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São Bernardo

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São Bernardo

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Graciliano Ramos  

Editora: Record

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 213

Ano de edição:

Peso: 170 g

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Ótimo
Marcio Mafra
25/09/2004 às 20:48
Brasília - DF

Graciliano escreveu São Bernardo em 1932, que foi traduzido para 10 idiomas. É quase unânime a opinião que São Bernardo é o melhor romance sobre a solidão escrito em português Este exemplar ainda tem um longo texto explicativo de 20 paginas, escrito por João Luiz Lafetá, sobre o autor e sua obra. Nem precisava tanto, porque a leitura é fácil, dinâmica, tem ritmo, cadência e movimento. Os personagens Paulo Honório, Madalena e Luis Padilha são muito marcantes. O Paulo dinheiroso empedernido, quando criança foi abandonado pelo pai e criado por uma cozinheira. Era egoísta e ciumento, chegando a esfaquear um companheiro porque este se engraçara com uma cabra, com quem Paulo Honório se iniciou sexualmente. Emprestava dinheiro a juros e não perdoava ninguém. No final ele fica só. Vale a leitura. É um ótimo romance.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Paulo Honório, gente simples, que ao longo da vida foi se transformando em pessoa importante e influente em sua terra. Porém vive em depressão porque sente-se muito só, sem nenhum amor, nem amigos.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Amanheci um dia pensando em casar. Foi uma idéia que me veio sem que nenhum rabo-de-saia a provocasse. Não me ocupo com amores, devem ter notado, e sempre me pareceu que mulher é um bicho esquisito, difícil de governar. A que eu conhecia era a Rosa do Marciano, muito ordinária. Havia conhecido também a Germana e outras dessa laia. Por elas eu julgava todas. Não me sentia, pois, inclinado para nenhuma: o que sentia era desejo de preparar um herdeiro para as terras de S. Bernardo. Tentei fantasiar uma criatura alta, sadia, com trinta anos, cabelos pretos - mas parei aí. Sou incapaz de imaginação, e as coisas boas que mencionei vinham destacadas, nunca se juntando para formar um ser completo. Lembrei-me de senhoras minhas conhecidas: d. Emília Mendonça, uma Gama, a irmã de Azevedo Gondim, d. Marcela, filha do dr. Magalhães, juiz de direito. Nesse ponto surgiu-me um pequeno contra tempo. Uma tarde surpreendi no oitão da capela (a capela estava concluída; faltava pintura) Luis Padilha discursando para Marciano e Casimira Lopes: - Um roubo. É o que tem sido demonstrado categoricamente pelos filósofos e vem nos livros. Vejam: mais de uma légua de terra, casas, mata, açude, gado, tudo de um homem. Não está certo. Marciano, mulato esbodegado, regalou-se, entronchando-se todo e mostrando as gengivas banguelas: - O senhor tem razão, seu Padilha. Eu não entendo, sou bruto, mas perco o sono assuntando nisso. A gente se mata por causa dos outros. É ou não é, Casimira? Casimiro Lopes franziu as ventas, declarou que as coisas desde o começo do mundo tinham dono. - Qual dono! Gritou Padilha. O que há é que morremos trabalhando para enriquecer os outros. Saí da sacristia e estourei: - Trabalhando em quê? Em que é que você trabalha, parasita, preguiçoso, lambaio? - Não é nada não, seu Paulo, defendeu-se Padilha, trêmulo. Estava aqui desenvolvendo umas teorias aos rapazes. Atirei uma porção de desaforos aos dois, mandei que arrumassem a trouxa, fossem para a casa do diabo. - Em minha terra não, acabei, já rouca. Puxem! Das cancelas para dentro ninguém mija fora do caco. Peguem as suas burundangas e danem-se. Com um professor assim, estou bonito. Dou por visto o que este sem-vergonha ensina aos alunos. Mais tarde, porém, cheio de embromações e lamúrias, Padilha jurou por todos os santos que a escola funcionava normalmente e fazia cortar coração deixar tantas crianças sem o pão do saber. Quanto às teorias, aquilo era só para matar tempo e empulhar o Casimiro. - Eu meto a mão em cumbuco? Sou lá capaz de propagar idéias subversivas? No outro dia pela manhã, choramigando, balbuciando peditórios, a Rosa, com cinco filhos (três agarrados às saias, um nos braços, outro no bucho), atracou-me no pomar. E eu, que não tenho grande autoridade junto dela, sosseguei-a: - Mande-me cá o Marciano, aquele cachorro. Até logo, vou ver. A noite reuni Marciano e Padilha na sala de jantar, berrei um sermão comprido para demonstrar que era eu que trabalhava para eles. Mas atrapalhei-me e contentei-me com injuriá-los: - Mal-agradecidos, estúpidos. Amunhecaram, e baixei a pancada: - Juízo de galinha. Embarcando em canoa furada! Tontos. Dei-lhes conselhos. Encontrando macieza, Luis Padilha quis discutir; tornei a zangar-me, e ele se convenceu de que não tinha razão. Marciano encolhia-se, levantava os ombros e intentava meter a cabeça dentro do corpo. Parecia um cágado; Padilha roía as unhas. - Por esta vez passa. Mas se me constar que vocês andam com saltos de pulga, chamo o delegado de polícia, que isto aqui não é a Rússia, estão ouvindo? E sumam-se. Sumiram-se. Ficou-me um resto de indignação, depois serenei. - Faz de conta que não houve nada. Lorotas. Todos esses malucos dormem demais, falam à toa. - Marciano, coitado, nem por isso. Trata bem do gado, é marido da Rosa. Quanto ao Padilha, eu sentia prazer em humilhá-lo mostrando-lhe os melhoramentos que introduzia na propriedade.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Não há nenhum fato histórico sobre este livro. Nem faz falta, pois Graciliano é a própria história.


 

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