiado tudo se esclarecerá - e então será possível adiar uma conduta. O difícil é navegar em um plasma de areia movediça. Os galhos circundam o poço e só o fato de haver uma opção complica a tarefa da escolha. As suposições gesticulam por ondas opostas, e apesar das oscilações - Gurgel medita. Os seus sobressaltos descem para o vale: tropicam nas corredeiras, embatem-se contra os mármores, e continuam a baixar em procura de um pavio aceso. Afinal, vista do alto, a cidade de Rosana nada mais é do que uma caixa de marimbondos: uma das treze residências de pigmeus dispostas em fila: uma das inúmeras canecas viradas de borco que podem ser varridas por um ciclone: estrelas desentranhadas de um tapete que podem ser pisadas -e esmigalhadas por um gigante. Gurgel dá um passo de setenta quilômetros, tão comprido quanto mil setecentos e sessenta e cinco dias e quando percebe está passeando pelas ruas de um passado que não conheceu, porém imagina. - Quando ela se levantou do tombo, com certeza já havia colado grau - murmura Gurgel intempestiva e descontroladamente, e ao fazê-lo, assusta um fantasma desprevenido.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Nada para registro.


 

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