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A Era do Escandalo

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A Era do Escandalo

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Mario Rosa  

Editora: Geração

Assunto: Administração

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 427

Ano de edição: 2003

Peso: 825 g

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Ótimo
Marcio Mafra
16/11/2003 às 16:11
Brasília - DF

O autor é jornalista quase famoso, bastante premiado, pessoa de sucesso. O livro, nem tanto. Pretende ensinar como prever o imprevisto. Já os 10 casos de crise de imagem são bastante interessantes. Os escândalos, ou crises, da atriz Glória Pires e da Telefónica, não foram tão grandes, pois pouca gente falou destes casos. Os outros oito, qualquer pessoa, não alienada, tomou conhecimento por ocasião das respectivas ocorrências. O livro poderia ter passado sem os seus 4 capítulos finais - 11, 12, 13 e 14. Tais capítulos se constituem num amontoado de bobagens, repetitivos, chatos e pretensiosos. O relato dos "casos" são bons e a sua leitura não deixa a sensação que se está contando a desgraça alheia. Em todo o livro permeia a vitória. Só um bom jornalista sabe fazer isso.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Relatos e bastidores de quem viveu as 10 grandes crises de imagem no Brasil, nos anos recentes: A queda do vôo 402 da TAM; o caso do favorecimento dos dólares do banqueiro Cacciola; a agonia pública do Governador Mário Covas; os bastidores do apagão no governo de Fernando Henrique; o caso do Ministro Eduardo Jorge; O drama da atriz Glória Pires; a crise da Telefónica; o afundamento da plataforma P 36; o caso da Telemar; o caso do Ministro Alceni Guerra.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Manual de sobrevivência. Todo processo que está na imprensa é mais complexo. Em 90% dos casos que chegam ao meu escritório, a mídia está contra meu cliente. Quando vou entrar em um caso que a imprensa está cobrindo - na virada do milênio, de cada dez casos de repercussão nacional, estava atuando em pelo menos cinco -, a primeira coisa é transmitir ao cliente o que isso vai representar em sua vida. No auge e no decorrer da crise recomenda-se que o envolvido tente ser o mais discreto possível e altere sua rotina de forma a ficar protegido do assédio da mídia. São cuidados e atitudes que precisam ser levadas ao pé da letra. Caso contrário, o risco é de que o próprio acusado acabe complicando sua situação, gerando mini escândalos que só irão desacreditá-lo o ainda mais perante a opinião pública. O conhecimento acumulado ao longo de 21 anos de carreira me permite chegar para um cliente hoje e dizer que será preciso alterar toda a sua rotina até que as coisas se acalmem. Isso significa impor restrições pesadas, como não andar na rua nem falar ao telefone, por exemplo. Um descuido pode ser fatal. Há alguns anos, quando eu dizia para um cliente que ele deveria tomar tais cuidados, ele achava as recomendações no mínimo estranhas, mas é meu dever adverti-lo, usando sempre a mesma imagem: - Quero que você se sinta como se estivesse num filme. E você precisa lembrar a todo instante que o seu papel não é o do mocinho. Para a opinião pública você é o vilão. Está do lado do mal... Tudo isso é muito complicado para alguns clientes. Minha tática de convencimento é lista r exemplos práticos, que costumam ser bastante convincentes. Passemos então às cinco regras básicas que podem fazer toda a diferença quando a imagem pública de alguém, alguma instituição ou empresa estiver sob ataque. REGRA NÚMERO 1: Não mentir Falar na hora certa e não mentir são dois princípios básicos que deverão nortear toda a administração de uma crise. O Direito brasileiro permite que o cidadão minta - não existe o crime de perjúrio para o réu (o acusado pode falar que não matou, tendo matado). Mas o envolvido só deve mentir se for sobre algo irrefutável. É muito complicado ser desmentido. Mesmo se tratando de uma coisa menor e sem relação com o problema original, ser flagrado numa mentira acaba de liquidar a pessoa. Lembre-se de que já existe todo um clima de suspeição em torno do cidadão ou empresa. Tenho o dever de falar a verdade, mas posso fazê-la fluir em um ritmo que beneficie a defesa e seja menos destrutiva para o processo. Cacciola entendeu isso rapidamente e me impressionou muito. Nunca mentiu sobre nenhum dado. Tanto que não foi contestado seriamente em todas as suas declarações sobre as operações do banco Marka. Numa sessão da CPI, presidida pelo então senador José Roberto Arruda, vice-presidente da comissão, aconteceu um fato ilustrativo. Sua Excelência mandou um bilhete para um assessor, que por puro acaso passou perto de mim. Nele estava escrito: "Encontrem alguma coisa, porque esse f.d.p está dando um show aqui. Preciso desmoralizá-lo". Não conseguiram. A força da verdade se impôs, mesmo diante de toda a pressão. No dia seguinte, os próprios jornais reconheceram a coerência do depoimento de Cacciola ao longo das oito longas horas de uma desumana sessão de CPI. REGRA NÚMERO 2: Não se expor publicamente Na condição de vilão nacional, o cliente tem que saber que fatalmente será afastado do convívio social, quando não agredido. O impacto da superexposição na mídia em sua vida pessoal e profissional será enorme. O jeito é se adequar às restrições ditadas pela prudência: não freqüentar restaurantes e lugares públicos, para evitar constrangimentos. A vida social de quem está na berlinda deve ser reduzida ao máximo. Ser visto num jogo de tênis não é nenhum problema, não é crime, mas a imagem de Cacciola assistindo a Gustavo Kuerten jogar a final do Aberto de Roma em 13 de maio de 2001 saiu nos telejornais e repercutiu em todos os veículos de imprensa. É o tipo de cena que gera indignação e pode atrapalhar o processo. Passa uma idéia de escárnio, de que os ricos estão protegidos pela impunidade. Que são inalcançáveis - e que continuam felizes da vida, apesar de todas as denúncias. Por isso, a melhor tática é não se expor. A imagem do envolvido descendo de um helicóptero, por exemplo, choca a opinião pública. A mesma coisa acontece diante de uma nota em coluna social falando do novo iate ou da presença em uma grande festa de alguém que enfrenta problemas na Justiça ou numa CPI. Quando o escândalo é destaque nos noticiários econômico, político ou policial, é melhor evitar aparecer ou ser citado em notinhas sociais. Tudo passa a ser negativo. Cacciola perdeu um pouco o jogo da mídia, apesar de ser pessoalmente muito simpático, em parte por desconsiderar o conselho básico de evitar lugares públicos. Certo dia, resolveu andar pelo centro do Rio de Janeiro. No auge da crise, queria se sentir uma pessoa normal. Mas acabou identificado e foi seguido por repórteres quando passeava tranqüilamente em frente ao prédio do Ministério Público Federal, na avenida Nilo Peçanha, no centro da cidade. Os jornalistas estavam de plantão, justamente à espera de novidades sobre o caso Marka-FonteCindam. Assim que foi reconhecido, repórteres e cinegrafistas saíram em seu encalço. Diante da correria, populares puxaram o coro "pega ladrão, pega ladrão". Humanamente, como poderia acontecer com qualquer um, ele se descontrolou. Diante do assédio da imprensa, sem conseguir escapar ao cerco que logo se formou, tentou abrir caminho. Empurrou câmeras e agrediu verbalmente os jornalistas. Os xingamentos, lógico, ganharam destaque no dia seguinte em todos os jornais e as imagens do seu destempero diante de fotógrafos e cinegrafistas foram repetidas em todos os telejornais. O destempero reforçava o estereótipo de arrogante. O título da matéria do jornal O Globo, da quarta-feira, dia 28 de abril, foi "Um banqueiro irritado no centro do Rio". Definitivamente, não era o tipo de publicidade de que precisávamos no momento em que tínhamos coisas bem mais sérias para tratar. REGRA NÚMERO 3: Não tratar de coisas importantes ao telefone O protagonista de um caso rumoroso não pode conversar nada de importante pelo telefone, nem mesmo nos celulares clandestinos. Pode-se ser vítima tanto de grampos legais quanto ilegais. E, depois da gravação, de uma interpretação enviesada do conteúdo da conversa. Por isso, passei a tornar cuidados extremos, que beiram a paranóia. Certa ocasião, um cliente em São Paulo precisava encontrar-se com um colega no Rio de Janeiro e os detalhes foram acertados pelos advogados. Cogitou-se a hipótese de que o encontro fosse num hotel fora do país. Não aceitei que meu cliente fosse para o exterior na mesma época que essa outra pessoa, porque seria ruim se checassem e vissem que os dois haviam viajado para fora do Brasil no mesmo período. O encontro acabou sendo marcado no Rio de Janeiro. Encontramo-nos, os quatro, no final da Barra da Tijuca, por volta das 17h30 de um dia nublado no Rio. A praia estava quase deserta. Paramos os dois carros, meu cliente desceu e foi até o outro carro, entregou um calção de banho para o passageiro. Ambos tiraram as roupas, ficaram só de sungas e foram caminhando até o mar. Conversaram duas horas com água até o peito. Ninguém queria ser surpreendido com uma gravação nem que o encontro fosse presenciado. Tivemos o cuidado de entregar o calção de banho na hora para não incorrer no erro de um ex-governador do Paraná que foi andar na praia com um empreiteiro, que levava um gravador escondido no calção e gravou toda a conversa. A gravação fez o governador cair. Tenho em meu escritório um misturador de vozes, encomendado de Israel. Até a CIA teria dificuldades de monitorar uma conversa no telefone da minha mesa no escritório. Mas nada é 100% garantido. Meus telefones do trabalho foram grampeados inúmeras vezes. Tenho por hábito fazer varreduras periódicas em todas as linhas. Não adianta trocar o número do telefone. Costumo usar o exemplo de Cacciola para mostrar que sua prisão resultou de uma escuta telefônica. Viajo cinco vezes mais do que precisaria, por uma questão de sigilo. Sempre trato de questões relevantes pessoalmente. Costumo narrar um caso recente, sobre os constrangimentos sofridos por um cliente que teve os telefones de casa grampeados. Sua família ficou completamente exposta: 90% das gravações eram de conversas das filhas do cliente com os namorados. Era uma coisa humilhante para todos. Vexatória. Muitos, no entanto, preferem achar que é um exagero do advogado. REGRA NÚMERO 4: Não guardar documentos em casa ou no escritório Antigamente era mais difícil convencer um cliente de que numa grave crise o absurdo é a regra. Analisemos o caso da ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney, para quem advogo. Acusada de participar de fraudes na extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ela teve o escritório de uma empresa, da qual era sócia minoritária, invadido a pedido de procuradores do Tocantins. No local foi encontrado R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo, o que no início de 2002 inviabilizou sua candidatura à Presidência da República. A fotografia de notas empilhadas em cima de uma mesa ganhou o país. Quando poderíamos imaginar uma situação como esta: a invasão de uma propriedade particular de uma governadora de estado, violando os seus direitos individuais? Conseguimos liminar para impedir acesso aos documentos, mas o estrago de imagem já havia sido feito. Ainda assim, há quem pague para ver. Certa vez estive reunido com toda a diretoria de uma das maiores construtoras do país e propus que colocassem na mesa todas as questões que pudessem vir a ser um problema de imagem e que trouxessem todos os documentos para que a papelada fosse analisada do ponto de vista jurídico. Era um trabalho preventivo, mas para alguns diretores não passava de... Paranóia. Dois dias depois daquela reunião, vi no Jornal Nacional a cena da polícia deixando a casa de um dos diretores carregando pastas cheias de documentos. Atualmente, é comum que bancos e grandes empresas mantenham uma advocacia criminal, pagando por mês, para que possa se antecipar ou evitar crises. O advogado analisa eventuais problemas e mostra qual é o entendimento dos tribunais sobre a matéria. Mas, em geral, infelizmente somos chamados quando o escândalo já está na rua. REGRA NÚMERO 5: Não relaxar A indignação cega e dificulta a recuperação rápida, tanto na arena montada pela mídia quanto no processo judicial. O que eu sempre repito para meus clientes, estejam eles indignados, preocupados ou arrasados, é que a pior atitude é ficar tranqüilo. Isso não existe. Será um sobressalto a cada edição do telejornal, a cada plantão no noticiário. No auge da crise, quando o vulcão está em erupção, todos os envolvidos - o advogado, inclusive - devem estar ligados 24 horas no caso. Só depois que o assunto começa a sair dos holofotes é que se pode começar a pensar em retomar a vida normal. Não existe um tempo padrão para o tamanho de uma crise. Mas para o acusado esse tempo, seja qual for, é sempre uma eternidade. Minha experiência mostra que um advogado criminal deve atuar com a adrenalina sempre a mil. Não vale pensar que já viveu aquela situação com outro cliente. O que está acontecendo naquele momento, embora não seja novidade para o advogado, é inédito na vida daquela pessoa. Diante da hipótese da prisão de um cliente, se eu não ficar com a mão gelada e o coração não acelerar, largo a advocacia. Deve-se estar sempre ligado, seja para fazer uma petição, seja para falar com um jornalista ou procurar um colega. O cliente precisa saber que pode contar com o advogado a qualquer hora ou situação. Estou disponível para tirar aquela dúvida chata que tira o sono do cliente no meio da madrugada: "Se acontecer isso, vou preso?". Num telefonema para mim às duas horas da manhã, explico juridicamente se aquilo tem chance ou não de acontecer, se é uma bobagem. No entanto, sempre os alerta: - Se a grande mídia falar insistentemente, ficar repetindo que você deve ser preso, ponha as barbas de molho. Não se pode incorrer ainda em outro erro bastante comum e que costuma ser desastroso: baixar a guarda quando o caso sai momentaneamente do noticiário. Tenha sempre em mente que qualquer centelha pode reacender o incêndio. Mas é interessante notar a dinâmica da imprensa nesses vários momentos. Quando o processo está pegando fogo, o caso está nas mãos dos jornalistas mais experientes. Até que, um dia, de repente, recebo uma ligação de um repórter menos conhecido e com menos conhecimento do processo, que começa me perguntando se estou no caso e me pede para explicar a situação. É quando o jornalista iniciante, o chamado "foca", passa a cobrir o assunto. É a senha de que começamos a sair do olho do furacão. Mas é ilusório imaginar que se vira o jogo facilmente. Mesmo quando começam a sair decisões judiciais favoráveis ao acusado, a mídia não muda de ânimo em relação a um caso em que os jornalistas condenaram previamente o acusado. Durante meses, deram a ex-governadora Roseana Sarney como envolvida no escândalo da Sudam. Nós ganhamos na Justiça numa sexta-feira, mas não saiu nenhuma grande reportagem. A notícia saiu na mídia, mas a ênfase era que o processo continuava para outros envolvidos! O enfoque não foi a sua absolvição. O que a imprensa e a opinião pública precisam analisar friamente é que quando o Supremo Tribunal Federal julga um mandado de segurança a favor de um político importante ou de um rico empresário, garantindo a ambos o amplo direito de defesa e reiterando a necessidade de fundação das decisões, não são somente os meus clientes os vitoriosos. Ganham todos os defensores dos direitos individuais. Numa leitura apressada e superficial, uma vitória jurídica dessa natureza em um processo rumoroso pode até ser reduzida a um triunfo da "impunidade". Não é o caso. Aquele acórdão do STF pode ter beneficiado inicialmente um poderoso, mas vai ter ressonância no Brasil inteiro. Cria-se jurisprudência. Um cidadão lá do Mato Grosso vai poder usá-lo numa CPI municipal. Já atuei em CPI no interior, é uma loucura. Lá o prefeito manda mesmo, é coronelismo pesado e não há imprensa para denunciar os abusos. Em um cenário ideal, se o cliente seguir à risca as cinco regras do manual de sobrevivência no decorrer de uma crise de imagem, a tarefa primordial da administração da crise fica mais fácil. Chega então a hora de olhar o problema de frente e atacá-lo com as armas mais adequadas.


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