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Jardins de Kensington

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Jardins de Kensington

Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: Rodrigo Fresán  

Editora: Conrad

Assunto: Romance

Traduzido por: Sérgio Molina

Páginas: 516

Ano de edição: 2007

Peso: 630 g

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Ruim
Marcio Mafra
21/06/2003 às 13:00
Brasília - DF

Jardins de Kensington é da linha do realismo fantástico, ou realismo mágico do magistral Grabriel Garcia Marquez. Rodrigo Fresán no seu Jardins de Kensington conta a saga do menino, que como o Peter Pan, não cresce. Este fato simples, acrescido do "realismo fantástico", e do reconhecido talento do autor situa o romance num ambiente de realidade, porém elevado magicamente à categoria da alucinação, escorregando, entrando e passando pelos mais diversos elementos: a natureza, os problemas sociais, a vida quotidiana, as crenças, a morte, o amor, as lendas, as forças sobrenaturais, o humor e até o lirismo. É leitura para mais de 500 páginas, cujo desenrolar vai pespegado na biografia de dois "pais" de Peter Pan: (1) o James Matthew Barrie criador do primeiro Peter Pan e também o (2) Peter Hook, criador do Jim Yang. Esta pespegada é chatinha. Fica tudo com uma cara da Inglaterra das florestas, dos dias escuros e chuvosos, friorentos, das bruxas e lendas de vassoura. Rodrigo Fresán une realidade e ficção em sua trama, mas fica sempre a impressão de travo - não na boca - mas nos olhos e na memória. Travo porque o excesso de referências a Peter Pan e aos demais garotos que inspiraram sua história parece que vão sendo trazidos para a autoria de Rodrigo Fresán, como se fora uma história clonada. Como, também, não se consegue enxergar ou sentir a linha separadora da ficção e do realismo fantástico, fica tudo meio embrulhado e meio enjoado. Enjoado porque fica para o leitor a impressão de que a perda da inocência, se esgotou no primeiro Peter Pan.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de uma criança, que como o Peter Pan - nunca cresceu - cuja história é mesclada pela presença de J.M.Barrie, autor de Peter Pan e de outro escritor de livros infantis Peter Hook.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O momento mais terrível de minha infância foi quando percebi que chegaria uma idade em que eu seria obrigado a abandonar as brincadeiras (essa dor terrível volta a me assaltar em sonhos, onde me pego brincando e sendo observado com reprovação pelos adultos); e foi também esse o momento em que percebi que eu devia continuar brincando, só que às escondidas, escreveu Barrie muitos anos depois, quando já deixara de ser criança para nunca ser adulto. Comparar a infância vitoriana de Barrie com minha infância lisérgica seria uma coisa tão injusta quanto absurda. Mas também não vou negar que invejo a infância de Barrie - os anos infantis de Barrie - quando os confronto com a permanente turbulência de minha infância aérea, em que o aviso de fasten seat belts nunca se apagou e, ao olhar pela janelinha do avião, eu só podia contemplar um céu terrível, sempre açoitado pelo chicotear de longos e ofuscantes relâmpagos. De fato, a invenção e o nascimento de Jim Yang resulta de numa mescla perfeita de elementos vitorianos e aquarianos: a saga de um menino dos anos 60, mas "à moda antiga e demodé em comparação com seus modernos pais", dono de um poderoso quociente intelectual, muito acima do normal para seus 6 anos de idade. Uma espécie de Sherlock Holmes infantil com "a inteligência de um rapaz de 18 anos, ou um homem de 40, ou um sábio de 300 anos, não necessariamente nessa ordem! ! !" Em sua primeira aventura, Jim Yang descobre no sótão de sua casa, sepultada sob móveis velhos, a máquina do tempo em forma de bicicleta construída por Maximilian Max - Max Max -, um tio misterioso e benfeitor que ninguém vê há muitos anos. Graças a essa bicicleta, Jim Yang atravessa os séculos em busca da mãe, Raven, e de sua irmãzinha Lucy, perdidas e seqüestradas por um gênio do mal: o professor Cagliostro Nostradamus Smith, pérfido ex-sócio de Max Max, enlouquecido pelo horror de ter um sobrenome tão vulgar e apaixonado até a insanidade pela menina Alice Liddell, a inspiradora da Alice de Lewis Carroll. É claro que Alice - ver Jim Yang and the Wonderland-Neverland-Pepperland Express -logo se apaixona por Jim Yang, que nesse livro a leva com ele em suas viagens atemporais, sabendo que, com Alice a seu lado, Cagliostro Nostradamus Smith, sua mãe Raven e sua irmãzinha Lucy nunca estarão muito longe. No final de Jim Yang and the Wonderland-NeverLand-Pepperland Express, Alice morre: encurralada por Cagliostro Nostradamus Smith, Alice quebra a espinha ao se atirar em um poço que ela imagina ser a passagem para outra dimensão. Engano dela. É apenas um poço; um poço muito fundo, mas sem nada de extraordinário. Porém há um problema, sim, um lado escuro, uma coisa que deixa Jim Yang cada vez mais atormentado a cada livro que passa. Viajar no tempo vicia e, além disso, tem um curioso e terrível efeito colateral: viajar no tempo interrompe o crescimento físico de Jim Yang e insensibiliza seus sentimentos ao passo que aumenta drasticamente sua inteligência. Então, depois de tanto vai-e-vem, numa de suas últimas aventuras Jim Yang reflete com uma amargura quase meta ficcional: "Agora eu também sou como um desses personagens das histórias infantis... De um desses livros para pequenos leitores concebidos por escritores adultos que, no fim das contas, falam daquilo que os homens sentem que uma criança deve ou tem de ser. Agora eu sou alguém que assiste desesperado ao crescimento de seus seguidores. Alguém resignado a começar de novo a cada nova leva de fãs mais novos. Alguém que percebe que ficou preso para sempre numa falha do espaço-tempo, num instante eterno, dourado e terrível, pelos séculos dos séculos, 24 horas por dia, 365 dias por ano, ou 366, porque - ai! - eu ainda tive o azar de nascer num 29 de fevereiro. Então, como se não bastasse tudo o que eu já disse, posso soprar as velinhas apenas uma vez a cada quatro invernos. .." Depois de ler essa passagem, meus editores da Bedtime Story Press me perguntaram se não seria melhor amenizar um pouco as reflexões de Jim Yang, que, na opinião deles, "estava ficando um tanto sombrio e amargo para o gosto das crianças". Respondi que não, que eles não sabiam de nada, que não há seres mais obscuros do que as crianças, que somos tão sinistros quando pequenos que, ao crescer, optamos por apagar essa lembrança. A amnésia adulta sobre a infância é um dos fenômenos mais interessantes e menos estudados pela comunidade científica, sempre muito mais preocupada em perpetuar a velhice do que em recuperar a infância, penso eu. E, sem dúvida, Jim Yang também pensa assim. Jim Yang é, de fato, um típico filho dos Swinging Sixties viajando para trás e para frente e de novo para trás, enquanto luta contra Cagliostro Nostradamus Smith, que, conforme a época, assume o rosto e os modos dos mais monstruosos vilões. Um deriol Iciller, um lugar-tenente de Gêngis Khan, um ditador latino-americano, um César cujo hobby é crucificar tudo o que lhe cai nas mãos. O descomunal sucesso dos livros de Jim Yang entre os jovens, afirmou alguém, deve-se ao fato de serem "romances com efeitos especiais que dispensam a existência de um filme". Pode ser. Ou não. Porque, se não fosse a realização de um filme sobre o primeiro volume das aventuras de Jim Yang, com um orçamento que bastaria para alimentar durante vários anos todas essas multidões de crianças de barriga inchada de alguma república africana, eu nunca teria conhecido você, Keiko Kai. E você não estaria aqui, escutando o que eu te conto. Mas penso que os fatores mais importantes da equação e o segredo quase subliminar do sucesso de Jim Yang residem no confronto e na comparação do rigor britânico do final do século XIX e começo do século XX com a revolução aquariana dos anos 60. O coquetel perfeito em forma de livro que agora os filhos acomodados de ex-hippies e neoconservadores compram para seus próprios rebentos a fim de que, de algum modo, saibam como foi a juventude deslocada de seus progenitores, onde eles estiveram, as coisas que viram, as visões que os cegaram para sempre. Ou quem sabe sejam consumidos por homens que, como Barrie, decidiram nunca ter filhos para assim perpetuar sua juventude até o túmulo e não se sentirem obrigados a ser como seus pais. Gosto de pensar em Jim Yang como o prenúncio de algo que se poderia chamar "Novo Vitorianismo". Uma espécie de Renascimento ou atualização de certos bons costumes entre crianças e adultos. Um retorno à infância como fonte de regeneração, não como um esgoto de degeneração. Gosto de pensar em Jim Yang porque é um modo elegante e subliminar de pensar em meus pais como se fossem personagens de um livro de Jim Yang


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF
Rodrigo Fresán era uma das mais aguardadas personalidades da Flip 2007, em Paraty, RJ. Ele participou de uma mesa chamada “De Macondo a McOndo” juntamente com o mexicano Ignácio Padilla. Falava-se sobre a influência do “realismo mágico” na literatura latino-americana. Jardins de Kensington foi - praticamente - lançado na Flip. Trouxe-o comigo.

 

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