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Náufragos, Traficantes e Degregados

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Náufragos, Traficantes e Degregados

Livro Excelente - 2 comentários

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Autor: Eduardo Bueno  

Editora: Objetiva

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 200

Ano de edição: 1998

Peso: 350 g

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Excelente
Elias Marinho
25/07/2013 às 18:14
Santa Maria - DF
Sem dúvida um dos meus autores favoritos. Sei que o objetivo aqui não é falar do autor e sim da obra, más não dá para simplesmente não citar o Eduardo Bueno. Ele é um daqueles autores fantásticos que reforçam o gosto pela leitura, tornando a História, como disciplina, interessante para aqueles que não gostavam dela e mais fascinante ainda para os seus amantes.
O livro como não poderia deixar de ser é excelente, não há qualquer capítulo que não seja bom o suficiente para não estar lá, os acontecimentos são apresentados numa ordem cronológica muito bem amarrados e de forma natural, e muitas vezes bem humorada. Esse é mais um daqueles livros que começamos a ler e torcemos para que ele não acabe logo. Não deixando de mencionar que este livro nos ajuda em muito a entender a história de nosso país.
Diversas passagens ficarão gravadas comigo, como: a conquista do Rio da Prata, a passagem pelo Estreito de Magalhães, o abandono de um pai e filho numa ilha cujos índios eram conhecidos como “comedores de cabeça” e também como me esquecer da explicação de quem foi Américo Vespúcio e porque a América ganhou o seu nome.
Recomendo este livro àqueles que gostam de história e também àqueles que não gostam, certamente não se arrependeriam de ler. Não vejo a hora de ler os livros sequenciais, certamente vou acha-los tão maravilhosos quanto este.

Excelente
Marcio Mafra
24/12/2002 às 19:30
Brasília - DF

Outro livro para ser "devorado". Trata das primeiras expedições de Portugal ao Brasil, e que aconteceram nos primeiros 30 anos depois do descobrimento, quando o território ficou às moscas. No entanto, muitos náufragos, assim como traficantes e degredados vieram dar com os costados aqui e - igualmente - muitos desempenharam um papel fundamental na histórias da conquista do país. Muitos deles fizeram alianças com povos indígenas, cujas conseqüências políticas, religiosas, antropológicas e históricas influenciaram diretamente a vida brasileira, por mais de um século. Casos pitorescos e bem humorados tornam a história agradável, boa e original. Náufragos, Traficantes e Degredados é livro cujo autor é escritor. Vale a leitura. Excelente.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história dos naúfragos, traficantes e degredados que chegaram ao Brasil logo após a descoberta do país, em 1500, passando por suas incríveis aventuras no período mais nebuloso na conquista do país.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A leitura do regimento da nau Bretoa - que pretendia regular cada passo de seus tripulantes - revela que o navio era uma espécie de quartel flutuante, cuja única missão além-mar era a obtenção do maior lucro no menor tempo possível. Em tese, não havia nada de aventuresco na vida dos primeiros "brasileiros". Praticamente tudo lhes era vetado. Não podiam ultrapassar os limites da feitoria. Não podiam visitar a terra firme. Não podiam falar e muito menos negociar com os indígenas. Não podiam pernoitar fora da nau. E não podiam sequer praguejar: aqueles que "arrenegassem" de Deus, da Virgem ou dos santos seriam multados em três mil réis e passariam um tempo na cadeia na volta a Portugal. Os rigores da lei parecem indicar quão movimentado era o dia-a-dia dos recolhedores de pau-brasil e revela as "infrações" que mais cometiam: praguejavam, dormiam com as nativas, comercializavam com os índios, fugiam da feitoria, ou do navio, e iam para a terra. De todo modo, os oficiais também estavam submetidos à ordens estritas. Tudo que entrasse ou saísse do navio tinha que ser minuciosamente anotado pelo escrivão - até as agulhas. Tudo era numerado: as peças de "resgate" (facas, anzóis e machados), que saíam do navio diretamente para as mãos do feitor, e as toras que nele entravam. Eis um trecho do regimento: "Todos os paus do dito Brasil que se carregarem na dita nau entrarão nela e se arrumarão perante vós e perante vosso escrivão, que os assentará com boa-fé em seu livro, de tal forma que não possa haver nisso nenhum erro e a arrumação deles (os paus), a mandareis fazer de tal modo que possa trazer a dita nau a maior soma que puder, sem vir coisa alguma dela de vazio." Qualquer demora inexplicada ou escala desnecessária custaria ao capitão o seu ordenado e alguns dias na prisão. Além de supervisionar o embarque da carga, os oficiais tinham uma outra responsabilidade: deveriam evitar a qualquer custo a deserção e a fuga dos marinheiros ou grumetes. É o que fica claro no seguinte trecho do regimento: "Vos lembrareis de terdes grande vigia na gente que vos acompanha, de maneira que não se possa na dita terra se lançar nem ficar nenhum deles, como algumas vezes já fizeram, o que é coisa muito odiosa ao comércio e ao serviço do dito Rei." Desta determinação - e do fato de dois grumetes terem desertado da armada de Cabral- é lícito supor que um significativo número de marinheiros fugia das naus e procurava abrigo junto com os indígenas. A única brecha num regulamento de resto extremamente restritivo era a possibilidade, aberta a todos os tripulantes, de trazer para Portugal animais silvestres do Brasil - especialmente papagaios, macacos e felinos de pequeno porte. Tal negociação, no entanto, deveria ser feita exclusivamente por intermédio do feitor e nunca diretamente com os índios. Os "brasileiros" da nau Bretoa se serviram amplamente da única chance de obter algum lucro pessoal com sua árdua jornada: mais de 60 animais foram levados para Lisboa, entre eles 15 papagaios, 12 felinos e seis macacos, além de sagüis e tuins. Só um certo Jurami, criado de Bartolomeu Marchioni, adquiriu oito papagaios, sete felinos e cinco macacos. Nesse caso, porém, deve tê-las comprado não para si, mas para o patrão. Ao todo, esses animais foram avaliados em oito mil réis, valor sobre o qual o escrivão recolheu "um quinto", referente aos impostos reais. O regulamento da Bretoa também proibia expressamente que se desse "carona" aos indígenas, especificando que, por mais que eles insistissem, nenhum deveria ser levado para Portugal. O motivo para tal proibição, explicado pelo próprio regulamento, é bastante curioso. Como muitos dos nativos que decidiam embarcar por livre e espontanea vontade para Portugal acabavam morrendo a bordo dos navios ou na Europa, e como os poucos que lá chegavam raramente retomavam, seus parentes julgavam que os portugueses "os haviam comido, conforme era costume entre eles próprios". É interessante contrapor esse detalhe com outro documento da época, a Nova Gazeta da Terra do Brasil, na qual se afirma que, muitas vezes, era difícil conter o ímpeto dos nativos, "dispostos a embarcar de qualquer maneira, pois achavam que iam para a Terra da Promissão". Embora o regimento também especificasse que "nenhum mal ou dano" deveria ser "cometido contra os naturais da terra", a nau Bretoa levou 36 escravos para Lisboa - número igual ao da tripulação original do navio. Eram 26 mulheres e dez homens. Só o capitão Cristóvão Pires adquiriu "dois moços e três moças, além de uma moça, que levou por encomenda de Francisco Gomes". O despenseiro Jurami, criado do banqueiro Marchioni, comprou "um homem e quatro moças" - não para si, mas para o patrão. O fato de os tripulantes da Bretoa terem "resgatado" quase o triplo de "moças" do que de homens levou pelo menos dois historiadores a concluir que tais escravas eram utilizadas "basicamente como objetos sexuais". Em princípios de agosto, a nau Bretoa zarpou de Cabo Frio e no dia 11 de outubro de 1511 ancorou em Lisboa. A viagem durara exatos oito meses e, apenas com o pau-brasil, o lucro de Fernando de Noronha, Bartolomeu Marchioni e seus dois sócios chegou a quatro mil ducados. Antes da partida para Portugal, o feitor João de Braga e o escrivão Duarte Fernandes concluíram que os culpados pelo roubo das machadinhas e cunhas, ocorrido na baía de Todos os Santos, eram o piloto João Lopes de Carvalho e um certo Pedro Annes, marinheiro. Embora jurassem inocência, ambos foram desterrados no Brasil. É provável que João de Braga também tenha ficado em Cabo Frio, em substituição ao feitor anterior, que retornou com a Bretoa para a Europa, depois de uma permanência de quatro ou cinco anos no Brasil. Poucos meses depois do desterro, João Lopes de Carvalho e Pedro Annes conseguiram fugir para o Rio de Janeiro, onde também havia uma feitoria. A partir dali, alguns anos mais tarde, eles viriam a desempenhar um papel importante na história das viagens marítimas e da exploração do litoral brasileiro.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Outra feliz aquisição de livros, feita pelo Rafael na ocasião em que viajou para a Bienal do Livro.


 

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