carregando

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

 

Amar Se Aprende Amando

Para usar as funcionalidades você precisa estar logado(a). Clique aqui para logar
Erro ao processar sua requisição, tente novamente em alguns minutos.
Amar Se Aprende Amando

Livro Ótimo - 1 comentário

  • Leram
    2
  • Vão ler
    6
  • Abandonaram
    0
  • Recomendam
    3

Autor: Carlos Drummond de Andrade  

Editora: Record

Assunto: Poesia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 178

Ano de edição: 1987

Peso: 335 g

Avalie e comente
  • lido
  • lendo
  • re-lendo
  • recomendar

 

Ótimo
Marcio Mafra
10/11/2002 às 17:03
Brasília - DF

Carlos Drummond de Andrade é uma celebridade. No Brasil não há quem não tenha ouvido seu nome. Nem sempre foram lidos ou ouvidos os seus poemas, mas o seu nome inspirou crônicas, reportagens, alunos, escolas, professores, notas, discursos, artistas, jornalistas, revistas, álbuns, rádios, televisões, jornais, exposições, eventos, estátuas, governos, governantes e governados. Embora ele tem morrido em 1987, foi no ano de 2002 - centenário de seu nascimento - que a mídia fez a festança drummondiana. Durou quase o ano inteiro. O jornalista da editora Abril, Diogo Mainard, a única voz dissonante da mídia. Também é verdade que o Mainard discorda de tudo. Drumond de Andrade é Mestre, o que não o livra de ter produzido versos feios, poemas ruins, rimas chatas. Quem produziu literatura à mancheia, evidentemente terá feito algumas bobagens, assim como fez a obra prima "no meio do caminho". "Amar se aprende amando" pode ser considerado um livro muito bom, mas... que é piegas, é.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Sessenta e oito poemas do mestre Drummond de Andrade: Carta Guia de Amantes, 12 poesias, O Convívio Ideal, 23 poesias, Alegrias e Penas por Aí, 33.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A excitante fila do feijão. Outubro de 1980. Larga, poeta, a mesa de escritório, esquece a poesia burocrática e vai cedinho à fila do feijão. Cedinho, eu disse? Vai, mas é de véspera, seja noite de estrela ou chuva grossa, e sem certeza de trazer dois quilos. Certeza não terás, mas esperança (que substitui, em qualquer caso, tudo), uma espera-esperança de dez horas. Dez, doze ou mais: o tempo não importa quando aperta o desejo brasileiro de ter no prato a preta, amiga vagem. Camburões, patrulhinhas te protegem e gás lacrimogêneo facilita o ato de comprar a tua cota. Se levas cassetete na cabeça ou no braço, nas costas, na virilha, não o leves a mal: é por teu bem. o feijão é de todos, em principio, tal como a liberdade, o amor, o ar. Mas há que conquistá-lo a teus irmãos. Bocas oitenta mil vão disputando cada manhã o que somente chega para de vinte mil matar a gula. Insiste, não desistas: amanhã outros vinte mil quilos em pacotes serão distribuídos dessa forma. A conta-gotas vai-se escoando o estoque armazenado nos porões do Estado. Assim não falta nunca feijão-preto (embora falte sempre nas panelas). Método esconde-pinga: não percebes que ele toma excitante a tua busca? Supermercados erguem barricadas contra esse teu projeto de comer. Há gritos, há desmaios, há prisões. suspense à la Hitchcock ante as cerradas portas de bronze, guardas do escondido papilionáceo grão que ambicionas. É a grande aventura oferecida ao morno cotidiano em que vegetas. Instante de vibrar, curtir a vida na dimensão dramática da luta por um ideal pedestre mas autêntico: Feijãol Feijão, ao menos um tiquinho! Caldinho de feijão para as crianças... Feijoada, essa não: é sonho puro, mas um feijão modesto e camarada que lembre os tempos tão desmoronados em que ele florescia atrás da casa sem o olho normativo da Cobal. Se nada conseguires... tudo bem. Esperar é que vale - o povo sabe enquanto leva as suas bordoadas. Larga, poeta, o verso comedido, a paz do teu jardim vocabular, e vai sofrer na fila do feijão.


  • Chega de Drumond

    Autor: Diogo Mainard

    Veículo: Revista Veja, em novembro de 2002

    Fonte:

    Chega de Drummond. Para onde quer que se olhe, Drummond e mais Drummond. Em Copacabana, colocaram uma estátua. Em Piracicaba, outra. Em Itabira, aluninhos de escolas fundamentais recitavam Drumond, em plena Rodoviária, dando boas vindas aos visitantes da cidade. Até o arroz de festa nacional, o inigualável Pelé gravou um CD com poemas de Drumond. Luiz Felipe Scolari o mencionou em seu livro de memórias. Uma moeda foi cunhada com sua esfingie. Inspirou espetáculos folclóricos, de teatro e de cinema. Foi citado em receita de tutú a mineira. Lula, o Presidente eleito, apareceu com seus livros debaixo do braço e com ar doutoral disse que ajudavam a prepará-lo "espiritualmente" para a Presidência. Ronaldinho fez gol em sua homenagem. Cid Moreira - em off - quase chorou ao declamar seus versos. O Presidente do Supremo Federal, tacou seu nome num despacho jurídico. Foi tanto Drumond, que muita gente ficou enjoada dele. É notavel a pieguice de Drummond, seu sentimentalismo ginasiano, seu lirismo kitsch: "Amor é estado de graça"; "amor foge a dicionários"; "amor é primo da morte"; "amor é grande e cabe no espaço de beijar"; "quem tem amor tem coragem"; "o amor bate na porta"; "vamos conjugar o verbo sempreamar". Na prosa, Drumond aparece em toda a sua constrangedora banalidade, com historinhas caipiras sobre o Dia das Mães e o Dia dos Namorados ou sobre os velhos bares do interior de Minas. Numa crônica de Natal, ele sonha com o dia em que "o mundo será governado exclusivamente por crianças". Numa crônica em homenagem à Chico Buarque, escrita em 1966, ele proclama que nunca foi da Arena nem do MDB. Quando convinha ser da esquerda, porque todos os poetas o eram, Drummond fazia poesia de esquerda. Quando o clima piorou, e os esquerdistas começaram a ser perseguidos pela ditadura de 64, ele achou melhor pular fora, escrevendo sobre minúsculos acontecimentos do dia-a-dia. Nos manuais de literatura, Drummond é louvado por sua ironia. Uma ironia amável, benévola, cúmplice, que se esforça para confortar e apaziguar, sem jamais correr o risco de ferir o leitor. A seguir, quando ironiza sua frivolidade, seu provincianismo, sua teimosia em tratar de assuntos menores, ele sabe que está num terreno seguro, tendo sido aclamado por causa disso, pelos maiores críticos do país. Chega de Drummond. Pelos próximos dez ou quinze anos é melhor ficar longe dele.

 

Receber nossos informativos

Siga-nos:

Baixe nosso aplicativo

Livronautas
Copyright © 2011-2020
Todos os direitos reservados.