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A Papoula Azul

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A Papoula Azul

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Autor: Maria Ramos  

Editora: Ebrasa

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 219

Ano de edição: 1969

Peso: 325 g

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Bom
Marcio Mafra
20/09/2004 às 00:51
Brasília - DF

A Papoula Azul é um romance do tipo mel com muito açúcar mascavo, embora se passe num tempo atual. Bem arquitetado, porém numa trama quase linear, retinha, sem qualquer tipo de surpresa, nem para o final da história que, se não é ridícula, é previsível


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Márcia, que tinha a noite como inimiga.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Então, o poeta que êle era, falou. Falou da infância, junto aquêle mar cheio de jangadas que lhe trouxe tantas alegrias. Mar que embalou muitas esperanças, acalentou sonhos e, um dia, transportou para o outro lado do Atlântico o seu loiro amor da adolescência. Falou da juventude, palmilhando aquelas areias e da longa procura. Falou do mar. Do mar que era a coxilha que êle amava. Depois, Márcia recordou as coxilhas que eram o seu mar e as palavras de ambos, como jangadas saindo mar adentro, foram-se levantando e disparando pela toalha da mesa, caindo nos ouvidos de ambos, dilatando os seus poros, fazendo com que suas mãos se buscassem, em meio ao ruído do restaurante. E os olhos grandes de Roberto, redondos de espanto, ganharam uma dimensão no seu rosto, adquirindo um brilho, como se flutuassem entre lágrimas. Lágrimas que ainda não eram, mas poderiam vir a ser, na imensa emoção da descoberta, da identificação. Márcia calara-se. Sentira que ali, nos olhos que a fitavam, em êxtase, estava nascendo algo de nôvo que se comunicava a ela de maneira envolvente e total. No rosto másculo de Roberto, cuja barba transparecia forte, na sua bôca desenhada a buril, nas pálpebras suspensas, não muito rentes àquelas duas pequeninas fontes, prestes a jorrarem, havia como que uma auréola dentro da qual êle se alheiava de tudo quanto se passava em tôrno. Depois de um silêncio, violado pelo ir e vir dos garçons, silêncio que era só dêle, confessou: - Você tem Um rosto tão familiar! Um rosto que eu julgava perdido... O rosto do meu sonho. - Dizes isso - volveu ela - com a mesma voz que Saint Exupery teria usado para falar com o motor do seu avião, com suas estrêlas, com a lua, que batia em Fort Joubi, no meio do deserto... Ele discorria, animado, como que vindo de um longo sono, de uma letargia infinita. As respostas de Márcia vinham rápidas, fluentes, como se há muito estivessem pendentes de seus lábios, à espera das perguntas que as desprenderiam. Ou como se estivessem numa despedida. Daquelas perguntas, daquelas constatações, daquele saturar de afinidades eletivas. Sentiu que estava perdendo sua identidade. Márcia precisou arranhar suas próprias mãos. Precisou apalpar-se, para sentir que não se havia convertido em algo estranho. De repente, verificou que formava com Roberto em todo singular e que o diálogo poderia não terminar ali, mas fundir-se nêles para sempre. - Você não acha que precisamos nos aproximar mais? - Tu. .. Tu achas que é possível? - arriscou ela, conquistada . - Não! Mais do que isto é impossível. O que eu desejo dizer é que daqui por diante devemos seguir juntos... Isto não deve acabar mais! . . . - Mas eu embarco amanhã... - Não importa, você vai voltar, você terá de voltar. . . - Por ti? - Para mim. .. Para nós. - Eu e tu? - Sim. Você e eu. Nós dois. .. - Eu e você - prelibou - abdicando do pronome na segunda pessoa, segundo a sua prosódia gaúcha. - Tu e eu - confirmou Roberto - o "tu" arqueando sôbre os lábios bem desenhados, que um bigode espêsso sombreava, explodindo intenso e cheio da sua garganta. - Tu e eu. .. Certo? - Tá! E o acôrdo não necessitava de outra palavra que aquela tão curta! Que era tão válida quanto um fio de cabelo dos seus ancestrais. Muito unidos, deixaram o restaurante e tomaram o elevador. Somente na rua, voltaram a sentir que eram dois, quando alguém, nos jardins do Passeio Público, o chamou pelo nome e Roberto teve de parar, soltando por um momento a mão dela afastando-se para atender o colega. Distanciada, Márcia se interrogou: - Então aquêle era Roberto Freire? Como não adivinhara, no homem que conhecia há tanto, a compreensão que tinha a resposta para tôdas as suas perguntas? Roberto voltou para junto dela. Olhou-a, de alto a baixo, como se lhe custasse o reconhecê-la. Depois, recobrando o estado de êxtase, tomou-lhe a mão. Outra vez eram "um" e foi assim que saíram do jardim e atravessaram a Praça Gandhi para apanhar um táxi, que disparou pelos verdes ensolarados da Praia do Flamengo.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

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