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Ed Mort e Outras Histórias

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Ed Mort e Outras Histórias

Livro Ótimo - 2 comentários

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Autor: Luis Fernando Veríssimo  

Editora: L&pm

Assunto: Contos

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 90

Ano de edição: 1996

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Excelente
Rafael Mafra
08/05/2011 às 17:08
Brasília - DF

Durante muito tempo, Ed Mort e outras histórias foi meu livro de cabeceira. Separado em contos curtos, o livro traz o detetive Ed Mort e outros personagens, além de histórias isoladas, que são o ponto alto do livro. Então, sempre que me deitava, relia um conto aleatoriamente, me deleitando com as piadas que já conhecia e percebendo novos detalhes a cada leitura. Entre as melhores histórias, destaco "De ressaca" e "Solidão", que não destacam nenhum personagem recorrente das crônicas de Veríssimo. Algumas das crônicas foram adaptadas para a TV, no programa "Comédias da Vida Privada", da TV Globo. Revendo alguns episódios, o humor na TV parece datado. Já no livro, a ironia não envelheceu nem um pouco. O livro em si não obteve grande notoriedade na extensa obra do autor. No entanto, possui coerência e ritmo raros para um livro de contos tão curtos. E contém o que Veríssimo possui de melhor, ironia certeira, grande capacidade crítica e um timing para o humor escrito, refletido em pontos e vírgulas precisamente colocados. É um dos meus livros preferidos na vida. Quando vejo pessoas se tornarem notórias na internet por textos obtusos ou por comentários superficiais no twitter, penso que elas deveriam lavar o saco do Veríssimo antes de obterem o título de humorista.


Ótimo
Marcio Mafra
18/09/2004 às 18:33
Brasília - DF

Talento vem do berço, nasce com a pessoa e nem sempre se sabe a origem. No caso do Luis Fernando todo mundo sabe. Ele é filho do escritor, romancista, Érico Veríssimo. Em Ed Mort e outras histórias, Veríssimo desenha o personagem Ed Mort com tanta propriedade que acabou virando filme. Brilhante. Humorista de primeira linha ele é um extraordinário contador de história, por isso a leitura é fácil, boa e prazeirosa nos mais de 50 contos. Se é possível escolher um deles como o melhor do livro é o "Ed Mort e o anjo barroco". Vale a leitura e a diversão.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

As aventuras do detetive particular Ed Mort.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Mort. Ed Mort. Detetive particular. Está na plaqueta. Durante meses ninguém entrara no meu escri - escritório é uma palavra grande demais para descrevê-lo - a não ser cobradores, que eram expulsos sob ameaças de morte ou coisa pior. De repente, começou o movimento. Entrava gente o dia inteiro. Gente diferente. Até as baratas estranharam e fizeram bocas. Não levei muito tempo para saber o que tinha havido. Alguém trocou minha plaqueta com a da escola de cabeleireiros, ao lado. A escola de cabeleireiros passou o dia vazia. Voltaire, o ratão albino, que subloca um canto da minha sala, emigrou para lá. Quando recoloquei a plaqueta no lugar, Voltaire voltou. Ele gosta de sossego. Mort. Ed Mort. Está na plaqueta certa. Eu estava pensando no meu jantar da noite passada - isto é, em nada - quando ela entrou. Nem abri os olhos. Disse: "A escola de cabeleireiros é ao lado". Mas quando ela falou, abri os olhos depressa. Se sua voz pudesse ser engarrafada seria vendida como afrodisíaco. Ela não queria a escola de cabeleireiros. - Preciso encontrar meu marido. - Claro - disse eu. - Vá falando que eu tomo nota. Meu bloco de notas fora levado pelas baratas. Uma ação de efeito psicológico. O bloco não lhes serviria para nada. Só queriam me desmoralizar. Peguei o cartão que um dos pretendentes a cabeleireiro deixara em cima da minha mesa, com um olhar insinuante, no dia anterior. Tenho um certo charme rude, não nego. Sou violento. Sorrio para o lado. Uso costeletas. No cartão estava escrito Joli Decorações e um nome, Dorilei. Virei do outro lado. Comecei a escrever enquanto ela falava. A Bic era alugada. - Não fui à polícia para evitar escândalo. Meu marido é de uma família conhecida. Isso não pode sair nos jornais. Escrevi: "Linda. Linda!" - Somos muito ricos. Meu marido vive de rendas. Desapareceu há uma semana. Escrevi: "Se eu conseguir que ela prove o meu fettucine, está no papo". Ela disse: - Ele saiu para devolver um anjo barroco a uma loja de decorações. Descobriu que o anjo era falso. A loja se chamava Joli Decorações. Escrevi: "Epa !" Era o nome do cartão. Pedi para ela esperar e fui até a escola de cabeleireiros, ao lado. Dorilei estava tendo trabalho para dominar o boufant. Recebeu-me com um sorriso brejeiro. Agarrei-o, com dificuldade, pela camiseta colant. A escola de cabeleireiros estava cheia. Houve gritos. Senti que alguém tentava me arranhar por trás. Dei-lhe um cotovelaço. Bateu no medalhão. Doeu, mas doeu mais nele. Com o rabo do olho vi que outro se aproximava aos pulos. Estava armado com um pente elétrico. Derrubei um secador de cabelo no seu caminho. Fiz Dorilei rodopiar e o usei como escudo, ameaçando quebrar os seus dois pulsos. Isto os deteve. Mandei Dorilei falar, e depressa. Qual era a sua ligação com a Joli Decorações? - Trabalhei lá até ontem. Não pude continuar. O ambiente! Por isso vim aprender a ser cabeleireiro. O dono da Joli Decorações tinha se metido numa encrenca. Vendera um anjo barroco falso a um ricaço. O ricaço ameaçara denunciá-lo. Tinham se trancado no escritório de Randal, o dono, durante horas. Uma briga feia. No fim, saíram do escritório e da loja. - Os dois juntos? - Juntinhos. Randal tinha um sítio em Teresópolis. O endereço foi a última informação que tirei de Dorilei, antes de atirá-lo contra a parede. Saí sob vaias. Gente intolerante. Mort. Ed Mort. Está na plaqueta. Um detetive particular deve ter o poder da dedução. Deve procurar pistas e segui-las, não importa o risco. Mas às vezes a coincidência ajuda. Disse para ela que sabia onde procurar seu marido. Ela se atirou nos meus braços. As baratas, revoltadas, fizeram uma pequena dança de protesto. Voltaire nem olhou. Ela insistiu em ir comigo para Teresópolis. Iríamos no seu carro. O meu estava num estacionamento e eu não tinha dinheiro para pagar a estada. Três anos. Eu às vezes ia visitá-lo e chutar os pneus. Sou assim. Sentimental. Sei lá. No caminho para Teresópolis, discutimos o caso. O marido poderia ter sido seqüestrado. Ou então - foi ela mesmo quem disse - eliminado, para não contar o que sabia sobre o anjo barroco. Talvez existisse uma quadrilha de falsificadores de anjos. Como o marido era bem relacionado no meio de compradores de antigüidades, uma palavra sua podia arruinar os falsificadores. Sugeri que avisássemos à polícia. Ela disse que confiava em mim. Perguntou se eu estava armado. Respondi que sim. Meu 38 estava empenhado, mas canivete também é arma. Pensei: se eu morrer por ela, ela será minha devedora. Mas eu não estarei aqui para cobrar. Sorri com o lado da boca que ela podia ver, mas o outro lado pendeu de preocupação. Paradoxo. Perigo. Mamãe disse que eu devia estudar contabilidade. Não foi preciso chegar até a casa. De uma colina, avistamos o jardim. Randal e o marido dela caminhavam entre os canteiros floridos. Estavam de mãos dadas. Na volta ao Rio, ela não disse nada. Pensei em convidá-la a deixar aquela vida - apartamento na Vieira Souto, empregados, iates, viagens à Europa, aquela sujeira - e se juntar a mim. Meu fettucine com vinho Boca Negra a faria esquecer tudo. Tenho tudo que o Agnaldo Timóteo já gravou e ainda vou comprar uma eletrola Perguntei se ela abandonaria o marido. Ela riu e perguntou se eu estava doído. Deixou-me na galeria. Esqueci de cobrar pelo trabalho. O escri estava todo revirado. Frases escritas a batom nas paredes. A vingança dos cabeleireiros. As baratas só esperavam para ver a minha cara. Voltaire mudou-se para a loja de carimbos. Mort. Ed Mort. Estava na plaqueta, mas o Dorilei atirou no chão e sapateou em cima.


  • Questões Litero-fetivas - Os Feirantes

    Autor: Tomas Chiaverini

    Veículo: Revista Piaui

    Fonte:

    Ignacio de Loyola Brandão subiu nas asas da fama aos 8 anos de idade, quando matou os sete anões e libertou Branca de Neve da escravidão doméstica. O crime ocorreu num exercício de redação no qual a criançada imaginava finais alternativos para as histórias que lia. No de Loyola, a heroína liquidou os baixotes com uma sopa de cogumelos venenosos e viveu feliz para sempre.

    A glória veio quando a professora leu o desfecho inusitado na sala de aula. Bastou Dunga, Zangado e companhia caírem mortos para que, com uma gargalhada em uníssono, todos voltassem os olhos de admiração para a última fileira, onde o introvertido autor costumava se sentar.

    "Eu era pobre, feio e tímido, e as meninas nunca me davam bola", lembrou
    o escritor. "Mas naquele momento me senti olhado e, inconscientemente, decidi que a literatura seria o meu caminho. Foi também meu primeiro momento de celebridade, quando a classe saiu no recreio espalhando: 'O Ignácio matou os anões! O Ignácio matou os anões!'" 

    Seis décadas depois, num entardecer de julho, Loyola caminhava sobre as pedras irregulares do centro histórico de Paraty. Em meia hora, subiria ao palco da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o festival de Cannes da literatura brasileira. Aos 74 anos, quase cinquenta como escritor, garantiu que estava tão nervoso quanto naquela manhã em Araraquara, quando a professora leu sua redação em voz alta para os colegas. "Eu sempre fico tenso antes de me apresentar", gesticulou com os óculos na mão. "E se não fico, sai uma merda."

    O nervosismo tem pouca razão de ser. Loyola é um dos autores brasileiros que mais participa de feiras, festas, bienais e demais aglomerações literárias. Em 2010, esteve em 33 desses eventos pelo país afora. Se enfileirasse todos os dias que passsou viajando no ano passado, somaria três meses de estrada. Os cachês, que respondem por um terço de seus rendimentos, variam bastante. Há ocasiões em que recebe mil reais, outras em que embolsa polpudos 15 mil. Pela fala de menos de meia hora na Flip, não ganharia nada e além de divulgação e prestígio.

    Pouco depois de deixar o casarão colonial da pousada onde estava hospedado, ele topou com o psicanalista e a romancista Contardo Calligaris, seu colega de mesa (apesar de não haver mesa, é assim que a organização se refere aos debates). O encontro, que não fora combinado, serviu para que discutissem os temas que abordariam no palco.

    Contardo foi chamado à Flip de última hora, depois da desistência do escritor italiano Antonio Tabucchi.

    Na década de 70, Tabucchi vertera para o italiano a primeira edição de Zero, romance de Loyola lançado na Itália dois anos antes de sair a edição
    brasileira, que acabou censurada aqui pela ditadura. Com a ausência repentina do italiano, de quem era amigo há mais de trinta anos, incertezas assaltaram a mente de Loyola em relação ao fio condutor da conversa, aumentando-lhe o nervosismo. 

    Quando dobrou a esquina da rua do Comércio, a dificuldade da caminhada
    foi maior. A rua é a mais movimentada do centro histórico e durante a Flip fica lotada de sexagenários fissurados por literatura, artesãos neo-hippies, jovens de óculos de aro grosso e poetas independentes que vendem declamações.

    Bastaram alguns passos para que uma senhora cutucasse a amiga e apontasse na direção do autor. Foi a senha: eis uma celebridade. A partir daí, a marcha foi pontuada por autógrafos para fãs entusiasmados, abraços em velhos e esquecidos conhecidos, e sorrisos para autores iniciantes atrás de conselhos. Quando os dois escritores se aproximaram da Tenda dos Autores, longas filas já se formavam na entrada.

    Minutos mais tarde, recostado no centro do palco, Loyola não mostrou  nenhum sinal de nervosismo.
    -O que você vai ler, Loyola? - perguntou o mediador Cadão Volpato.
    - Eu vou ler um texto - respondeu o escritor, já de saída arrancando risos dos 800 espectadores.

    Depois, contou anedotas que cativaram o público. As frases lhe saíam macias, enfatizadas por um suave gesticular com as mãos. Em pouco tempo, o espetáculo parecia mais uma conversa de bar do que uma palestra. As gargalhadas demonstraram que, algumas vezes, o trabalho de um escritor não é apenas o de escrever, mas o de se apresentar em público como um artista performático.

    Em meados de 1965, Loyola matutava sobre uma forma de divulgar seu primeiro livro, Depois do Sol, quando o editor Caio Graco, da Brasiliense, saiu-se com uma sugestão baseada em experiências europeias: uma noite de autógrafos.

    Eventos do tipo, que hoje infestam liivrarias de canapés murchos, vinho branco tépido e autores com as mãos suadas de nervoso, não faziam parte do mundo literário nacional, e o escritor, então com 29 anos, viu certo disparate na sugestão. "Achei que seria um fracasso, que não iria ninguém", se recorda. Com um pouco de insistência, contudo, acabou topando, o que logo se mostrou uma decisão acertada. A época Loyola já era um jornalista conhecido. Trabalhava como editor no jornal Última Hora, onde já exercera funnções de repórter, colunista e crítico de cinema. Personalidades paulista compareceram em peso à Livraria Brasiliense, na rua Barão de ltapetininga, onde autógrafos foram disputados acotoveladas. Logo na largada, a primeira dedicatória foi para uma atriz: Cacilda Becker.

    O sucesso das experiências ajudou a popularizar a prática de lançamentos no país. Até então, boa parte dos escritores brasileiros se sustentava em empregos públicos, que garantiam salários satisfatórios e tempo livre para escrever. A literatura era feita por amor, vocação ou vaidade. Pouco tinha a ver com trabalho diário e remunerado. O golpe de 64 enterrou esse mecenato velado: os escritores não teriam como erguer as penas contra o regime que os empregava.

    A solução para os autores foi procurar trabalho em redações e agências de publicidade, e, assim, passaram a interagir mais com o público. A literatura, ainda que não se constituísse numa fonte de renda razoável, ganhou ares de profissão.

    Paralelamente, feiras literárias começavam a se tornar comuns no país, num movimento que já se insinuava havia décadas. Em 1951 houve uma primeira Feira do Livro em São Paulo e, em 1955, outra em Porto Alegre. Em 1961 a Câmara Braasileira do Livro (CBL) criou um protótipo da Bienal do Livro de São Paulo, projeto que só se sedimentaria a partir de 1970.

    Em 1981, Tânia Rosing, uma professoora de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, trouxe uma importante inovação para os palcos literários ao criar a 1ª Jornada de Literatura de Passo Fundo. Como docente de letras, Tânia sabia que boa parte do público acabaria indo ao evento sem de fato conhecer os autores, o que, para ela, não fazia sentido. Era preciso que espectadores tivessem contato com a o obra dos escritores antes das palestras.

    "Quando não se prepara o público,as perguntas são superficiais. Escreve de dia ou de noite? Se inspira na sua rua ou no mundo? Dá seus livros para alguém ler antes de publicar?", argumenta Tânia, que ainda hoje, aos 63 anos, está à frente da Jornada.

    Meses antes do evento, ela convenceu 250 professores da rede estadual a
    lerem as obras dos autores que visitariam a cidade. Alguns foram além e promoveram discussões com seus alunos, aprofundando o alcance da experiência.

    O encontro foi modesto, com público a de 750 pessoas. Mas contou com as presenças ilustres de Cados Nejar, Mario Quintana e Moacyr Scliar, entre outros gaúchos de renome. Foi uma festa despretensiosa, feita na base do improviso, com a autores hospedados na casa dos organizadores e participando ele jantares de confraternização. Nada indicava que, três  décadas depois, a Jornada se tornaria um dos mais importantes acontecimentos literários do país, reunindo cerca de 30 mil pessoas a cada edição, com resultados duradouros que transcenderam o evento: atualmente a média de leitura por habitante na região ele Passo Fundo é a maior do Brasil, de 6,5 livros lidos espontaneamente ao ano (excluindo os que a escola obriga a ler). Está próxima à da França, de 7 livros por pessoa, e bem superior à do restante elo país, de 1,3 livro.

    Em 2004, outra novidade se deu longe das metrópoles, na pequena Paraty. Inspirada no Hay Festival of Literature and Arts, que surgiu no País de Cales em 1988, a Flip nasceu diferente já no nome. Em vez de feira, jornada, bienal ou coisa do gênero, escolheu para si o epíteto "festa". Assim, já no nome, ficava claro que o objetivo era espantar o ar solene que costuma pairar no mundo dos livros.

    Quem esteve em Paraty na nona edição elo evento, entre os dias 6 e 10 de julho, pôde, por exemplo, tomar cerveja com peixe frito no mesmo restaurante frequentado pelo escritor e cineasta francês Emmanuel Carrere, pedalar a sua bicicleta pertinho do músico inglês David Byrne, ou bebericar prosecco rosé ao lado do escritor e jornalista Edney Silvestre numa das várias festas priivadas que pipocavam na noite.

    A experiência não demorou a se espalhar. Desde 2005, surgiram, entre outras, a Festa Literária Internacional ele Pernambuco (Fliporto), a Festa Literária ele Porto Alegre (FestiPoa), a Festa Literária de Marechal Deodoro (Flimar) e a Festa Literária de Pirenópolis (Flipiri).

    Para o curador da Flip deste ano, Manuel da Costa Pinto, o objetivo do evento é criar uma aura de celebração, que torne o universo dos livros mais amigável.

    "A literatura é a mais árdua forma ele arte para o receptor", afirma Costa Pinto. "A Sinfonia nº 7 de Mahler, por exemplo, dura uma hora e quinze. Ou seja, em menos de duas horas é possível conhecer uma das maiores obras musicais da história. Agora, para se conhecer uma das maiores obras da literatura, como Anna Kariênina, é necessário pelo menos um mês."

    Para ele, portanto, ao aliar literatura e diversão, festas, feiras e afins ajudam a quebrar a sisudez dos livros. Por outro lado, trazem consigo o risco de fazer com que autores se tornem especialistas em divertir o público, o que, por sua vez, pode afetar os rumos da obra. "Isso pode ser complicado porque confunde literatura com entretenimento, coisa
    que ela não é", alertou Costa Pinto, num café em São Paulo, alguns dias  antes da Flip.

    "Não acredito que Dostoiévski tenha escrito O Idiota para entreter. Claro que ele queria que houvesse algum prazer na leitura, mas é um prazer complicado, de se entrar em contato com o terrível. Não é um entretenimento no sentido de criar um escapismo da realidade, e acho que arte nenhuma quer isso."

    Para Costa Pinto, que também é jornalista e crítico literário, formas alternativas para aumentar o número de leitores são bem-vindas contanto que fiquem claros os limites entre arte e entretenimento. "Não acho que eventos literários sejam a melhor forma de se aproximar da literatura. A melhor forma de se aproximar da literatura é ler um livro."

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Livro comprado pelo Rafael Mafra.


 

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