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O Homem na Lua

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O Homem na Lua

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Não Consta Autor  

Editora: Bloch

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 70

Ano de edição: 1969

Peso: 900 g

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Ótimo
Marcio Mafra
17/10/2004 às 19:57
Brasília - DF

O material da edição da revista, naturalmente, foi todo ele fornecido pela Nasa e sua impressão, deve ter antecedido a viagem da Apolo 11. Muito genial é que acompanha "grátis" a edição da revista Fatos e Fotos, um pequeno disco, da Philips, onde se encontra gravada a narrativa do desembarque dos primeiros homens na Lua, na voz dos próprios astronautas, tripulantes da Apolo 11 e seus interlocutores em terra, no cabo Cabo Kennedy. Consta o seguinte comentário feito pela revista." Este disco, provavelmente o documento histórico mais importante de nosso século, é um testemunho que a geração de hoje lega às gerações de amanhã."... Para a época, as fotos, ilustrações e os textos, foram considerados materiais muito bons. Indescritível, porém, foi a emoção de assistir o pouso na lua pela televisão, ainda em preto e branco, e depois, ler a revista Fatos & Fotos, ouvindo o disco com a gravação das vozes dos astronautas. O assunto ficou na mídia de então pelo menos durante seis meses.




Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O Homem na Lua, é a única manchete de Fatos & Fotos, uma revista do grupo Bloch, que imprimiu uma edição histórica e especial, sobre a chegada de Armstrong, Collins e Aldrin à lua, em julho de 1969.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O comandante assume o comando do desacelerador manual do motor, diminuindo a força de modo que o Modulo Lunar desça suavemente. Os astronautas devem entrar imediatamente em ação, mas descansarão por alguns momentos. Eles poderiam, antes de dedicar-se a seus instrumentos, mirar a paisagem lunar, os primeiros homens a conseguir tal visão O que esta diante de seus olhos é uma paisagem monótona, interrompida apenas por uma cratera ocasional; o local da descida e escolhido por ser plano. As montanhas lunares não estão visíveis; a curvatura da Lua é tão pronunciada que o horizonte está apenas a alguns quilômetros de distância. O céu é negro; e é sempre assim pela ausência de moléculas atmosféricas para dar-lhe cor. Pendurada no céu está a própria Terra, quatro vezes maior do que nos aparece a Lua, 80 vezes mais luminosa, com uma luz azulada, sua rotação claramente visível A tentação de sair logo a superfície seria grande para a maioria das pessoas, mas os anos de trabalho para chegar a este momento também o foram de treinamento; os homens conhecem seu trabalho e voltam-se para ele. O primeiro é preparar-se para a subida imediata. Existem três possibilidades preestabelecidas: dois minutos, dez minutos e duas horas depois da descida. As duas primeiras alternativas seriam escolhidas se ficasse imediatamente evidente que algum equipamento vital foi danificado e não estava funcionando a contento. Quando essas duas possibilidades forem examinadas e superadas, os dois astronautas iniciam uma contagem completa para a largada, passando por toda a gama do sistema de verificação. Existem para isso duas razões: examinar completamente todos os sistemas do módulo e, se fosse necessária, a largada ocorreria quando a espaçonave básica tivesse completado sua primeira orbita lunar e estivesse de volta sabre o local de alunissagem. Os astronautas ficam na superfície da Lua por cerca de 22 horas - pouco menos que um dia inteiro. Comerão e descansarão antes de saírem para explorar; a descida chega depois de um longo e cansativo dia de difíceis manobras. O primeiro homem a desembarcar na Lua alcança-a através de uma escotilha e de uma plataforma no topo de uma das pernas tipo aranha do módulo lunar. Desce por uma escada atada nessa perna ate a superfície firme e poeirenta. Apesar do peso de sua roupa volumosa, ele se move com desenvoltura, pois tem apenas um sexto do seu peso na Terra. Leva consigo um instrumento para transferir equipamentos e amostras do módulo para a superfície e vice-versa. Se as condições de transmissão forem favoráveis, os primeiros passos do homem na Lua serão televisados para a Terra. Observado e fotografado por seu companheiro no módulo lunar, o homem de fora fotografa a nave e o lugar de descida, colhe uma pequena rocha de amostra, move-se para testar sua mobilidade, e inicia então a colocação de uma antena. Esta é removida de um pequeno depósito na parte exterior do módulo; o astronauta leva-a para cerca de nove metros dali, e monta-a Essa antena é empregada para enviar a Terra imagens de televisão O segundo homem junta-se então ao primeiro, no lado de fora, e ambos inspecionam e fotografam o modulo. Enchem uma "caixa de rochas" com amostras do terreno lunar e tiram o "pacote" científico que será deixado na Lua. Consiste este em três elementos: um experimentador de vento solar, um sismômetro e um refletor laser. O primeiro é um instrumento comprido, em forma de bandeira, que coleta partículas de gases exóticos no vento solar; será depois enrolado e trazido de volta pelos astronautas. O sismômetro sera deixado para mandar informações a Terra sobre abalos sísmicos (lunemotos); deverá operar durante um ano. O refletor sera usado mais tarde, quando cientistas da Terra enviarem partículas laser para determinar exatamente a distância em que se encontra a Lua, seus índices de mudança e seus movimentos vibratórios. O módulo de comando é removido da plataforma de testes, pronto para ser embarcado com destino a Cabo Kennedy.


  • Quarenta Anos Depois. O que Aconteceu em 20 de julho de 1969.

    Autor: Carlos Henrique Fioravanti

    Veículo: Jornal Valor Economico, caderno Eu & Fim de Semana, 12,13 e 14 de julho de 2009

    Fonte:

     Há quase 40 anos - às 23h56 (horário de Brasília) do dia 20 de julho de 1969 - o astronauta Neil Armstrong deixava o módulo lunar Eagle, descia na Lua e dava os primeiros passos que, como ele disse em frase que entrou para a história, eram pequenos para o homem, mas grandes para a humanidade. Os Estados Unidos alcançavam o objetivo anunciado pelo presidente John Kennedy, em 25 de maio de 1961, de enviar astronautas à Lua antes do fIm da década. No Eagle também estava Edwin Aldrin, que desceria ao solo em seguida. Michael Collins permaneceria no módulo de comando Columbia.

    Nessa época havia uma corrida espacial com apenas dois participantes, os Estados Unidos, em busca da liderança, e a União Soviética, ainda à frente depois de ter enviado para o espaço o primeiro satélite artificial, uma cachorra, uma mulher e um homem no primeiro voo tripulado ao redor da Lua. Desde 1972, quando astronautas americanos pisaram o solo da Lua pela última vez, "ela andou meio esquecida, a não ser pelos poetas e amantes", observa Márcio Maia, astrofísico que estuda galáxias localizadas além do Sol, mas mantém um poster da Lua em sua sala no Observatório Nacional, no Rio de Janeiro.
    As comemorações do feito da Apollo II, que começaram em março e seguem até novembro, devem ajudar nosso satélite a recuperar o antigo brilho. "A Lua está de volta à moda depois de 30 anos de lirnbo científico", escreveu Paul Spudis, cientista chefe do Lunar and Planetary lnstitute, de Houston, Estados Unidos, na edição de abril da revista "Nature Geoscience".
    Seja qual for a velocidade com que as pesquisas avançam, a Nasa, a agência espacial americana, não pára. Na quarta-feira, 17, serão lançados de Cabo Canaveral, na Flórida, dois artefatos espaciais em direção à Lua: o "Lunar Reconnaissance Orbiter" (LRO) e o "Lunar Crater Observation and Sensing Sattelite" (LCROSS). O LRO, que orbitará emtorno da Lua, deve identificar lugares seguros para futuras aterrissagens, localizar recursos potenciais, caracterizar o ambiente radioativo e testar tecnologias. O LCROSS impactará a Lua e recolherá informações sobre sua composição e a presença de gelo ou minerais hidratados.
    Em 2018 deve se realizar o voo-teste da nave tripulada Altair, que levará astronautas para a Lua até 2020. Seu nome é o da estrela mais brilhante da constelação Aquila,
    numa homenagem ao Eagle, em que os primeiros astronautas chegaram à Lua. O Altair é um dos veículos espaciais - os outros são o Orion e o Ares - do programa Constellation, que inclui novas missões a Marte.
    A Nasa se mantém à frente na busca de informações detalhadas sobre o relevo e o ambiente lunar. A Guerra Fria passou, o império soviético se desfez, mas outros participantes entraram na competição: os europeus e, com planos bastante ambiciosos,Japão, China e Índia. Quarenta anos depois, a Lua está mais democrática. E ainda tem muito a contar. Duas missões robotizadas enviadas pelos Estados Unidos nos anos 1990, a Clementine e a Lunar Prospector, mostraram que os pólos lunares são ambientes especiais, que merecem ser mais conhecidos. A Lua não gira ao redor de si mesma como a TelTa. Como resultado, algumas regiões dos polos lunares recebem sempre a luz do Sol, mesmo assim com temperaturas próximas a -500º Celsius, enquanto outras permanecem escuras, com temperaturas ainda mais baixas, de -2000º Celsius. Acredita-se que substâncias voláteis como o hidrogênio, trazidas por meteoritos, poderiam se acumular nas regiões mais frias e, ao menos hipoteticamente, ser usadas como combustível para foguetes ou como fonte de água para futuras bases lunares.
    Uma das tarefas da missão não-tripulada indiana Chandrayaan-1, gue entrou na órbita da Lua em novembro de 2008, é mapear a água potencial nos pólos ou nas proximidades (em 1998, a Clementine já havia detectado sinais de gelo nas regiões mais escuras da Lua). Encontrar água por lá ajudaria a tomar nosso único satélite natural um pouco mais parecido com a Terra e alimentaria os planos da Nasa de enviar astronautas de volta à Lua - e eventualmente criar um posto avançado - até 2020. Mas não resolve todos os problemas. Para viver e trabalhar em tais lonjuras será preciso aprender a lidar também com uma radiação intensa aquela que o LRO vai examinar, para identificar sua intensidade e distrib:uição na Lua. Gerada pela colisão de partículas atômicas com a superfície lunar, essa radiação pode atravessar a pele e danificar o DNA, ampliando o risco de aparecimento de câncer e outras doenças.
    Hoje calma e silenciosa, a Lua deve ter sido um lugar violento e complexo, sujeito a constantes erupções vulcânicas e impactos de asteróides. Formou-se, provavelmente, há 3,8 bilhões de anos, numa época em que na Terra, 700 milhões de anos mais velha, surgia a vida. Como se formou, porém, ainda é um mistério. Uma das hipóteses é que a Lua tivesse se soltado de nosso planeta numa época em que a Terra girava mais rápido, ~as hoje isso parece improvável, entre outras razões, por que um mineral abundante nas profundezas da Terra, o ferro, é escasso na Lua. A possibilidade de a Lua e a Terra terem crescido juntas, como resultado da fusão de corpos celestes menores, também se mostrou inconsistente. Com a participação de pesquisadores brasileiros, está ruindo a única possibilidade que permanecia em pé e sustentava que a Lua poderia ser o resultado do impacto de um objeto do tamanho de Marte com a Terra primordial. Dificilmente caberia outro planeta nas redondezas da Terra. "A formação de objetos com a mesma órbita ou órbitas bem próximas [à da Terra] é fisicamente inviável", afirma o físico Othon Cabo Winter, que integra um dos raros grupos no Brasil que pesquisam a Lua e os planetas mais próximos, na Universidade Estadual Paulista (Unesp ), em Guaratinguetá.
    Mais recentemente, em uma série de artigos científicos, Winter e sua equipe apresentaram uma rota possível para satélites de órbita intermediária ou alta sobre a Terra.Em vez de passarem por uma manobra e ganharem inclinação enquanto orbitam a Terra, esses satélites seriam enviados em rotas especiais para contornar a Lua, voltariam com a inclinação adequada e entrariam na órbita terrestre. A viagem,
    ainda que cerca de um mês mais longa, permitiria uma economia de 4 a 6% na carga total de combustível. "O campo gravitacional da Lua pode ser utilizado para posicionar satélites terrestres ou para impulsionar missões para Marte ou Vênus", assegura Winter, co-editor, com Antonio Fernando Bertachini de Almeida Prado; do livro "A Conquista do Espaço - do Sputnik à Missão Centenálio", que pode ser baixado gratuitamente do endereço www.feg.unesp.br/%7Eorbital/sputnik/sput
    nikhtrnl (a Missão Centenálio foi a que pôs o astronauta brasileiro Marcos César Pontes na estação espacial internacional em 2006).
    É difícil encontrar quem procure novidades científicas sobre à Lua no Brasil porque, já a partir dos anos 1950, no mundo todo, a astronomia começou a se voltar para estrelas, galáxias e temas mais abrangentes, como a cosmologia. Hoje, a pesquisa sobre a Lua se concentra nos países que financiam as sondas que enviam informações ou às vezes trazem mateliais, como os 37 kg de rochas que vieram com os primeiros astronautas. "Como não temos acesso a esse material, continuamos nas estrelas", diz Winter. "Nosso laboratório é o computador."
    O programa espacial brasileiro não está avançado a ponto de fornecer dados em primeira mão sobre a Lua e, da Terra, apenas com telescópios, pouco se pode fazer 
    mesmo os do SOAR, sigla de Southern Observatory for Astrophysical Research ou Observatório do Sul para Pesquisa Astrofísica, com um espelho de 4 metros de diâmetro, e dos Geminis, de 8 metros, os maiores telescópios de que o país participa como parceiro, ao lado de outros países. Com esses telescópios "é possível observar só um pequeno pedaço da Lua de cada vez", conta o astrofísico Eduardo Cypriano, professor da USP que nasceu quando a corrida espacial já estava no fim e trabalhou no Soar. "A Lua emite muita luz para ser observada em um telescópio [com um espelho] de 4 ou 8 metros", comenta Cypriano, que se admira com a Lua, especialmente quando parcialmente iluminada, e estuda objetos muito mais distantes e de brilho muito fraco.
    As tentativas de tomar posse efetiva da Lua - e não mais uma posse simbólica, como nos tempos da Guerra Fria - para assegurar o retorno sobre investimentos podem causar conflitos. "Ninguém pode chegar lá, pôr a bandeirinha e dizer que é meu", alerta José Monserrat Filho, especialista em Direito Espacial Internacional e chefe da assessoria de assuntos internacionais do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). A seu ver, criar uma base legal que possa ordenar a volta à Lua, em especial a exploração dos recursos naturais, ainda é um desafio.
    "No Acordo da Lua, aprovado por consenso pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1979, os países em desenvolvimento conseguiram incluir o princípio de que os benefícios da exploração do satélite devem ser compartilhados entre todos os países, a fim de impedir o surgimento de mais uma fonte de desigualdade na Terra. Mas esse convênio, que entrou em vigor em 1984, reúne apenas 14 ratificações e cinco assinaturas. As grandes potências o rejeitam, a começar pelos Estados Unidos", diz Monserrat. "Às vésperas de retomar à Lua, não temos ainda uma ampla legislação sobre como tratá-la. Temos apenas o Tratado do Espaço, de 1967, que só adota os grandes princípios, entre eles o de que a Lua e todos os demais corpos celestes não podem ser objetos de apropriação de nenhuma forma, mas nada diz sobre como a Lua deverá ser administrada e como os recursos lunares poderão ser utilizados pelos primeiros assentamentos humanos.
    A Lua ainda é uma terra de pouquíssimas leis, quase um vácuo jurídico, embora já esteja na mira de grandes projetos de mineração."
    Muita coisa mudou em 40 anos, desde o lançamento da Apollo 11. "O que temos agora é uma disputa geopolítica regional, entre Japão, China e Índia, para ver quem chega primeiro à Lua", afirma Winter. "O Japão tem a hegemonia, mas a China não quer ficar para trás e a Índia tem uma ciência bastante avançada."
    Muita coisa, porém, dificilmente mudará, mesmo com passos gigantescos. A face oculta da Lua, que nunca se mostra para nós aqui na Terra, continuará oculta, embora a perspectiva de pôr satélites ao redor da Lua viabilize a comunicação entre astronautas na face oculta e a Terra. Os indianos querem chegar lá com a Chandrayaan-2, que ainda não passou da fase de projeto.
    Spudis, de Houston, acredita que voos comerciais privados à Lua vão se tornar mais frequentes nos próximos anos e poderão atender a interesses comerciais e científicos. A Odissey Moon, empresa da Ilha de Mann, planeja uma expedição para deixar na Lua, em 2011, instrumentos de outras empresas e de institutos de pesquisas. A TransOrbital, de La Jolla, Califórnia, valendo-se de um míssil balística intercontinental russo adaptado para fins comerciais, pretende ocupar áreas que possam servir de base para exploração de outros planetas ou para armazenar dados de comunicação da Terra. Essa mesma empresa anuncia que levaria
    para a Lua objetos e restos mortais de quem pague US$ 2.500 por grama. E o Google oferece US$ 30 milhões para a primeira equipe privada que conseguir colocar na Lua um robô que percorra 500 metros e envie imagens e dados à Terra.
     
    Pequenos foguetes, mas grandes momentos paea esses meninos
     
    Quando o presidente John Kennedy anunciou, em maio de 1961, que os Estados Unidos tinham o objetivo de enviar astronautas à Lua antes o fim da década, um grupo de meninos pré-adolescentes de Birigui, no estado de São Paulo, sentiu-se ainda mais animado para continuar a construir foguetes. Entre eles estava Ennio Peres da Silva, que começava ali o caminho que o levaria a tornar-se físico, professor do Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos maiores especialistas em hidrogênio no Brasil. Pouco à vontade diante da ênfase que a ciência brasileira hoje confere à produção de artigos científicos, os "papers", em vez de preferir a resolução de problemas concretos, Silva não perdeu o gosto pela ciência aplicada.
    "Muito da ciência, hoje, é simulação em computador, mas o mundo que precisa ser pesquisado é o mundo real, não o virtual. Não podemos esperar que os computadores resolvam os problemas do aquecimento global", diz. "As máquinas que faço demoram muito tempo até ficarem prontas e rendem, quando muito, um 'paper', porque às vezes as empresas não permitem a publicação dos resultados." Silva foi um dos coordenadores da construção de dois protótipos de carros movidos a hidrogênio, projeto financiado pelo Ministério de Minas e Energia: o Veja I, híbrido, com motor de combustão interna a hidrogênio e bateria, apresentado em 1996, e o Veja II, com células a hidrogênio no lugar do motor, que circulou pela Unicamp em 2004.
    As versões mais simples dos foguetes que Silva construía com os amigos eram de tubos de alumínio usados em antenas de televisão. As mais ousadas, de que nem sempre participava, levavam tubos de PVC ou papel cartonado. Algumas vezes, os foguetes transformavam-se em bombas que viajavam em balões e caíam em tempos calculados, à noite, como se fossem ataques dos temidos comunistas russos. "Queimei o cabelo e as mãos muitas vezes", conta. A pólvora, ele comprava em uma loja que também vendia tecidos. "Achavam que era para meu pai." O pai, José Dirceu, era contador e, nas horas de folga, caçador, no então abundante cerrado do Noroeste paulista.
    Silva tinha pouco dinheiro à mão, mas vendia jornais velhos para comprar a revista "Ciência Ilustrada" e, às vezes, as caixas com os experimentos de química e física da coleção "Os Cientistas". Lia também os fascículos da revista "Life" emprestados por lseu Nunes, colega de escola, coautor dos foguetes e hoje à frente de uma rede internacional de pesquisas de novos medicamentos. Ambos eram muitos requisitados pelas meninas do antigo colegial (hoje ensino médio) para fazer trabalhos em grupo. Nas casas das colegas Ennio encontrou livros e coleções como a enciclopédia Barsa, que ele via apenas na escola.
    Silva saiu de Birigui em 1974 para estudar física na Universidade de São Paulo (USP)~ Quatro anos depois, no início da pós-graduação, entrou no laboratório de hidrogênio da Unicamp, criado em 1975 para desenvolver alternativas aos combustíveis fósseis, e encontrou ali seu espaço como cientista profissional. Em 1981, enquanto fazia o doutorado, que consistia no projeto e construção de um compressor movido a hidrogênio, assumiu a coordenação do laboratório - e lá está até hoje, orientando pesquisas teóricas e aplicadas sobre hidrogênio.
    "Minha experiência pessoal mostra que as gerações mais novas pensam bem diferente e valorizam apenas os 'papers' ", diz. "Esses artigos dão visibilidade internacional, com pesquisa de baixo custo, mas seráque não. passamos do ponto e estamos muito virtuais? Será que não estamos apenas gerando mais conhecimento para outros países e deixando de lado nossos próprios problemas, que poderíamos ajudar a resolver? Ao me aposentar, não quero mostrar uma pilha de 'papers' e dizer que essa foi minha vida acadêmica. Quero mostrar as máquinas que fiz e que os outros estão usando." (CHF) .
Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF
Fatos & Fotos foi a primeira publicação que as bancas de revistas de Brasília dispunham narrando a histórica viagem dos três astronautas americanos, desde a saída no Centro Espacial Kennedy, a chegada triunfal à lua no dia 20 de julho e o seu retorno oito dias depois. Guardei a revista, que possui um disco com a gravação das vozes dos astronautas, e para melhor conservá-la, providenciei a encadernação.
 

Fatos & Fotos foi a primeira publicação que as bancas de revistas de Brasília dispunham narrando a histórica viagem dos três astronautas americanos, desde a saída no Centro Espacial Kennedy, a chegada triunfal à lua no dia 20 de julho e o seu retorno oito dias depois. Guardei a revista, que possui um disco com a gravação das vozes dos astronautas, e para melhor conservá-la, providenciei a encadernação.


 

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