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Triângulo no Ponto

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Triângulo no Ponto

Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: Eros Grau  

Editora: Nova Fronteira

Assunto: Erotismo

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 142

Ano de edição: 2007

Peso: 180 g

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Ruim
Marcio Mafra
19/04/2009 às 21:44
Brasília - DF

O romance de estréia de Eros Grau, é um livro onde acontece tudo, ou nada, como soi acontecer em livros de iniciantes, embora ele não o seja. Iniciante apenas em ficção. No resto ele é direito. Eros narra as angústias, as esperanças, os encontros e os desencontros sentimentais, sociais, políticos e sexuais de seus personagens: Xavier, Rogério e Costa, que se desenvolvem paralelamente, no tempo e no espaço da geração de brasileiros, entre os anos 1960 e 2000. O texto não é leve, nem monótono. Tem muitos chavões. Muita coisa parece livro de mimeógrafo. Pouca coisa parece de alta criatividade. A história, embora erótica - não toca nem nas fraldas da pornografia - acaba sendo chata tanto pelo paralelismo da vida dos personagens, como pelo final completamente idiota. O livro é enjoado. Cada Ministro no seu galho.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de três pessoas Rogério, Xavier e Costa, que compõem as três linhas do triângulo no ponto. Os três personagens, também são apenas um, na diversidade de seus respectivos destinos. A história deles é entremeada por Sílvia, mulher, namorada e noiva.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Pensava em alugar um apartamento na rue des Rosiers, mobiliado, propriedade de um amigo francês que estava de partida, por um ano, para a Venezuela. Ausentara-se de Paris temporariamente, antes de viajar, e deixara a chave com ele. Costa combinara um encontro com Beth, iriam a um ancien marché no Marais. Aproveitaria para mostrarlhe o apartamento. Por razões diversas estavam os dois em Paris. Era verão. Beth, axilas depiladas, vestia uma blusa solferino de seda, sem mangas, saia cinza, curta. Não usava meias. Esguia, elegante. Pernas interessantíssimas, mais de cinqüenta e cinco anos, um metro e setenta, por aí. Seios escorridos pelo tronco, mas erguidos nas pontas, em traço de pontapé à lua. O rosto, retangular, fechando no contorno da mandíbula saliente. Olhos castanhos, fundos, esculpidos quase excessivamente. Olheiras safadas. Sobrancelhas curtas, bem delineadas. Pálpebras gentis. Pelo território da têmpora direita serpenteia uma veia azulada. Sob as maçãs do rosto, bem demarcadas, uma moldura de músculos faciais quando Beth sorri. Não fora uma brevíssima proeminência óssea, o nariz, afilado, haveria de ser retilíneo. Nariz minimamente desproporcionado em relação ao conjunto, descendo até narinas sensuais, aspirando penetrações. Narinas lúbricas, desafiadoras. Duas vertentes deslizam até o arco de Cupido. A boca, diferente. Ampla, dentes burilados, grandes, límpidos, os lábios finos. Não é sensual, a boca, salvo a língua nela oculta, uma serpente quando em sestros de erotismo. Um pequeno sinal na ponta do queixo. Ali, curiosamente ali, embora não somente ali, de modo mais evidente, algumas rugas. Magra, na base do pescoço delgado brotam cavas quase obscenas, estendendo-se em saboneteiras pelo platô dos ombros. Braços longos, elegantes, ainda que afetados pela flacidez do tempo, macios. Mãos miúdas. Pernas estupendas, exuberantemente bem desenhadas, a bico de pena, subindo a coxas delgadas, compondo a silhueta de uma taça de bordeaux. O ventre, lipoaspirado, sem quaisquer excessos. Costa estivera sempre encantado por aquelas pernas maravilhosas, pernas tesouras, dois 7s, densas, superbes, formidables! Abre a geladeira para servir-lhe um copo de água e faz um comentário ousado a respeito de um pedaço de manteiga, que toma em uma das mãos, e do filme de Marlon Brando e Maria Schneider. Beth transpira. É tomada de excitação, mamilos intumescidos, a boca entreaberta. Há um quase imperceptível movimento muscular nas narinas. Costa aproxima-se, sente a respiração da fêmea, ela tenta escapar, reage - "isso não está certo", diz -, mas cede já ao primeiro beijo. Liberta-se da saia e das calcinhas. Costa explora o território, inspeciona os pelos pubianos, o pote de mel, acaricia as nádegas estreitas, separa-as, experimenta um dedo amanteigado.... Quando isto se dá a moldura de músculos faciais resulta incisivamente retesada, em movimentos de sucção.....


  • Triângulo no Ponto

    Autor: Velho Moita

    Veículo: Blog

    Fonte: http://velhomoita.blogspot.com/2007/04/tringulo-no-ponto.html

    “Triângulo no ponto” Livro erótico publicou, o Ministro Eros Grau com um talento banal, não escreveu, vomitou. É tão ruim escritor, só escreveu baixaria. O erótico se escondia numa besteira infernal. Não imaginei a que Grau nosso país chegaria. Eu quase que fico tonto com o erotismo barato. O título é meio caricato, diz-se “Triângulo no ponto”. O ponto dito no conto deve ser o ponto “G”, bastou Lula o descrever foi euforia geral. Não imagino a que Grau Possa chegar o poder.

  • Eros uma vez...

    Autor: Porfirio Caetano das Neves

    Veículo: Blog

    Fonte:

     Por curiosidade resolvi comprar o livro “Triângulo no ponto”, de autoria de S.Exa. o Min. do STF Eros Grau. Pra quem não conhece (ignorante!), o ministro é professor titular da Universidade de São Paulo, foi indicado para a mais alta corte do país pelo Presidente Lula e o “Triângulo” é seu primeiro romance. Vocês sabem que sou um reles barbeiro com uma quedinha pela literatura e que por isso mesmo, como diria o saudoso cel. Ponciano de Azeredo Furtado, não sou homem de intromitências em assuntos de alta questionação, talqualmente a crítica literária. Mas a leitura do “Triângulo” foi tão impactante na minha vida que não consegui segurar o comichão e acabei anotando algumas observações sobre este livro singular, que gostaria de dividir com vocês.

     
    Seguindo um caminho mais fácil, transcrevi as partes do texto e coloquei meus humildes comentários em seguida. Pros incrédulos e demais discípulos de São Tomé, tomei o cuidado de indicar a página do livro, facilitando a vida de quem quiser consultar os originais pra tirar a coisa a limpo. É tudo verdade. Já o título do post é uma sugestão do FDR e uma homenagem ao Millôr, que, apesar de ser apenas bacharel pela Universidade do Méier (nota “C” no Provão), me serviu de inspiração na sua resenha ao “Marimbondos de fogo”, o livro que quando a gente larga não consegue mais pegar.
     
    Pra começar, uma coisa que chama atenção é o fato da narrativa ser marcada por uma constante repetição de palavras. No início me pareceu algum tipo de erro de revisão, mas a gente acaba percebendo que a gagueira é um cacoete de estilo, que o autor deve considerar charmoso. Vejam esse trecho, por exemplo, que introduz na trama a personagem Alexandre: “Um rapaz de vinte e dois, vinte e três anos, bem-feito de corpo, másculo como pode ser um rapaz de vinte e poucos anos. Um rapaz que, embora não sendo o rapaz da terapia, gosta mesmo, como ele, é de ser tocado por outro homem”, pág. 70. Entenderam o que eu quero dizer? E esta penetrante reflexão sobre o terrorismo: “O que é o terror, raiz do terrorismo? O movimento ou a reação ao movimento? O terror que aterrorizava Xavier era o terrorismo da reação”, pág. 55. Deixando de lado o paradoxo tostines (é o terror que causa o terrorismo, ou o terrorismo que causa o terror?), o trecho é praticamente um trava-língua. Repita se for capaz: o terrorismo do terror aterrorizava os terroristas.
     
    Mais? Falando de um quadro do Manet, Olympia: “Há aí três elementos: a nudez, a iluminação e nós que as surpreendemos, nudez e iluminação. Há a nudez e a iluminação que está no lugar mesmo em que nós estamos, de modo que é o nosso olhar que, abrindo-se sobre a nudez de Olympia, a ilumina”, pág. 132. Rocambólico. Parece disco quebrado. Mas a minha preferida é essa passagem em que o autor cria um alter-ego pra escrever a segunda parte do romance, uma coisa meio metalinguista-fróidiano-socrática: “Tentei escrever como ele suporia que eu escrevesse se estivesse a escrever esta parte final do Triângulo no ponto”, pág. 114. É mole?
     
    Além da gagueira, outro aspecto divertido são os chavões literários, aquelas frases que você já deve ter lido umas duzentas vezes, só no verão passado. Aos exemplos: “Ainda sinto o cheiro do seu corpo”, pág. 14. Convenhamos que é um comentário digno do Sidney Sheldom ou daqueles Sabrina da vida: ainda sinto o cheiro do seu corpo, após uma tórrida noite de amor ao luar, etc.etc. Ou este: “Aconteceu em um mês de maio”, também da pág. 14. Não é implicância não. É brega para diabo. Parece título de novela na Globo: Aconteceu em um mês de maio, com Cauã Reymond, Marcello Anthony e Grazi (ex-BBB); a nova novela das seis. “Eu era jovem”, pág. 18, e “nós éramos jovens”, pág. 99. Essa é universal e só perde pro “era uma vez” (ou, como dizem os americanos, once upon a time). Meu avô começava todas as suas estórias com essa abertura: eu era jovem e ainda nem tinha casado com a sua avó; bons tempos aqueles...
     
    Outro ponto alto do livro são as pérolas de filosofia judiciária, um mistura meio indigesta de axiomas político-filosóficos de botequim e expressões jurídicas: “Amor é posse, sempre temporária, frágil, resolúvel”, pág. 26. Modéstia à parte, já havia pensado numa teoria possessória do amor. Amantes entrando com usucapião e esposas/maridos traídos com reintegração de posse etc.etc. Mas a patente é do ministro, que publicou primeiro. “O futuro é indisponível”, pág. 13, e “o futuro daquele instante era indisponível, como todos os futuros. Costa dispôs do futuro, apostou na liberdade”, pág. 89. Confesso que dessa não sei nem o que falar. Convenhamos que “futuro de um instante” não faz muito sentido. E se o futuro era indisponível, então como é que o Costa dispôs dele em troca da liberdade?! E tem mais: para o tal do Costa, esses intelectuais não passam da “síntese acabada da contrafação da ética da qual se fazem arautos” pág. 103. Se alguém te xinga desse jeito na rua você tem que responder: “é a mãe, filho duma égua!” E, finalmente, pra fechar com chave de ouro: “A globalização é como a primavera ou o inverno”, pág. 98. Lindo isso, não?
     
    E, claro, tem as passagens apenas ridículas, as minhas prediletas. “A memória dessa tarde é aprazível”, pág. 12. Aprazível pra mim é nome de remédio: enchi a cara ontem, nego; preciso de um aprazível urgentemente. Que tal essa, sobre o talento poético da personagem Xavier: “Os versos saem metálicos, em proporções acabadas, sem se abrirem para a continuidade do poema. Saem versos surrealistas, tipo ‘se o bonde vier cheio/eu me penduro nos teus seios’”, pág. 60. Bem. Esquecendo o non-sense da tal “abertura para a continuidade do poema”, sorte nossa que pelo menos esse bonde não veio de Portugal, que rima com... enfim, que rima com outras partes penduráveis do corpo humano.
     
    Ou essa: “Xavier cunhou frases significativas, tipo ‘o olho, o ovo e o testículo do touro’, a fim de que quem ouvisse essas palavras pudesse completar algum sentido.”, pág. 68. Pra começar, “a fim de que quem” é cacofonia de doer o ouvido. Uma batida de automóvel soa melhor. Fora que, se a frase ‘o olho, o ovo e o testículo do touro’ já é considerada significativa (do que, data venia, ouso discordar), por que alguém iria completar nela algum sentido?
     
    E o que vocês me dizem dessa passagem: “Antes fantasiava com Sílvia, a fantasia, aliás, fora construída para ser vivida por Sílvia, Olivier e outros nela, dentro dela, fazendo de tudo nela. Sílvia pentapenetrada...”, na sugestiva pág. 69. É brincadeira? Fiquei imaginando como seria possível a pentapenetração se as mulheres normais têm apenas dois buracos e uma boca, até que me lembrei das orelhas e das duas narinas. É isso aí, dona Sílvia! Agora é chamar o Dunga e mandar brasa rumo ao hexa!
     
    Não é impagável? Juro que não me divertia assim desde a minha primeira leitura do Pigmaleão de Shaw. Eu poderia fazer anotações no livro inteiro, porque cada parágrafo guarda seus encantos e detalhes. Um exemplo é a página 12, onde me deparei com o seguinte trecho, no qual a personagem Rogério lembra da noite em que foi abandonado pela pentapenetrada Sílvia. Coisa poética, de arrancar lágrimas dos olhos:
     
    “O tempo passa com a lembrança recorrente daquela noite e a convicção, que assumi desde o primeiro instante, naquela noite, de que Sílvia não era dialética. Dialética fosse, a minha Sílvia, e compreenderia que a cada negação do nosso amor o nosso amor estaria sendo suprassumido, hegelianamente, cada vez mais nosso amor. Decididamente, Sílvia carecia de paciência histórica. Manteve alguma, durante certo tempo. Mas não era tal, essa paciência, que pudesse ser qualificada como histórica. E assim foi que, uma noite, Sílvia partiu. A paciência que a notabilizara uma tarde, o mar batendo em nossos pés, ela a perdera. Sílvia perdera a consciência histórica.”
     
    Segue o mesmo trecho com meus comentários entre colchetes:
     
    “O tempo passa [o tempo voa, e a poupança Bamerindus...; péssimo esse lugar comum] com a lembrança recorrente daquela noite e a convicção, que assumi desde o primeiro instante, naquela noite [não entendi essa repetição, mas tudo bem], de que Sílvia não era dialética [e isso é lá adjetivo para se descrever a mulher amada?]. Dialética fosse [inversão xeiquespiriana está fora de moda há uns 200 anos], a minha Sílvia [claro que é sua; eu é que não ia pegar essa baranga], e compreenderia que a cada negação do nosso amor o nosso amor [meio concretista essa parte] estaria sendo suprassumido, hegelianamente [sem comentários...], cada vez mais nosso amor [ele realmente acredita que essas repetições têm algum efeito estilístico...]. Decididamente, Sílvia carecia de paciência histórica [a minha paciência histórica também já vai acabando...]. Manteve alguma, durante certo tempo. Mas não era tal, essa paciência, que pudesse ser qualificada como histórica [afinal, é ou não é histórica?]. E assim foi que, uma noite, Sílvia partiu [já vai tarde...]. A paciência que a notabilizara uma tarde, o mar batendo em nossos pés [bonito isso, hein?], ela a perdera. Sílvia perdera a consciência histórica [e nós o fôlego, ministro].”
     
    Pois é. Como eu dizia, poderia fazer anotações no texto todo, mas é claro que essa coisa de comentar dá muito trabalho e eu não tenho tanto tempo de sobra assim, como um ministro do STF, pra gastar com essas bobagens. Mas sem abandonar os merecidos encômios, e já na condição de discípulo literário e profundo admirador do grande romancista, me atrevo a escrever uma singela e humilde homenagem ao autor, no estilo inaugural dessa obra fundamental da literatura pátria, como forma de expressar a minha admiração:
     
    “Inicialmente, deve-se esclarecer que meu coração palpita de emoção irrevogável, irretratável e irreversível, equiparável apenas à felicidade experimentada quando degustei uma taça 'superbes' de Chateux Lafite 75, em Cap d'Antibes. Destarte, a supracitada felicidade me atingiu no peito naquela tarde, quando compulsei seu romance pela primeira vez, o sol reincidente esquentando minha face túmida, o vento intempestivo remexendo meus cabelos sedosos, naquela tarde, enquanto as suas poéticas palavras em meu espírito entravam para não mais sair, salvo com ordem liminar de despejo. Ó êxtase, ó musa da literatura, que dá provimento a tantas poesias e romances, como naquela tarde, cabelos ao vento, face túmida. Termos que, pede-se deferimento. Atenciosamente.”  
  • Licença Poética Para Se Falar do Que Não Se Pode Falar

    Autor: Elkiane Resende

    Veículo:

    Fonte:

     A intimidade e o erotismo só são mesmo toleradas entre quatro paredes. Por puritanismo, princípios cristãos ou pela tradição, os segredos de alcova, taras e descrições mais voluptuosas, não são bem recepcionados quando narrados por autoridades. E é essa a sensação de absurdo que se tem no livro Triângulo no Ponto, exatamente por ter sido escrito por um ministro do Supremo Tribunal Federal, Eros Grau. O texto é de qualidade, com jargões é claro, mas ainda interessante.

    Um quê de libertina, indecente, de explícita sacanagem. A literatura erótica choca, remexe com primitivos sentimentos e também, quando da lavra de pessoas geograficamente próximas de nós, nos habilita a reprovar tanto a cria quanto o criador. É a defesa dos costumes e do puritanismo, sempre à mão nas urgências.
    Esse desprezo, que lança a obra ao limbo, também leva à marginalidade o autor. Depravado, indecente e devasso, esse ser que se apropriou da palavra para dar materialidade às próprias perversões, sejam as vividas ou as fantasiadas.
    Eros Grau, o escritor do livro brasileiro Triângulo no Ponto, é uma dessas figuras a quem bastou a divulgação de trechos da obra para que sua aptidão literária fosse questionada pelos mais variados críticos de última hora, em blogs, sites, notas de jornal e outros veículos.
    A coleção de menções pouco honrosas, sustentam alguns críticos, é devida a trechos em que o autor caiu no jargão do erotismo de folhetim. Usou como sinônimo de ereto, ferro em brasa, pênis teso. Repetiu o já aclamado mamilo intumescido. Ou quando avançou, criando expressões – sempre afetas às mulheres da trama – , como válvula de sucção (referência à capacidade vaginal de receber um pênis teso), peitinho de perdiz (sobre os miúdos peitos da sobrinha-personagem), axilas provocantes, narinas safadas e sensuais, flatulências vaginais pós-coito, poemas enterrados nos recônditos, frestas, fendas, nesgas, reentrâncias e nádegas estreitas.
    Outros críticos de plantão assumiram que o problema da obra está exatamente na figura proba e impoluta do autor. Afinal, expressões tão cabeludas não podem sair da boca ou da mente de um grande jurista, para o qual sexo deveria ser tema limitado à própria intimidade. Mais. É impróprio, condenável e digno de suspeição um ministro da mais alta corte brasileira, o Supremo Tribunal Federal, que admite conhecer palavras só permitidas aos comuns. Pior. Descrever cenas tão picantes é revelar – entendem – fantasias próprias, o que também não é honesto para um ordenador do direito.
    Assim, o juízo que deveria ter sido feito sobre a obra, recaiu sobre o autor em razão sim, e que não seja negado, da alta patente gozada pelo escritor, autor de mais de uma dezena de livros jurídicos.
    Sobre os livros e suas coincidências
    Eros Grau deve ter, pelo menos em algum momento, se divertido com a confusão que estabeleceria quando distribuísse em seus personagens, Rogério, Xavier e Costa, características suas.
    Eles, autor e personagens, são contemporâneos, embora a história envolva 35 anos, entre 1968 e 2003. Todos são sexagenários, viveram em São Paulo, cursaram direito, nutrem paixão pela poesia, foram acadêmicos, comunistas, tiveram longas e freqüentes passagens pela França e prometeram a si e à namorada um dia escrever um romance.
    A tentativa de análise comparativa pára por aí. Para surpresa de quem só leu trechos, Rogério, Xavier e Costa são uma única pessoa. E é disso que o livro trata: da escolha, da multiplicidade de destinos que o personagem teve à disposição caso em um determinado momento de sua vida fizesse opções diferentes. Como define o narrador, falando de sim mesmo, sofria de fartura, da “insegurança causada pelo excesso de rumos possíveis”.
    O fio condutor é Sílvia, a namorada, noiva, mulher. Em todas as situações, na vida dos três personagens, ela é a mesma. Compreensiva, carente e digna de todo o respeito marital, ainda que lhe falte amor e sexo.
    Sílvia a mais traída, a menos provada é o grande e saudoso amor. A dona da obra. A ela, segundo o narrador, teria faltado dialética. Ela não teria entendido que a “cada negação do amor o amor estaria sendo suprassumido”. Sílvia “carecia de paciência histórica” e de “consciência histórica”.
    A amante inesquecível, Beth, também é a mesma na três histórias. Antônio, o amigo, é recorrente. A subversão ao regime e o vínculo, ainda que suave com os camaradas, é matéria comum. Até mesmo a prisão pela polícia política da ditadura foi vivida por todos. Uma sobrinha de 17 anos, bailarina, povoa pelo menos a história de Rogério e Costa.
    Antes, porém, uma cena na praia enreda a teia do livro. O dia é aquele em que Rogério, Xavier e Costa retomam o noivado com Silvia, interrompido – no caso de Rogério – em razão de outro amor que havia surgido meses atrás. No encontro, que é rememorado ao longo de todo o romance, Silvia pergunta ao namorado se ele havia esquecido a outra mulher.
    Poesia, mulher, política. Estão aí as prioridades de Rogério, não nessa mesma ordem. Xavier é intelectual. Prefere a fantasia sexual ao ato. É acadêmico e comunista com temor, a quem é mais seguro mudar de posição política a correr o risco de ser descoberto pelo regime. No fim, se descobre homossexual. Costa é o empresário de sucesso, que fez incorporações, fusões, vendas e investimentos no momento certo. Simpático ao comunismo, manteve distância respeitosa para atuar como colaborador. Poesia e academia existiram em sua vida, mas não se mantiveram. Sempre teve casos extraconjugais, mas em menor profusão que Rogério. Aos três e a cada um, a posição social de Silvia, que era rica, foi definidora da trajetória individual.
    Casados, Silvia e Rogério, Silvia e Xavier e Silvia e Costa se separam. As motivações: Rogério foi flagrado fornicando com a sobrinha adolescente de Sílvia; Xavier foi desmascarado por tentar emplacar uma fantasia sua, na qual um aluno seu homossexual é forçado a acreditar que nutria atração sexual por Sílvia e por isso tenta transar com ela; e Costa pela distância intransponível criada no casamento, em razão de outras prioridades de vida, como os negócios.
    É Rogério quem conta a própria história e a dos dois outros personagens. Ao final, entrega os pontos. Pede que alguém arremate a obra. Esse alguém, indefinido, pormenoriza. Explica que o livro é a concretização de uma promessa antiga de Rogério à noiva Silvia. Promessa que só foi concretizada depois que o casamento já havia ruído.
    O livro é denso, às vezes intenso, confuso, ainda quem bem escrito e utilizando figuras de linguagem que marcam posição como a reiteração. Utiliza recursos presentes em Memória de minhas putas tristes, de Gabriel Garcia Marques, como o texto bem encadeado e a narrativa repleta de individualismo.
    Remete-nos ainda à poesia Eros à mão livre do poeta carioca Armando Freitas Filho: “por esta fresta te espreito, por esta fenda te desvendo [...] teso e reto, e por inteiro, o seu corpo se entreabre: porta e perna, caixa e coxa”.
    O livro de Eros, o ministro, começa em flashback e avança sem ordem fixa. A obra é escrita junto com a narrativa. O narrador viaja a München, na Alemanha, junto com a mulher com quem vivia há cinco anos. Foram visitar os filhos e netos dela. Essa mulher é descrita como a pacificadora, aquela que aplacou suas febris vontades em busca de amores intensos e liberais.
    O livro não é pornográfico, como asseguram uns. Se pretende histórico, mas tende mais aos casos extraconjugais e narrativas pouco críveis de prisões pelo regime militar. Carrega discussões ideológicas onde os esquerdistas são criticados pela falta de conteúdo e a burguesia por tentar parecer o que não é ao viver de aparência.
    É uma obra rica em descrições, principalmente as com endereço na França. Atende a pormenores tal quando descreve o local onde repousa atualmente Olympia, de Manet, no Musée d’Orsay, em Paris e o café de Flore de Saint Germain des Prés. Aliás, o trecho que trata de Olympia encabula. Nele, o narrador confessa seu grande amor pela musa, a visita todos os dias à espera que, depois de atendido o último cliente (fantasia sua), ela o receba. Assim, numa transmutação, Olympia é Sílvia.
    O sexual é tão marcante no livro, que até mesmo em discussões sobre arte, literatura, política, mercado ou neoliberalismo, imperam devaneios em que parceiras executam posições e entregas.
    Há trechos bem talhados, mas incompreensíveis, como o que fala de Helena, outra militante, que teria sido levada ao mar, do alto de um avião. “Estava em cacos, dizem. O mar a tragou”.
    Há trechos curiosos sobre a importância do momento, quando na prisão, Rogério/Costa deixa para defecar em casa ao ser informado de que até às 18h estaria liberado. A soltura leva mais tempo, assim como a agonia de ter perdido a oportunidade de defecar fora da cela. “Dou-me conta de que perdera a oportunidade de defecar lá fora, teria que dormir com as minhas fezes”.
    A obra vale sim o investimento. É intrigante, instigante, bem localizada no espaço, sem furos históricos. Trabalha com personagens individualistas, preocupados exclusivamente consigo mesmos e com suas necessidades e desejos. A sugestão é que seja lida por duas vezes. O fim, ainda que inesperado é o mais possível, mas encerra a obra sem deixar aquela sensação recorrente de déjà vu.
    Ainda com muita abstração faltou-me clareza quanto a que seria uma mulher com “pernas tesouras, dois 7s” e ser “pentapossuída”. Com alguma dificuldade, entenderia a expressão “penetrada em profusão”. A grande dúvida destinaria a duas passagens, o chavão que define Costa como sendo o“amigo mais certo nas horas incertas”, e a metáfora mal ajambrada de que o sexo de Beth, na imaginação de Xavier, seria uma ostra estreitinha e depois uma orquídea selvagem, rococó.
    Mas, como diz o autor, seu livro foi escrito para que “fique claro não que tudo pode acontecer, mas sim que nada pode deixar de acontecer”.
    Lançado em abril, Triângulo no ponto é uma dessas obras que se notabiliza não exclusivamente pelos trechos picantes e encabuladores que contém, mas e muito mais por traços de provável semelhança física entre os personagens e o autor.
    Eros, o autor, é casado com Tânia Marina, tem dois filhos casados e três netos. A filha, Karin, vive exatamente em München, na Alemanha, de onde o personagem Triângulo no Ponto dá início ao livro. O ministro é livre docente pela USP, onde é professor adjunto. Gaúcho de Santa Maria foi indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva em 2004.
    Sobre a obra e o autor, dispenso os comentários a respeito da graciosidade do nome Eros e de sua gênese.                
Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Depois de muito ler e ouvir comentários sobre o livro do Ministro Eros Grau comprei o Triangulo ao ler o artigo "Licença poética para se falar do que não se pode falar" da Eliane Resende, publicado na revista Consultor Jurídico em 3/6/07.


 

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