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Autor: Misha Glenny  

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Jornalismo

Traduzido por: Lucia Boldrini

Páginas: 440

Ano de edição: 2008

Peso: 730 g

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Bom
Marcio Mafra
23/04/2009 às 13:02
Brasília - DF

Não era preciso um forasteiro para sabermos, no Brasil, como é praticado o crime organizado. Nós somos o sucedâneo da Itália. Aqui os mafiosos italianos poderiam ser considerados iniciantes. Que o diga Caco Barcelos com o Rota 66 e Abusado, ou Guilherme Fiúza com o Meu Nome Não é Johnny, só para citar os mais recentes. MacMáfia não foi escrito no estilo romanceado, como os citados. Pelo contrário, a narrativa de Misha Glenny não faz concessões ao estilo: é crime, pura e simplesmente crime. O autor - ao longo de seu livro - emite conceitos e juízos de valor sobre as negociatas levadas a termo por organizações criminosas, que proliferaram no mundo, após a queda do muro de Berlim, em novembro de 1989. As rotas do narcotráfico e do contrabando de armas e de todo o tipo de valor, são estabelecidas pelos sindicatos do crime, quase sempre em conluio com autoridades governamentais dos mais diversos escalões. Em poucos casos ele ilustra com o nome, endereço e posição da autoridade concedente. O livro - bem no estilo do jornalismo investigativo - por vezes se torna enjoado, pelo excesso de detalhes e de preciosismos perfeitamente dispensáveis. São poucos os trechos interessantes. Terá sido pouca a interação da tradução? Não é leitura de uma sentada. Como tema é banal. Como livro é mediano.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história da globalização do crime organizado, desde o tráfico de mulheres, animais, plantas, narcotráfico, contrabando de pedras preciosas, fármacos, bebidas, informática, armas, petróleo e até caviar.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

No começo do verão de 2002, enquanto o Sheriff de Tiraspol celebrava seu quarto título consecutivo no campeonato nacional de futebol da Moldávia, Ludmilla Balbinova, no outro lado da cidade, fazia as malas. Estava entusiasmada com sua primeira viagem ao exterior. Ludmilla sabia que Israel era ensolarada e ficava à beira-mar, mas pouco mais do que isso. Ia encontrar uma velha amiga que estava trabalhando lá como garçonete. "Você vai adorar isto aqui", Victoria dissera a Ludmilla. "Já consegui seu emprego - o trabalho é fácil, o salário é bom, e a gente se diverte muito." O que Ludmilla não sabia é que, do outro lado da linha, Victoria tinha uma arma apontada para a cabeça. Ludmilla não era infeliz em Tiraspol- mas, como tantos jovens, queria um pouco de aventura e diversão. Julgava-se uma garota de sorte porque uma conhecida de sua grande amiga ajudara bastante com os documentos e a viagem - coisas complicadas na Transnístria, pois a república não é reconhecida internacionalmente. Aquela mulher tão simpática era, na realidade, uma "recrutadora". Um grande número de mulheres traficadas da Moldávia e da Transnístria são envolvidas e recrutadas por outras mulheres. A motivação principal dessas recrutadoras é o dinheiro, mas, muitas vezes, há outras coisas em jogo. Algumas são exprostitutas que conseguiram comprar a própria liberdade e deixar o esquema concordando em trabalhar como recrutadoras em seus países de origem. "Há casos em que mães de mulheres vítimas do tráfico trabalham como recrutadoras': explica Alina Buzeci, da La Strada, uma ONG estabelecida na Moldávia que presta assistência a mulheres vítimas desse tipo de tráfico. «Tivemos o caso de uma mãe que foi contatada por traficantes que disseram a ela que, se quisesse ver a filha outra vez, teria de recrutar três novas mulheres para substituí-la." A presença de mulheres no esquema é fundamental para tranqüilizar as vítimas. Confiança é fundamental para o bom funcionamento de qualquer atividade criminosa. Bem, exceto quando a mercadoria em questão é uma pessoa. Nesse caso, a fraude precisa do disfarce da confiança. Para facilitar o logro, a recrutadora muitas vezes acompanha a jovem (cuja idade varia entre quinze e trinta anos) na primeira parte da viagem. Depois que a recrutadora conseguiu o passaporte para Ludmilla, a garota embarcou em um trem para Odessa e a seguir para Moscou na companhia de outras dez mulheres. Chegando à capital russa, foi levada até um apartamento nas proximidades do rio Moscou. "Foi então que, pela primeira vez, fiquei muito desconfiada, porque eles tomaram o meu passaporte e trancaram o apartamento: contou Ludmilla. "Éramos prisioneiras." Dali em, diante, sempre que saía, Ludmilla era acompanhada por pelo menos dois brutamontes. Depois de uma semana, ela e mais três mulheres foram levadas de carro ao aeroporto Domodedovo. No controle de passaportes, teve uma última chance. Em uma manifestação emotiva muito rara em funcionários do Estado russo, o policial encarregado do controle de passaportes pediu que ela pensasse duas vezes. "Você sabe mesmo para onde está indo?", perguntou. "Você sabe mesmo o que vai fazer? Tem certeza de que quer fazer isso?" Com um dos brutamontes de escolta literalmente bafejando no seu pescoço, Ludmilla não teve alternativa a não ser ignorar o gentil apelo do policial. Foi como o barulho de uma cela se fechando, de uma chave sendo jogada fora. Ao chegar ao Cairo, Ludmilla foi recebida por um grupo de egípcios que a levaram ao hotel onde ela e as outras dez garotas esperaram durante três dias. Então, certa madrugada, ela foi jogada dentro de um jipe para uma viagem de muitas horas. "Fomos entregues a beduínos, que imediatamente nos puseram em uma caverna." Embora sejam freqüentes os relatos de que contrabandistas beduínos estupram as mulheres que traficam (e de que ficam com elas se não recebem o pagamento pelo serviço de contrabando), no caso de Ludmilla, as garotas receberam uma proposta: caso prestassem serviços sexuais a seus captores temporários, "poderiam sair, comer adequadamente e ter um descanso. Umas três meninas aceitaram, mas eu não", contou Ludmilla. Pouco antes da hora marcada para o início da próxima escala da viagem uma dessas mulheres aterrorizadas tentou escapar. "Os beduínos a pegaram e então, na nossa frente, atiraram nos dois joelhos dela." Como sabem perfeitamente as vítimas norte-irlandesas desse tipo de tortura, levar um tiro no joelho é um dos castigos mais dolorosos que existem. Porém, o destino da jovem moldávia foi ainda pior. "Eles simplesmente a abandonaram no deserto, para morrer." Ludmilla e suas companheiras ficaram aterrorizadas quando os beduínos novamente as jogaram em uma picape na escuridão da noite. "Eles rodaram por algum tempo, e então fomos forçadas a rastejar por baixo de uma cerca, uma a uma. Do outro lado havia outros beduínos que nos esperavam. Só que fomos vistos por uma patrulha israelense de fronteira que veio correndo até nós. Estava desesperada querendo que os guardas nos alcançassem, mas os beduínos começaram a atirar nos nossos pés. Tivemos de sair correndo o mais rápido que podíamos até a próxima caminhonete. Fomos jogadas no fundo, e uma lona foi jogada sobre nós. Foi simplesmente aterrorizante." Formados no contrabando através da fronteira egípcio israelense, tal como seus jovens irmãos que eu avistara sobre camelos, esses beduínos mais experimentados agora empregavam suas habilidades para traficar mulheres. Freqüentemente as estupravam e espancavam - uma triste degradação de suas tradições. Em um hotel na maior cidade do Neguev, Berseba, Ludmilla teve de desfilar para potenciais compradores. "Os homens falavam hebraico a maior parte do tempo, e por isso não conseguíamos entender. Mas logo eles nos 'encomendavam' em russo fluente." Ludmilla, de início, recusara-se a tirar a roupa. Um dos russos encarou -a com crueldade. "Essa frase, 'não quero', não existe aqui. Entendeu?" Quando chegou a Tel Aviv, Ludmilla já passara pelas mãos de moldávios, ucranianos, russos, egípcios, beduínos, judeus russos e israelenses, metade dos quais havia ameaçado bater nela. O pesadelo estava apenas começando.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Misha Glenny era um dos festejados convidados da Flip 2008, em julho, Paraty - RJ. Ele estava marcado para, junto com Caco Barcelos (Abusado) - compor a mesa 8, intitulada "Os Fuzis". O Caco Barcelos não compareceu e em seu lugar foi o Guilherme Fiúza, autor de Meu Nome Não é Johnny. Trazer o livro sensação de Misha, era o único caminho.


 

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