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Na Noite do Ventre, O Diamante

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Na Noite do Ventre, O Diamante

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Moacyr Scliar  

Editora: Objetiva

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 167

Ano de edição: 2005

Peso: 290 g

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Ótimo
Marcio Mafra
10/04/2009 às 20:09
Brasília - DF

O diamante de Moacyr Scliar faz um g rande roteiro - de ida e volta - ou seja desde a sua descoberta no ano de 1662, nos confins de Minas Gerais, rumo a Europa, de onde retorna nos intestinos de Gregório - como numa saga - da pedra preciosa. O personagem principal, vezes Gregório e vezes o diamante - representam tesouros, joias, e mitos que se ligam em maldições e prazeres, com nuances de atavismos, curiosos e divertidos. A leitura é fácil, prazerosa, com muitas referências históricas e culturais. Algumas passagens chegam a ser profundas e filosóficas. O final da história é quase surpreendente.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de um diamante, descoberto em Minas Gerais, que viaja pelo tempo, passando pela Rússia, Europa e Brasil, causando fugas, roubos, e ameaças para a família Nussebaum, inclusive para um de seus descendentes, de nome Gregório, que passa o diamante pelo seu intestino.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A polêmica foi num crescendo, e Spinoza não tardou a pagar por ela pesado preço. Os membros da comunidade judaica o evitavam; a família rejeitou-º Para ganhar a vida, começou a lecionar na escola de um ex-jesuíta, agora livre-pensador. O que configurou de vez a heresia: até Santo Agostinho Spinoza estudava. Os líderes religiosos tentaram em vão reconduzi-lo aos caminhos da verdadeira fé. Mandaram chamá-lo para uma reunião numa sala adjacente à sinagoga. Ali estavam os anciãos, sentados à mesa, tendo à frente o jovem rebelde. Apelaram a seus sentimentos à sua solidariedade; argumentando que, num grupo humano tão pequeno e tão perseguido, a união era essencial. Spinoza mantinha-se irredutível. Finalmente um deles, veterano comerciante, fez uma oferta; se Spinoza renunciasse às suas idéias receberia uma pensão anual. Apanhou um papel e a pena que estava àsua frente, molhou-a no tinteiro e caprichosamente escreveu uma cifra, mostrando-a ao jovem: mil florins, soma considerável que Spinoza rejeitou com um gesto. A ruptura estava consumada. Em 1656 foi excomungado, numa sombria cerimônia, que se iniciou com o toque do shofar, a trompa sagrada feita de chifre de carneiro, após o que foi lido o documento de excomunhão: "Por sentença dos anjos e dos santos execramos, excluímos, amaldiçoamos e rogamos pragas a Baruch Spinoza, com o consentimento de Deus Bendito e de nossa santa comunidade, em presença de nossos santos livros e dos 613 mandamentos que eles contêm... Maldito seja de dia e maldito seja de noite, maldito seja em seu deitar e maldito seja em seu levantar, maldito ao sair e maldito ao entrar... Cairão sobre ele todas as maldições escritas no Livro da Lei. Que seu nome seja apagado deste mundo, que Deus o separe das tribos de Israel." A Spinoza ninguém poderia falar ou mandar qualquer comunicação escrita, ninguém poderia prestar favores, ninguém poderia habitar sob o mesmo teto, ninguém poderia estar a menos de quatro côvados dele e ninguém poderia ler seus escritos. O ritual acompanhou-se de pesado simbolismo: durante a leitura do texto, as velas da sinagoga foram sendo apagadas uma a uma, sinal de que a luz divina deixava de brilhar para o herege. Spinoza não era o primeiro a sofrer a pena de excomunhão em Amsterdã: trinta anos antes Uriel da Costa passara pelo mesmo processo, e pela mesma razão: também ele defendera o primado da razão. Por causa disto fora preso, julgado e excomungado - duas vezes. Duas vezes arrependera -se, sendo submetido a um ritual de humilhação. Recebera 39 chibatadas, tivera de deitar-se no adro da sinagoga, para que os membros da comunidade, um a um, passassem sobre seu corpo (sem - pequena concessão - nele pisar). Ainda assim não renunciara a suas idéias; ameaçado, uma terceira vez, de julgamento, cometera suicídio. Spinoza não chegou a esse extremo, muito pelo contrário. Para indignação geral, trocou seu nome hebraico, Baruch, pelo equivalente latino Benedictus, o que, aos olhos dos judeus ortodoxos, era o detalhe que faltava para transformá-lo num irrecuperável pária. Deixou Amsterdã, mudou -se para a vizinha Onderkerk e, em 1661, para Rhijnsburg, pequena cidade célebre por suas tulipas. Já não podia ganhar a vida ensinando; foi sua formação judaica que, ironi camente, acabou por lhe proporcionar um meio de sustento. Dentro da tradição rabínica, segundo a qual era preciso ter uma profissão para não viver exclusivamente da atividade religiosa, Spinoza havia aprendido o ofício de polir lentes, muito valorizado então. Instalou uma oficina na casa em que morava e ali ficou, entregue a seu trabalho e à filosofia....." ..."A mãe e o pai já não falavam no anel, mas isto não representava para Gregório, uma absolvição. Continuava sentindo-se culpado, muito culpado. Verdade, fora vítima de um capricho da natureza que colocara em seu intestino uma absurda bolsinha; mas poderia ter-se operado - se fosse capaz de resistir, ao menos por uns momentos, ao pânico que lhe causavam médicos e hospitais. Tal não acontecera e, em conseqüência, a mãe ficara sem o diamante. Não sabia o que fazer para indenizá-la, para mostrar que, apesar de tudo, era filho carinhoso, dedicado, um primogênito digno desse nome. No colégio judaico, que freqüentava com o irmão, esforçava-se ao máximo, ao contrário de David que, desde o início, revelara-se um rebelde, um contestador, detestado pelos professores. Em casa, estava sempre provocando Gregório, que fazia o possível para evitar brigas, mas nem sempre conseguia: a raiva do irmão parecia inesgotável. Acho que isto nunca vai terminar, pensava. Terminou. Por uns tempos, ao menos, terminou. Terminou de forma inesperada, e trágica. Uma tarde Isaac e Esther foram ao banco para obter um em préstimo: ele queria abrir a sua própria alfaiataria, necessitava de um pequeno capital. O pedido foi atendido, e eles regressavam para casa felizes quando, ao passarem por um grande prédio em construção no centro da cidade, a marquise desabou e caiu sobre eles, matando-os instantaneamente. Gregório e David nessa hora estavam na escola. Um vizinho foi lá, avisá-los. Mal viu a cara compungida do homem, Gregório teve certeza de que uma tragédia acontecera. E foi no ventre que o sentiu; lá, dentro de sua barriga, algo - o diamante, claro que era o diamante, só podia ser o diamante -lhe dizia: teus pais morreram, e foste tu que os mataste, assassino. Agora serás punido por isso: nunca mais tua mãe te massageará a barriga; a dor que a ela causaste te acompanhará para sempre. Em dor viverás tua vida. O velório foi triste - e tumultuado. Por causa de David, que, completamente transtornado, falava sem parar, acusando o irmão: esse aí é o culpado de tudo, esse bandido, se nossos pais tivessem o diamante, não precisariam de empréstimo algum, não teriam ido ao banco, não teriam morrido: - Era só ele se operar e pronto, o diamante voltaria à família. Mas sabem o que esse covarde fez, esse verme? Fugiu. Fugiu da sala de operações. Fugiu, foi se esconder. Os médicos tiveram de desistir. Gregório, cabeça baixa, escutava aquelas acusações, como réu no tribunal. Diante dele estava o acusador, seu próprio irmão, usando - isto Gregório não pôde deixar de notar - o anel que pertencera à mãe. Assumia, assim, o papel de herdeiro único, e de vingador. Só que não tinha muito jeito de vingador, ele. Magro, baixinho, cabeça grande, parecia - o quê? - o feto no museu do hospital. Ao se dar conta dessa grotesca semelhança, Gregório sentiu uma absurda vontade de rir. O que o fez sentir-se mais miserável do que nunca. Por que não morri eu, perguntava-se. Rein, mamãe, por que não morri eu, que não presto, não sirvo para nada, não sei lavar um prato, só sei me queixar de dor de barriga?


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF
Eu mesmo comprei este romance, em um Sebo, em fevereiro de 2008, após diversas indicações de inumeros críticos.

 

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