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Dores do Mundo

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Dores do Mundo

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Artur Schopenhauer  

Editora: Edigraf

Assunto: Filosofia

Traduzido por: José Souza de Oliveira

Páginas: 193

Ano de edição: 1960

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Excelente
Marcio Mafra
03/10/2004 às 13:30
Brasília - DF

Schopenhauer, que também é conhecido como o pai do existencialismo, teve um difícil convívio com sua mãe, Johanna, uma escritora sem destaque, o que certamente marcou sua personalidade. Mas ela lhe proporcionou conhecer o mundo dos intelectuais que freqüentavam a sua casa na cidade de Weimar, centro da vida cultural alemã em sua época. Schopenhauer, na sua juventude não aprovava a conduta da mãe e as relações entre os dois ficaram difíceis. As censuras e as acusações eram mútuas. Ela acusava o filho de ser arrogante e presunçoso. O filho reprovava o comportamento social da mãe, que era libertino. Os desaforos e desentendimentos acabaram por leva-los ao rompimento definitivo. Uma pequena mostra dessa arrogância é muito citada: Schopenhauer teria dito que ela seria conhecida no futuro não pelo que ela escreveu, mas pelo fato de ter sido a mãe dele. Também é sabido que Artur Schopenhauer teve uma profunda, definitiva e muito significativa influência intelectual e filosofal sobre o pensamento do jovem Nietzsche, um existencialista de carteirinha. Nunca se soube, com certeza, a quem atribuir a autoria dos seguintes pensamentos existenciais, se a Nietzsche ou Schopenhauer : "A mais eficaz consolação em toda a desgraça, em todo o sofrimento, é voltar os olhos para aqueles que são ainda mais desgraçados do que nós: este remédio encontra-se ao alcance de todos. Mas que resulta daí ?" "Tudo na existencia tem uma vontade hostil que é preciso vencer. Na vida dos povos, a história só nos aponta guerras e misérias: os anos de paz não passam de curtos intervalos. E da mesma maneira a vida do homem é um combate perpétuo, não só contra males abstratos, a miséria ou o aborrecimento, mas também contra os outros homens. Em toda a parte se encontra um adversário: a vida é uma guerra sem tréguas, e morre-se com as armas na mão". Shopenhauer, pelo seu gênio irrascível, tinha poucos amigos. Contudo, tinha um pequeno cachorro poodle chamado "Alma do Mundo", mas os seus amigos chamavam o cão de "Schopenhauer Júnior". Tanto no amor, como na morte, na arte ou na moral, Schopenhauer voltou sua atenção para o próprio homem, que é apenas um componente do universo. A consciência do homem é atemporal e pontual. A vontade, por sua vez, representa o querer viver, o querer realizar-se. A vontade é um conceito que se encerra em si mesmo, irredutível e sem causa. Schopenhauer elimina Deus, e em seu lugar coloca uma "vontade universal" que é força indomável da própria natureza. A vontade é absoluta, que gera todas as demais coisas e atos deste mundo, Embora transforme o mundo numa postura anárquica e cruel, essa vontade tambem é responsável pela morte. A leitura de Dores do Mundo, embora escrita há muitos e muitos anos, evidentemente numa linguagem não atual, mesmo parecendo paradoxal é um encanto para a alma. Porque se o talento dos melhores escritores atingem pensamentos que os leitores não conseguem alcançar, os gênios como Artur Schopenhauer atingem espaços ou lugares, onde ninguém consegue chegar. Excelente


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Arthur Schopenhauer, que nasceu  em 1788 na Prussia, no local hoje conhecido como Gdanski, Polônia é considerado um filósofo pessimista, pela sua visão do mundo, que considerou ser a vontade a mais fundamental força da natureza. Aos 15 anos acompanhou os pais em longa viagem pela Europa. Seus biógrafos afirmam que Artur ficou muito impressionado com a prisão de Bagno, em Toulon, na França, que reunia seis mil barcos de guerra, os chamados galés, que na época eram impulsionados por grandes remos, movidos por homens. Ficou particularmente impressionado com o quadro de miséria humana dos remadores, o que pode ter contribuído muito para o seu extremo pessimismo. Neste livro, o autor trata da Metafísica do Amor, da Morte, da Arte, da Moral e, do Homem e a Sociedade.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

 

Se a nossa existência não tem por fim imediato a dor, pode dizer-se que não tem razão alguma de ser no mundo. Porque é absurdo admitir que a dor sem fim que nasce da miséria inerente à vida e enche o mundo, seja apenas um puro acidente, e não o próprio fim. Cada desgraça particular parece, é certo, uma exceção, mas a desgraça geral é a regra.

 

 

A mais eficaz consolação em toda a desgraça, em todo o sofrimento, é voltar os olhos para aqueles que são ainda mais desgraçados do que nós: este remédio encontra-se ao alcance de todos. Mas que resulta daí para o conjunto? / Semelhantes aos carneiros que saltam no prado, enquanto, com o olhar, o carneiro faz a sua escolha no meio do rebanho, não sabemos, nos nossos dias felizes, que desastre o destino nos prepara precisamente a essa hora, – doença, perseguição, ruína, mutilação, cegueira, loucura, etc. / Tudo o que procuramos colher resiste-nos; tudo tem uma vontade hostil que é preciso vencer. Na vida dos povos, a história só nos aponta guerras e sedições: os anos de paz não passam de curtos intervalos de entreatos, uma vez por acaso. E da mesma maneira a vida do homem é um combate perpétuo, não só contra males abstratos, a miséria ou o aborrecimento, mas também contra os outros homens. Em toda a parte se encontra um adversário: a vida é uma guerra sem tréguas, e morre-se com as armas na mão.

 

Portanto, assim como o nosso corpo rebentaria se estivesse à pressão da atmosfera, do mesmo modo se o peso da miséria, do desgosto, dos revezes e dos vãos esforços fosse banido da vida do homem, o excesso da sua arrogância seria tão desmedido, que o faria em bocados ou pelo menos o conduziria à insânia mais desordenada e até à loucura furiosa. – Em todo o tempo, cada um precisa ter um certo número de cuidados, de dores ou de miséria do mesmo modo que o navio carece de lastro para se manter em equilíbrio e andar direito. / Trabalho, tormento, desgosto e miséria tal é sem dúvida durante a vida inteira o quinhão de quase todos os homens. Mas se todos os desejos, apenas formados, fossem imediatamente realizados, com que se preencheria a vida humana, em que se empregaria o tempo? Coloque-se esta raça num país de fadas, onde tudo cresceria espontaneamente, onde as calhandras voariam já assadas ao alcance de todas as bocas, onde todos encontrariam sem dificuldade a sua amada e a obteriam o mais facilmente possível, – ver-se-ia então os homens morrerem de tédio, ou enforcarem-se, outros disputarem, matarem-se, e causarem-se mutuamente mais sofrimentos do que a natureza agora lhes impõe. – Assim para semelhante raça nenhum outro teatro, nenhuma outra existência conviriam.

 

Na primeira mocidade, somos colocados em face do destino que se vai abrir diante de nós, como as crianças em frente do pano de um teatro, na espectativa alegre e impaciente das coisas que vão passar-se em cena; é uma felicidade não podermos saber nada de antemão. Aos olhos daquele que sabe o que realmente se vai passar, as crianças são inocentes culpados condenados não à morte mas à vida, e que todavia não conhecem ainda o conteúdo da sua senteça. – Nem por isso todos deixam de ter o desejo de chegar a uma idade avançada, isto é, a um estado que se poderia exprimir deste modo: “Hoje é mau, e cada dia o será mais – até que chegue o pior de todos”.

 

 

(…) Imagine-se por um instante que o ato da geração não era nem uma necessidade nem uma volutuosidade, mas um caso de pura reflexão e de razão: a espécie humana subsistiria ainda? Não sentiriam todos bastante piedade para a geração futura, para lhe poupar o peso da existência, ou pelo menos, não hesitariam em impor-lha a sangue frio? / (…) / Certamente ainda terei de ouvir dizer que a minha filosofia carece de consolação – e isso simplesmente porque digo a verdade, enquanto todos gostam de ouvir dizer: o Senhor Deus fez bem tudo quanto fez. Ide à igreja e deixe os filósofos em paz. Pelo menos não exijam que eles ajustem as suas doutrinas ao vosso catecismo: é o que fazem os indigentes e os filosofastros: a esses podem-se encontrar doutrinas ao gosto de cada um. Perturbar o otimismo obrigado dos professores de filosofia é tão fácil como agradável

 


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Nos anos 60, para adquirir bons livros, recorria-se aos "vendedores de livros" domiciliares, que infestavam os locais de trabalho, como hoje fazem os vendedores de consórcios, telefones, planos de investimentos, planos de saúde e planos de aposentadoria. Na verdade mudam os produtos e permanecem os vendedores. De um deles, adquiri em 61, 62 ou 63 os livros - que ainda possuo - de Jorge Amado, Machado de Assis, Rui Barbosa, Padre Antônio Vieira e Rousseau, Dante, Emerson, Kant, Shopenhauer e Marx. Era o conhecimento adquirido em módicas prestações mensais, que proporcionava algum verniz cultural ao comprador dos livros.


 

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