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Todos os Belos Cavalos

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Todos os Belos Cavalos

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Autor: Cormac McCarthy  

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: Marcos Santarrita

Páginas: 269

Ano de edição: 1993

Peso: 300 g

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Excelente
Marcio Mafra
02/02/2003 às 20:06
Brasília - DF

Alguns romances se sabe o final da história antes mesmo de começar a leitura. Outros se antevê o final logo nas primeiras páginas e assim por diante. Todos Os Belos Cavalos é diferente. Trata-se de um romance com linguagem seca e densa onde momentos de violência muito bem descritas se misturam com a mais pura poesia. Muito bom. Coisa rara em traduções de autores norte americanos. Vale a leitura.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de John Grady que vai do Texas para o México, a cavalo, em pleno 1950....

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Duena Alfonsa era ao mesmo tempo tia-avó e avó da moça e sua vida na hacienda estava envolta em laços com o Velho Mundo e antiguidade e tradição. A não ser pelos velhos volumes encadernados em couro os livros na biblioteca eram seus livros e o piano seu piano. O antigo estereóptico no salão e o par casado de pistolas Greener no guarda-roupa do quarto de don Héctor tinham pertencido a seu irmão e era com seu irmão que ela aparecia nas fotos tiradas diante de catedrais nas capitais da Europa, ela e a cunhada em brancos trajes de verão, o irmão de terno com colete e gravata e chapéu panamá. Os bigodes negros. Os negros olhos espanhóis. A postura de grandeza. Os mais antigos dos vários retratos a óleo no salão cobertos de bárbara pátina negra como uma velha vitrificação de porcelana eram do bisavô dela e datavam de Toledo em mil setecentos e noventa e sete. O mais recente era dela mesma de corpo inteiro em trajes formais por ocasião de sua quinceanera em Rosário em mil oitocentos e noventa e dois. John Grady nunca a vira. Talvez uma silhueta entrevista de passagem no corredor. Só soube que ela sabia de sua existência quando uma semana depois que a moça voltou à Cidade do México foi convidado a ir à casa à noite jogar xadrez. Quando se apresentou na cozinha vestindo as novas camisa e calça de tela Maria ainda lavava os pratos do jantar. Ela se voltou e o examinou ali parado com o chapéu na mão. Bueno, disse. Te espera. Ele agradeceu e cruzou a cozinha e subiu o corredor e ficou em pé na sala de jantar. Ela se levantou da mesa junto à qual se sentava. Curvou a cabeça muito de leve. Boa noite, disse. Por favor, entre. Eu sou a sefíorita Alfonsa. Vestia uma saia azul-escura e uma blusa branca de pregas e tinha o cabelo grisalho puxado para cima e parecia a professora primária que na verdade fora. Falava com sotaque inglês. Estendeu a mão e ele quase se adiantou para apertá-la antes de perceber que ela indicava a cadeira à sua direita. Noite, senhora, ele disse. Eu me chamo John Grady. Por favor, ela disse. Sente-se. Estou contente que tenha vindo. Obrigado, senhora. Ele puxou a cadeira e sentou-se e pôs o chapéu na cadeira ao lado e olhou o tabuleiro. Ela apoiou os polegares na borda e empurrou-o ligeiramente para ele. O tabuleiro era montado de blocos de nogueira circassiana e com uma borda de incrustação de madre pérola e as peças de marfim e chifre negro esculpidos. Meu sobrinho não quer jogar, ela disse. Eu o massacro. É massacrar que se diz? É, senhora. Acho que sim. Como ele ela era canhota ou jogava xadrez com a mão esquerda. Faltavam-lhe os dois últimos dedos mas ele só notou isso quando o jogo já ia bem avançado. Finalmente quando ele lhe tomou a rainha ela admitiu a derrota e cumprimentou-o sorrindo e indicou o tabuleiro com certa impaciência. Já estavam bem avançados no segundo jogo e ele tomara os dois cavalos e um bispo quando ela fez duas jogadas sucessivas que o obrigaram a parar. Estudou o tabuleiro. Ocorreu-lhe que talvez ela estivesse curiosa para saber se ele ia desistir e percebeu que na verdade já pensara nisso e sabia que ela pensara antes dele. Recostou-se e olhou o tabuleiro. Ela o observava. Ele se adiantou e mexeu o bispo e deu lhe xeque em quatro jogadas. Foi bobagem minha, ela disse. O cavalo da rainha. Foi um erro. O senhor joga muito bem. Sim, senhora. A senhora também. Ela suspendeu a manga da blusa e olhou um pequeno relógio de pulso. John Grady continuou parado. Passavam duas horas da sua hora de dormir. Mais uma?, ela perguntou. Sim, senhora. Ela usou uma abertura que ele nunca tinha visto antes. No fim ele perdeu a rainha e admitiu a derrota. Ela sorriu e ergueu o olhar para ele. Carlos havia entrado com a bandeja do chá e a pôs na mesa e ela afastou o tabuleiro para o lado e puxou a bandeja e arrumou as xícaras e os pires. Havia fatias de bolo num prato e um prato de biscoitos e vários tipos de queijo e uma pequena tigela de molho marrom com uma colher de prata. Aceita creme?, ela perguntou. Não, senhora. Ela balançou a cabeça. Serviu o chá. Eu não poderia usar essa abertura de novo com tanto efeito, disse. Eu nunca tinha visto antes. É. Foi inventada pelo campeão irlandês Pollock. Ele chamou de Abertura do Rei. Eu temia que o senhor a conhecesse. Eu gostaria de tornar a vê-la outra hora. Sim. Por certo. Ela empurrou a bandeja para a frente entre os dois. Por favor, disse. É melhor não. Vou ter sonhos ruins comendo tão tarde. Ela sorriu. Desdobrou um pequeno guardanapo de linho da bandeja. Eu sempre tive sonhos estranhos. Mas receio que sejam inteiramente independentes de meus hábitos. Sim, senhora. Os sonhos têm vida longa. Eu tenho sonhos hoje que tinha quando menina. Eles têm uma estranha durabilidade, para alguma coisa não muito real. Acha que têm algum sentido? Ela pareceu surpresa. Ah, sim, disse. Você não? Bem. Eu não sei. Estão na cabeça da gente. Ela tornou a sorrir. Acho que não considero isso a condenação para você. Onde aprendeu a jogar xadrez? Meu pai me ensinou. Deve ter sido um bom jogador. Mais ou menos o melhor que já vi. Você não podia vencê-lo? Às vezes. Ele esteve na guerra e depois que voltou eu cheguei a um ponto em que conseguia vencer mas acho que ele não se empenhava. Hoje não joga mais


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Um dos livros trazidos pelo Rafael quando de sua visita à 16ª Bienal do Livro de São Paulo, realizada entre 28 de abril e 7 de maio de 2000.


 

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